sábado, 28 de julho de 2018

O PIEDOSO Manoel Pinto da Silva!


Sonho de consumo para os ricos paraenses da época: apartamento a partir de CR$ 1.610.000,00
 (fonte: Internet)

QUANDO se fala em Manoel Pinto da Silva, o nome do magnata português que fez fortuna em território paraense imediatamente remete à sua maior obra, o imponente edifício Manoel Pinto da Silva, prédio construído na década de 1950, que foi durante anos o mais alto de de toda a Amazônia. Morar no prédio mais alto do Norte torna-se o grande sonho de consumo das elites paraenses de então.

Manoel ou Manuel Pinto da Silva? Isso não é relevante.

Leia também:

http://www.abodegadovalentim.com/2018/02/a-precarizacao-das-relacoes-de-trabalho.html

http://www.abodegadovalentim.com/2018/06/jose-augusto-moita.html

Na verdade pouco restou registrado sobre sua passagem pelo planeta Terra. Nenhum livro, nenhuma página na Wikipédia, nada. Nada de interessante, mui provável, tenha deixado o magnata para que servisse de ensinamento aos que ficaram.

Mas que essa escassez de notícia sobre Manoel Pinto da Silva não seja razão para o nome do português ficar restrito apenas ao famoso edifício que construiu e que, por vaidade, deu seu próprio nome.

Morando na zona rural ainda garoto, não conhecia o prédio histórico batizado em homenagem a seu construtor vaidoso; apenas ouvia falar. Logo cedo, porém, travei conhecimento do nome de Manoel Pinto por meio de meu saudoso pai, um outro Manoel, o Valentim Moreira, que trabalhava como operário num dos empreendimentos do poderoso empresário português, uma de suas olarias. Lá meu pai e dezenas (centenas, provavelmente) de trabalhadores, moldando o barro, fabricavam tijolos aos milheiros para a  construção do gigantesco edifício, e também, com o excedente, para compor as casas e prédios das cidades do estado, ajudando o luso a ficar cada vez mais rico, por conseguinte.

O pai falava bastante sobre o xará milionário, que teria chegado pobre ao Brasil aportando em Belém duas décadas antes. Devia ser jovem ainda e o patriarca era o senhor Camilo Pinto da Silva.

A imprensa, entre ufanista e laudatória, como comprova esta página de jornal, 
festeja a inauguração da grandiosa obra  (fonte: Internet)

Acidentalmente um dia ouvi, entre as conversas dos adultos, minha mãe, dona Maria Ferreira, falando sobre alguém que teria enriquecido. "Difícil ficar rico se não explorou ninguém". Nunca me esqueci daquele comentário. Riqueza - pobreza - exploração. A partir de então, carrego comigo uma indagação: Seria possível alguém, não tendo recebido polpuda herança ou participado de algum grande negócio  com o governo, ficar rico sem não explorar seu empregado?

Voltando ao portuga.

Como dizia antes, ouvi da boca de meu pai muito sobre o megalomaníaco lusitano. Entre outras histórias, a de que o portuga teria lesado seu próprio pai, o velho Camilo Pinto da Silva, analfabeto, transferindo significativa parcela do patrimônio paterno para seu próprio nome. 

Pinto teria sido um dos primeiros empresários de ônibus na cidade de Belém, além de ter também fornecido material para a construção do aeroporto de Val-de-Cães.

Um patrício seu, estando em situação financeira difícil, foi-lhe bater às portas a pedir emprego. Manoel Pinto, meio que indiferente à presença do conterrâneo, admitiu o compatriota semianalfabeto em uma de suas empresas. Ao contrário do que se esperava, empregou-o num trabalho braçal em vez designá-lo para um cargo de relevância, como desejava o português pobre. Era português, era patrício, mas era pobre, não fazendo jus, portanto, a tratamento melhor. E lá foi o conterrâneo para o rabo da enxada, de nada adiantando a sua condição de conterrâneo do patrão.

Edifício Manoel Pinto da Silva (fonte: Internet)

Outra.

Certa ocasião, cavalgando por numa estrada vicinal, Manoel Pinto avista um homem  que carregava um feixe de lenha nos ombros. Era seu empregado, por coincidência, mas o patrão não o reconheceria entre centenas de outros que serviam sob suas ordens.

-- Onde pegaste essa lenha, ó rapaz?

-- Peguei aí... na sua mata, seu Manoel. -- responde o mulato, trêmulo de medo, apontando com a cabeça a floresta em redor, ao reconhecer o arrogante patrão.

O português mandou imediatamente o caboclo devolver a lenha onde tinha pego. De nada faria diferença para o rico português a lenha colhida pelo operário para queimar no rudimentar fogão. Tomou tal atitude imperativa e antipática com o fito de meramente exercer poder. Era ele o dono, era ele quem mandava e pronto.

Mas a minha mãe deu-me, sem notar, uma aula de sociologia.

sexta-feira, 27 de julho de 2018

O RACISMO de Monteiro Lobato!


