quinta-feira, 3 de maio de 2018

IGREJAS e alienação!

A ação das igrejas evangélicas na deformação da opinião pública

Silas Malafaia, pastor milionário (fonte: DCM)


Por Simony dos Anjos

CAZUZA, nos anos 1980, muito bem formulou “eu vejo o futuro repetir o passado” e, de fato, nos últimos tempos é isso que temos visto, um passado temeroso que nos espreita, nos observa, esperando uma pequena distração para retornar. A política, de certa forma, pode ser vista de forma pendular, um pêndulo que ora está na extrema direita, ora descansa no centro, mas, infelizmente, ainda não chegou, de fato, à esquerda – embora lutemos para que isso um dia aconteça. E o pêndulo da política brasileira, que ficou nos últimos anos estacionado no centro-esquerda, tem dado uma bela jogada para a direita, de forma escancarada e incontestável.

Contudo, essa atual guinada à direita não é fruto de um movimento de “políticos”, trata-se de interesses econômicos dos mais ricos, da mídia conservadora, de relações escusas entre políticos e elite e, incontestavelmente, da ação de certos segmentos religiosos na política nacional. Nesse cenário, é necessário discutir essa relação bastante sórdida entre o Estado e os religiosos — digo religiosos, pois a religião, em si, não estabelece essas relações e, sim, seus líderes.
Eduardo Cunha, também um "homem de deus" (fonte: Internet)

Estamos num momento muito delicado da política brasileira, julgamentos enviesados, uso político do judiciário, prisão de um ex-presidente, que teve início com uma perseguição declarada ao Lula e ao PT— ou alguém discorda que esse circo armado, com redes de TV, jornais, rádios e com tudo, foi uma tática para tirar Lula do pleito de 2018?

E, é nesse caldeirão que mais uma vez temos que assistir pastores, lideranças e diretorias de igrejas evangélicas induzirem as bases de suas igrejas ao apoio do que há de mais sórdido, perverso e sombrio na política: o benefício de poucos em detrimento das garantias de direitos da população.

Assim, precisamos ver na história o quão prejudicial as lideranças protestantes e evangélicas já foram à democracia brasileira. Diga-se de passagem, uma democracia ainda débil, que está engatinhando e, haja vista os últimos acontecimentos, não sabemos se chegará a andar. Para tanto, farei uma pequena regressão à década de 1960, pouco antes de Castelo Branco assumir a Presidência, momento no qual Eneas Tognini, o então presidente da Convenção Batista Brasileira (CBB) conclamou a Igreja Batista a jejuar e orar para que Deus livrasse o Brasil da “ameaça comunista” e abençoasse o governo militar.


Dentre tantas demonstrações de apoio que igrejas protestantes deram à Ditadura civil-militar, escolho esse episódio já que após 50 anos dessa conclamação Batista, o atual Presidente da Convenção Batista Brasileira (CBB), pastor Luiz Roberto Sivaldo, publicou nas redes sociais um vídeo convocando os evangélicos para uma campanha de jejum e oração em prol do “futuro da nossa nação e pelos juízes do STF”, em ocasião da votação do Habeas Corpus do Lula. Em outras palavras, religiosos convocam atos de Fé em prol da Nação, quando, na verdade, estão conduzindo o povo para quem confiar e apoiar politicamente. E qual a grande armadilha dessa postura? Parece que não se trata de política, parece que são pessoas religiosas e que estão recorrendo a Deus para que seja feita “a vontade Dele” – uma grande mentira e uma grande cartada.

Líderes religiosos são fundamentais para a manutenção do status quo da sociedade, pois para quem tem fé, a “vontade de Deus” é argumento irrefutável. A grande pergunta que temos que fazer é: será que esses homens (sim, grande maioria desses líderes são homens, e brancos) são representantes de Deus, ou de interesses bem específicos, daqueles setores que têm dinheiro e poder político?

