segunda-feira, 12 de março de 2018

ACIDENTE ou fogo amigo?

Morte de policial militar de UPP tem indícios de fogo amigo

Thayson era canhoto, mas morreu com um tiro na região auricular direita (fonte: Extra)


EM outubro de 2016, o soldado da PM Thayson Teixeira Santos, de 25 anos, foi morto em serviço com um tiro na cabeça no Morro do Fallet, na Região Central do Rio. Seus colegas de farda afirmaram à polícia, no dia seguinte à tragédia, que o praça foi vítima de um acidente: ele teria atirado em si mesmo enquanto manuseava a arma de um outro policial. Mais de um ano depois, uma reviravolta na investigação aponta indícios de que Thayson, lotado na UPP do Fallet, foi vítima de fogo amigo.

O EXTRA teve acesso à investigação. O primeiro indício de que não houve acidente foi apurado no dia da morte, quando agentes da Corregedoria da PM fizeram a perícia. Os policiais encontraram a cena do crime, poucas horas após Thayson morrer, sem sangue. O local havia sido molhado e limpo.

No dia seguinte, mais um indício de que houve um assassinato: a necrópsia do cadáver revelou que o tiro que matou o soldado entrou no corpo pela “região auricular direita” — ou seja, pela região do rosto próxima ao ouvido direito. Thayson, de acordo com parentes, era canhoto. Em fotografias tiradas enquanto fazia o curso de formação da PM, ele aparece atirando com a mão esquerda. Segundo peritos ouvidos pelo EXTRA, é bastante improvável que um canhoto conseguisse disparar contra si mesmo pelo lado direito.

O mais contundente indício de fraude, no entanto, é um depoimento prestado na 7ª DP (Santa Teresa) um mês após o crime. Um dos irmãos de Thayson, Marcio Feitosa Santos, de 39 anos, afirmou que, dois dias antes da morte, o PM contou que “na UPP havia uma propina de R$ 2 mil semanais e que Thayson não tinha interesse na propina”. De acordo com o relato de Marcio, Thayson ainda afirmou que “seria transferido para a UPP Alemão por não concordar com a propina”. Logo após o depoimento, o caso foi transferido da 7ª DP para a Delegacia de Homicídios, que investiga o crime até hoje.

Em seu depoimento, Marcio também revelou que um dos colegas que estavam com seu irmão no local do crime mandou, via WhatsApp, uma mensagem para a mãe de Thayson após a morte. Era um texto que recomendava “ter cuidado com a boca, a boca cria vida como morte, traz paz e traz guerra”.

Thayson morreu duas semanas após ter terminado o curso de formação da PM e ingressado na corporação. Antes de morrer, ele havia dado apenas dois plantões na UPP do Fallet. Ele sonhava fazer o curso do Bope.

Marcio acredita que o irmão tenha sido assassinado. Ele conta que começou a desconfiar da versão dos colegas quando foi ao IML reconhecer o corpo.

— Quando vi a perfuração, do lado direito, comecei a desconfiar. Ele sempre teve problema na PM por ser canhoto. Não conseguia nem coldre do lado esquerdo. Como havia dado um tiro em si mesmo pelo lado direito? — questiona Marcio.

Investigações na UPP


O caso de Thayson não foi o primeiro em que policiais da UPP oroa/Fallet/Fogueteiro foram acusados de um crime. Em dezembro de 2015, oito PMs da unidade foram presos sob a acusação de torturar quatro jovens em Santa Teresa.

À época da morte de Thayson, o major Alexandre Frugoni comandava a UPP. Em outubro do ano passado, um ano após o soldado morrer, Frugoni e outros três policiais foram presos numa devassa da Corregedoria na UPP Caju.

Uma investigação da Corregedoria da Polícia Militar e do Ministério Público foi aberta para apurar se policiais sob o comando de Alexandre Frugoni forjavam tiroteios para desviar munição da corporação. (Extra, acesso em 12mar2018)

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