quinta-feira, 31 de maio de 2018

HENRIQUE Teixeira Lott!

Como em 1955 o general Lott garantiu a posse de JK e Jango


Marechal Henrique Teixeira Lott (fonte: Zona Curva)


EM 1955, o general Henrique Teixeira Lott, infelizmente figura política pouco lembrada da história brasileira, impediu o golpe militar que setores conservadores das Forças Armadas e lideranças da UDN armavam para impedir a posse do presidente eleito Juscelino Kubitschek e o vice João Goulart, vencedores da eleição de outubro de 1955.

Os ataques virulentos do udenista Carlos Lacerda contra JK, chamando-o de corrupto e amoral, não impediram a vitória do político mineiro com 36% dos votos sobre seus oponentes: o militar Juarez Távora (UDN/PDC/PSB/PL), com 30%, Ademar de Barros (PSP), com 26%, e o integralista Plínio Salgado (PRP), com 8%, em 3 de outubro de 1955. No seu jornal Tribuna da Imprensa, Carlos Lacerda delirava e mentia descaradamente, criando pânico em setores da classe média antes da eleição. Segundo ele, Jango, com a ajuda do argentino Perón, do PCB e do dinheiro “espúrio” de JK, contrabandeava um arsenal bélico da Argentina para “implantar a ditadura sindicalista” no Brasil.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

MENOS mal que o moribundo sobreviva!


O MOVIMENTO dos caminhoneiros (e das empresas transportadoras), ainda inconcluso, trouxe à luz toda a fragilidade do governo Temer.

Sob todos os aspectos: nem soube prever a paralisação, nem dimensionar corretamente a sua extensão uma vez deflagrada e carece de autoridade para celebrar definitivamente o acordo firmado.

Mais: vê uma onda contagiante de repulsa se renovar e se alastrar praticamente em todos os segmentos sociais e em todas as regiões.

A reivindicação básica dos caminhoneiros é justa. O preço do óleo diesel chegou a cifras exorbitantes, comprometendo seriamente a remuneração dos condutores de caminhões por parte dos seus contratantes, as empresas distribuidoras.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

MAURO Santayana!

A desastrosa gestão da Petrobras e paralisação do Brasil


NADA de novo na forma como o Brasil atual está tratando e vendo a greve convocada pelos caminhoneiros em protesto contra os sucessivos e absurdos aumentos dos combustíveis, que passam de 50% em alguns meses. 

O senso comum imposto ininterruptamente a marretadas por uma mídia irresponsável e ideologicamente comprometida e o discurso oficial, mentiroso, hipócrita e mendaz, continuam se apoiando na tese, ou melhor, no conto do vigário, de que os caminhoneiros estão exagerando e que a culpa é do PT, que teria “quebrado” a Petrobras devido à política de preços adotada nos governos Lula e Dilma.

Quando, na verdade, o vaivém dos preços foi, pelo contrário, usado inteligentemente nos últimos anos, para impedir fortes aumentos, com a empresa guardando dinheiro quando a cotação do dólar e dos combustíveis lhe eram favoráveis, para subsidiar a compra de diesel e gasolina quando os preços estavam mais altos lá fora, evitando sacudir o mercado e o bolso dos consumidores com o desce e sobe (mais sobe do que desce) idiota e terrorista dos dias de hoje, em que um sujeito não pode sequer programar uma viagem de dois dias sem saber quanto vai gastar de combustível.

domingo, 27 de maio de 2018

CLASSE desunida!

O autor

MAIS uma vez voltei os olhos para o papel que estava ali deitado na mesa de trabalho. Ele olhava para mim como que dissesse: "Me assina logo! Quero virar um documento". Havia datilografado aquelas palavras 24 horas antes. Eram letras bem elaboradas em português castiço. Sem coragem de assinar e dar termo à redação, lia e relia o expediente como a ganhar coragem. A cada vez que o fazia resolvia mudar uma palavra, acrescentava uma vírgula, invertia uma expressão ou uma oração inteira.

Era uma forma de protelar sua expedição. Dirigia-se ao comandante da unidade e seu teor era sobre a criação de dois descontos internos de cinco por cento do soldo, cada um deles.

Eu disse criação? Imposição.

Pela situação aflitiva em que vivíamos, vinha remoendo aquela situação.

Eram tempos duros naquela década de 1980. Governava o país o senhor Ribamar Sarney, ele e o doutor Maílson, que ditavam o rumo da economia, que, na verdade, vinha desgovernada e sem rumo desde não sei quando. Era o país da inflação fora de controle e dos escândalos financeiros, que impunha arrocho salarial à faixa mais sofrida da população brasileira. Cada ano que se findava era festejado de forma entusiástica pelo povo na vã esperança de que o próximo viesse a trazer melhores dias, pois na cabeça de todos o janeiro seguinte não tinha como trazer um ano pior que o seu predecessor. Qual nada! A situação do povo ia a cada ano novo bem mais apertada que no outro. 

Tal era a conjuntura político-econômica nacional. Tais eram os problemas, que também se estendiam sobre as costas dos militares de baixa patente. 

Se, por necessidade, alguém decidisse comprar a crediário uma geladeira, um aparelho de tevê ou um fogão, além de ver comprometida parte de seu minguado salário por meses e semestres, seria sumariamente humilhado ao preencher e responder uma série de perguntas  embaraçosas por parte do analista de crédito: salário, quantos filhos, se tem ou não bens imóveis, avalistas...