Impacto do racismo de Monteiro Lobato sob uma visão histórica e pessoal 



Por Ale Santos 


Monteiro Lobato. (Foto: Reprodução/MUITOInteressante)


MUITOS professores ou estudiosos da educação ainda questionam até onde Monteiro Lobato era racista. Claro que a maioria destes questionamentos vêm de pessoas que nunca sentiram na pele o impacto da sua obra no cotidiano do negro.

O escritor taubateano era um famoso defensor da eugenia, um tipo de seleção de humanos “bem nascidos” ou uma escolha de características superiores para a evolução da espécie. Exatamente o que defendia Hitler, vários países tiveram iniciativas como essa.

Para ser mais exato, ele foi membro da Sociedade Eugênica de São Paulo e mantinha relações estreitas com vários dos principais nomes das políticas eugenistas brasileiras como Renato Kehl e Arthur Neiva.

Recentemente foram reveladas cartas em que ele fazia elogios à KKK (Ku Klux Klan), a seita supremacista que assassinava negros e incendiava cruzes nos Estados Unidos. “País de mestiços onde o branco não tem força para organizar uma Kux-Klan, é país perdido para altos destinos.” Disse.

A frustração do Lobato era por conta do seu livro O presidente Negro, que não foi aceito nos EUA. Nele a elite branca concluiria um plano para esterilizar todos os negros e extinguir a raça em prol de uma Supercivilização ariana.

O que isso tem a ver com a literatura infantil? Tudo. Afinal o autor foi capaz de projetar seus preconceitos na construção das personagens. Sua visão sobre a pessoa negra ou mestiça não mudava magicamente para um mundo onde todos eram felizes, durante a escrita.

No livro “Caçadas de Pedrinho” (1933) Tia Nastácia é tratada por nomes como “macaca de carvão” , “carne preta”, “beiçuda” e várias outros insultos de cunho racial. Seus defensores dizem que não se podem julgá-lo com as réguas atuais.

Um dos trechos completos é esse: “esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou que nem uma macaca de carvão pelo mastro de São Pedro acima, com tal agilidade que parecia nunca ter feito outra coisa na vida…”

Já em Reinações de Narizinho, Nastácia é chamada “negra de estimação”. São mais de 50 vezes que Lobato se refere a ela usando o termo a negra. Vários especialistas concordam que imaginário é parte inseparável de nossa existência e ajuda a construir nossa visão de mundo.

Por isso é esperado que crianças reproduzam de maneira natural as tratativas que o escritor tinha com sua personagem. Como eu sei? Porque estava lá em Taubaté durante a década de 90, estudando em escolas públicas que se alimentavam da obra de Monteiro Lobato o ano todo.

As ofensas raciais ganhavam um sentido doloroso para mim e a maioria dos alunos negros. Não havia variação de cor para o racismo impregnado, todos eram o “negro carvão” ou “cor de lodo” como Tia Nastácia já foi referida algumas vezes.

Coitado de nossos lábios, na verdade “beiços” como o racismo prefere enfatizar. E nossos narizes e orelhas. Tudo lembrava um macaco, quanto mais se propagava a obra, mais apelidos recebíamos.

Isso teve um impacto real na minha auto-estima, como deve ter sido para várias crianças negras. Por que reprovar um comportamento que vinha de um renomado autor? Todos riam, garotos e garotas brancas com respaldo dos professores.

Depois de alguns anos fui convencido que era um verdadeiro monstro. Meus pais nunca perceberam a origem de minha timidez. Nem eu, ninguém falava “você está sendo atacado porque é negro” Precisei de ajuda psicológica para lidar com tamanha inibição social.

Sinceramente, ela só foi desaparecer ali próximo aos 16 anos, quando morava em outra cidade e já estava no processo de reconhecimento e auto-afirmação racial. O avesso do que vinha dessa obra infame de Monteiro Lobato.


É por isso que EDUCAFRO e UNIPALMARES lutam para retirá-las das coleções oficiais do MEC. Mas enquanto a discussão entre educadores e escritores se desenrola, muitas crianças negras ainda são impactadas com o racismo de suas obras.

Lá no Sítio do Pica-Pau-Amarelo, em Taubaté, que agora é um museu e recebe centenas de turistas diariamente ainda é possível encontrar todo o tipo de estereótipo racista sobre a personagem. Por vezes interpretada com um blackface, pintando o rosto de forma exagerada, como um escárnio. Reforçando o batom vermelho para que a ofensa faça sentido.

Muitos anos após minha infância na cidade, visitei o lugar. Imaginei que após tanta polêmica as coisas melhorariam. Até fui assistir o teatro infantil, que acontece 2 ou 3 vezes ao dia. Saí da sala em menos de 30 segundos, não consigo realmente presenciar ofensas raciais nem de brincadeira.