Na década de 1960, os argumentos dos pastores evangélicos para que os fiéis apoiassem a ditadura versavam sobre: “os comunistas vão pegar metade de tudo que vocês têm. Imaginem: metade da nossa Igreja confiscada por eles?”; “Eles vão implementar um Estado ateu, vão perseguir os cristãos”; “Eles vão acabar com a família, influenciar nossos filhos”, dentre outros absurdos. E dessa postura criticável da Igreja, quais foram as heranças mais terríveis? A primeira, foi ligar o comunismo ao ateísmo, e, consequentemente, à esquerda e às pautas dos direitos humanos e de justiça social. Sim, uma ligação extremamente arbitrária e infundada. A segunda herança dessa postura conservadora assumida por muitas igrejas cristãs, foi a criação de uma esfera de pânico que ligou diretamente os “comunistas” ao fim da liberdade religiosa, tornando-se, na época, a única alternativa apoiar a Ditadura civil-militar. Hoje, essa postura se manifesta em forma de apoio a boçais como Jair Bolsonaro, Marco Feliciano, Magno Malta, dentre outros, como se esses fossem os únicos capazes de livrar o Brasil da “ameaça” comunista.


Marco Feliciano e Jair Bolsonaro: deputados evangélicos de ultra-direita (fonte: DCM)

Foi no bojo dessa esfera de pânico, que se criou no imaginário dos crentes a ideia de que pautas progressistas são incompatíveis com a fé — como se para ser favorável a um governo de esquerda, fosse necessário abandonar a fé, negar a Jesus e à Bíblia. Uma grande lorota. A própria Teologia da Libertação, que nasce no coração da Igreja Católica, assim como a Teologia da Missão Integral, de origem protestante, versam sobre justiça social e direitos humanos, sobre a preocupação com os mais pobres e são altamente críticas ao sistema econômico atual.

Gerar pânico entre os fiéis cumpre um duplo papel: apoio político e um rebanho mais presente na igreja. Afinal, por conta do medo, as pessoas vão acreditar no que os “pastores” dizem e, por outro lado, quanto mais medo as pessoas tiverem, mais elas frequentarão a igreja — pois os cristãos têm um antigo hábito de atrair as pessoas para a igreja pelo medo, nunca pelo amor. Isto é fácil de perceber, basta fazer uma pequena consulta no perfil de alguns religiosos e veremos essa tática em ação: uma mistura de pânico e histeria. (DCM, acesso em 03maio2018)

Na Igreja Católica há também omissões, um silêncio imperdoável, em face do momento político em que vive o país. Aliás, muitos presbíteros, incluindo bispos, apoiaram a queda do governo legitimamente eleito,  para assumir em seu lugar os bandidos de agora, que estão a destruir o Brasil.

Quanto aos evangélicos, lembro que na célebre eleição de 1989, seus líderes fizeram campanha abertamente para Fernando Collor de Melo. Lula era demonizado, sempre retratado com o próprio Diabo. Essa campanha veio desde aí, e vem passando de pai para filho. Muitos adultos de hoje eram então, naquela época, jovens e crianças. Hoje são esses que se encarregam de perpetuar essa autêntica lavagem cerebral nos adeptos das igrejas evangélicas, num pensamento que passa de geração para geração.

É preciso todos saberem que Jesus, de ontem, de hoje e de sempre, é o sumo libertador, o Salvador, que veio para que todos nós tenhamos vida, e vida plena. Entendo por vida plena não apenas no plano espiritual, e sim já neste mundo. O Filho do Homem não permaneceu comodamente em sua casa em Nazaré. Em companhia de seus discípulos, saiu, foi ao mundo ao encontro dos necessitados e excluídos, curando os doentes (não só do corpo, mas também da alma), abrindo os olhos aos cegos (não só cegos fisicamente). É preciso crer nesse Deus da liberdade e do amor. É preciso que cada cristão liberte-se desses falsos pastores, que não fazem a vontade de Deus e sim a deles próprios. São mercenários, estão bilionários, são donos de redes de televisão, possuem mansões e jatinhos, enquanto seus fieis estão à míngua.

Cuidado com os falsos profetas e os mercenários, alerta-nos Jesus nas Sagradas Escrituras.

 Deus nos livre desses homens de deus!


L.s.N.S.J.C.! 

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