E agora essa decisão, que representava um golpe nas nossas já combalidas finanças. 

O boletim interno dizia sobre a determinação de sua excelência em descontar do soldo de cada um de nós, suboficiais e sargentos da localidade de Manaus, a importância financeira correspondente a dez porcento do soldo. Cinco destinavam-se à Prefeitura de Aeronáutica, a título de taxa de recolhimento de lixo da vila dos suboficiais e sargentos. Os outros cinco eram para ajudar as finanças do clube, o CASSAM, que frequentávamos. Os caixas de ambas as subunidades seriam, portanto, socorridos por nós, suboficiais e sargentos da área de Manaus.

Dez porcento! E em tempos de vagas magérrimas.

quinta-feira, 24 de maio de 2018

O QUE está por trás da greve de caminhoneiros?

Caminhões patronais parados ameaçam atropelar o que sobrou de democracia. 

Fonte: Globo.com


Por Joaquim de Carvalho


EM UMA de suas derradeiras ações antes de ser preso, Lula lançou o livro que tem título que é a razão da força com que enfrenta estes dias tenebrosos: “A verdade vencerá”.

O ex-presidente fala dos processos a que responde e da condenação por causa do triplex — sem nenhuma prova.


Fala também do clima de ódio incendiou a parte da população manipulada pela elite — elite do atraso, como define o sociólogo Jessé Souza.

Cedo ou tarde, a farsa se desfaz.

A paralisação dos caminhoneiros é parte desse movimento que faz nascer, às vezes de maneira dolorosa, a verdade.

O pretexto para derrubar Dilma Rousseff foi a Petrobras. Nos governos do PT, a empresa controlada pelo governo federal ostentou os números mais vigorosos de sua história.

Tanto foi assim que, em 2010, a empresa lançou, com enorme êxito, ações no mercado mundial, com auditoria que ostentavam seu padrão de excelência assinada por instituições muito conhecidas e, vá lá, respeitadas no mercado financeiro, como JP Morgan e Credit Suisse.

A Petrobras, depois de descobrir a maior reserva de petróleo do século XXI, a do pré-sal, se tornou o motivo principal que fez de Dilma Rousseff uma das líderes mundiais mais espionadas pelo serviço de inteligência dos Estados Unidos.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

DOUTOR Dorival!

Ex-catador de lixo conclui doutorado em Floripa


Doutor Dorival Gonçalves Santos Filho (fonte: Gaúcha ZH)



"HOJE acordei e fiquei pensando: doutor. Será que é isso mesmo? Ainda não caiu a ficha." 

As palavras de Dorival Gonçalves Santos Filho, 35 anos, na sexta-feira (11), um dia após receber o título de doutor em Linguística pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), resumem o sentimento do professor que aprendeu a ler em casa com a ajuda da mãe e por meio dos livros que achou no lixo.

Dody, como é chamado, cresceu em meio ao lixão na cidade de Piedade (SP), a 90 quilômetros da capital paulista. Era de lá que a mãe tirava o sustento da família e foi onde Dorival começou a trabalhar muito cedo ao lado dos irmãos. Ainda pequeno, ele se apaixonou pelos livros e ficava encantado ao ouvir as histórias que a mãe contava. Foi dona Crélia, a maior incentivadora do filho, quem sempre deu forças para Dorival continuar e chegar aonde chegou.


— Muitas vezes eu pensei em desistir, desde a época da graduação. Eu não tinha celular para conversar com a minha família, mandava carta pra minha mãe falando que não sabia se ia conseguir. E ela dizia "claro que vai, eu vou ver o que posso fazer pra te ajudar". A gente já era uma família pobre, humilde, e ela ainda tentava dar um jeito pra me ajudar.

Na última sexta, quando Dorival conversou com a reportagem, ele ainda nem tinha conseguido falar com a mãe, que mora em Guaramirim, no norte de Santa Catarina, e que não pôde ir para Florianópolis por problemas de saúde.


— É um momento de dedicação para minha família, pois sem eles essa caminhada não seria possível. De uma forma ou de outra, eles sempre me ajudaram.


Para Dorival, além da vontade e do incentivo da mãe, outros fatores o ajudaram a chegar até aqui. O fator determinante, segundo ele, foram as oportunidades e incentivos do governo.

— Meritocracia pra mim não funciona, porque é uma batalha, é uma disputa muito desleal. Você acha que eu, um menino que veio do lixão, vou estar em igualdade com outro menino que não precisava trabalhar, que só estudava, que podia fazer uma escola de idiomas? É desleal, a força de vontade não faz tudo. Pra mim foi uma soma de fatores, mas foi só com os programas sociais que eu consegui voltar a estudar, porque não precisava trabalhar no lixão o dia todo — avalia.


quarta-feira, 16 de maio de 2018

SÔNIA Guimarães!

Sônia Guimarães foi a primeira professora mulher do ITA (foto: Internet)


SÔNIA Guimarães foi a primeira mulher negra a se tornar doutora em física no Brasil e a ser professora no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos (SP). Mesmo após 25 anos trabalhando na instituição de ensino, ela afirma que ainda sofre preconceito por parte de alunos e de colegas.