Mais rápido do que eu foram as crianças da plateia para reproduzi-las: “Macaca Beiçuda hahaha”. Não quero imaginar como se sentiram as meninas negras assistindo a peça. Apenas me questiono até quando historiadores vão relativizar essa história e ainda dizer como nós, negros, devemos nos sentir em relação a elas. (DCM, acesso em 23jul2018)

L.s.N.S.J.C.!

sábado, 21 de julho de 2018

DOUTOR Bumbum!

Doutor Bumbum e a tragicomédia da bunda perfeita 


por Nathalí Macedo


 
Doutor Bumbum (fonte: Facebook)

DR. BUMBUM é um fenômeno tragicômico muito típico da geração Y, a começar pelo codinome-metapiada. Doutor sem doutorado, pela “relevância social” da classe, e Bumbum porque esta era, digamos, sua especialidade, e não porque, como talvez possa parecer, ele fosse um bundão.

Não era.

Veja também:



Denis Furtado atendia em uma cobertura no Leblon e cobrava até vinte mil reais por procedimentos estéticos que prometem te deixar o mais próximo possível de uma blogueira fitness. O resultado, entretanto, é um pouco diferente do prometido: a última que fez um desses procedimentos no açougue do Dr. Bumbum não está mais aqui pra contar a história. Segundo o boletim médico da vítima, ela chegou ao local com falta de ar, taquicardia e pele azulada. Deve ser um péssimo jeito de morrer.

Dr. Bumbum atendia fora de clínicas e hospitais por razões óbvias: o que aplicava na bunda das clientes era polimetilmetacrilato, um tipo de acrílico utilizado em preenchimentos faciais e corporais, rigidamente controlado pela ANVISA e contra-indicado por muitos médicos renomados pela irreversibilidade de seus efeitos colaterais, e o desconhecimento das possíveis consequências do uso do material em quantidade inadequada. Isso significa basicamente que se você usar microesferas plásticas demais para preencher partes do seu corpo que você acha que deveriam ser preenchidas, seu organismo pode rejeitar o acrílico e você pode morrer.


Denis Furtado (fonte: Internet)


Mas Dr. Bumbum não ligava pra esse detalhe: “é a bunda de Andressa Urach que você quer? São vinte mil pilas.” Há os misóginos, e há os misóginos exploradores do lucro que a misoginia rende, que são o pior tipo de misógino. Dr. Bumbum sem dúvida está no segundo grupo. Ganhava dinheiro para explorar a submissão de mulheres a um padrão estético cruel pelo qual são bombardeadas diariamente, nas revistas, na TV e agora no Instagram, o antro dos corpos perfeitos e das bundas perfeitas.

Afinal, de onde vem essa obsessão? A bunda da mulher latina, a bunda da mulher brasileira, a bunda que aparece nas propagandas de cerveja, e de chinelos, e de margarina, e do que quer que seja, ou numa banheira nas tardes de domingo dos anos 90, a bunda que torna uma mulher mais gostosa e portanto mais desejável pelos homens.

No Brasil é a bunda. Nos EUA são os peitos. Em algumas partes da Índia, o pescoço. Tanto faz, o patriarcado sempre se apropria de partes nossas – e eventualmente também do todo – para que continuemos escravas de padrões estéticos assassinos e torturantes, mas que agradem ao vouyerismo masculino, que é a única coisa que importa de verdade.

A isso algumas feministas têm chamado isso de “performar feminilidade”.

Ainda não conseguimos evitar o mau hábito de tentar agradar a esse voyeurismo, porque a autoimagem da mulher desta geração ainda está distorcida demais. Nossa autoestima ainda está atrelada ao que agrada ao nosso espectador – e cada vez mais, na verdade, na era das redes sociais.

Devagar, talvez nos livremos nas próximas décadas do salto alto, do sutiã de bojo, das cintas modeladoras, dos micro-choques que destroem a gordura na nossa barriga em clínicas estéticas, e dessa obsessão tão insana por uma bunda perfeita que tem levado mulheres a se submeterem a procedimentos estéticos inseguros onde um médico picareta põe plástico líquido em seus corpos em um quarto de hotel.

Notícia relacionada:
https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/bbc/2018/07/23/por-cirurgias-plasticas-mais-baratas-brasileiros-organizam-no-whatsapp-viagens-ate-bolivia-e-venezuela.htm?utm_source=chrome&utm_medium=webalert&utm_campaign=noticias

Meu desprezo por esse tipo de intervenção não é uma questão de repressão à liberdade individual: O corpo é meu, eu faço o que eu quiser com ele, mas isso não significa que eu precise pagar para que insiram esferas plásticas na minha bunda só pra provar que sou dona de mim. Não é o tipo de rebeldia que me parece vantajosa.

O mercado dos procedimentos estéticos de risco, entretanto, decerto ainda dura muito, porque são muitos os picaretas do corpo perfeito nos quartos de hotel por aí, e são muitas as Pugliesis e Misses Bumbum no Instagram, mas, por ora, deu ruim pro Dr. Bumbum:

Fala com Gilmar, doutor com doutorado especialista em livrar a cara de médicos misóginos. (DCM, acesso em 20jul2018)

É muita falta de Deus.

