sexta-feira, 30 de março de 2018

A CADELA do fascismo!

A cadela no cio do fascismo agora pariu


Por Mauro Lopes, em seu blog:

Marielle Franco (fonte: Internet)

O DRAMATURGO alemão Bertolt Brecht (1898-1956), um dos maiores da história e que combateu valentemente o nazismo, dizia que “a cadela do fascismo está sempre no cio”, pronta a dar filhotes. Pois ela acaba de parir no Brasil. Estamos presenciando uma escalada fascista sem precedentes na história. Os números, parciais, não revelam toda a dimensão da violência que se abate sobre o país, especialmente sobre os mais pobres. Em 15 dias, de 12 a 27 de março, foram pelo menos 25 ações de extrema violência com apoio a elas dos líderes políticos de direita: 26 execuções, várias detenções e prisões, dezenas de ataques, espancamentos e agressões com feridos sem conta, ameaças de morte e ações brutais das polícias. Três padres foram alvo da escalada: um ameaçado de morte, um preso e um espancado. A violência é protagonizada por milícias de adeptos de Bolsonaro, policiais e forças paramilitares. 

Toda a escalada tem a cobertura, apoio ativo ou silente dos poderes de Estado e das mídias. O presidente golpista saiu a público para defender outro golpe, o de 1964, que sufocou as liberdades, prendeu e torturou milhares de pessoas e assassinou quase 500. Geraldo Alckmin e João Doria justificaram e apoiaram os atentados contra a caravana de Lula no sul do país, um dos principais alvos dos fascistas. O que estamos assistindo nos últimos 15 dias lembra a violência que se abateu sobre vários países da América Central nos anos de 1980. Leia a seguir a lista parcial da escalada fascista. 

EUA levam segregacionismo à guerra às drogas!

Nos EUA, que têm 2,1 milhões de presos, prisão de negros cresceu 26 vezes entre 1983 e 2000



Fernanda Mena


OS EUA têm a maior população prisional do mundo (2,1 milhões), seguidos pela China (1,6 milhão) e pelo Brasil (726 mil). E os negros estão desproporcionalmente presentes na massa carcerária americana — assim como na brasileira — por serem mais propensos ao crime.

Racista, portanto geralmente velada, esta crença é bastante comum nos EUA, segundo a jurista norte-americana Michelle Alexander, e remonta discursos que sustentaram o regime escravagista, bestializando negros para naturalizar o tratamento a eles dispensado.

Em "A Nova Segregação - Racismo e Encarceramento em Massa" (Boitempo Editorial), lançado agora no Brasil, Alexander chama a atenção para a explosão de presos no país, que quintuplicaram em 30 anos, e a suposta predileção do sistema de Justiça criminal pelos de pele mais escura.

Entre 1983 e 2000, a taxa de encarceramento de negros foi multiplicada por 26, enquanto a de brancos aumentou oito vezes. Com isso, a ativista por direitos civis diz que a guerra às drogas, responsável pela prisão de 31 milhões de americanos desde 1980 —90% negros ou latinos—, é o capítulo mais recente de uma história de segregação racial, ora oficial ora oficiosa, que marca o país.

quarta-feira, 28 de março de 2018

NELSON Rodrigues!

O Anjo Pornográfico que reagia à sociedade conservadora


Nelson Rodrigues (fonte: Internet)

O PERNAMBUCANO Nelson Rodrigues (1912-1980), o maior dramaturgo brasileiro, se assumia como “reacionário” e apoiou a ditadura militar até descobrir que a tortura não era só lenda –seu filho, Nelsinho, militante de uma organização clandestina, foi preso e torturado e ficou na cadeia de 1972 até 1979. Nelson morreria no ano seguinte. Apesar de ser um anticomunista ferrenho, o escritor teve muitos amigos esquerdistas e comunistas, como João Saldanha, e inclusive interveio junto aos militares para tirar alguns da prisão. Em 1979, voltou-se contra a ditadura e participou da campanha pela anistia.



A obra teatral de Nelson, por outro lado, foi alvo constante da censura durante quase toda a sua vida por desafiar a moral, os bons costumes e a igreja, o que não condiz muito com o perfil de um “direitista”. Estas nuances fizeram com que alguns críticos teatrais, como Sábato Magaldi, se tornassem reticentes sobre o que há de real e de pilhéria no “reacionarismo” assumido de Nelson.

