quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

TUDO na vida é política!

Até no esporte



Tommie Smith e John Carlos, donos das medalhas de ouro e bronze nos 200 m rasos, nas Olímpiadas de 1968. (fonte: Wikimedia Commons)




CIDADE do México, 1968: Tommie Smith e John Carlos, donos das medalhas de ouro e bronze nos 200 metros rasos, cada um com uma luva preta até o cotovelo, descalços, sobem no pódio, recebem as medalhas e, na hora do hino americano, fazem o gesto dos Panteras Negras: punho levantado e cabeça baixa. Ao lado deles, o australiano Peter Norman, vice-campeão da prova, levava no peito o mesmo broche vestido pelos norte-americanos, do Projeto Olímpico para os Direitos Humanos, um movimento criado por atletas em nome da igualdade de direitos raciais.

Não se deixe enganar por vozes robóticas: lutas raciais, de gênero e de classe sempre foram e sempre serão parte importante de qualquer competição esportiva.



A manifestação “deu ruim” na visão limitada de certos apresentadores de reality show e colunistas de revistas de bacana. De fato, Smith e Carlos foram expulsos imediatamente da Vila Olímpica e praticamente proibidos de praticar o esporte de forma profissional. Norman, desde sempre ativista em seu país natal, foi relegado ao esquecimento dos cartolas e nunca mais voltou a uma Olimpíada – nem mesmo nos Jogos de Sydney em 2000, quando já estava aposentado, foi chamado a colaborar na organização, ao contrário de outros ex-atletas. Só foi “perdoado” na Austrália em 2012, com a leitura de uma moção no parlamento local. Tarde demais: Norman morrera seis anos antes, em 2006, aos 54, vítima de uma parada cardíaca.

Mas será que isso é mesmo “dar ruim”? Cinquenta anos depois, Smith, Norman e Carlos são lembrados até hoje, vistos como ícones, como pessoas emblemáticas que fizeram diferença na história. Sem o gesto, ninguém se lembraria de nenhuma cerimônia de pódio nos Jogos do México. Os três seriam atletas como milhares de outros na história olímpica: vencedores e nada mais. Acho que nenhum dos três se arrepende do que fez.

Como certamente não está arrependido o quarterback Colin Kaepernick, pioneiro das manifestações realizadas durante toda a última temporada da NFL, a bilionária e conservadora liga de futebol americano. As ajoelhadas de Kaep, seguidas por centenas de jogadores de todas as equipes, podem ter deixado “Trump pistola” (como escreve o jornalista que fez seu nome como repórter esportivo, mas acha que esporte é só entretenimento), mas também fizeram muita gente pensar sobre a realidade vivida pelos negros norte-americanos. Realidade vivida na pele, inclusive, por outro jogador: Michael Bennett, do Seattle Seahawks, que levou uma geral de policiais em Las Vegas, semanas antes do início da temporada da NFL, depois de sair do hotel onde havia assistido a uma luta de boxe. Houve tiros na região, e o crime de Bennett foi estar ali por perto: “Nada mais do que simplesmente ser um homem negro no lugar errado e na hora errada”, declarou.


A política está em tudo


Em vídeos mais viralizados que gif de gatinho, o filósofo Mario Sergio Cortella explica que a palavra “idiota” surgiu na Grécia Antiga e tem origem nas pessoas que não tinham o menor interesse coletivo, apenas na própria vida; já “política” se origina daquele que “é capaz de ir além de si mesmo e pensa no bem coletivo”.


Sócrates e o movimento Democracia Corintiana (fonte: Internet)


Oras, tudo na vida é política. Costumo dizer aos meus alunos que a roupa que eles vestem e o tênis sujo que usam é uma opção política. E obviamente o esporte está incluído nesse “tudo” e não é de hoje. Os próprios gregos sediaram a primeira Olimpíada da era moderna, em 1896, sem a presença de mulheres – o Barão Pierre de Coubertin, líder do movimento olímpico, aquele do “O Importante não é vencer, mas competir”, era contra esse negócio de direitos iguais para as mulheres e via o esporte como algo somente masculino.