A faculdade está entre as mais concorridas do país e é reconhecida pelos cursos da área de engenharia. Em nota, a Associação dos Engenheiros do ITA lamentou a situação e expressou repúdio à intolerância (leia abaixo).

Durante entrevista no programa Conversa com Bial, na quinta-feira (10), Sônia denunciou que nem sempre é aceita pelos estudantes do ITA e pelo corpo docente (assista ao vídeo).

segunda-feira, 14 de maio de 2018

MONTIEZ Rodrigues!

Opressões, endoutrinamentos e lavagens cerebrais


ESTIVE vendo um vídeo sobre a Coreia do Norte filmado por uma médica prestando serviço voluntário naquele país e o que mais se sobressaiu no vídeo gravado secretamente foi a reverência que aquele povo miserável presta ao seu líder máximo. Curvam-se ao seu nome ou diante do retrato que todos são obrigados a ter em suas residências, aliás, o único quadro na parede da sala. Um povo, que mesmo nas condições precárias em que vivem perderam a capacidade de se indignar. Isto foram décadas e décadas de lavagem cerebral. Adultos de hoje que tiveram suas mentes lavadas na infância. Se Kin Jon-in morrer sem deixar um sucessor hereditário toda aquela nação cairá numa acefalia profunda.

Vendo hoje no Facebook, alguns de meus ex-colegas da Escola de Especialistas de Aeronáutica postando críticas raivosas contra Lula e os que acampam em frente a prisão ou produzem manifestação de apoio ao ex-presidente, tecendo comentários raivosos como se o Lula e o PT fossem os únicos vilões do Brasil e sem uma palavra sequer sobre os corruptos e golpistas do PMDB que estão acabando com o país, aí me lembro do poder que tem uma lavagem cerebral. Ela é capaz de canalizar o ódio até para um poste sem luz ou a idolatria ao veneno que alimenta suas almas. Estes colegas, como eu, sofremos durante o curso em Guaratinguetá-SP, diversas tentativas de lavagem cerebral além daquelas que todos os civis, principalmente as crianças, de culto aos ditadores de plantão. No auditório da escola nos apresentavam uma lista dos homens mais perigosos do Brasil, inclusive de alguns que a própria ditadura enterrou em seus porões como o Vladimir Herzog ou de outros que sobreviveram aos porões do DOI-CODI, como a, atriz Bete Mendes, o cantor Geraldo Vandré e outros. Mas os nomes que mais me chamaram a atenção e despontava logo no topo de uma lista de periculosidade decrescente, eram, em primeiro lugar D. Helder Câmara, arcebispo de Olinda, seguido de Chico Buarque, seu pai Aurélio Buarque, talvez o maior antropólogo do Brasil, Aloísio Lorscheider, o cardeal, Fernando Morais, Jorge Amado e Zélia Gatai, sua esposa, João Ubaldo Ribeiro e outros que não me lembro mais. Ver D. Helder no topo da lista foi uma coisa espantosa para mim. Conhecia pessoalmente d. Helder e gostava de vê-lo em sua simplicidade passeando diariamente pela praça do Derby em Recife. Eu morava na casa de estudante de Pernambuco ali perto. Vendo a lista me perguntava: como aquele homem baixinho e magro, manso, de olhar bondoso assustava tanto os generais a ponto de ser colocado como o mais perigoso da lista?

Durante o período da escola militar me alienei da política lendo a obra completa de Herman Hesse, tudo o que havia de Jung e Freud na biblioteca, Henri Carriere, Graciliano Ramos e outros autores que me imunizaram da lavagem cerebral diária pregada no quartel. Depois de formado li tudo que Jorge Amado, D. Helder, Zelia Gatai, Ubaldo escreveram. No entanto, o livro que mais gostei foi o primeiro de Gatai: Anarquistas, graças a Deus!

Lamento pelos colegas que não puderam se curar daquele mal e que hoje raivosamente comentam sobre a corrupção da esquerda e fecham os olhos compassivamente aos estragos que esta direita corrupta está fazendo ao nosso país. Triste porque eles parecem que venceram e o sinal está se fechando pra nós.

Montiez Rodrigues, via Facebook


Uma maneira prática de iniciar meus textos é colocar uma situação real, um fato, um caso que de fato tenha acontecido. Quando não, ao menos, uma anedota ou algo assim, desde que contenha verosimilhança. Creio ser importante ilustrar a opinião com alguma coisa do tipo. 

Pois bem. Tomo aqui (aí em cima) emprestado um texto que contrabandeei do Facebook. É da lavra o meu amigo virtual Montiez Rodrigues, um ex-colega de farda cearense, inteligente e muito bem-humorado. 


Trata-se de alguém que enxerga um pouco mais longe que a maioria, um representante das gentes que, infelizmente, vão se tornando rara nestes tempos de redes sociais. Hoje muitos se acham entendidos de política sem ao menos na vida ter lido um livro de Sociologia. Quais suas fontes? A televisão. Para outros, além da tevê, a igreja, o pastor. Para outros ainda, além desses instrumentos de controle social, o quartel. 

Embora estes últimos jurem que o quartel e suas doutrinas cotidianas nada têm a ver com suas opiniões, a bandeira política, essa influência da caserna fica para mim cada vez mais clara, bastando uma breve consulta às suas postagens costumeiras, onde expressam suas ideias as mais conservadoras possíveis. 