“Um dia será necessário rever o epíteto de reacionário que o próprio Nelson se afixou”, escreveu Magaldi. “Na verdade, há muito de feroz ironia nesse qualificativo. Porque Nelson Rodrigues foi reacionário apenas na medida em que não aceitou a submissão do indivíduo a qualquer regime totalitário.” No fim, sua crítica ao totalitarismo dos regimes comunistas liderados pela extinta União Soviética estava correta e os esquerdistas de então é que estavam equivocados em apoiá-lo.

Na biografia O Anjo Pornográfico, o escritor Ruy Castro oferece ao leitor as inúmeras facetas do dramaturgo e cronista, e algumas delas simplesmente não ornam com o estigma de reacionário que deu a si mesmo. Nelson Rodrigues foi, por exemplo, pioneiro em denunciar o racismo no País, coisa que a direita brasileira até hoje nega existir. Escreveu O Anjo Negro, em 1948, para seu amigo Abdias do Nascimento (1914-2011), que acabou impedido de representar o papel principal: o Teatro Municipal exigiu um branco com a cara pintada de graxa no lugar, para revolta de Nelson. Além disso, criou a expressão “complexo de vira-latas”, melhor definição para a reaçada Miami.


Lamentavelmente, quase 35 anos após sua morte, Nelson Rodrigues virou ídolo de jovens conservadores que nunca leram sua obra e o conhecem apenas pela frase “sou reacionário: minha reação é contra tudo que não presta”. Mas será que eles sobreviveriam diante de um filme ou peça de teatro baseados em Nelson? Será que Nelson Rodrigues tem realmente algo a ver com o ideal reaça de Família, Tradição e Propriedade? Duvido.

Escolhi seis peças de Nelson Rodrigues para testar até onde vai a “adoração” do neoconservadorismo brazuca por ele. Vejamos.

1. O Beijo no Asfalto (1960)


Um moribundo atropelado pede a um passante, Arandir, um beijo. O ato de caridade é transformado pela imprensa sensacionalista e por um delegado de polícia num escândalo. O sogro de Arandir insinua o tempo todo que ele é homossexual e parece ter uma relação incestuosa com a filha, mas no final se revela apaixonado pelo próprio genro.

quinta-feira, 22 de março de 2018

ALGUÉM consegue explicar?

Aluno que odeia Lula diz que ama escola criada por Lula



A CARAVANA Lula pelo Brasil deixou Santa Maria, na região central do Rio Grande do Sul, em direção a São Borja, no extremo oeste do estado. Depois de uma hora de percurso, fez uma parada em São Vicente do Sul. O município de pouco mais de 8 mil habitantes abriga um dos 11 campi do Instituto Federal Farroupilha, que atende 11 mil alunos de diversos municípios daquela região do estado.


Em rápido pronunciamento a pessoas que foram ao local para vê-lo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que os que o hostilizaram ontem (20) em Santa Maria provavelmente adquiriram os tratores que usaram para protestar por meio do programa Mais Alimento, criado em 2008, para subsidiar a compra de máquinas e estimular a produção. “Preconceito sempre existiu, mas o que essa gente tem é ódio”, afirmou. E sugeriu que esses agricultores “consultassem a consciência” sobre se tiveram ganhos maiores durante os 13 anos de governo do PT ou agora. “Eu não tenho tempo para ter ódio, porque a pessoa fica com azia.”

No IFF, outro ato composto por homens seguidores do deputado Jair Bolsonaro aguardava a comitiva. A reportagem tentou fazer entrevistas para saber o que pensavam, mas se recusaram a falar. Questionados sobre gestos de agressividade inclusive contra colegas, um deles disse: “Apoia o PT, tem de ser xingado mesmo”. Os outros concordaram. A reportagem insistiu querendo saber o que queriam fazer ali, e: “Nada. Estamos aqui pra xingar mesmo esses vagabundos”. E por que acham que são vagabundos? “Têm cara, olha esses bêbados, esses barrigas d’água.”

