sábado, 3 de março de 2018

MARCELO Migliaccio!


Para onde vamos?


ERA uma vez um país onde apenas cinco pessoas tinham tanto dinheiro quanto outras 100 milhões.

Primeiro, as casas nem tinham muro. Era um prazer conversar na varanda olhando a vida passar.

Mas um cachorro vadio entrou e colocaram um muro pequeno.

Apareceu um ladrão e roubou a bicicleta. Aí, levantaram o muro.

Outro ladrão pulou e colocaram cerca elétrica e câmera.

Entraram mesmo assim e barbarizaram. Quem coloca cerca e câmera tem grana!

Aí plantaram um vigia. Mas renderam o vigia e fizeram outra limpa.

Contrataram uma empresa de segurança privada... agora vai! Um arrastão nas casas foi a resposta. Suspeitam que um dos seguranças deu o serviço…

Procuraram então o comandante do batalhão e o delegado, que prometeram um policiamento reforçado na área.

Mais assaltos, roubo de carros, de motos, gente baleada no meio da rua. Aquela rua que um dia foi tranquila.

O povo todo, a gente de bem, foi para a beira da praia protestar. Gritaram, espernearam histéricos. Exigiram que os marginais, essas pessoas de "má índole", fossem presos, mortos, exterminados.

E o presidente da República, golpista e impopular, chamou o Exército. Tanques, canhões, soldados por toda parte, pessoas pobres sendo fotografadas junto com seus documentos quando saíam para o trabalho. Crianças a caminho da escola abrindo suas mochilas e lancheiras para devida averiguação dos militares.

A democracia acabou, mas os crimes não. Pelas fronteiras, toneladas de drogas e armas continuaram entrando. A corrupção cresceu à sombra da censura e da impunidade da confraria dominante. Cada dia mais crianças sem escola, mais jovens sem horizontes, mais gente excluída. Vinte e seis milhões de pessoas sem emprego. A fome aumentando. O ódio também.

Quem vão chamar agora?




(Marcelo Migliaccio, acesso em 03mar2018)


Sem comentários!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

MANDA ver um comentário aí!