Sendo religioso fundamentalista (não eu, mas os ditos colegas), igualmente um breve passeio e se constata os rigores do Velho Testamento, que eram normas de um outro contexto social, sendo indicados para os problemas brasileiros de hoje. 

Lendo as obras de Paulo Freire, percebo cada vez mais claramente a divisão do país em duas classes: a dos opressores e a dos oprimidos, com aquela mantendo esta última sob controle, sem mesmo que a classe oprimida tenha consciência de opressão que sofre. 


Aí vem alguns, a exemplo de Freire, e desejam abrir as ideias do oprimido, mas não apenas desejam, lutam e lutam... e nada. O lado opressor tem seus instrumentos de dominação. O primeiro deles foi exatamente a criação do Estado, com seu exército, mais tarde as polícias. Essas forças surgiram justamente para garantir no poder o rei (ou qualquer outro título de poder) com suas regalias, proteger suas propriedades, além de garantir o pagamento de impostos por parte do súdito. 

Aí já temos duas classes: uma a do rei e sua corte e funcionários, opressores; a outra, a de seus súditos, os oprimidos, o povo. 

Com o tempo vieram outros instrumentos a serviço dessa classe opressora.


Um deles, os meios de comunicação social. Primeiro o jornal impresso, depois o cinema e o rádio, mais tarde a televisão. Outro instrumento, de há muito mais tempo, a Igreja Católica, enquanto esta era a religião oficial. Depois, com o advento da República, as demais religiões protestantes, que, aliás, pululam de forma abundante, sendo inaugurada uma a cada meia hora. 


Outro, também secular, os quartéis, onde a dominação do opressor é explícita e oficializada.

Bola pra frente, amigo e companheiro!

O assunto, é óbvio, não se esgota aqui. Muito ainda temos a dissecar nesta bodega virtual.

L.s.N.S.J.C.! 

domingo, 13 de maio de 2018

TREZE de maio, 130 anos depois!

Depois de 130 anos da Lei Áurea, para os negros e pardos do país pouca coisa mudou. Nada a festejar e muito a conscientizar

Marielle Franco, ativista, defensora de minorias, assassinada em março de 2018 (fonte: Internet) 



NAQUELE domingo de um mês e ano qualquer dos anos de 1970, fui ao mercado de São Braz para comprar um jornal, a pedido de meu pai. Voltei para casa com o periódico embaixo do braço. No caminho alguém chamou: "Ei, garoto! Quanto é o jornal?". "Não, não estou vendendo.", respondi.

Não me dei conta do que estava por trás daquela inocente abordagem. 

Muitos anos se passaram quando pude associar essa passagem de minha infância ao episódio que me relatou a mãe de minha ex-mulher. Dona Nonata, professora aposentada, em conversa informal, disse-me  o seguinte: 

"Meu pai era funcionário humilde do governo do Estado. Era na época do Magalhães Barata. Uma vez, ele, enchendo-se de coragem, conseguiu com muito custo uma audiência com o governador. 'Que o senhor deseja?', indagou a autoridade. 'Vim aqui pedi, governador, que o senhor dê uma vaga para minha filha no Colégio Paes de Carvalho'. Naquele colégio só estudavam filhos de gente importante e filho de pobre só se fosse com a indicação de uma autoridade pública. Qual foi a resposta do governador?: 'Ora, quem não pode com o pode não pega na rodilha' (essa era uma forma de dizer que quem não tem competência não se estabelece, ou cada macaco no seu galho). 'Pegue a sua filha e a empregue numa casa de família".

Rafael Braga, ex-catador de recicláveis, preso injustamente (fonte: Internet)


Ora, além de pobre, Nonata era mestiça, ou seja, tinha as características físicas de moça pobre. Mais ainda: era mulher. De outra forma, o governador disse que para ela não havia outro futuro a não ser conformar-se com a classe social em que nasceu. Nasceu pobre, morre pobre. A educação, que abre a porta da ascensão social, estava reservada aos ricos e seus filhos. Aos pobres, quando muito, somente até a quarta série primária, aprendendo a ler, escrever e as quatro operações. No máximo. Como precisam cedo trabalhar para ajudar a família, muitos cresceram analfabetos. 

Vi então que o pai de dona Nonata tinha consciência de que a educação era importante e que, sem ela, não se chegava aos postos mais elevados da sociedade. A educação abre portas, aliás, ela própria é a porta. Por isso ele foi ao governador pedir uma vaga no colégio elitista. Pela mesma razão, negou o governador. Sabendo da importância da educação, esta era reservada aos filhos de pais ricos, crianças bem-nascidas, que mais tarde seriam os detentores dos postos de chefia, patrões dos pobres, principalmente negros e mestiços. Para que pobre estudar, ainda mais negros e pardos? Que ficassem para os trabalhos braçais, os serviços domésticos e outras funções não valorizadas, sob as ordens do rico e do doutor.



O real significado contido nesse episódio da vida de dona Nonata somente mais tarde fui compreender. O governador poderia mudar totalmente a vida dela, se quisesse. Também somente depois fui entender o episódio do menino com o jornal de domingo, negro ou mulato, franzino e mal vestido, que, aos olhos do homem que lhe abordou, somente podia ser um menor vendedor de jornal, de picolé, de balas, para ao final do dia garantir algum dinheiro, migalhas. Aos olhos de uma sociedade elitista, preconceituosa, excludente, perversa, aquele menino jamais poderia ser visto como leitor, sim como um sobrevivente.