Retrato de um Brasil antidemocrático e desigual!

L.s.N.S.J.C.!

sexta-feira, 20 de julho de 2018

LULA, o corrupto mais sem-vergonha do Planeta!

Bancário visitou o triplex atribuído a Lula e tirou fotos que comprovam a farsa

 por Joaquim de Carvalho


Manuel Meneses (fonte: DCM)

O BANCÁRIO aposentado Manuel Meneses, de Vitória da Conquista, Bahia, fez o que a velha imprensa deveria ter feito: visitou o triplex que Sergio Moro atribui a Lula antes que ele fosse vendido e fez registros em fotos e vídeos. A conclusão dele e de qualquer pessoa honesta que veja as fotos é: o triplex não teve nenhuma reforma digna desse nome.

Manuel Meneses não é filiado a partido político, mas sempre aparece em causas de interesse público na sua região. Também é um homem antenado com as questões de seu tempo. Acaba de voltar de uma viagem à África, onde conheceu pessoas e monumentos que ajudam a contar a história de Nélson Mandela.

Não é rico, mas aplica seu dinheiro com expedições de interesse histórico. Foi o que viu no caso do triplex e apresentou-se ao leiloeiro como um interessado na compra do imóvel. Fez o depósito de R$ 1.000,00 (reembolsado) e marcou uma visita, às vésperas do encerramento do pregão ordenado pelo juiz Sergio Moro.

Pegou um avião em sua cidade, desceu no aeroporto de Guarulhos. Foi de ônibus até o Guarujá e, na rodoviária, pegou um táxi até o triplex. Para não ter despesa com hotel, marcou a passagem de volta para o mesmo dia. Ao chegar ao triplex, teve que esperar algumas horas porque, apesar do agendamento, não havia ninguém para recebê-lo e abrir a porta do apartamento.

Eu soube que ninguém tinha visitado o triplex, não havia nenhum interessado. O funcionário do leiloeiro abriu a porta e me deixou sozinho no apartamento. Eu tive tempo para olhar à vontade e vi que não era nada daquilo que a imprensa escrevia, sem mostrar, apenas dizia o que os procuradores falavam. Uma farsa”, afirma.

Para começar, o elevador. “Quando se falava em elevador privativo, imaginava que fosse algo que levasse da garagem ao apartamento, mas não. É um elevador que leva de um piso a outro no tal triplex, como esses elevadores para cadeirante. Uma coisa mixuruca, que não custa muito”, disse.

“Vi ainda que o piso que teria sido trocado não é porcelanato de primeira linha, é um piso de segunda linha. Não é o pior, mas também não é o de primeira linha. Fiquei pensando: um ex-presidente pode morar num lugar mais bem arrumado”, destacou. Se a reforma era propina, pensou Manuel, Lula teria que ser o corrupto mais sem-vergonha do planeta. (DCM, acesso em 20jul2018)

No entanto, pelo que divulgam, a tal reforma é citada um sem-número de vezes nos autos do processo.

Não seria o caso de nulidade?

L.s.N.S.J.C.!

quinta-feira, 19 de julho de 2018

CANUDOS, não. Belo Monte! (parte final)


Por José Augusto Moita

Imagem rara do Arraial de Canudos (Fonte: Internet)


EM ABRIL de 1897, após chegar na Capital Federal as humilhantes notícias do que ocorrera com a cabeça do Corta-cabeças, o imprudente primeiro presidente civil do Brasil, Prudente de Morais, jurou por tudo que para ele era prudente, que aquela vergonha não ficaria impune. Mobilizou as forças militares de dezessete Estados da Federação, metade do contingente disponível, e sob o comando de três generais, abastecidos de farta munição de arma e de boca, tocou-lhes sertão adentro para exterminar de vez aqueles monarquistas ex-comungados -- se bem que tanto de um lado como de outro eram todos católicos praticantes. Só que quando lá chegaram a coisa estava diferente do combinado. Essa quarta expedição a Canudos esteve prestes a também ser derrotada pelo pessoal do Conselheiro, faltou muito pouco. Para evitar mais essa bombacha justa ( já que muitos gaúchos foram combater com essa indumentária naquelas cercanias), o próprio Ministro da Guerra, Marechal Bittencourt, deslocou-se ao teatro de operações com mais homens e suprimentos; ficando porém acampado um pouco distante, que ele não era besta. Daí se deu o fim do massacre no dia 06 de outubro de 1897, depois de seis meses de um impiedoso cerco ao povoado, dizimado a bala, fogo e fome.
Antônio Conselheiro numa das charges divulgadas pelos jornais da época (fonte: Internet)



O saldo de vítimas dessa estúpida e covarde guerra foi de cinco mil vidas do lado das forças governamentais. Já as almas ceifadas entre os conselheiristas são estimadas em 25 mil, segundo dados oficiais porém oficiosos, posto esses números serem arbitrados pela contagem dos casebres destruídos a custa de granadas, incêndios e balas de canhão: em torno de 5.300, colocando-se cinco pessoas, os pais e três filhos, para cada habitação. Só que os leitores mais atentos hão de convir que essa cifra, de um casal com três filhos, estava muito aquém da realidade nordestina, que consistia de proles numerosas, sem esquecer dos avós e agregados que sempre complementavam uma família. Portanto os generais foram muito comedidos em seus cálculos e os números verdadeiros não os teremos nunca. Se o fogo associado ao esfacelamento dos corpos não permitiu a contagem correta no passado, a água do açude que soçobrou o local não favorece um trabalho científico mais apurado.

