sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

ESSES jornalões e sua vocação para manipular ou esconder notícias!

Juíza bloqueia R$ 113 mi de Paulo Preto no exterior; Folha acha mais importante depoimento de escrevente sobre Lula


Folha de S. Paulo relega a uma tirinha lateral informação sobre desvio milionário atribuído a dirigente ligado ao PSDB (fonte: Viomundo)

APESAR da explosiva descoberta de que Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, homem que frequentou os bastidores tucanos em Brasília e São Paulo, acumulou ao menos R$ 113 milhões na Suíça, o diário conservador Folha de S. Paulo tinha outras prioridades nesta quinta-feira.

Achou mais importante, bem mais importante, destacar o depoimento de um escrevente que disse ter redigido, a pedido do advogado Roberto Teixeira, a minuta da venda de um sítio em Atibaia ao ex-presidente Lula.

A descoberta da fortuna de Paulo Preto equivale à descoberta dos mais de 50 milhões de reais num apartamento de Geddel Vieira Lima, ex-ministro de Temer, em Salvador, menos as malas e a contagem do dinheiro.

Aliás, num esboço de delação premiada, o doleiro Adir Assad, que operava para o PSDB, disse que Paulo Preto usava o cômodo inteiro de uma casa para “estocar” dinheiro. O acusado negou e ameaçou Assad com um processo.

Pois bem, a Folha enfiou a notícia bombástica numa tripinha da página 3, conforme apontou o jornalista Chico Malfitani no Instagram.


Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto (fonte: ContrapontoPIG)


As contas identificadas no Exterior são a prova que faltava para demonstrar que Paulo Preto desviou dinheiro das obras que supervisionou quando dirigiu a Desenvolvimento Rodoviário SA, Dersa, no governo Serra: o eixo Sul do Rodoanel e a ampliação da marginal do Tietê, duas vitrines de Serra na campanha presidencial de 2010.

Mas, há bem mais que isso: Paulo Preto não caiu de paraquedas no governo Serra.

Foi o atual chanceler brasileiro, Aloysio Nunes Ferreira, quem levou Paulo Vieira de Souza para seu primeiro cargo em um governo tucano: foi assessor de Fernando Henrique Cardoso durante todo o segundo mandato, atuando no programa Brasil Empreendedor Rural.

Entrou na Dersa em 2005, ainda no primeiro mandato de Geraldo Alckmin, no cargo de diretor de Relações Institucionais, passando para a estratégica diretoria de Engenharia no ano seguinte.

O nome de Paulo Souza surgiu no noticiário pela primeira vez depois que foi deflagrada a Operação Castelo de Areia, mas àquela altura os agentes da Polícia Federal que escreveram o relatório final diziam tratar-se de “pessoa ainda não identificada.

A Castelo pescou políticos de vários partidos na contabilidade paralela da Camargo Corrêa e poderia ter antecipado os resultados da Operação Lava Jato, mas com um viés tucano — justamente por isso talvez não tenha progredido.

A operação rastreou toda a movimentação de dinheiro do doleiro Kurt Paul Pickel, já falecido. Chamou a atenção o codinome utilizado para os beneficiários de remessas: Gato, Tigre, Jumento e Gambá estavam entre eles. Pantera, Camelo, Periquito e Avestruz frequentaram as planilhas. O Leão também estava lá. O Hipopótamo levou ao menos R$ 1 milhão.

As obras pelas quais a empresa pagava propina se espalhavam por toda a América do Sul.

Na lista de dinheiro dado a campanhas políticas, numa planilha o nome do atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia, aparece com doação de 50 mil, o então deputado Michel Temer com outros 50 mil, Aécio Neves com 370 mil, o ex-ministro José Eduardo Cardozo com mais de 150 mil, Soninha Francine com 40 mil, Luiz Antonio Fleury com 100 mil e Antonio Palocci com outros 100 mil — são dezenas de citados, de vários partidos.

O nome de Augusto Nardes, o relator do TCU que rejeitou as contas de Dilma Rousseff, também aparece no relatório, com a sugestão de que teria beneficiado a empreiteira com decisões em ao menos duas obras. Conselheiros do TCE paulista também são mencionados, com destaque para Robson Marinho.


Foi a primeira vez que investigadores relacionaram o andamento de obras ao pagamento de propina e/ou doações eleitorais.

Ademar Palocci, o Paloção, teria feito caixa na ampliação da hidrelétrica de Tucuruí, sugere o relatório final.