Meus amigos!

Nesta data faz 130 anos que a Lei Áurea, a que declarou a extinção da escravatura no Brasil, foi assinada. Hoje sabemos, apesar do que dizem os livros tradicionais de História, que o documento foi meramente uma declaração formal, pois vimos que na verdade pouca coisa mudou para os negros e pardos brasileiros. O negro continua cativo, porque não se muda 350 anos de cativeiro sem ações concretas.


Na propaganda oficial, inexistia a figura do elemento negro no Brasil.
O livre acesso à educação de qualidade era privilégio de poucos (fonte: Internet)


De fato. Em qualquer lugar que cheguemos, percebemos que às pessoas negras e pardas são reservadas as posições de menor destaque. Os trabalhos menos valorizados são ocupados, em significativa parcela por gente não branca, porque a esta, mediante acesso às boas escolas, ocupa os postos mais elevados na sociedade, sendo no serviço público ou na iniciativa privada.


Juliano Moreira, médico psiquiatra referência da Psiquiatria brasileira, uma rara exceção de ascensão social (fonte: Internet)

A Lei Áurea foi um grande engodo, uma ilusão. O negro brasileiro, uma vez declarada a extinção da escravatura, foi mantido à margem da sociedade. Os antigos escravos não foram devidamente preparado para fazer parte dela, não lhe restando, para sobreviver, outros trabalhos a não ser os mais servis, a troco de salários infames, levando considerável parcela da população negra e parda , em consequência, à situação de marginalidade, a morar na periferia ou nas favelas e palafitas, ao subemprego, à fome, à perpetuação das desigualdades. Tal segregação, que a sociedade elitista lhe infringiu, levou a população negra a sofrer -- e até mesmo considerar como normal -- o preconceito racial e social, incluindo a violência policial, condições a que a própria sociedade em geral (incluindo os próprios negros) considera normal.

Neste blogue, muito temos chamado a atenção para a causa.

Eis algumas postagens: 

http://www.abodegadovalentim.com/2017/12/luana-tolentino.html
http://www.abodegadovalentim.com/2017/11/racismo-na-teve.html
http://www.abodegadovalentim.com/2017/12/djamila-ribeiro.html
http://www.abodegadovalentim.com/2018/03/mais-um-caso-de-racismo.html
http://www.abodegadovalentim.com/2017/12/das-senzalas-aos-estudios.html
http://www.abodegadovalentim.com/2018/04/milton-nascimento-conta-como-o-racismo.html
http://www.abodegadovalentim.com/2018/03/rotina-policial-ou-apenas-racismo.html
http://www.abodegadovalentim.com/2018/02/mais-um-caso-de-racismo.html
http://www.abodegadovalentim.com/2017/09/nao-ao-racismo_18.html
http://www.abodegadovalentim.com/2018/05/inseguranca-publica.html

Muitos dizem que não há racismo no Brasil, que vivemos uma democracia racial e outras balelas. Vivemos num processo de amnésia, de faz-de-conta que todos são iguais. O próprio negro e outras etnias são convencidos diariamente pelos meios de comunicação social de que não há segregação. No entanto, o que se vê nas telenovelas? Atores negros na pele de personagens representando funções menos valorizadas. Não vemos nenhum negro como juiz de direito, professor universitário, médico. Uma forma de a sociedade dizer-nos onde é o nosso lugar. Tudo normal. 

Muitos negam. Mas os fatos cotidianos (relevados ou não) somente comprovam que a sociedade brasileira ainda está longe de corrigir essas distorções, que somente podem ser minoradas ou sanadas com políticas progressistas de inclusão. 

As populações historicamente segregadas não querem favor. Tampouco migalhas. Querem oportunidades.

Vale a pena ler também essas duas notícias abaixo.


https://g1.globo.com/educacao/noticia/brasil-viveu-um-processo-de-amnesia-nacional-sobre-a-escravidao-diz-historiadora.ghtml?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=g1

Precisamos mudar esse quadro!

L.s.N.S.J.C.! 

quinta-feira, 10 de maio de 2018

ANA MARIA Magalhães!

A minha geração sabe o que é perder a Democracia


Fonte: Internet


NO BRASIL, o movimento de 1968 eclodiu pela confluência das contestações de estudantes e artistas ao regime militar consecutivas ao Golpe de 64. A escalada repressiva iniciada na UnB com demissões e prisões de professores e o envio de tropas militares ao campus se espalhou por outras cidades e culminou no Massacre da Praia Vermelha, em setembro de 1966, quando tropas da PM e do Exército encurralaram e espancaram seiscentos estudantes na Faculdade de Medicina da atual UFRJ.

A partir daí a reorganização do movimento estudantil incorporou às reivindicações da autonomia universitária, ampliação de vagas e extinção da cobrança de anuidades a luta contra a ditadura em sucessivas greves e protestos nas ruas.

terça-feira, 8 de maio de 2018

PAULO Leminski!