Pouco se sabe sobre sobreviventes, nada existe documentado, apenas a foto abaixo que mostra um pouco mais de uma centena de pessoas do sexo feminino e crianças. Os homens que não foram mortos em combate, quando capturados, eram todos degolados, a famosa gravata vermelha, que também não poupou as prisioneiras mais valentes. Esse fato levou a não haver rendição entre os combatentes conselheiristas. Os nossos bravos soldados adquiriram uma destreza muito grande na aplicação da degola; pelas costas do infeliz enfiavam-lhe dois dedos nas narinas, puxavam-lhe a cabeça para trás, cortando-lhe a traqueia com apenas um golpe de afiada lâmina, tanta perícia que a coisa parecia até indolor. Há relatos colhidos junto aos aplicadores de tal cirurgia, que os pacientes não vertiam sangue que enchesse uma simples chícara, devido seu estado de total desnutrição.

Euclides da Cunha, dentre tantos que escreveram sobre a página mais repugnante da nossa História, não conseguiu em momento algum achar bravura naquela guerra que não fosse da parte de um velho, de um menino e de dois homens feitos, últimos bastiões que resistiram até o último cartucho sob os escombros de um sonho.


P.S. A imprensa, a maior formadora de opinião à época, através de notícias fantasiosas e difamatórias, também corroborou com um belo serviço de limpeza étnica. Somente duas vozes não sujaram de sangue suas penas, Machado de Assis e Afonso Arinos ( tio do famoso jurista). Rui Barbosa acovardou-se, escreveu contra a carnificina mas não teve coragem de publicar. (via Facebook)

A começar por Deodoro da Fonseca, um dos grandes traíras da história brasileira, passando por Prudente de Morais, Artur Bernardes e findando em Washington Luís, em todas as (ou quase todas) cidades brasileiras essas figuras são nomes de praças, ruas e avenidas. Indaga-se: o que efetivamente fizeram esses personagens da República Velha em favor do povo humilde? Nada. Ao contrário, trabalharam em favor da conservação do poder concentrado nas classes abastadas deste país, favorecendo em consequência a a miséria e a desigualdade brutal reinante até hoje. São lembrados unicamente porque estavam no poder.

Que representava de perigo real Arraial de Canudos ao sistema instituído? Nenhum. Eram brasileiros miseráveis, analfabetas, gente que estava lá apenas para viver sua vida sossegada. Mas, ameaçada, era natural defender-se. 

Quantos Ruis Barbosas existem atualmente? Sim, muita gente influente e de saber, capaz de mudar o rumo das coisas, continua se acovardando até hoje. Com a palavra alto judiciário brasileiro.

Hoje, quem são os perseguidos deste país? Justamente aqueles que, a exemplo dos seguidores de Conselheiro, tentam se organizar. Assim, os sindicatos dos trabalhadores, os movimentos dos trabalhadores sem terra e outras organizações sociais são diariamente perseguidos, difamados pela mídia de hoje, que, maquiavelicamente, manipulam e influenciam a grande massa ignara contra esses representantes organizados das classes mais simples deste Brasil.

O sistema tem medo do povo organizado!

L.s.N.S.J.C.!

quarta-feira, 18 de julho de 2018

CANUDOS, não. Belo Monte!

Por José Augusto Moita

Antônio Conselheiro (fonte: Internet)


ANTÔNIO Vicente Mendes Maciel, O Conselheiro, cearense, foi um homem de poucas letras e muito estudo. Monarquista ferrenho e católico fervoroso, tocava sua vida à maneira que desse. Tentou ser comerciante, professor, deu uma de rábula pela Serra da Ibiapaba, mas acabou optando por levar sua existência do mesmo modo de um certo galileu dois mil anos antes: largando tudo e sair pregando o Evangelho aos mais carentes. 

Andou nessa peleja por quase três décadas, superando o Cristo em dez vezes no tempo de pregação, posto que o Nazareno, com três anos na infrutífera labuta, já lhe terem pregado, com pregação e tudo, numa cruz. Conselheiro conseguiu essa façanha porque foi mais esperto, agradou "azelite", construindo e reformando em mutirão com seus discípulos, igrejas, cemitérios e até açudes em propriedades privadas, enquanto o outro caiu na besteira de socorrer apenas aos pobres.

