segunda-feira, 14 de maio de 2018

MONTIEZ Rodrigues!

Opressões, endoutrinamentos e lavagens cerebrais


ESTIVE vendo um vídeo sobre a Coreia do Norte filmado por uma médica prestando serviço voluntário naquele país e o que mais se sobressaiu no vídeo gravado secretamente foi a reverência que aquele povo miserável presta ao seu líder máximo. Curvam-se ao seu nome ou diante do retrato que todos são obrigados a ter em suas residências, aliás, o único quadro na parede da sala. Um povo, que mesmo nas condições precárias em que vivem perderam a capacidade de se indignar. Isto foram décadas e décadas de lavagem cerebral. Adultos de hoje que tiveram suas mentes lavadas na infância. Se Kin Jon-in morrer sem deixar um sucessor hereditário toda aquela nação cairá numa acefalia profunda.

Vendo hoje no Facebook, alguns de meus ex-colegas da Escola de Especialistas de Aeronáutica postando críticas raivosas contra Lula e os que acampam em frente a prisão ou produzem manifestação de apoio ao ex-presidente, tecendo comentários raivosos como se o Lula e o PT fossem os únicos vilões do Brasil e sem uma palavra sequer sobre os corruptos e golpistas do PMDB que estão acabando com o país, aí me lembro do poder que tem uma lavagem cerebral. Ela é capaz de canalizar o ódio até para um poste sem luz ou a idolatria ao veneno que alimenta suas almas. Estes colegas, como eu, sofremos durante o curso em Guaratinguetá-SP, diversas tentativas de lavagem cerebral além daquelas que todos os civis, principalmente as crianças, de culto aos ditadores de plantão. No auditório da escola nos apresentavam uma lista dos homens mais perigosos do Brasil, inclusive de alguns que a própria ditadura enterrou em seus porões como o Vladimir Herzog ou de outros que sobreviveram aos porões do DOI-CODI, como a, atriz Bete Mendes, o cantor Geraldo Vandré e outros. Mas os nomes que mais me chamaram a atenção e despontava logo no topo de uma lista de periculosidade decrescente, eram, em primeiro lugar D. Helder Câmara, arcebispo de Olinda, seguido de Chico Buarque, seu pai Aurélio Buarque, talvez o maior antropólogo do Brasil, Aloísio Lorscheider, o cardeal, Fernando Morais, Jorge Amado e Zélia Gatai, sua esposa, João Ubaldo Ribeiro e outros que não me lembro mais. Ver D. Helder no topo da lista foi uma coisa espantosa para mim. Conhecia pessoalmente d. Helder e gostava de vê-lo em sua simplicidade passeando diariamente pela praça do Derby em Recife. Eu morava na casa de estudante de Pernambuco ali perto. Vendo a lista me perguntava: como aquele homem baixinho e magro, manso, de olhar bondoso assustava tanto os generais a ponto de ser colocado como o mais perigoso da lista?

Durante o período da escola militar me alienei da política lendo a obra completa de Herman Hesse, tudo o que havia de Jung e Freud na biblioteca, Henri Carriere, Graciliano Ramos e outros autores que me imunizaram da lavagem cerebral diária pregada no quartel. Depois de formado li tudo que Jorge Amado, D. Helder, Zelia Gatai, Ubaldo escreveram. No entanto, o livro que mais gostei foi o primeiro de Gatai: Anarquistas, graças a Deus!

Lamento pelos colegas que não puderam se curar daquele mal e que hoje raivosamente comentam sobre a corrupção da esquerda e fecham os olhos compassivamente aos estragos que esta direita corrupta está fazendo ao nosso país. Triste porque eles parecem que venceram e o sinal está se fechando pra nós.

Montiez Rodrigues, via Facebook


Uma maneira prática de iniciar meus textos é colocar uma situação real, um fato, um caso que de fato tenha acontecido. Quando não, ao menos, uma anedota ou algo assim, desde que contenha verosimilhança. Creio ser importante ilustrar a opinião com alguma coisa do tipo. 

Pois bem. Tomo aqui (aí em cima) emprestado um texto que contrabandeei do Facebook. É da lavra o meu amigo virtual Montiez Rodrigues, um ex-colega de farda cearense, inteligente e muito bem-humorado. 


Trata-se de alguém que enxerga um pouco mais longe que a maioria, um representante das gentes que, infelizmente, vão se tornando rara nestes tempos de redes sociais. Hoje muitos se acham entendidos de política sem ao menos na vida ter lido um livro de Sociologia. Quais suas fontes? A televisão. Para outros, além da tevê, a igreja, o pastor. Para outros ainda, além desses instrumentos de controle social, o quartel. 

Embora estes últimos jurem que o quartel e suas doutrinas cotidianas nada têm a ver com suas opiniões, a bandeira política, essa influência da caserna fica para mim cada vez mais clara, bastando uma breve consulta às suas postagens costumeiras, onde expressam suas ideias as mais conservadoras possíveis. 


Sendo religioso fundamentalista (não eu, mas os ditos colegas), igualmente um breve passeio e se constata os rigores do Velho Testamento, que eram normas de um outro contexto social, sendo indicados para os problemas brasileiros de hoje. 

Lendo as obras de Paulo Freire, percebo cada vez mais claramente a divisão do país em duas classes: a dos opressores e a dos oprimidos, com aquela mantendo esta última sob controle, sem mesmo que a classe oprimida tenha consciência de opressão que sofre. 


Aí vem alguns, a exemplo de Freire, e desejam abrir as ideias do oprimido, mas não apenas desejam, lutam e lutam... e nada. O lado opressor tem seus instrumentos de dominação. O primeiro deles foi exatamente a criação do Estado, com seu exército, mais tarde as polícias. Essas forças surgiram justamente para garantir no poder o rei (ou qualquer outro título de poder) com suas regalias, proteger suas propriedades, além de garantir o pagamento de impostos por parte do súdito. 

Aí já temos duas classes: uma a do rei e sua corte e funcionários, opressores; a outra, a de seus súditos, os oprimidos, o povo. 

Com o tempo vieram outros instrumentos a serviço dessa classe opressora.


Um deles, os meios de comunicação social. Primeiro o jornal impresso, depois o cinema e o rádio, mais tarde a televisão. Outro instrumento, de há muito mais tempo, a Igreja Católica, enquanto esta era a religião oficial. Depois, com o advento da República, as demais religiões protestantes, que, aliás, pululam de forma abundante, sendo inaugurada uma a cada meia hora. 


Outro, também secular, os quartéis, onde a dominação do opressor é explícita e oficializada.

Bola pra frente, amigo e companheiro!

O assunto, é óbvio, não se esgota aqui. Muito ainda temos a dissecar nesta bodega virtual.

L.s.N.S.J.C.! 

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