Por falar em tortura


Paulo Leminski (Fonte: Internet)


HÁ MUITOS modos de se torturar uma criança. Pode-se, por exemplo, fazer uma fogueira com todos os seus brinquedos, e obrigá-la a assistir a cena. Esse era o método favorito entre os mongóis, que entendiam de tortura infantil como poucos. Um outro modo muito eficiente também é chegar, de repente, e dizer para a criança: "Tua mãe morreu". Salvo casos raros, como o do imperador Nero, essa técnica dá resultados lancinantes. Os russos preferem métodos mais sutis. Para torturar uma criança, eles enchem um quarto escuro com as obras completas de Marx, Engels, Lenin e Stalin e deixam a criança lá dentro por 24 horas. Os americanos, mais pragmáticos, preferem levar a criança até um parque de diversões e dizer: "Titio vai comprar pipoca". E nunca mais aparecer. Soube-se de casos em que pais ou responsáveis deixaram seus filhos ouvindo Frank Zappa, a todo volume, por horas a fio, tortura preferida pelos pais contraculturais dos anos 60.

Pais imaginativos gostam de torturar seus filhos contando-lhes histórias em que lobos tentam entrar na casa dos porquinhos, sendo que a criança é um dos porquinhos. Ou histórias onde a bruxa malvada prende Branca de Neve numa jaula para que ela (a Branca, não a criança) engorde e fique no ponto, para ser assada no churrasco de domingo. Essa tortura ficcional é muito eficaz, porque vai repercutir na vida onírica dos petizes, produzindo, a médio prazo, sonhos angustiantes e pesadelos insuportáveis, dos quais a criança, invariavelmente, acorda gritando -- "Mamãe!" É a hora perfeita para dizer: "Volte a dormir, querida; mamãe, o lobisomem comeu".

Mas, de todos os métodos para torturar crianças, nenhum se compara ao método chamado "escola.

A escola deve ter sido inventada por um verdadeiro discípulo do marquês de Sade. Basta dizer, para vocês fazerem uma ideia, que, nesses hediondos calabouços, as crianças são obrigadas a memorizar que dois mais dois "é quatro", que "pi" é um número sem fim, que um ao quadrado é um e que todo número multiplicado por zero -- mesmo que seja um bilhão -- é zero. E não para aí. Uma das torturas mais requintadas usadas nessas tais "escolas" é a chamada análise sintática, nome inocente para disfarçar um dos tormentos mais sofisticados que a doentia mente humana foi capaz de inventar.

Basta dizer que na tal "análise sintática', diante de uma frase, uma criança tem que adivinhar quem é o sujeito, quem é o predicado, quem é o objeto, não necessariamente nessa ordem, é claro. Adivinhar é uma brincadeira divertida. Mas não no caso da "análise sintática". Se você adivinhar errado, reprova, e vai ter que fazer, de novo, aquele ano inteirinho, tentando adivinhar quem é o sujeito, quem é o objeto, quem é o predicado. Depois de reprovar uma, duas, três, quatro vezes, a criança desiste e prefere ser trombadinha, surfista ou cabo eleitoral de Jânio Quadros, qualquer coisa, menos sujeito, predicado ou objeto.

Peguem o tal sujeito inexistente, por exemplo, o sujeito das orações que expressam fenômenos atmosféricos. Chove, quem chove? Ninguém chove. Venta. Quem venta? O vento? Errado. Ninguém venta. O vento se venta sozinho.

Que dizer do tal "sujeito oculto"? Claro que o sujeito oculto é sempre o principal suspeito do crime de haver frases no mundo. A não ser assim, por que se ocultaria? Sujeito oculto. "O assassino se escondeu atrás da parede de tijolos", "O espião da GB usa óculos escuros', "Jack, o estripador, era filho da rainha Vitória", "Mengele está vivo e bem no Paraguai", esses são casos verdadeiros de sujeito ocultos. Mas as crianças levam anos para encontrá-los. E, quando os encontram, já estão com cabelos brancos, como Sherlock Holmes.

A invenção da escola, como vocês estão vendo, torna obsoletos todos os antigos métodos de torturar crianças.

Com mais escolas, as crianças sofrerão muito mais, os adultos se divertirão mais e todos teremos, enfim, aquele Brasil com que todos sonhamos. (Nelson Piletti. Sociologia da Educação, editora Ática, p. 149-150). 



De fato, o ensino da Língua Portuguesa (e não só essa disciplina escolar) constitui-se num fardo para a criança . Uma das razões é que a língua falada em casa, nas ruas, no clube, na televisão, é uma, bem diferente da língua ensinada nos livros didáticos. A língua que a professora fala no seu dia a dia não é a mesma que fala ao ler um texto para seus alunos. 

Como ensinar, então? Como fazer a criança aprender tantas regras gramaticais? A didática e os cursos de licenciatura ensinam que, para se aprender, é necessário que aquilo que se ensina tenha utilidade na vida prática. O aluno aprende aquilo que vê no seu cotidiano, no concreto. 

Por que aprender análise sintática, morfologia, ortografia, pontuação?

Cabe ao docente esclarecer. Quanto ao uso da língua, no caso a língua escrita, é preciso conscientizar o aprendiz que a Língua Portuguesa tem vários usos, conforme o ambiente em que se está, o ambiente a que é dirigida, à finalidade, ao meio social. O aluno precisa saber que um comentário de internet não deve ser igual à redação do Enem; o bilhete da mamãe não é o mesmo que um requerimento dirigido a uma autoridade pública; que um concurso público não vai tolerar erros de ortografia, exigindo sempre a norma cultura da língua. O discente precisa saber que a análise sintática o ajudará a interpretar corretamente uma crônica, um conto, um capítulo. 