Em 1934, a Itália ganhou a Copa do Mundo em casa, ao olhos do Duce Mussolini e aos pedidos de “Vencer ou morrer”. Quatro anos depois, na França, entrou em campo nas quartas de final contra os donos da casa num uniforme inteiramente preto, como as camisas dos fascistas. Os italianos venceram por 3 a 1 e partiram para a conquista do bicampeonato.

Entre as duas Copas vencidas pela Itália, a Alemanha recebeu a Olimpíada de Berlim, vista por Hitler como uma forma de consagrar a superioridade ariana. Neste caso, deu ruim para o Fuhrer, que viu de camarote as quatro medalhas de ouro conquistadas pelo negro Jesse Owens. A história de que Hitler deixou o estádio sem cumprimentar o vencedor tem um que de lenda, admitida inclusive pelo próprio corredor, que contaria depois ter se magoado mesmo com o então presidente americano, Franklin Roosevelt. “Hitler me acenou de longe e me saudou. Roosevelt não me mandou nem um telegrama”. Depois de se aposentar, Owens se juntou a movimentos de direitos civis e ajudou a fundar a primeira liga de beisebol para negros nos Estados Unidos.


Na mesma Alemanha de Hitler, décadas depois o St. Pauli, clube hoje na segunda divisão local, se consolidaria como defensor de pautas progressistas, como os direitos dos gays, dos negros, das mulheres e dos refugiados.


No Brasil, os campos e quadras já foram palco de várias manifestações políticas, a despeito dos dirigentes que tentam dar um ar cada vez mais asséptico ao espetáculo. Em novembro de 1982, o Corinthians entrou cinco vezes em campo com a inscrição “Dia 15 Vote”, em referência às eleições estaduais e municipais realizadas naquele ano, as últimas sob a ditadura militar. O clube ainda foi o palco da chamada Democracia Corintiana, movimento que tentava dar mais consciência de classe aos jogadores e procurava, entre outras coisas, acabar com as concentrações.

É verdade que o movimento foi mais simbólico do que causou efeitos práticos de longo prazo – Sócrates, um de seus líderes, foi embora para a Itália depois que a emenda das Eleições Diretas foi derrotada, em 1984, e o esquema de sempre voltou.

Não deixa de ser irônico, porém, que hoje Casagrande seja funcionário da Globo e colega de Leifert – e que a empresa, por meio de seus canais a cabo Sportv e Premiere, tenha patrocinado o bandeirão que a torcida do Timão exibiu no último sábado, na vitória sobre o Palmeiras. Mas a vida também é feita de símbolos, e as lembranças mais marcantes deixadas por Sócrates sem dúvida são o toque de calcanhar e a luta pela democracia.

A preocupação de Leifert com o uso eleitoral da Copa também não se mostra real. Se em 1970 Medici posou com a taça e em 1994 o Brasil elegeu Fernando Henrique Cardoso na estreia do Real e do tetra, em 2002 o penta não evitou que o indicado por FHC, José Serra, fosse batido nas urnas por Lula – assim como os fiascos de 2006, 2010 e 2014 não impediram as vitórias governistas de Lula e Dilma.

Hoje em dia, o futebol brasileiro reflete a visão da sociedade. Boleiros têm manifestado apoio em entrevistas ao deputado Jair Bolsonaro, casos do corintiano Jadson e do palmeirense Felipe Melo, enquanto movimentos feministas também deixam seu recado: torcedoras do Atlético-MG se queixaram contra modelos de biquíni na apresentação de um uniforme do clube e se posicionaram contra a permanência de Robinho, condenado por estupro na Itália. Quase todos os clubes têm hoje setores da torcida alinhados ao movimento LGBT para combater a homofobia e a violência de gênero nos estádios.


O texto não é a primeira patada de Leifert na política. Ele já havia feito essa defesa ainda nos tempos de jornalista esportivo em palestras em universidades, e na semana passada, em sua atual função, apresentador do Big Brother Brasil, descascou a eliminada Nayara, negra e feminista, dizendo que “representatividade não leva a nada”. Nenhuma novidade. Branco, hétero, rico, apresentador da Globo, Leifert obviamente é da turma que prefere ver o povão alienado, sem pensar em nada, achando que “política é coisa de ladrão”, enquanto é roubado e feito de trouxa por seus patrões e quem eles representam – aqueles que gostam de política e sabem usá-la para seus privilégios.