Os coronéis nordestinos se sentiam incomodados com aquela ruma de desocupados pelas estradas, mas, por outro lado... Só que a coisa começou a tomar proporções indesejadas. De poucas cabeças no rebanho do Bom Jesus (outro título, dentre os vários, concedidos a Antônio Vicente) passaram-se a centenas, depois milhares e o pior, não o estavam seguindo apenas mão de obra indesejada, doentes e prostitutas. Os braços produtores de mais valia também começaram a deixar seus patrões para acompanhar as peregrinações conselheiristas. 

Nesse ponto, por volta de 1894, para se proteger de seus difamadores e mostrar que não queria imbuança com seu ninguém, Conselheiro ocupa uma fazenda abandonada, eu disse ABANDONADA, no interior da Bahia, às margens do riacho Vaza-barris, localidade por nome Canudos, que ele renomina de Belo Monte, e ali, sem nunca ter lido O Manifesto Comunista, porém fundamentado nos preceitos verdadeiramente cristãos, aprendidos na Bíblia Católica, funda uma comunidade solidária, fraterna e igualitária -- fato que a pobreza ainda persistia, mesmo em menor intensidade que outrora, mas se o Reino do Céu está reservado aos pobres... 


Oficiais do Exército (fonte: Internet)


Como àquela época não se sabia no Brasil que diabos fosse comunismo, e muitos continuam sem saber até hoje, o Governo, sem essa opção de acusá-lo de comedor de criancinhas, jurou acabar com aquela infâmia alegando que Antônio Conselheiro queria reinstalar a monarquia. Nessa intenção envia uma tropa comandada por um tenente para desalojar aquele povo fedorento. O tenentizim com sua corriola num deu nem para meia missa, derrotados que foram pelas armas rudimentares dos conselheiristas.

Então foi o jeito mandar uma expedição maior, sob o comando de um major, que também "faiô", sem contar que na debandada deixaram armas melhores à disposição dos que vieram combater. Como os briosos senhores republicanos florianistas, saídos das fraldas do recente golpe contra a monarquia dos Orleans e Bragança, não podiam perder a pose, resolveram enviar para o agreste baiano seu mais terrível e sanguinário coronel, Moreira César, homem admirado dentre a milicada por seu honroso epíteto: o corta-cabeças, apelido esse que fez jus na valorosa campanha da Guerra do Paraguai, onde por lá utilizou do infame ato da degola nos vencidos. O orgulho, a vaidade e a soberba fizeram-no literalmente perder a cabeça no campo de batalha, e com a própria a de outro seu colega também coronel, o Tamarindo. 


Moreira César (fonte: Internet)


A tresloucada campanha do ignóbil, que disse tomar Belo Monte sem disparar um tiro, apenas a golpe de sabre, além da derrota acapachante, só serviu para municiar os conselheiristas com mais milhares de armas e milhões de cartuchos. Dentre as armas, seis modernos canhões que os habitantes do Belo Monte não souberam manusear e os transformaram em bigornas. É de bom alvitre lembrar que a comunidade, mesmo dependendo de alguns produtos do exterior, foi autossustentável no pouco que necessitavam para viver, inclusive no que concerne à metalurgia, fundição, tecelagem, etc.


Terei que encerrar esse capítulo, excedi o limite de caracteres que nessa mídia me permitem. Continua...



Por que o poder constituído -- leia-se: governos, judiciários, grandes empresários e banqueiros, latifundiários e até mesmo a Igreja -- tem tanto medo do povo organizado?

Idêntico pavor também têm de que o povo se eduque e finalmente tome consciência do quanto é explorado e que, para se acabar com tanto descalabro, precisa se organizar e tomar o poder.

Por isso, uns miseráveis, inofensivos, como o povo que formou e habitou Canudos foram combatidos e dizimados.

L.s.N.S.J.C.!

terça-feira, 17 de julho de 2018

DOUTOR Bumbum!

O Doutor Bumbum é a cara do Brasil do golpe

Denis Cesar Barros Furtado, o doutor Bumbum, fantasiado de oficial do Exército (fonte: DCM)


O BRASIL do golpe é povoado de personagens saídos de um livro ruim escrito a várias mãos por Kim Kataguiri, Alexandre Frota e José Sarney.

Frequentemente um deles sai do esgoto e dá as caras da maneira mais reveladora possível.

O médico Denis Cesar Barros Furtado, de 45 anos, teve a prisão decretada pela Justiça do Rio de Janeiro após a morte de uma paciente. Está foragido.

Lilian Calixto, bancária de Cuiabá, tinha 46 anos. Faleceu após ser atendida numa cobertura na Barra da Tijuca. Ia colocar silicone nas nádegas.

Encaminhada a um hospital particular, chegou ainda lúcida, mas com taquicardia, sudorese intensa e hipotensão. O quadro se agravou e ela não resistiu.

Postagens relacionadas:





Doutor Bumbum”, como Denis era conhecido, está registrado nos conselhos regionais de Medicina do DF e de Goiás.

Colecionava milhares de seguidores nas redes sociais. No Facebook, se declarava 1° Tenente Médico do Exército Brasileiro. Posava de uniforme.

