sexta-feira, 30 de março de 2018

EUA levam segregacionismo à guerra às drogas!

Nos EUA, que têm 2,1 milhões de presos, prisão de negros cresceu 26 vezes entre 1983 e 2000



Fernanda Mena


OS EUA têm a maior população prisional do mundo (2,1 milhões), seguidos pela China (1,6 milhão) e pelo Brasil (726 mil). E os negros estão desproporcionalmente presentes na massa carcerária americana — assim como na brasileira — por serem mais propensos ao crime.

Racista, portanto geralmente velada, esta crença é bastante comum nos EUA, segundo a jurista norte-americana Michelle Alexander, e remonta discursos que sustentaram o regime escravagista, bestializando negros para naturalizar o tratamento a eles dispensado.

Em "A Nova Segregação - Racismo e Encarceramento em Massa" (Boitempo Editorial), lançado agora no Brasil, Alexander chama a atenção para a explosão de presos no país, que quintuplicaram em 30 anos, e a suposta predileção do sistema de Justiça criminal pelos de pele mais escura.

Entre 1983 e 2000, a taxa de encarceramento de negros foi multiplicada por 26, enquanto a de brancos aumentou oito vezes. Com isso, a ativista por direitos civis diz que a guerra às drogas, responsável pela prisão de 31 milhões de americanos desde 1980 —90% negros ou latinos—, é o capítulo mais recente de uma história de segregação racial, ora oficial ora oficiosa, que marca o país.


Folha - O Brasil é hoje o terceiro país em população carcerária. Qual a consequência do encarceramento em massa para uma sociedade?

Michelle Alexander - Qualquer país que esteja no processo de encarcerar largos segmentos das populações mais pobres e mais escuras é uma falsa democracia e está em risco de desandar para o autoritarismo. É o que estamos vendo nos EUA. A lógica do encarceramento em massa é responder a pessoas pobres e negras apenas punitivamente, no lugar de promover oportunidades de educação e de trabalho. Isso só faz sentido num ambiente que abre caminho para o autoritarismo e para a lógica de que alguns podem ser jogados fora.

Leia a entrevista completa no link abaixo.


(Folha, acesso em 11mar2018)

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