Essas coisas precisam ser esclarecidas.

Por que preciso aprender essa matéria? Qual é a finalidade disso? Por que devo aprender essa regra? Que utilidade terá?

O blogueiro, nos seus primeiros anos de escola, aprendeu as separações em sílaba. Um dia, em prova de redação, que naquele tempo era muito comum, chegando ao final da linha fez uma separação errada (por exemplo: pa-ssado). A professora fez um xis em vermelho assinalando erro. Só aí é que fui aprender que o ensino da separação das palavras em sílaba servia para isso. Outro caso: a explicação que as professoras davam sobre o substantivo concreto e o substantivo abstrato. "Concreto é tudo aquilo que existe", diziam de forma simplista; "já substantivo abstrato é aquilo que não existe". Foi como eu aprendi. Eis que mais tarde, vejo que saci-pererê, um ser mitológico, é classificado como substantivo concreto. Fico a imaginar que na verdade elas também não sabiam e passavam para o aluno da forma que ele mais fácil entendesse, embora de maneira errada. Era a Pedagogia Tradicional.

Explicando e deixando claro para que serve, tornará mais fácil o aprendizado. O aluno entenderá, levando esse aprendizado para a sua vida. Apenas memorizando para tirar nota boa na prova, isso, sim, se tornará uma verdadeira tortura. A escola será vista como um castigo e não um instrumento de libertação.

Mas, a propósito, até hoje não entendi para que serve a fórmula de Báskara. Alguém se habilita a dizer? 

L.s.N.S.J.C.!

(BLOGUE do Valentim em 06maio2018)

JUIZ não é deus!

A carcereira da pena de morte


O PODER Judiciário, que um dia foi denominado Justiça, tornou-se no Brasil uma reserva de mercado para jovens filhos de famílias ricas. O mesmo aconteceu com o Ministério Público. Seus concursos são disputadíssimos e só filhinhos de mamãe e de papai que não precisam trabalhar podem dedicar tempo aos estudos. O fato de as vagas serem preenchidas por concurso pode dar a impressão de ser um Poder republicano –do que se vangloriam muitos juízes e juízas e membros do MP. Mas é fachada.

Juízes e membros do MP afirmam que tudo se resolve pela “competência”, pelo “mérito”; na verdade, tudo se resolve pela vida mansa garantia pelo dinheiro do papai e da mamãe. Quase todos entram nas carreiras no Judiciário e no MP já ricos e as cotas estabelecidas em 2015 pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) estão longe de surtir efeito. Com o assalto que realizaram ao dinheiro que os pobres depositam nos cofres do Estado, enriquecem ainda mais, com salários acima dos R$ 30 mil mensais, sem contar o “empurrãozinho” da farra do auxílio moradia e do auxílio refeição que são na verdade um extra, uma gorjeta chique para todo mundo, garantindo quase R$ 5 mil a mais todo mês. Há caso de juízes que embolsam com alegria mais de R$ 40 mil, R$ 50 mil num mês – há casos de juízes que receberam mais de R$ 100 mil e até R$ 500 mil.

domingo, 6 de maio de 2018

FOTÓGRAFA brasileira é mais uma vítima de racismo!

Homem chama fotógrafa de escrava e pergunta qual é o preço dela no mercado. A vítima ainda foi chamada de 'mucama', 'saco de lixo' e 'crioula maldita'. Agressor foi identificado pela polícia



UMA fotógrafa de 32 anos registrou um boletim de ocorrência nesta quarta-feira (2) depois de receber áudios de cunho racista via WhatsApp. A Polícia Civil investiga o caso, que aconteceu no Mato Grosso.

Nas mensagens, Mirian Rosa é chamada de ‘mucama’, ‘saco de lixo’, ‘crioula maldita’ entre outros xingamentos. O agressor teria usado um telefone de uma amiga de Mirian para gravar os áudios.

“Desde quando preto é gente? Vou falar uma melhor: quem é você na fila do açougue? Eu vou responder para você: pobre não come carne. Então, nem na fila do açougue você entra, crioula maldita”, diz o homem em um dos áudios.

Mirian disse que conheceu superficialmente o agressor através de amigos em comum, mas que não manteve contato com ele depois disso. O nome dele é Rafael Andrejanini.

“Ele saiu com uma amiga em comum e sentamos juntos em um bar. Vi que ele ficou incomodado com a minha presença, mas no dia não passou disso”, contou.

As mensagens racistas chegaram até Mirian depois que ela ignorou um áudio da antiga amiga. No áudio, a mulher criticava o cabelo da fotógrafa.

Em seguida, outros áudios do homem foram encaminhados. Neles, ele chama a fotógrafa de escrava e pergunta qual o preço dela no mercado.

“Quero saber se você tem dono ou não. Fui no mercado de escravo no Porto e não vi nenhuma escrava no seu valor. Quero comprar uma escrava, mucama, cozinheira, faxineira ou algo assim para minha casa. Quero ver a crioulada trabalhar para mim”, continuou.

“Pode dar tiro em crioulo, tacar fogo ele não sente nada. A única coisa que crioulo sente é ele no tronco e o chicote nas costas”.