Dentre as obras, a linha 4 do Metrô paulistano, tocada por Geraldo Alckmin em seu primeiro mandato.

Mas o singelo documento que certamente deixou os tucanos de cabelo em pé foi uma planilha apreendida com um “resumo” de pagamentos feitos supostamente a pedido dos caciques do partido, totalizando mais de R$ 13 milhões.



Fonte: Viomundo


Posteriormente, a Operação Castelo de Areia foi anulada pelo STJ por supostamente ter tido origem numa denúncia anônima.

As provas foram destruídas a mando da Justiça.

O “Paulo Souza” do relatório eventualmente foi identificado como o diretor da Dersa e, no ano eleitoral de 2010, ganhou notoriedade quando Dilma Rousseff fez uma pergunta sobre Paulo Preto a Serra num debate.

Depois de sugerir que mal o conhecia, Serra voltou atrás.

“Ele é considerado uma pessoa muito competente e ganhou até o prêmio de Engenheiro do Ano (em 2009). Nunca recebi nenhuma acusação a respeito dele durante sua atuação no governo”, afirmou ainda durante a campanha de 2010.

Não se larga um líder ferido na estrada.



Ex-diretor da Dersa tem R$ 113 mi no exterior, diz juíza


Informações sobre as contas em nome de Paulo Vieira de Souza estão em decisão que autorizou o bloqueio do montante e o estabelecimento de cooperação entre o Ministério Público Federal e a Suíça


Autoridades suíças encontraram R$ 113 milhões em quatro contas no país europeu em nome do ex-diretor da empresa Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa) Paulo Vieira de Souza [obs do Viomundo: mais conhecido como Paulo Preto] . Ele foi diretor da estatal paulista entre 2007 e 2010, durante governo do PSDB.

As informações sobre as contas em nome de Souza estão na decisão em que a juíza federal Maria Isabel do Prado autorizou o bloqueio do montante e o estabelecimento de uma cooperação internacional entre o Ministério Público Federal e a Suíça para recuperar os valores.


Fonte: Viomundo


A decisão é de 17 de outubro do ano passado e foi tornada pública ontem.

“Constam das informações que em 7 de junho de 2016 as quatro contas bancárias atingiam o saldo conjunto de cerca de 35 milhões de francos suíços, equivalente a 113 milhões de reais, convertidos na cotação atual”, diz o despacho da magistrada.


Fonte: Viomundo

As contas, abertas no banco Bordier e Cie, estão vinculadas a uma offshore panamenha chamada Groupe Nantes. De acordo com a decisão, o dinheiro teria sido mantido no banco suíço até fevereiro de 2017, quando foi transferido para o Deltec Bank and Trust Limited, sediado em Nassau, nas Bahamas.

No documento, a juíza cita informações do MPF de que Souza também teria reduzido seu patrimônio declarado de R$ 4 milhões, em 2014, para R$ 2,8 milhões em 2017.

Essa redução indicaria “desfazimentos de bens a fim de evitar eventual ressarcimento ao erário”. Outro trecho do despacho afirma que, entre 2009 e 2010, época em que era diretor da Dersa, Souza efetuou transações acima de R$ 2,5 milhões que eram incompatíveis com seu patrimônio.

A decisão da juíza foi anexada pelos advogados do ex-diretor da Dersa ao inquérito em curso no Supremo Tribunal Federal que investiga o senador José Serra (PSDB-SP).

A investigação foi autorizada pelo ministro da Corte Edson Fachin com base na delação da Odebrecht – ex-executivos da empreiteira relataram irregularidades em obras do Rodoanel, em São Paulo.

Souza tenta, por meio de sua defesa, enviar as investigações contra ele que tramitam em São Paulo para o Supremo. O ministro Gilmar Mendes é relator do inquérito sobre Serra.

A defesa do ex-diretor da Dersa alega que os fatos investigados em São Paulo já estão sob apuração no STF. Ontem, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, se posicionou contra o pedido dos advogados de Souza.

A Dersa e a defesa de Paulo Vieira de Souza não responderam aos contatos das reportagem. José Serra, por meio de sua assessoria, informou que não iria se manifestar. (Viomundo, acesso em 22fev2018)

Leia mais sobre o caso:








É muita sujeira, mas a tendência é todos (mídia, judiciário...) jogarem para baixo do tapete. Mas se fosse o Lula, teria sido condenado à morte. 

E quanto à atitude do jornal, o que dizer? Mas muita gente ainda acha que a grande mídia é imparcial.

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