Claro que os donos do futebol se incluem nisso. A Fifa já se posicionou várias vezes contra mensagens políticas. Na Copa da Rússia, em junho, jogador que erguer a camisa será punido com cartão. Estamos surpresos de ver grupos de comunicação nacionais alinhados a essa gente? Não estamos surpresos.


A má notícia, meu caro Leifert, é que as manifestações políticas no esporte não vão acabar só porque você não gosta delas. Kaepernick está processando a NFL com a acusação de estar sendo proibido de trabalhar – e, mesmo que não vença, já ganhou dinheiro o suficiente para se satisfazer com a condição de ícone e ativista, sem achar que o desemprego “deu ruim”.

Fonte: Divulgação/ Grêmio Antifascista


Que o esporte brasileiro tenha mais e mais exemplos como o dele, para mudar não só o esporte, e sim o país. Que os cozinheiros escrevam o que quiserem com o catupiry da pizza, que os torcedores possam erguer faixas contra a Globo e quem quiserem nos estádios sem precisar entrar com elas escondidas na cueca.

E, aliás, me avisem onde compra a garrafa de vinho que diz “Fora Temer” quando é aberta – vou comprar uma dúzia pra distribuir entre os amigos.

Fernando Cesarotti, 39, é jornalista, professor, palmeirense e acredita na política. Siga-o no Twitter: @cesarotti


(Vice.com, acesso em 28fev2018)

Desde quando nossos pais tomaram a decisão política de se casarem, construírem uma família. Mais tarde o nascimento dos filhos, depois matrícula em escola. O preço do feijão, o emprego, o salário...

Tudo é política, ainda que a gente não se dê conta disso. 

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

BRASIL e Portugal!

Brasileiros de classe média querem emigrar para Portugal!


Fonte: DCM

AQUI em Lisboa chegam todos os dias brasileiros da dita “classe média” que decidiram emigrar.

São antigos apoiantes de Temer ou de Aécio Neves, mas agora já não querem viver no Brasil. Procuram um posto de trabalho na Europa.

Converso muito com eles no café perto da Loja do Cidadão, onde tratam os papéis burocráticos.

Vivem uma crise de consciência pequeno-burguesa. Ainda se colocam em bicos de pés orgulhosos de serem jovens da “classe média” com um curso superior.

Mas já não querem viver no Brasil actual.

Incapazes de observarem como positivas as medidas sociais do tempo de Lula, vêm viver para um país governado pelo Partido Socialista, um partido irmão do PT na Internacional Socialista.

Em Portugal, o governo do PS é apoiado no Parlamento pelo Partido Comunista, Verdes e Bloco de Esquerda.

Ficam chocados e não entendem.

Para mim é interessante notar a profunda crise de consciência da pequena burguesia brasileira, muito nacionalista, muito brasileira, mas que depois foge para Portugal ou Europa em busca de mais comodidade.  (DCM, acesso em 27fev2018)

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

ESSES jornalões e sua vocação para manipular ou esconder notícias!

Juíza bloqueia R$ 113 mi de Paulo Preto no exterior; Folha acha mais importante depoimento de escrevente sobre Lula


Folha de S. Paulo relega a uma tirinha lateral informação sobre desvio milionário atribuído a dirigente ligado ao PSDB (fonte: Viomundo)

APESAR da explosiva descoberta de que Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, homem que frequentou os bastidores tucanos em Brasília e São Paulo, acumulou ao menos R$ 113 milhões na Suíça, o diário conservador Folha de S. Paulo tinha outras prioridades nesta quinta-feira.

Achou mais importante, bem mais importante, destacar o depoimento de um escrevente que disse ter redigido, a pedido do advogado Roberto Teixeira, a minuta da venda de um sítio em Atibaia ao ex-presidente Lula.

A descoberta da fortuna de Paulo Preto equivale à descoberta dos mais de 50 milhões de reais num apartamento de Geddel Vieira Lima, ex-ministro de Temer, em Salvador, menos as malas e a contagem do dinheiro.

