quarta-feira, 11 de julho de 2018

PEQUENO estudo sobre o coronelato no Ceará!

Por José Augusto Moita

J. A. Moita, o autor
PODEMOS considerar que há três momentos em que os coronéis mandaram, e continuam mandando -- mesmo que por períodos breves com menos relevância --, na conjuntura política da Terra que já foi de Alencar. 

O primeiro ciclo veio com a Proclamação da República, dos coronéis da Guarda Nacional, que compravam os títulos e loteavam o Estado em suas regiões de domínio. Vários homens de grau de instrução que variava do total analfabetismo ao glamour do diploma, sempre Medicina ou Direito -- sem contar com os famosos coronéis de batina, do seminário para a política.

O segundo, pós-64, dessa feita egressos das academias do Exército, apenas três, e deles trataremos mais à frente. 

O terceiro ciclo, na redemocratização, em meados dos anos oitenta, apenas um, o qual me recuso a citar o nome, mas que depois poderemos falar sobre a fortuna que acumulou quando passou a governar o Ceará, estabelecendo-se como a segunda maior do Estado -- sem contar com seus amigos que também milionários ficaram, Sérgio Machado é um deles. 

Fonte: Internet


Voltemos aos coronéis do segundo período: Virgílio Távora, César Cals e Adauto Bezerra.

Apesar de serem chamados de coronéis e terem realmente feito carreira no Exército atingindo o oficialato, nenhum chegou às três estrelas gemadas, ou fechadas, como se diz no jargão da caserna. Os dois primeiros atingiram a patente de tenente-coronel, e Adauto não passou de major, pois muito moço, abnegadamente, ingressou na sacrificante e laboriosa vida política, donde só sairia para as profundas. 

César Cals (fonte: Internet)


Pois bem, esses três vivaldinos senhores, para justificar suas fortunas amealhadas dentro da política, versejavam aos quatro ventos que sempre foram ricos, que entraram no Exército apenas para realizar um sonho juvenil e na política com um único intuito, ajudar o povo pobre cearense. O Virgílio foi mais além, teve a desfaçatez de apregoar ser o único político que entrou rico na política e saiu pobre... mas o melhor é que milhões de cearenses acreditaram e alguns milhares ainda acreditam. Só que tem um detalhe: um rico só manda um filho para uma escola militar se ele estiver dando trabalho, ou seja, querer porra nenhuma com a vida. Aí os que se esqueceram e os que não sabem hão de pensar: "poxa, que bom! O Ceará sendo governado por um triunvirato de coronéis, naquela época devia ser muito legal, quanta paz, quanta harmonia, não há coisa mais unida que milicos, marcham todos bem iguaizinhos, uma lindeza de ver..."

Seus bestas! Eles eram tão unidos que dividiram o partido deles em três: Arena 1, Arena 2 e Arena 3. Agora, vocês acham que dividiu e ficou legal? Seus bestas, de novo! Os correligionários deles disputavam as prefeituras na bala; crime político aqui era sinônimo de matança entre eles. Tirem suas bundas preguiçosas da cadeira e vão pesquisar na Biblioteca Pública os jornais da época.

Em cada Unidade Federativa, o governo que se instalou no Brasil em 1964 tinha seus homens de confiança. Além disso, os generais, almirantes, brigadeiros e coronéis também mandavam nas companhias estatais.

Todos homens de bem, que muito se sacrificaram pelo povo!

L.s.N.S.J.C.!  

3 comentários:

  1. César deixou aos filhos dinheiro suficiente para se elegerem, e durante algum tempo estiveram em boas posições, inclusive com o mais velho lambendo as botas de um coronel que ultrajou o nome do pai dele, mas acho que devido a incompetência e a sorte dos cearenses, estão afastados de cargos eletivos. O Virgìlio pelejou muito com o filho que se dava melhor com os prazeres mundanos que com a política, outra vez nossa sorte. Depois da perda do pai, Carlos Virgìlio ainda andou passando cobres algumm dinheiro da viúva-máe na bebida e em eleições, acabando por entragar os ossos num afogamento surreal em Teresina, a irmã foi quem se deu bem, posto casada com outro de boa família, desfruta de um fabulo patrimônio doado por um parente. Já Adauto...bom, Adauto foi o mais sábio ds todos, conseguiu até um banco, mas não era banco de praça, mas sim um banco de parças, que depositavam recursos do estado e de munícipios a custo zero numa inflação galopante de cavalo da Arma.

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    1. Muita sujeira.
      O que são os estados, caro Moita? Me refiro às unidades federativas do Brasil.
      São nada mais do que a herança das capitanias hereditárias, verdadeiros feudos. Primeiros foram os capitães, depois os barões, mais tarde os coronéis, que até hoje existem. Pode ver que, raras exceções talvez, em cada estado há uma ou duas famílias poderosas. Apossam-se de tudo o que possa favorecer as suas permanências no poder, deles e de seus filhos, netos. O poder judiciário está nas mãos deles, a mídia está nas mãos deles, o legislativo está nas mãos deles, a maioria dos prefeitos está nas mãos deles...

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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