Num dos últimos áudios, o homem ironicamente convida Mirian para um churrasco. “É o seguinte: vou queimar uma carne lá em casa. Preciso de você, como a matéria: o carvão e o saco de lixo para recolher o que restar”, diz.

Dona do telefone


Ouvida pela Polícia, a dona do telefone alegou que estava em um restaurante com o acusado e um grupo de amigos dele. Na ocasião, ela disse que foi ao banheiro e deixou o celular desbloqueado sob a mesa. A mulher, no entanto, diz que não sabe afirmar quem enviou os áudios pelo telefone dela.

Na quinta-feira (3), a Justiça concedeu medida protetiva para a fotógrafa. A decisão atende a um pedido formulado pelo Ministério Público Estadual (MPE).

Com a decisão, Rafael Andrejanini deverá manter distância mínima de 500 metros da vítima e da família dela. Ele também fica proibido de manter contato com a vítima por meio telefônico, e-mail, mensagens de texto ou qualquer outro meio direto ou indireto.
Mulheres negras

O Instituto Mulheres Negras de Mato Grosso (Imune) repudiou em carta aberta o ataque racista sofrido pela fotógrafa.

“Este senhor violentou não somente uma mulher negra, mas à coletividade destas mulheres que, como Miriam, são trabalhadoras e ganham a vida, compondo, hoje no Brasil, a maioria entre as chefes de família”, diz trecho do documento. (Pragmatismo Político, acesso em 05maio2018)

L.s.N.S.J.C.! 

quinta-feira, 3 de maio de 2018

IGREJAS e alienação!

A ação das igrejas evangélicas na deformação da opinião pública

Silas Malafaia, pastor milionário (fonte: DCM)


Por Simony dos Anjos

CAZUZA, nos anos 1980, muito bem formulou “eu vejo o futuro repetir o passado” e, de fato, nos últimos tempos é isso que temos visto, um passado temeroso que nos espreita, nos observa, esperando uma pequena distração para retornar. A política, de certa forma, pode ser vista de forma pendular, um pêndulo que ora está na extrema direita, ora descansa no centro, mas, infelizmente, ainda não chegou, de fato, à esquerda – embora lutemos para que isso um dia aconteça. E o pêndulo da política brasileira, que ficou nos últimos anos estacionado no centro-esquerda, tem dado uma bela jogada para a direita, de forma escancarada e incontestável.

Contudo, essa atual guinada à direita não é fruto de um movimento de “políticos”, trata-se de interesses econômicos dos mais ricos, da mídia conservadora, de relações escusas entre políticos e elite e, incontestavelmente, da ação de certos segmentos religiosos na política nacional. Nesse cenário, é necessário discutir essa relação bastante sórdida entre o Estado e os religiosos — digo religiosos, pois a religião, em si, não estabelece essas relações e, sim, seus líderes.
Eduardo Cunha, também um "homem de deus" (fonte: Internet)

Estamos num momento muito delicado da política brasileira, julgamentos enviesados, uso político do judiciário, prisão de um ex-presidente, que teve início com uma perseguição declarada ao Lula e ao PT— ou alguém discorda que esse circo armado, com redes de TV, jornais, rádios e com tudo, foi uma tática para tirar Lula do pleito de 2018?

E, é nesse caldeirão que mais uma vez temos que assistir pastores, lideranças e diretorias de igrejas evangélicas induzirem as bases de suas igrejas ao apoio do que há de mais sórdido, perverso e sombrio na política: o benefício de poucos em detrimento das garantias de direitos da população.

Assim, precisamos ver na história o quão prejudicial as lideranças protestantes e evangélicas já foram à democracia brasileira. Diga-se de passagem, uma democracia ainda débil, que está engatinhando e, haja vista os últimos acontecimentos, não sabemos se chegará a andar. Para tanto, farei uma pequena regressão à década de 1960, pouco antes de Castelo Branco assumir a Presidência, momento no qual Eneas Tognini, o então presidente da Convenção Batista Brasileira (CBB) conclamou a Igreja Batista a jejuar e orar para que Deus livrasse o Brasil da “ameaça comunista” e abençoasse o governo militar.

terça-feira, 1 de maio de 2018

INSEGURANÇA pública!

Antonio Valentim

Paz aos pretos, pobres e da periferia


ANO de eleições gerais e dentro de pouco tempo haverá inundações de propagandas de candidatos pedindo voto. Quase a totalidade deles (senão todos) empunharão as bandeiras da educação, da saúde e da segurança, além de outras promessas demagógicas. 

Ano passado, depois de algum tempo, estive de volta à minha Belém morena. Estava eu, minha esposa e minha filha em visita turística ao Ver-o-Peso. Depois de saborearmos o açaí com peixe frito, nos embrenhamos entre as barracas dos feirantes. Numa delas paramos por conta da feirante que oferecia ervas. Algumas fotos com figuras famosas nos chamaram a atenção. Era a dona Bete Cheirosinha. "Pena que deixei a câmara no carro", disse eu. "Ficou no carro prata", responde a simpática dona Bete com uma ponta de sorriso. Carro prata?

Por estar longe dos noticiários de rádio e tevê da minha terra, não conhecia o famoso carro prata, que ultimamente se tornou o terror da periferia. Surgem, de repente, alguns homens armados e atiram em direção a alguns que estão de bobeira em local público, uma calçada ou num botequim. 

"Corre que lá vem o carro prata!", alguém grita alarmado.