sexta-feira, 3 de agosto de 2018

GUERRA do Contestado!


Por José Augusto Moita

Fonte: Google.com

VOCÊ pode até achar que estou por fora ou então que estou inventando, mas é você que por não conhecer o passado, permite que o infortúnio sempre venha. Porém essa matança aconteceu, e o nome dela chamou-se Guerra do Contestado, é só correr para os livros de história. Mas para os que não gostam de pesquisas, vou explicar.



O marechal Hermes da Fonseca (fonte: Internet)
Em 1912 o patriota Mal. Hermes da Fonseca, à época governando o Brasil porque uns incautos achavam que só milicos é que sabem governar, por idéia dele ou de interessados outros, resolveu construir uma ferrovia ligando São Paulo ao Rio Grande do Sul. Só que surgiu um pequeno problema, um probleminha de nada, o Brasil não tinha grana para a obra. A solução foi chamar o iluminado ianque Percival Farquhar, detentor do controle de um fundo de investimento de seus conterrâneos, para tocar a obra. Acontece que investidor não é casa de caridade, e mesmo o marechal se mostrando um sujeito muito sério e honesto, Farquhar, esse sim defensor dos direitos de quem nele confiou, não aceitou fazer fiado. Aí a coisa tomou um impasse: a gente tem que fazer a ferrovia, num tem dinheiro, os gringos num fazem fiado, e agora? A sorte foi que apareceu uma mente prodigiosa dentro do governo brasileiro, que até hoje não se sabe a qual cabeça pertencia, porém também grande patriota, com a seguinte solução: a Brazil Railway Company (empresa criada pelos gringos sobre comando o Farquhar) construiria a ferrovia e como paga teria o direito de explorar durante 20 anos, 15 quilômetros de cada lado da mesma.



O magnata estadunidense Percival Farquhar (fonte: Internet)


Não, desatento leitor, você não leu errado! Para quem acha muito entregar agora Alcântara, Embraer, Pré-sal, saiba que o Brasil entregou nas mãos do espertíssimo Percival, com título de posse passado em cartório, um corredor de trinta quilômetros atravessando o Paraná e Sta Catarina, para que ele o explorasse da melhor maneira que lhe conviesse.

Agora chega a hora do nosso fogoso Exército. Os caboclos moradores das áreas generosamente doadas, não se achando muito confortáveis com a situação, se organizaram e disseram que não aceitariam a expulsão de suas terras. Foi o jeito mandar nossos valorosos comandantes combater os insurgentes, o que foi feito com muito denodo durante quatro anos, resultando na morte de onze mil brasileiros ( mil militares e dez mil renegados). Onze mil almas que estão escondidas nas páginas esquecidas da nossa História. (via Facebook)

Acrescento o comentário seguinte:

"Por isso a tal guerra é pouco celebrada, mas o governo tirou total proveito da situação, pois atiçou os gaúchos contra catarinenses, aplacando um pouco os instintos beligerantes dos riograndenses. Cercaram o estado de Santa Catarina pelas duas divisas, impondo fome e desabastecimento, pois a população de Santa Catarina tomou partido daqueles cidadãos que estavam sendo submetidos pelo próprio governo federal a terror e humilhação. Um outra entidade foi usada para tentar demover dos pobres habitantes das áreas afetadas a determinação de defender seu chão: a igreja. Sim, a igreja sob promessa de benefícios e vendo uma oportunidade, tentou dissuadir o povo, em nome dos céus. (Jorge Jockyman Júnior, via Facebook)"




Foi assim também em Canudos, Contestado e em outras rebeliões populares na época do Brasil Império, embora nestes casos, o Exército ainda não estivesse plenamente organizado, sendo essas repressões efetivadas por mercenários. Foram, contudo, ações do Estado contra o próprio povo.

O texto de José Augusto Moita desnuda mais uma daquelas vergonhas perpetradas pelo Estado Brasileiro que os livros de História passam ao largo, justamente por isso: serem ações vergonhosas, para se dizer o mínimo. No caso específico, além de reprimir violentamente a população pobre, a quem, por dever, o Exército devia apoiar e cuidar, os propósitos se punham a serviço de um poderoso magnata de uma potência estrangeira, sob a subserviência vergonhosa de agentes do Estado.

Aos ricos e poderosos, tudo; aos pobres, porrada, tiros, morte. E quando o agente é povo brasileiro, que, revoltando-se contra a miséria e os desmandos, organiza-se, está aí as polícias e o Exército contra esses pobres que teimam em subverter a ordem e o progresso. A ordem, a manter tudo como é, e o progresso para poucos.

Tudo errado.

L.s.N.S.J.C.!  

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