Acesse o vídeo:

Depois de muitas tentativas, o estudante Jadriel Fountoura, de 20 anos, concordou em falar. Filho de agricultores em Paraíso do Sul, se diz preocupado com a situação e diz que é preciso mudar, “não dá pra ficar só PT”. Apesar da insatisfação, afirma fazer três cursos no IFF – Técnico em Agricultura, em Zootecnia e Licenciatura em Ciências Biológicas. Está há três anos no instituto e calcula que vai ficar mais quatro: “Eu amo a escola, a estrutura é boa, os professores são excelentes”, avalia o aluno, com fala singela e lamentando ter sido “agredido” e “impedido de ter acesso às refeições” no dia de hoje.

Encerrada a gravação, Jadriel se juntou ao grupo de ruralistas que fazia um protesto agressivo, com objetivo de impedir a passagem da caravana. Uma vez posicionado em seu habitat, despiu-se do tom singelo da entrevista e ergueu o dedo médio para a reportagem. (Instituto Lula, acesso em 22mar2018)

Victor Hugo, autor célebre de "Os Miseráveis", produziu um personagem que odeia seu bem-feitor, pois para ele o que interessa é a lei. Javert é um homem cego pela lei e pela ordem, sendo implacável com Jean Valjean, que foi condenado à prisão por roubar pão. 



terça-feira, 20 de março de 2018

MARCELO Migliaccio!

De onde surgiu tanto fascista?


G.I. Joe, um dos desenhos mais violentos já feitos, está na gênese dessa geração fascista brasileira (Fonte: blog Rio Acima)

PARA mim, a resposta é simples. As crianças dos anos 1990 e 2000 cresceram. Cresceram vendo televisão, na maioria das vezes sem alguém por perto que as esclarecesse sobre absurdos veiculados em horários matutinos e vespertinos. Quem tem filhos sabe que a TV funciona para eles como uma cartilha do comportamento e dos valores do mundo adulto, para o bem e para o mal. Pois milhões de pessoas cresceram entregues unicamente à educação que a babá eletrônica lhes dava em troca de audiência fácil e anúncios milionários.

Em vez de Vila Sésamo, viram desenhos violentos com muito tiro, porrada e bomba.

Em vez de Mundo Animal, viram a agressividade animalesca de Datena e Ratinho.

Em vez de Capitão Aza e Capitão Furacão, viram a maledicência nos programas de fofoca.

Em vez do Sítio do Picapau Amarelo, a sexualização precoce de Xuxa e suas Paquitas arianas.

Em vez do Meu Pé de Laranja Lima e a Pequena Órfã, viram Malhação, feita para adolescentes mas vista por crianças de cinco, seis anos.

Em vez das comédias de Jerry Lewis, viram Máquina Mortífera e Duro de Matar na Sessão da Tarde.

Em vez de Batman, Túnel do Tempo e Terra de Gigantes, viram pastores evangélicos picaretas.

Em vez de Os Três Patetas, viram lutas de UFC, com gente sendo espancada e chutada mesmo caída no chão.

Em vez de Shazam e Xerife, viram novela das oito reprisada com uns poucos cortes às duas da tarde.

Shazam e Xerife, série protagonizada por Paulo José e Flávio Migliaccio nos anos 1970 (Fonte: Internet)


O resultado é essa turba de idiotas capazes de difamar com calúnias uma pessoa que acabou de ser assassinada por defender gente pobre dos abusos de autoridade da polícia e do Exército. Gente que vai para a porta de um hospital vaiar a ex-primeira dama que acabou de sofrer um AVC.

Claro que tem gente mais velha que também apoia todo tipo de opressão e discriminação, mas essa massificação do pensamento discricionário é um fenômeno recente.

Eu sei que alguém vai dizer que viu isso tudo e não é fascista. Eu lhe digo: sorte sua.

Desde que a ditadura militar desmoralizou a palavra censura com seu arbítrio, virou pecado falar em controle da programação televisiva. Para que a indicação etária no início dos programas se tornasse obrigatória foi uma luta. Sou contra a censura no cinema, no teatro, na literatura, pintura etc. Toda a manifestação artística deve ser livre. Porém, em se tratando de televisão, um canal aberto a todo tipo de telespectador, de todas as idades, vale a pena pensar um pouco mais no que é exibido. (Rio Acima, acesso em 19mar2018)

Além da tevê, há outros vilões com seus métodos diferenciados.