Aliás, num esboço de delação premiada, o doleiro Adir Assad, que operava para o PSDB, disse que Paulo Preto usava o cômodo inteiro de uma casa para “estocar” dinheiro. O acusado negou e ameaçou Assad com um processo.

Pois bem, a Folha enfiou a notícia bombástica numa tripinha da página 3, conforme apontou o jornalista Chico Malfitani no Instagram.


Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto (fonte: ContrapontoPIG)


As contas identificadas no Exterior são a prova que faltava para demonstrar que Paulo Preto desviou dinheiro das obras que supervisionou quando dirigiu a Desenvolvimento Rodoviário SA, Dersa, no governo Serra: o eixo Sul do Rodoanel e a ampliação da marginal do Tietê, duas vitrines de Serra na campanha presidencial de 2010.

Mas, há bem mais que isso: Paulo Preto não caiu de paraquedas no governo Serra.

Foi o atual chanceler brasileiro, Aloysio Nunes Ferreira, quem levou Paulo Vieira de Souza para seu primeiro cargo em um governo tucano: foi assessor de Fernando Henrique Cardoso durante todo o segundo mandato, atuando no programa Brasil Empreendedor Rural.

Entrou na Dersa em 2005, ainda no primeiro mandato de Geraldo Alckmin, no cargo de diretor de Relações Institucionais, passando para a estratégica diretoria de Engenharia no ano seguinte.

O nome de Paulo Souza surgiu no noticiário pela primeira vez depois que foi deflagrada a Operação Castelo de Areia, mas àquela altura os agentes da Polícia Federal que escreveram o relatório final diziam tratar-se de “pessoa ainda não identificada.

A Castelo pescou políticos de vários partidos na contabilidade paralela da Camargo Corrêa e poderia ter antecipado os resultados da Operação Lava Jato, mas com um viés tucano — justamente por isso talvez não tenha progredido.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

MAIS um caso de racismo!

Achei que tinha pego na favela

A judoca Rafaela Silva (fonte: Internet)


A JUDOCA Rafaela Silva, medalha de ouro na Olimpíada Rio-2016, usou as redes sociais, nesta quinta-feira, para reclamar de uma abordagem policial. Ela alegou ter sido vítima de preconceito por parte dos policiais. Confira abaixo o relato da atleta.


“Boa noite... Chegando hoje no Rio de Janeiro peguei um táxi para chegar em casa! No meio da Av. Brasil um carro da polícia passou ao lado do táxi onde eu estava. Os policiais não estavam com uma cara muito simpática, até então ok...

Continuei mexendo no meu celular e sentada no táxi. Daqui a pouco, eles ligam a sirene... o taxista achou que eles queriam passagem, mas não foi o caso, eles queriam que o taxista encostasse o carro.

Quando o taxista encostou, eles chamaram ele para um canto. Quando olhei na janela, outro policial armado me mandou sair de dentro do carro. Levantei e saí... Quando cheguei na calçada, ele olhou para minha cara e falou... trabalha onde?

Eu respondi... Não trabalho, sou atleta! Na mesma hora ele olhou para minha cara e falou... Você é aquela atleta da Olimpíada, né? Eu disse... sim, e ele perguntou... mora onde? Eu falei, em Jacarepaguá e estou tentando chegar em casa.

Na mesma hora o policial baixou a cabeça, entrou na viatura e foi embora! Quando entrei no carro novamente, o taxista falou que a polícia perguntou de onde ele estava vindo e onde ele tinha parado pra me pegar.

E o taxista respondeu... essa é aquela atleta de judô, peguei no aeroporto e o policial falou... ah tá! Achei que tinha pego na favela.

Isso tudo no meio da Av. Brasil e todo mundo me olhando, achando que a polícia tinha pego um bandido, mas era apenas eu tentando chegar em casa.

Esse preconceito vai até aonde?”, relatou Rafaela Silva, no Twitter.

Rafaela também se manifestou no Instagram.

"Agora preto nem de táxi pode andar que está roubando", diz ela em um dos videos postados no Stories.

Após ser eliminada na Olimpíada de Londres, em 2012, Rafaela sofreu com o racismo nas redes sociais. Na ocasião, foi chamada de “macaca” e respondeu.