Era o coxinha arquetípico, encantando sua plateia com o pacote clássico de indigência mental do nosso pós-normal.

Denis replicava posts do Vem Pra Rua, pregava a intervenção militar, tecia considerações sobre ética, detonava a corrupção, adorava a Lava Jato, denunciava a infiltração marxista-leninista.

Escreveu uma diatribe sobre o fato de que “nos acostumamos com a falácia da impunidade ou com a banalização do que era inaceitável”.

“Num ano eleitoral isso deveria ser repensado, pensado ao menos, ao invés de anencefalamente, apenas repetir clássicos jargões como :é gopi!, homofobia!, não há provas!, ele é fascista, estuprador e opressor… Etc e etc…”, disse.

“É bonito ser comunista até mexerem em nosso bolso. Pagar com o dinheiro dos outros é fácil, mais propriamente dizendo”.

Era contra o desarmamento. Compartilhou vídeos de um fulano dando tiros com várias armas, incluindo um fuzil.

Doutor Bumbum não existiria sem o embrutecimento e a estupidez galopantes que tomaram conta do país.
Doutor Bumbum (fonte: Terra)



É o picareta direitista que cometia crimes enquanto atacava “esquerdopatas”. O retrato de um país que voltou a registrar alta de mortalidade infantil após décadas.

Uma vez em cana, levantaram a ficha do cidadão de bem (segundo sua autodefinição): acusado de homicídio em 1997, quando tinha apenas 24 anos, porte ilegal de arma (2003), crime contra a administração pública (2003), resistência à prisão (duas vezes, em 2006 e 2007), violação de domicilio (2007).

Doutor Bumbum foi para a cadeia, mas nós não nos livramos dele.

Está bem representado nestas eleições e seu candidato se garante, segundo as pesquisas, no segundo turno.

É melhor Jair de acostumando. (DCM, acesso em 17jul2018)


Perde Bolsonaro mais um eleitor. Não me surpreende em nada o dito cujo ser eleitor do fascista. 

De fato, a cara do Brasil do golpe!

L.s.N.S.J.C.!


segunda-feira, 16 de julho de 2018

MONTIEZ Rodrigues!

Os irmãos Dias


Montiez Rodrigues
OS IRMÃOS Dias eram os maiores agiotas de Natal no meu tempo de Banco do Brasil. Era raro um funcionário do BB (Banco do Brasil) que não tivesse na carteira de empréstimos deles pelos menos uns dez cheques especiais assinados. 

Zé Dias e João Dias praticavam as taxas de juros mais baixas. Era de 10%, no máximo, descolados da inflação, taxa que era apenas o dobro da oferecida pelo cheque-ouro do próprio BB. Quando o funcionário esgotava seu limite, corria para os irmãos Dias. Mas havia outro irmão.

Era o Adolfo Dias. 

Para este só se recorria como o recurso do recurso, era a instância superior da agiotagem. Suas taxas, além de seletivas, eram extorsivas. Nunca eram menores que 20%. Cair ali era se arremeter num mergulho sem fim, de onde nunca mais viria à tona. Só mesmo o departamento social do Banco para, através de uma severa restrição numerária à vítima infeliz, acrescida de tratamento médico e psicológico, liquidar seu débito com o agiota. Eu mesmo, se quis escapar desse maestron naufrágico, aceitei passar oitenta dias internado numa clínica cinco estrelas para me submeter a tal tratamento.

Na FAB, quem emprestava dinheiro a juros para nós sargentos eram os taifeiros. Nunca entendi como o dinheiro deles sempre sobrava e o nosso nunca chegava nem na metade do mês.

Quando fui apresentado a Zé Dias, fui apadrinhado por um devedor seu contumaz: José Radir de Macedo, colega do BB e futuro prefeito de Parelhas. Em lá chegando, Radir, todo respeitoso, foi logo dizendo:

 "Seu Zé, trouxe um rapaz para o senhor conhecer e para ser seu futuro cliente. O cara é dos bons. Entrou no Banco agora, mas veio da Força Aérea, era sargento da Barreira do Inferno". 

Zé Dias, sem o menor entusiasmou, olhando-me de cima a baixo, disse pra Radir:

 "Da Barreira, não, mas da Base Aérea tenho mais de cem cheques aqui, de sargentos e até de tenentes". 

Lá se foi meu trunfo! Naquela noite as putas do Danúbio Azul e as de Maria Boa não teriam cervejas pagas por mim. Mesmo assim, Zé Dias, com aval de Radir, me emprestou um pouco. Entrei naquela ciranda e girei nela por muitos anos, mas nunca recorri a seu irmão mais velho. 

Com Adolfo Dias, a dor fodia sem dó nem piedade. (via Facebook)

Com alguma dose de humor, Montiez Rodrigues põe a nu uma realidade muito comum nos anos 80 e 90. Muitos chefes de família acabavam se endividando e recorrendo a agiotas. Nós não sabíamos que a conjuntura econômica de então tinha muito a ver com essa crise, tal era o achatamento salarial, o alto custo de vida e a especulação financeira.