L.s.N.S.J.C.!

segunda-feira, 19 de março de 2018

SOLDADOS do Araguaia!

O filme sobre a guerrilha do Araguaia expõe a perversidade do Exército, que não poupou nem os próprios soldados



Fonte: DCM


A GUERRILHA do Araguaia foi um laboratório de experiências humanas mais perversas que existiu. Foi puro terror. Terror de Estado, baseado em uma doutrina de segurança nacional que tinha como objetivo destruir, exterminar através de técnicas de guerra algumas dezenas de sonhadores militantes do PCdoB que combatiam o regime de exceção implantado pelos militares em 1964.

O filme “Soldados do Araguaia”, que estreia no dia 22 de março nos cinemas em São Paulo, conta uma faceta dessa perversidade. O diretor do filme, Belisário Franca, revela que ficou impressionado com a força do Exército em manter silêncio por tantos anos sobre a violência contra os cidadãos, militantes políticos, habitantes da região e próprios soldados. “Essas histórias estavam escondidas”, diz.

“Soldados do Araguaia” é um documentário que se propõe a dar voz às memórias e traumas de recrutas e militares de baixa patente do Exército que combateram na sangrenta e nebulosa Guerrilha do Araguaia.

Esses militares foram marginalizados em todos os sentidos. Pela historiografia oficial, pelo próprio Exército e pela comunidade onde habitam. Agora, esses homens vítimas da guerra escondida, tiveram coragem de denunciar o que sofreram. Conseguiram ultrapassar a barreira psicológica da timidez e do medo.

Com a cara limpa, sob forte impacto emocional, soldados, cabos e sargentos contam o que foram obrigados a enfrentar, sem nunca terem tido um treinamento adequado. Aqueles que não se mataram ou se perderam na vida convivem diariamente com fantasmas que os atormentam sem parar. Outros sofrem com o alcoolismo, o desejo de suicídio e sofrem estresse pós-traumático devido ao abuso e sadismo que sofreram e testemunharam.

Esses ex-integrantes do Exército que foram obrigados a atuar contra os militantes do PCdoB e contra o seu próprio povo durante a repressão à guerrilha estavam totalmente esquecidos. Suas histórias ficaram invisibilizadas com o tempo.

“Tive contato com essas histórias que foram levantadas pelo jornalista Ismael Machado. Ele publicou parte dos casos num diário paraense e achei que seria necessário contar tudo”, explica Franca.

A maior dificuldade durante a produção da película, diz o diretor, foi ganhar a confiança dos soldados para que contassem tudo o que sabem. “Não estava interessado só numa entrevista. Havia o testemunho de memória submergida. Então foi preciso ter a confiança de todos para expor essas memórias. Eles trouxeram as dores que convivem com eles diariamente. É um fantasma que permanece cotidianamente na cabeça dessas pessoas”, relata Franca.

O filme mostra fielmente essas memórias traumáticas, com delicadeza e respeito. Um importante marco para a história da ditadura no Brasil.

No ano passado, o “Soldados do Araguaia” foi exibido especialmente num cinema na cidade de Marabá, no sul do Pará, região do Araguaia. Estiveram presentes alguns protagonistas que já haviam gravado depoimento e outros que haviam se recusado a falar. “Mas aqueles que não quiseram falar num primeiro momento acabaram depondo em pleno cinema, após a exibição do filme, de tão emocionados que ficaram”.

Quando serviram o Exército no início da década de 1970, contam os ex-soldados, ingressar no serviço militar era algo digno, que todos queriam. Muitos entravam para poder receber o certificado de reservista. Mas quando entraram no quartel foram surpreendidos com tamanha brutalidade.

sábado, 17 de março de 2018

ROTINA policial ou apenas racismo?



Arquivo pessoal
NAQUELA manhã resolvi sair para conhecer a cidade. Havia pouco tempo, dias, que tinha chegado. Por gostar e ter necessidade de fazer atividade física, deixei o carro na garagem, e me dispus a percorrer a cidade a pé. A atividade física é a melhor terapêutica para combater a diabetes, além disso, era preciso conhecer a cidade em que decidi morar e iniciar nova vida.