(Extra Globo, acesso em 22fev2018)

Por que será que o policial achou que o taxista tinha pego a judoca na favela? Alguém adivinha?

É o preço interminável que a raça negra (pardos e índios também) pagam por 300 anos de escravidão!



A PRECARIZAÇÃO das relações de trabalho e outras mazelas que tentam nos empurrar goela abaixo!

QUANDO residia em Manaus, travei conhecimento da existência de um empresário conhecido por Baiano, proprietário de uma frota de táxi, não sei dizer se trinta, quarenta ou mais. Quem me contava sobre ele  era o sr. Melo, um servidor público do então Ministério da Aeronáutica, colega de sala,  já ido nos seus cinquenta e tantos anos. 

Paulo Freire (fonte: Internet)


Baiano teria iniciado a vida profissional como motorista de táxi, daí, com o tempo, comprado mais um veículo, mais tarde outro, para, ao longo de trinta ou mais anos, tornar-se dono de tantos carros. Isso foi lá pela década de 1980, em plena recessão econômica. Sua fama e popularidade, no entanto, não era boa entre os taxistas da cidade. 

Não é tão simples viver da profissão. Não basta ter um automóvel e sair dirigindo por aí apanhando passageiros. O número de permissões exaradas pela prefeitura é limitado, daí o candidato a taxista, não tendo dinheiro suficiente para comprar de terceiros uma licença de táxi, deve sujeitar-se a dirigir em forma de aluguel, pagando a diária estabelecida pelo dono do veículo. Estes dirigiam os carros de propriedade do Baiano, que lhes exigia os olhos da cara como diária. Tinham de virar bicho, rodando pela cidade de dia e de noite, inclusive aos sábados, domingos e feriados, quando o preço da corrida fica mais elevado, a chamada bandeira dois.

A grita era alta, de forma que o Serviço de Proteção ao Consumidor teve que agir em defesa dos humildes taxistas manauaras que vinham sendo explorados pelo empresário.

Relembrando esse episódio de trinta e tantos anos atrás para introduzir um outro.

O blogueiro estava na ante-sala do dentista e, como nada tinha a fazer, deteve-se assistindo a um programa de televisão. Costumo selecionar o que vejo, mas aí não havia outra coisa senão, passivamente, aceitar o que o aparelho me oferecia.

A matéria falava sobre empreendedores individuais, desses que perdem emprego e, sem opção, acabam por decidir montar um negócio pequeno. No caso, o negócio, que era vender hambúrgueres artesanais, funcionava na própria casa. Mostravam o sucesso, o êxito de pessoas ousadas, de iniciativa, dessas que não se conformam com a passividade e a crise. Vão à luta.

Até aí, tudo bem.

De fato, há pessoas que, sem opção de emprego formal, acabam por descobrir um nicho de mercado vindo a prosperar,  ganhar dinheiro, ascender socialmente, ter muitos empregados e tudo o mais. Resumindo: ficam ricos!

O que está errado aí?

Essa rede de televisão querer convencer o povo brasileiro de que o caminho tem que ser esse aí. Ora, nem precisa sacar muito de Matemática para saber que não há lugar para todos no ramo dos negócios, das vendas, do empreendedorismo. Não há consumidor para todos.

Lembrando do caso Baiano, pego os táxis como exemplo.

Alguém, por opção ou por falta de emprego mesmo, com algum esforço talvez consegue um táxi para dirigir. Legal! Sem patrão, sem ordens de cima, sem horário rígido para cumprir. Basta conhecer bem a cidade e pegar passageiro aqui e deixar ali, e assim vai. No início dirige de aluguel, mais tarde -- sempre com algum ou muito esforço e bastante economia -- passa a conduzir seu próprio táxi, aproveitando taxas menos ferozes, embora a especulação que existe no ramo quanto às permissões. 

Todavia, por mais que lute e economize horrores, tendo esposa e filhos para sustentar, vestir e educar, não conseguirá muita coisa e, é provável, que ao final de trinta ou quarenta anos, ainda seja taxista, quando muito com dois táxis. Seus filhos, vendo a profissão do pai, se não estimulados a estudarem, tenderão a também se ocuparem como taxista. As exceções são poucas.