Muitos colegas se sentiam culpados por não conseguir controlar o orçamento familiar e faziam de tudo para não deixar nada faltar em casa. Mas acredito que muitos de nós procuravam não passar o problema para a família, procurando poupá-la. 

No nosso caso, os militares, ainda tinha uma dificuldade adicional: caso atrasasse uma parcela no comércio, o lojista logo mandava uma comunicação ao comandante, que, de imediato ameaçava o milico com o número 63 do artigo 10 do Regulamento Disciplinar.

L.s.N.S.J.C.! 


sábado, 14 de julho de 2018

JOSÉ Augusto Moita!

Os Bítus no Vietnã




Fonte: Internet


COMO OS meninos de Liverpul todo o mundo conhece, vamos fazer uma breve exposição do que foi a carnificina promovida pelo país sem nome no sudoeste asiático antes de entrarmos no mérito da questão.

A Indochina Francesa, que mais tarde viria a ser o Vietnã, começou a ser explorada pelos franceses em meados do Sec XIX, e nessa mamata eles passaram quase noventa anos. Só que para azar dos filhos do rei sol, surge um sujeito pelos anos trinta do século seguinte, que ficou conhecido por Ho Chi Minh "aquele que ilumina", para botar gosto ruim no patê de fígado de ganso deles. A princípio Tio Ho, como era carinhosamente chamado pelo seu povo, vai na maciota, tipo Gandi na Índia... 

"Negada, rão simbora. Deixa nois impaz..."

Ho Chi Minh (fonte: Internet)


E os franceses, sem querer largar a boquinha. Como papo nunca funcionou nesses casos, os vietnamitas pediram ajuda dos moscovitas e botaram os franceses para correr das terras deles. Mas ONU, pra dar uma de boazinha, entre na arenga e divide o Vietnã em dois, tipo como fizeram na Alemanha, na Coreia... e pelo mundo afora.

Só que dentre o pessoal que ficou no Sul tinham uns comunistas, os vietcongues, que, com a ajuda do Tio Ho, resolveram unificar tudo sob a bandeira vermelha da estrela amarela. Aí o pau torou, os ianques chegaram, fizeram todo tipo de atrocidade, de guerra química à matança indiscriminada de civis, velhos, mulheres e crianças, com tudo devidamente documentado.


Fonte: Internet

E onde é que entram os Bítus? Calma, chego já lá.

Por volta de 1967, no auge da guerra, um comando vietcong de uma dezena de guerrilheiros toma a rádio oficial de Saigon, capital do Vietnã do Sul, com o intuito de divulgar através de suas ondas magnéticas uma mensagem de Ho Chi Minh denunciando as atrocidades praticadas pelos invasores ianques. Esses, por sua vez, detentores de alto conhecimento tecnológico, conseguem bloquear o sinal da rádio de Saigon, passando para o controle deles a transmissão. E sabem o que eles jogam no ar? Música, naturalmente.

E qual música?

Ora , bitoumaníacos leitores, nada melhor para encobrir um protesto esquerdistas que uma música alienante, não? E tome Relp e Leirebi nas oiças dos garotos que amavam os bìtus e os rolistones....

P.S. Dion Leno, o único dentre eles que fez música pacifista à época, só o fez depois que saiu da banda.

Em Udistoque não se tocou uma só canção dos garotos de liverpul. (via Facebook) 


Se há neste mundo um país cruel, capaz de qualquer abominável ato de atrocidade, e -- pior -- sob a capa da legalidade e da democracia, esse é o tal País sem nome, ao qual o amigo J. A. Moita se referiu.

L.s.N.S.J.C.! 

quarta-feira, 11 de julho de 2018

PEQUENO estudo sobre o coronelato no Ceará!

Por José Augusto Moita

J. A. Moita, o autor
PODEMOS considerar que há três momentos em que os coronéis mandaram, e continuam mandando -- mesmo que por períodos breves com menos relevância --, na conjuntura política da Terra que já foi de Alencar. 

O primeiro ciclo veio com a Proclamação da República, dos coronéis da Guarda Nacional, que compravam os títulos e loteavam o Estado em suas regiões de domínio. Vários homens de grau de instrução que variava do total analfabetismo ao glamour do diploma, sempre Medicina ou Direito -- sem contar com os famosos coronéis de batina, do seminário para a política.

O segundo, pós-64, dessa feita egressos das academias do Exército, apenas três, e deles trataremos mais à frente. 

O terceiro ciclo, na redemocratização, em meados dos anos oitenta, apenas um, o qual me recuso a citar o nome, mas que depois poderemos falar sobre a fortuna que acumulou quando passou a governar o Ceará, estabelecendo-se como a segunda maior do Estado -- sem contar com seus amigos que também milionários ficaram, Sérgio Machado é um deles. 

Fonte: Internet


Voltemos aos coronéis do segundo período: Virgílio Távora, César Cals e Adauto Bezerra.