Uniria então o útil ao agradável.

Para forçar mais um pouco, atraquei nas pernas um par de caneleiras, daquelas que tem peso. Eram dois quilos adicionais, um em cada perna, que encobri com uma calça comprida. Óculos escuros para proteger do sol de verão escaldante da manhã, além de chapéu para fazer sombra na caixola. 

Para aumentar mais a carga, uma mochila às costas que também continha uma garrafinha com água para hidratar e aliviar a sede do caminho.

Pus-me a caminho.

segunda-feira, 12 de março de 2018

ACIDENTE ou fogo amigo?

Morte de policial militar de UPP tem indícios de fogo amigo

Thayson era canhoto, mas morreu com um tiro na região auricular direita (fonte: Extra)


EM outubro de 2016, o soldado da PM Thayson Teixeira Santos, de 25 anos, foi morto em serviço com um tiro na cabeça no Morro do Fallet, na Região Central do Rio. Seus colegas de farda afirmaram à polícia, no dia seguinte à tragédia, que o praça foi vítima de um acidente: ele teria atirado em si mesmo enquanto manuseava a arma de um outro policial. Mais de um ano depois, uma reviravolta na investigação aponta indícios de que Thayson, lotado na UPP do Fallet, foi vítima de fogo amigo.

O EXTRA teve acesso à investigação. O primeiro indício de que não houve acidente foi apurado no dia da morte, quando agentes da Corregedoria da PM fizeram a perícia. Os policiais encontraram a cena do crime, poucas horas após Thayson morrer, sem sangue. O local havia sido molhado e limpo.

No dia seguinte, mais um indício de que houve um assassinato: a necrópsia do cadáver revelou que o tiro que matou o soldado entrou no corpo pela “região auricular direita” — ou seja, pela região do rosto próxima ao ouvido direito. Thayson, de acordo com parentes, era canhoto. Em fotografias tiradas enquanto fazia o curso de formação da PM, ele aparece atirando com a mão esquerda. Segundo peritos ouvidos pelo EXTRA, é bastante improvável que um canhoto conseguisse disparar contra si mesmo pelo lado direito.

O mais contundente indício de fraude, no entanto, é um depoimento prestado na 7ª DP (Santa Teresa) um mês após o crime. Um dos irmãos de Thayson, Marcio Feitosa Santos, de 39 anos, afirmou que, dois dias antes da morte, o PM contou que “na UPP havia uma propina de R$ 2 mil semanais e que Thayson não tinha interesse na propina”. De acordo com o relato de Marcio, Thayson ainda afirmou que “seria transferido para a UPP Alemão por não concordar com a propina”. Logo após o depoimento, o caso foi transferido da 7ª DP para a Delegacia de Homicídios, que investiga o crime até hoje.

Em seu depoimento, Marcio também revelou que um dos colegas que estavam com seu irmão no local do crime mandou, via WhatsApp, uma mensagem para a mãe de Thayson após a morte. Era um texto que recomendava “ter cuidado com a boca, a boca cria vida como morte, traz paz e traz guerra”.

Thayson morreu duas semanas após ter terminado o curso de formação da PM e ingressado na corporação. Antes de morrer, ele havia dado apenas dois plantões na UPP do Fallet. Ele sonhava fazer o curso do Bope.

Marcio acredita que o irmão tenha sido assassinado. Ele conta que começou a desconfiar da versão dos colegas quando foi ao IML reconhecer o corpo.

— Quando vi a perfuração, do lado direito, comecei a desconfiar. Ele sempre teve problema na PM por ser canhoto. Não conseguia nem coldre do lado esquerdo. Como havia dado um tiro em si mesmo pelo lado direito? — questiona Marcio.

Investigações na UPP


O caso de Thayson não foi o primeiro em que policiais da UPP oroa/Fallet/Fogueteiro foram acusados de um crime. Em dezembro de 2015, oito PMs da unidade foram presos sob a acusação de torturar quatro jovens em Santa Teresa.

À época da morte de Thayson, o major Alexandre Frugoni comandava a UPP. Em outubro do ano passado, um ano após o soldado morrer, Frugoni e outros três policiais foram presos numa devassa da Corregedoria na UPP Caju.