Nada contra a profissão, pois cito o caso apenas como exemplo. Mas, ainda no exemplo exposto, o taxista ignora (ou finge não ver) os riscos de uma profissão das ruas, exposto à violência urbana. Se adoecer, nenhuma renda nesse período. É torcer e cuidar para a saúde não falhar. 

De um grupo de cem ou, em hipótese melhor, cinquenta taxistas, é possível que um ou dois venham a prosperar e, ao final de dez, vinte anos, venha a ser proprietário de uma frota de táxis, alocando-os a outros condutores. Isso será uma exceção, não a regra. A regra é iniciar-se numa profissão e continuar nela ao resto de sua vida.

No caso dos vendedores de hambúrgueres, outros tentarão seguir o mesmo empreendimento mas não terão a mesma sorte.

Quem inicia dirigindo um táxi, sonha ser proprietário de uma grande frota para, a exemplo de Baiano, então explorar outros que se iniciam nessa vida. Quem começa vendendo hambúrguer, deseja prosperar e tornar-se dono de uma rede de lanchonetes, e aí sim ter sob sua direção dezenas de empregados, ainda que mal remunerados. Idem em relação às lojas de confecções, mercearias ou mercadinhos, botecos,  e assim por diante. "Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser opressor", conforme sentenciava Paulo Freire.


Fonte: Internet


Mas de tantos, somente uns poucos conseguirão. É a lei do mercado, e nem se precisa entender de Economia para saber disso.

Por trás de uma inocente matéria televisa, a emissora procura passar uma mensagem: crises e desempregos podem ser vencidos com iniciativas, negócios próprios, vendas, serviços, coisas assim.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

TRÊS revistas, uma capa!


Veja, Época e IstoÉ: a mesma capa


Da revista CartaCapital:



A ÚLTIMA edição de três das quatro principais revistas semanais brasileiras, Veja, Época e IstoÉ, exibem uma interessante coincidência nas capas, tomadas por uma propaganda do governo federal em defesa da reforma da Previdência. A econômica Istoé Dinheiro também foi às bancas com a capa publicitária.

O anúncio mostra a logomarca do governo federal e traz um aviso de que se trata de uma sobrecapa publicitária, mas páginas nas redes sociais que criticam a cobertura da mídia não pouparam a incrível "coincidência". No anúncio, a foto de um menino e o texto "Reforma da Previdência hoje para ele se aposentar amanhã".

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

PEDRO Casaldáliga!

Dom Pedro Casaldáliga, um exemplo de luta


Fonte: Blog do Miro
Por Emilly Dulce, no jornal Brasil de Fato:

"POR onde passei, plantei a cerca farpada, plantei a queimada. Por onde passei, plantei a morte matada. Por onde passei, matei a tribo calada, a roça suada, a terra esperada… Por onde passei, tendo tudo em lei, eu plantei o nada." - Confissão do Latifúndio.
 
Essa é uma das poesias de protesto escrita pelo bispo Dom Pedro Casaldáliga. Os versos rimam com a vida do militante cristão, que ficou conhecido pela defesa dos direitos dos mais pobres na região de São Félix do Araguaia, no Mato Grosso.

Quem conviveu com o missionário destaca a importância de sua luta pela vida, pelos bens comuns e pela democracia, como é o caso de Antônio Canuto, membro fundador da Comissão Pastoral da Terra (CPT), que viveu ao lado do bispo na região amazônica. "Pedro é um homem de uma profunda sensibilidade humana, por isso ele é um grande poeta e um grande profeta. Essa sensibilidade se traduz em poesia, em denúncias e nas diversas formas de manifestar a sua contrariedade às injustiças e todas as formas de exploração que existem."

Pedro Casaldáliga Plá nasceu catalão no ano de 1928, em uma aldeia há alguns quilômetros de Barcelona. De família camponesa, desembarcou no Brasil em 1968 e foi consagrado bispo em 1971, quando lançou sua Carta Pastoral Uma Igreja da Amazônia em conflito com o latifúndio e a marginalização social. O texto ficou conhecido nacional e internacionalmente e marcou o perfil do missionário como porta-voz de índios e agricultores, como destaca Antônio Canuto:

Dom Pedro Casaldáliga (fonte: Internet)

domingo, 18 de fevereiro de 2018

BISPO afirma que intervenção é contra pobres do Rio!

