quinta-feira, 28 de junho de 2018

SUA EXCELÊNCIA o deputado!

E o desmonte social do país



OUTRO DIA no programa matinal de entrevistas da rádio local o convidado da emissora foi um deputado federal, desses homens de família e de Deus que, em 17 de abril de 2016, ajudou a dar o golpe na democracia brasileira. Na entrevista, Sua Excelência apresenta seu trabalho, sempre em favor da população brasileira, em particular aos residentes nesta região do Paraná. 

E aí, excelência, o que acontece? Fale sobre seus projetos em favor do povo da nossa região, do nosso estado e do Brasil. Imagino que o ilustre deputado também queira falar sobre o que se discute nas comissões, ou ainda sobre a tal reforma da previdência. O que o senhor acha disso? Talvez queira dizer algo sobre as novas leis trabalhistas, com as quais seus correligionários em Brasília concordaram e aprovaram. O que o senhor tem a dizer sobre os gastos do Executivo? Ou ainda sobre como votou na reforma trabalhista? Talvez queira convencer o eleitor sobre como será bom para o trabalhador ver reduzidos seus direitos.

Nada disso! Ao largo de assuntos polêmicos como esses, para os quais, ao que parece, suas excelências não ligam a mínima.

Fora desse horário de entrevistas diárias, a rádio, em sua programação noticiosa normal, dá sempre alguma notícia sobre verbas e projetos, sempre com a intermediação do deputado estadual fulano ou por meio do deputado federal tal. Sobre o governo estadual nenhuma vírgula de crítica; só notícia boa.

Sabe-se que a menina dos olhos de suas excelências são as emendas parlamentares. Com elas e a grana que é liberada a cada deputado, nossos parlamentares podem fazer política com os prefeitos de sua base eleitoral, garantindo-se perpetuamente no cargo. Os prefeitos, por sua vez, não têm para onde correr a não ser apelar para o deputado, seja ele estadual ou federal. Isto, se quiserem também obter a aprovação de suas respectivas gestões por parte de seu eleitorado, além de, é claro, eles também poderem se reeleger ou se candidatarem a outros cargos eletivos. Uma coisa puxa a outra. 

Outra vez o conjunto de notícias dadas pela rádio foi sobre a governadora do Paraná, que, desinteressadamente, veio ajudar o povo desta região. Que querida! Do jeito que a coisa vai, o Paraná continuará sendo governado (sic) por esses falsos brasileiros: ela ou o outro ratão. 

Notícia relacionada:

https://www.esmaelmorais.com.br/2018/06/politica-economica-de-temer-psdb-faz-industria-desabar-134-em-maio-e-desemprego-explode/

Recentemente (nesta semana), a mesma emissora entrevistou um político, candidato à prefeito de Dois Vizinhos (PR) nas últimas eleições. Um discurso bonito, palavras bem ensaiadas, bastante convincente. A não ser por um detalhe: a deputada federal, a quem ele apoia, apoiou o golpe parlamentar de 2016, votando pela instalação dessa administração catastrófica que está aí. Dize-me com quem andas e dir-te-ei quem és. 

E -- podem estar perguntando -- o que tem a ver esses políticos com a notícia do Jornal de Beltrão de 28jun2018, que, a julgar pelas notícias que publica, é também apoiador do governo ilegítimo que se instalou no país? 

Simples. 

Todos essas autoridades publicas que mencionei, e que foram à emissora de rádio fazer política partidária, são do lado político que se apossou do governo, e que estão desde o primeiro dia fazendo esse estrago com o país. São os mesmos que apoiam os deputados federais e senadores que, por sua vez, disseram "sim", à tal reforma trabalhista, essa mesma que retirou direitos dos trabalhadores, e que precarizou as relações de trabalho. Suas excelências são a favor do governo (sic) temerário e de sua política de entrega das riquezas nacionais aos famigerados grupos capitalistas internacionais; são os mesmos que votaram pelo congelamento dos investimentos sociais por vinte anos. São esses também que, dizendo-se cidadãos de bem, votaram em nome da família brasileira e de Deus, contra a corrupção, estão também nas notícias por (Adivinhem!) corrupção. 

Essas pessoas não têm nada de interessadas no bem-estar social. Estão nas rádios, jornais e tevês, sim em busca de se manterem no poder, ou seja, buscando conservar seus próprios privilégios. Nada estão, na verdade, preocupadas (por exemplo) com essas 1.150 famílias que perderão seus empregos, suas fontes de sustento. Não estão nem um pouco preocupadas com os empregados desses 700 aviários a serem desativados. Tampouco com os muitos trabalhadores que fazem a logística de transporte de aves.

Essa pobre gente, que talvez esteja hoje soltando fogos e empunhando a bandeira brasileira em função da vitória da seleção brasileira ontem, infelizmente não consegue enxergar o porquê, a verdadeira causa das demissões. Podem até pensar que seja um caso isolado, quando na verdade há uma terrível onda de desemprego no país. É possível até que tenham igualmente soltado fogos naquele domingo fatídico de abril de 2016, quando aquele grupo de deputados, uma grande palhaçada, um circo, votou pela saída de uma presidente honesta. Hoje essas mesmas pessoas -- essas que vão perder o emprego -- não sabem o que será do amanhã, e possivelmente ainda votarão nesses mesmos candidatos que ora procuram as mídias vendendo ilusões. 

Que vão fazer? Talvez vender hambúrguer, como sugeriu sutilmente Ana Maria Braga (vide postagem). Mas há uma luz no fim do túnel: no mesmo jornal à página 15 diz que o prefeito de Francisco Beltrão, que é do PSDB, vai entrar em campo, é possível que em breve, para, por intermediação logicamente de algum deputado (ou um grupo deles), pedir ao governo e aos diretores da empresa por essa gente para que venham a ser novamente oferecidos aos recém-desempregados os respectivos empregos de volta. Quanta bondade de sua excelência!

E aí todos vão estar plenamente agradecidos à laboriosa classe política brasileira, a quem, com seus preciosos votos, novamente reelegerão. 

Ainda que com o salário reduzido à metade do que recebem hoje.


Pobre povo brasileiro!

L.s.N.S.J.C.!  

2 comentários:

  1. Basta estudar um pouco sobre as revoluções de viés marxistas ocorridas no Mundo para se constatar que todas privilegiaram o ensino. Não citaria como exwmplos nem a parelha China e Rússia, para não atiçar o ódio dos direitopatas, mas a pobre Cuba, que tem analfabetismo beirando o zero e pessoas com nível superior em números iguais ou maiores a países ditos desenvolvidos. A resposta para o por quê dessas diretrizes ao ensino é simples: a um povo instruído é mais dificil de enganar, evita-se quw um demagogo usurpe o poder e destrua todos ganhos da população. Eis porque nós não podemos culpar nosso povo pela ignorância dele, doença que mais mata seres humanos.

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  2. Sim, concordo.
    Chega a ser nítida a opção dos capitalistas de aqui ao não privilegiar o ensino libertador. Para quê acordar o povo?

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