Uma investigação da Corregedoria da Polícia Militar e do Ministério Público foi aberta para apurar se policiais sob o comando de Alexandre Frugoni forjavam tiroteios para desviar munição da corporação. (Extra, acesso em 12mar2018)

sábado, 10 de março de 2018

OUTRO caso de racismo!

Desta vez foi na FGV: "Achei esse escravo no fumódromo!"


Fonte: Brasil 247




UMA foto tirada por um aluno da Faculdade Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo, foi compartilhada em um grupo com a seguinte frase: "Achei esse escravo no fumódromo! Quem for o dono avisa!”. O aluno atingido pelo comentário fez boletim de ocorrência por injúria racial. O autor da foto e da frase foi suspenso da faculdade por 3 meses e corre o risco de ser expulso.

quinta-feira, 8 de março de 2018

ESTADOS Unidos e o racismo nosso de cada dia!


O preconceito, não só em relação à cor da pele, é legitimado por falsas ideias científicas, que escravizam os espíritos

Nos Estados Unidos os latinos são vistos geralmente como um povo burro, preguiçoso e corrupto (fonte: cartacapital.com.br) 


NO CAPITALISMO moderno, a legitimação dos interesses dominantes vive de um “racismo implícito”, encoberto e distorcido, por falsas ideias científicas.

É a ciência que herda o prestígio da religião de definir coletivamente o que é verdadeiro ou falso e, a partir disso, o que é justo e injusto. 

Os Estados Unidos são um império que tem logrado, crescentemente, uma nova forma de colonialismo. Ainda que mantenham a ameaça militar como a última “ratio”, especializaram-se no uso de uma suposta ciência para espoliar suas colônias modernas pela escravização dos espíritos.

A violência simbólica permite dominar sem os custos da violência material. Para isso é necessário que os povos dominados se vejam, eles próprios, como “inferiores”.

Quando pensamos em “racismo”, pensamos sempre no racismo da cor da pele ou “racial”, base do colonialismo do século XIX. Como os negros eram considerados subumanos, a exploração da África deveria caber aos brancos supostamente superiores.


Era um racismo supostamente “científico”, que começa a ser criticado nos anos 20 do século passado, e é substituído, para responder à questão do desenvolvimento diferencial das sociedades, pela noção de “estoque cultural”.

Embora pareça a todos uma superação de todo e qualquer racismo, o culturalismo hegemônico é um racismo muito mais sutil e virulento do que o anterior. Ele, na verdade, generaliza o mecanismo de racismo, separar seres humanos de primeira e de segunda classe, fazendo parecer ter superado um tipo particular de racismo associado à cor da pele.

O fundamento deste racismo generalizado e “moderno” é a tese weberiana do protestantismo ascético como parteiro do capitalismo moderno, baseado na disciplina e na racionalidade instrumental, e a percepção dos Estados unidos como a nação do ascetismo protestante.

Talcott Parsons é o pai desta interpretação que hoje em dia é um pressuposto inquestionável tanto da ciência central quanto periférica, assim como do senso comum mundial compartilhado pelos cidadãos comuns.

segunda-feira, 5 de março de 2018

DIVA Guimarães!

A Educação me salvou

Diva Guimarães (fonte: revista Veja)

ANTES de cursar o magistério em Cornélio Procópio, no Paraná, trabalhei como doméstica, colhi algodão e ajudei minha mãe, que era parteira e lavava roupa em troca de material escolar para mim e meus doze irmãos. Em 1962, quando passei no vestibular para educação física na Universidade Federal do Paraná, em Curitiba, um padre da minha cidade foi falar com ela. Perguntou se sabia como eram chamadas as mulheres que saíam de casa dizendo que iam estudar. Achavam que negras fossem prostitutas ou alcoólatras, o que eu nunca quis ser. Ela respondeu ao padre que, enquanto lavava as roupas dele, jamais havia sido questionada sobre precisarmos de algo. Então, naquele momento, ele não deveria se intrometer. A educação me salvou — sobrevivi graças aos estudos.