Agora só falta os fundamentalistas acusarem o bispo de comunista

Dom Mauro Morelli (fonte: Internet)

O BISPO da Igreja Católica Dom Mauro Morelli, pelo Twitter, desmistificou a intervenção militar de Michel Temer afirmando que se trata de uma ação contra os pobres do Rio de Janeiro.


“Trabalhei 24 anos na Baixada Fluminense como primeiro bispo da Diocese de Duque de Caxias. Discordo de intervenções que aviltam militares e trazem angústia e sofrimento aos pobres, em sua maioria de origem africana. A tarefa constitucional dos militares é outra, também a solução!”, escreveu o religioso, indicando que os negros são os principais alvos da repressão.

“Quem não é branco nas noites da Baixada corre risco de vida, tamanho o preconceito da sociedade escravocrata e racista. Se houvesse raça superior, seria a raça negra. Com 300 anos de escravidão e tantos séculos de discriminação, seu gingado é insuperável”, disse o bispo católico.

Dom Mauro ainda se dispôs a debater seu ponto de vista no Twitter: “Alguém contesta meu tweet afirmando que somente os bandidos sofrem com intervenção…santa ingenuidade ou malícia refinada! Não faço discurso teórico ou demagógico. Se o problema do Brasil fosse bandido ou marginal das favelas ou “comunidade”…até que o bicho não seria tão feio!”

Portanto, o bispo da Igreja Católica reafirma que o problema da segurança pública no Rio e no Brasil não se resolve metralhando pobres dos morros. Pelo contrário. A solução seria ampliar a presença do Estado com políticas públicas de acesso à saúde, educação, moradia, emprego, salário digno, aposentadoria, lazer… Tudo que o Vampiro Neoliberalista, isto é, o governo Michel Temer, não deseja.

“Favelas remontam à abolição da escravatura por razões de natureza econômica. Aos ‘libertos’ nada foi oferecido, sua opção ocupar morros, alagados e debaixo das pontes. O inchaço das periferias metropolitanas fruto do modelo de desenvolvimento do Golpe de 1964. O que virá agora?”, questiona Dom Mauro Morelli.

Agora só falta os fundamentalistas de direita acusarem o santo bispo de comunista…
(Esmael Morais, acesso em 18fev2018)

A Igreja está precisando de mais líderes como esse!
L.s.N.S.J.C.!

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

TEMER intervém no Rio!

Temer aposta alto e assume desfile na Sapucaí




NADA do que está acontecendo no Rio é novidade. O Estado já vinha num processo crescente de desintegração, política, econômica e social. O carnaval apenas expôs para o mundo uma realidade dramática.

Além do belo e ousado desfile da Tuiuti, de uma festa grandiosa nas ruas da cidade, a grave crise social enviou recados contundentes. Aconteceram arrastões em ruas da zona sul. Saquearam um supermercado no Leblon, reduto da burguesia carioca. Traficantes da Rocinha enviaram uma “singela carta” para todos os edifícios de São Conrado, endereço de famosos vizinho à comunidade, exigindo uma “semanada” de quatro mil reais por prédio para “manter a tranqüilidade no bairro”. Faixas de apoio à Lula foram estendidas em algumas favelas com os dizeres: “STF: se prender Lula, o morro vai descer.”

A situação fiscal dos estados, com poucas e honrosas exceções, é gravíssima. Receitas caindo, custeio subindo e um verdadeiro drama previdenciário. Os tímidos sinais de melhora na economia devem dar algum oxigênio. Nada que reverta a crise estrutural que vai conduzindo boa parte para uma situação parecida com a do Rio. Não há alternativa. Sem a retomada de um projeto nacional que aposte no desenvolvimento, o neoliberalismo tardio e anacrônico levará todos para o fundo do poço.



Neste quadro, a intervenção federal no Rio parece natural. Será? O general Villas Boas recentemente se posicionou contra estas operações. Temer está jogando xadrez e usando o exército como peça. Não tem autoridade sobre os militares. Aceitam seu comando apenas por falta de alternativa e estrito respeito à hierarquia formal. Bater nos militares neste momento é erro grosseiro.

