segunda-feira, 1 de outubro de 2018

O PREÇO da liberdade!

Um dos títulos de matéria da edição do dia 21 de setembro de O Liberal anunciou: “Belém está entre as capitais com o trânsito mais violento” 



SEIS dias depois, um dos herdeiros do império de comunicação, Giovanni Maiorana, deu a sua contribuição para essa lamentável e grave situação. Depois de beber numa festa (por ironia ou fatalidade, para o lançamento de uma nova emissora de rádio do grupo de comunicação fundado pelo pai, Romulo Maiorana Júnior, do qual o filho mais novo é vice-presidente), alcoolizado, subiu numa camionete Jeep com potência de 170 cavalos, imprimiu ao motor velocidade que pode ter ido acima de 100 quilômetros por hora e saiu pela madrugada afora, como de costume nele e em muitos jovens daquela que os franceses, nos bons tempos (que não voltam mais) chamavam de jeunesse dorée.

Alguns metros depois, o Jeep de Maiorana colidiu com o primeiro carro estacionado na avenida Gentil Bittencourt, avançou e foi pegar Gabriela Cristina Jardim da Costa, de 19 anos, que nesse exato momento embarcava num táxi, de porta aberta, ao sair de outra festa, na mal afamada boate R4 (que deveria receber outra fiscalização da polícia e fechada, se for reincidente no funcionamento irregular). A jovem, que deixou um filho de três anos para a avó criar, morreu no momento da colisão. Se alguém quiser ver como ela ficou, é só ler a peça indignada do promotor de justiça Luiz Cypriano. A imagem reproduzida é chocante. Talvez venha a se tornar pedagógica pela dor.

O Jeep de Maiorana não estancou. Provocou efeito para diante, atingindo, no total, quatro veículos, que ficaram muito amassados. O empresário, de 26 anos, matou também Alexsandro Silva, de 19 anos, que ainda foi tirado com vida da calçada, até onde o carro avançou, mas morreu no hospital metropolitano de Ananindeua. Dois taxistas também se feriram levemente. Ainda não foram identificados.

Grogue, enrolando a língua, olhos vermelhos e andar cambaleante, Giovanni Maiorana tentou fugir, mas o taxista ao qual ele ofereceu dinheiro se recusou a transportá-lo. O empresário foi então ao restaurante do outro lado da rua, onde foi preso. Levado para a delegacia de polícia mais próxima, a Seccional de São Braz, se recusou a falar durante o auto de identificação. Enviado ao Centro de Perícia Científica Renato Chaves, também se recusou a fazer o teste do bafômetro – mera formalidade, já que a sua embriaguez era pública e notória, confirmada pelos testemunhos que o promotor público juntou ao seu sólido recurso pela prisão preventiva do criminoso.

Nenhuma linha sobre esse crime saiu em O Liberal, da família Maiorana. Nenhuma linha também no seu ex-adversário, o Diário do Pará, da família Barbalho, até hoje, passados quatro dias do acidente fatal. No seu noticiário do dia 21, O Liberal disse que esses acidentes de trânsito causam ao Estado despesa anual de 200 milhões de reais. A liberdade de Giovanni custou ao seu pai 0,4% desse valor.

E à opinião pública? (Lúcio Flávio Pinto, acesso em 01out2018)

Bandido bom, é bandido morto.
Mas isso só se aplica ao bandido pobre.

L.s.N.S.J.C.!

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