Na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), cerca de uma semana atrás, contei sobre as humilhações pelas quais minha família passou para que eu e meus irmãos pudéssemos estudar. Disse isso ao microfone oferecido ao público no fim da palestra do ator Lázaro Ramos e da jornalista portuguesa Joana Gorjão Henriques. Falei pelos meus antepassados. Desde então, tenho sido procurada por várias pessoas, tenho dado entrevistas, e estou assustada. Não sou vítima. Sofri demais para não ser vítima. Minha mãe foi alfabetizada, lia muito, e ensinou meu pai, que perdi bem cedo, a ler e a escrever. Sou a primeira da família a ter graduação.

Eu me mudei para a capital a fim de fazer faculdade porque tive o apoio da minha mãe e de três professoras que me marcaram muito, Deni Pedotti, Gilda Poli e Mércia Poli. Para me sustentar durante os primeiros meses, vendi uma coleção de livros que havia levado um ano para pagar. Dava aulas para me manter, mas as dificuldades financeiras só cessaram quando fui aceita na moradia da universidade. Eu era a única negra da classe, e não me lembro de ter visto outra nos demais cursos. Anos depois, quando fazia fisioterapia na Universidade Tuiuti do Paraná, não quis emprestar meu caderno a uma colega e, no intervalo, ela e as amigas ameaçaram me bater. Uma das alunas disse que eu deveria agradecer por elas permitirem que eu me sentasse ao lado delas. Comportamentos assim são constantes. Ao lecionar, sempre procurei respeitar as peculiaridades de cada um dos meus alunos. Trabalhava com o folclore, mas jamais fiz um ensaio de quadrilha. Ninguém queria formar par com a criança negra. Sempre fui respeitada como educadora e, quando os alunos me procuravam, chateados com alguma discriminação, repetia a mensagem que minha mãe me dizia: “Quer ser respeitado? Então seja melhor que eles, tire notas maiores, porque, um dia, vão precisar de você”.

Nós, os negros, só tínhamos uma chance na vida: estudar. Por isso, acredito que as cotas no ensino superior não são um privilégio, mas um dever da sociedade. Durante muito tempo, esse acesso nos foi podado. Basta ler os livros de história para perceber que as cotas sempre existiram — para os brancos e bem-­nascidos. Afinal, a condição para aproveitar as boas oportunidades era não ter um pingo de sangue negro ou indígena nas veias. Então, não é nenhum favor. O Brasil nos deve isso. Não basta assegurar a entrada dos estudantes no ensino superior. Alunos cotistas — que moram distante das faculdades, não têm dinheiro para fazer o lanche, comprar livros ou roupas melhores — sofrem preconceito. São vistos como aqueles que estão “tirando”, entre aspas, a vaga dos que se esforçaram para passar no vestibular e devem “ceder”, novamente entre aspas, o lugar a pessoas que teriam menos capacidade intelectual. Isso não é verdade. A verdadeira inclusão teria de acontecer em todos os anos do curso, até o fim, na luta por uma vaga no mercado de trabalho. Recém-­formados passam por seleções mascaradas, em que não é a competência que conta, mas a roupa, o porte, a chamada “boa aparência”. Essa situação só vai mudar quando houver uma nova consciência da sociedade e os profissionais forem contratados pelo que sabem, e não pelo que parecem ser. (Veja, acesso em 05mar2018)

Eu me amarro nesse tipo de depoimento, que traz à evidência pessoas guerreiras como a professora Diva Guimarães.

Disse tudo: "Não é um privilégio, mas sim um dever do Estado promover oportunidades à parcela mais carente da população, que é credora desse há mais de cinco séculos. 

L.s.N.S.J.C.!

domingo, 4 de março de 2018

AGUARDEMOS para ver se, ao final, vai haver justiça!


Desembargadora vira ré por usar máquina pública para tentar soltar o filho traficante


Breno Borges (fonte: Internet)



A JUSTIÇA de Mato Grosso do Sul aceitou denúncia feita pelo Ministério Público Estadual contra a desembargadora Tânia Garcia de Freitas Borges, presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Estado (TRE-MS), por usar a máquina pública e sua estrutura em benefício próprio para soltar o filho, Breno Fernando Solon Borges, 38, preso em abril de 2017 por tráficos de droga e armas.
Desembargadora Tânia Borges (fonte: DCM)

A decisão foi dada pelo juiz David de Oliveira Gomes Filho, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, que aceitou a denúncia por improbidade administrativa contra Tânia e o então chefe de gabinete da Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen), Pedro Carrilho Arantes. Ambos podem perder os direitos políticos por até cinco anos, pagar multa superior a R$ 8 milhões e ainda devolverem ao estado os gastos com transferência e escolta de Borges, que saiu de Três Lagoas e veio para Campo Grande, onde ficou no Hospital Nosso Lar por menos de 24 horas.

