terça-feira, 20 de março de 2018

MARCELO Migliaccio!

De onde surgiu tanto fascista?


G.I. Joe, um dos desenhos mais violentos já feitos, está na gênese dessa geração fascista brasileira (Fonte: blog Rio Acima)

PARA mim, a resposta é simples. As crianças dos anos 1990 e 2000 cresceram. Cresceram vendo televisão, na maioria das vezes sem alguém por perto que as esclarecesse sobre absurdos veiculados em horários matutinos e vespertinos. Quem tem filhos sabe que a TV funciona para eles como uma cartilha do comportamento e dos valores do mundo adulto, para o bem e para o mal. Pois milhões de pessoas cresceram entregues unicamente à educação que a babá eletrônica lhes dava em troca de audiência fácil e anúncios milionários.

Em vez de Vila Sésamo, viram desenhos violentos com muito tiro, porrada e bomba.

Em vez de Mundo Animal, viram a agressividade animalesca de Datena e Ratinho.

Em vez de Capitão Aza e Capitão Furacão, viram a maledicência nos programas de fofoca.

Em vez do Sítio do Picapau Amarelo, a sexualização precoce de Xuxa e suas Paquitas arianas.

Em vez do Meu Pé de Laranja Lima e a Pequena Órfã, viram Malhação, feita para adolescentes mas vista por crianças de cinco, seis anos.

Em vez das comédias de Jerry Lewis, viram Máquina Mortífera e Duro de Matar na Sessão da Tarde.

Em vez de Batman, Túnel do Tempo e Terra de Gigantes, viram pastores evangélicos picaretas.

Em vez de Os Três Patetas, viram lutas de UFC, com gente sendo espancada e chutada mesmo caída no chão.

Em vez de Shazam e Xerife, viram novela das oito reprisada com uns poucos cortes às duas da tarde.

Shazam e Xerife, série protagonizada por Paulo José e Flávio Migliaccio nos anos 1970 (Fonte: Internet)


O resultado é essa turba de idiotas capazes de difamar com calúnias uma pessoa que acabou de ser assassinada por defender gente pobre dos abusos de autoridade da polícia e do Exército. Gente que vai para a porta de um hospital vaiar a ex-primeira dama que acabou de sofrer um AVC.

Claro que tem gente mais velha que também apoia todo tipo de opressão e discriminação, mas essa massificação do pensamento discricionário é um fenômeno recente.

Eu sei que alguém vai dizer que viu isso tudo e não é fascista. Eu lhe digo: sorte sua.

Desde que a ditadura militar desmoralizou a palavra censura com seu arbítrio, virou pecado falar em controle da programação televisiva. Para que a indicação etária no início dos programas se tornasse obrigatória foi uma luta. Sou contra a censura no cinema, no teatro, na literatura, pintura etc. Toda a manifestação artística deve ser livre. Porém, em se tratando de televisão, um canal aberto a todo tipo de telespectador, de todas as idades, vale a pena pensar um pouco mais no que é exibido. (Rio Acima, acesso em 19mar2018)

Além da tevê, há outros vilões com seus métodos diferenciados.

L.s.N.S.J.C.!

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