A ação civil pública foi movida pelos promotores Humberto Lapa Ferri, Marcos Alex Vera de Oliveira e Adriano Lobo Viana de Resende. Gomes Filho não aceitou a argumentação da defesa da desembargadora de que os promotores não tinham competência para mover a ação e avaliou que o foro privilegiado só é válido para o presidente do Tribunal de Justiça, não para a presidência do TRE.

Como parte da denúncia, Tânia é acusada de usar viatura descaracterizada da Polícia Civil junto de agente penitenciário e delegado de polícia para ir a Três Lagoas soltar o filho.

Segundo os promotores, não havia habeas corpus. O diretor do presídio em Três Lagoas na ocasião consultou Arantes, que teria inventado haver uma decisão judiciária pela soltura. Tânia, que estaria nervosa, ameaçou prender o funcionário público caso não cumprisse sua ordem.

Breno Fernando Solon Borges está em cela isolada do Presídio de Segurança Média de Três Lagoas, após a Justiça derrubar laudo que atestava problema psiquiátrico e permitia seu ‘tratamento’ em clínica particular. Em dezembro, ele foi flagrado por agentes penitenciários com um celular em sua cela. (DCM, acesso em 04mar2018)

Filho de papai (no caso, filho de mamãe) preso, essa é rara. A mãe, poderosa desembargadora, punida? Eu quero ver. Se fosse filho de pobre, sem ninguém poderoso por ele, a tendência seria apodrecer na cadeia, isso se não tivesse sido morto, uma vez que "bandido bom, é bandido morto". 

Esse "coitadinho", filho de mamãe, foi preso portando 129 quilos de cocaína, uma pistola calibre nove milímetros e munições de fuzil 762. 

sábado, 3 de março de 2018

MARCELO Migliaccio!


Para onde vamos?


ERA uma vez um país onde apenas cinco pessoas tinham tanto dinheiro quanto outras 100 milhões.

Primeiro, as casas nem tinham muro. Era um prazer conversar na varanda olhando a vida passar.

Mas um cachorro vadio entrou e colocaram um muro pequeno.

Apareceu um ladrão e roubou a bicicleta. Aí, levantaram o muro.

Outro ladrão pulou e colocaram cerca elétrica e câmera.

Entraram mesmo assim e barbarizaram. Quem coloca cerca e câmera tem grana!

Aí plantaram um vigia. Mas renderam o vigia e fizeram outra limpa.

Contrataram uma empresa de segurança privada... agora vai! Um arrastão nas casas foi a resposta. Suspeitam que um dos seguranças deu o serviço…

Procuraram então o comandante do batalhão e o delegado, que prometeram um policiamento reforçado na área.

Mais assaltos, roubo de carros, de motos, gente baleada no meio da rua. Aquela rua que um dia foi tranquila.

O povo todo, a gente de bem, foi para a beira da praia protestar. Gritaram, espernearam histéricos. Exigiram que os marginais, essas pessoas de "má índole", fossem presos, mortos, exterminados.

E o presidente da República, golpista e impopular, chamou o Exército. Tanques, canhões, soldados por toda parte, pessoas pobres sendo fotografadas junto com seus documentos quando saíam para o trabalho. Crianças a caminho da escola abrindo suas mochilas e lancheiras para devida averiguação dos militares.

A democracia acabou, mas os crimes não. Pelas fronteiras, toneladas de drogas e armas continuaram entrando. A corrupção cresceu à sombra da censura e da impunidade da confraria dominante. Cada dia mais crianças sem escola, mais jovens sem horizontes, mais gente excluída. Vinte e seis milhões de pessoas sem emprego. A fome aumentando. O ódio também.

Quem vão chamar agora?




(Marcelo Migliaccio, acesso em 03mar2018)


Sem comentários!