Ao intervir no Rio o presidente aposta alto. Numa jogada só escanteia Rodrigo Maia, pego de surpresa, abafa a derrota certa na previdência e tenta retomar o protagonismo com uma agenda de forte apelo popular. Mostra para todos que não está morto e ainda tem nas mãos uma caneta poderosa.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

PARAÍSO do Tuiuti!

Paraíso do Tuiuti: Manifestoches (fonte: Internet) 

O DESFILE da Paraíso do Tuiuti, que agitou o Sambódromo do Rio de Janeiro neste domingo (11), segue bombando nas redes sociais. Em várias enquetes, os internautas já elegeram a escola como a melhor do Carnaval de 2018. Com muita irreverência e criatividade, ela retratou a escravidão no Brasil, exibindo as carteiras de trabalho destruídas pela “deforma” trabalhista do covil golpista. O destaque, porém, foi o carro alegórico com a gigantesca e tenebrosa figura em alusão ao usurpador Michel Temer – “O Vampiro Neoliberalista”. Abaixo da figura sinistra, diversos passistas batendo panelas, vestindo camisetas da “ética” CBF e carregando seus patinhos amarelos da “incorruptível” Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) – verdadeiros fantoches! 

A escola pode até não vencer o disputado carnaval carioca, mas já causou frisson e constrangimento. Como registrou o crítico de televisão Maurício Stycer, do UOL, a Tuiuti deixou na defensiva os apresentadores da Globo – a principal protagonista do golpe dos corruptos que depôs Dilma Rousseff e alçou ao poder a quadrilha de Michel Temer. “Do camarote da Globo, onde narrava o desfile, Fátima Bernardes, Alex Escobar e Milton Cunha reagiram com comedimento ao surpreendente protesto, como se estivessem constrangidos”. Eles evitaram comentar os fantoches manipulados pela mídia e sequer citaram o nome de Michel Temer – apesar da faixa presidencial do vampirão. “Encerrado o desfile, o camarote da Globo recebeu vários participantes da Tuiuti – mas nem o vampiro, nem os ‘manifestoches’ foram assuntos das entrevistas”. 

Vampiro neoliberal (fonte: Internet)

O constrangimento da emissora é perfeitamente compreensível. Se fosse possível, ela simplesmente censuraria o desfile. Ela apoiou o golpe de forma consciente, planejada, e segue apoiando a quadrilha no poder com suas contrarreformas que impõem a volta da escravidão e o fim da aposentadoria no Brasil. A dúvida é sobre como se comportaram diante da telinha os “midiotas” que foram às ruas na cavalgada golpista com suas camisetas amarelas da CBF e os patinhos da Fiesp. Será que eles já perceberam que foram os grandes otários retratados neste magistral desfile? Ou é preciso desenhar? (Altamiro Borges, acesso em 14fev2018)

Sempre será lembrada como a escola que escrachou a Globo e o governo golpista. 

É a nossa campeã!

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

PIAUIENSE é o mais jovem doutor brasileiro!

Filho de costureira e pedreiro, Guilherme frequentou escola pública e usou a nota do ENEM no Prouni


Guilherme Lopes (fonte: Meio Norte, Piauí)


O PIAUIENSE Guilherme Lopes se tornou na última sexta-feira (9), aos 26 anos, o mais jovem doutor do Brasil. Ele teve sua tese de doutorado em biotecnologia aprovada na UFPI, em Paranaíba.

Filho de costureira e pedreiro, moradores da cidade de Piripiri, Guilherme veio de escola pública. Usou sua nota do Enem no Prouni, foi bolsista do curso de graduação em Biomedicina na Faculdade Maurício de Nassau, em Teresina. Além disso, o jovem passou um ano na Espanha, aperfeiçoando sua pesquisa no Departamento de Farmacologia da Universidad de Sevilla, por meio de um bolsa do programa Ciência sem Fronteiras, criado pela presidente legítima e deposta Dilma Rousseff e encerrado pelo governo de Michel Temer.

"Hoje, pude olhar pelo retrovisor da vida e vi que cheguei até aqui porque nunca vim sozinho. Me lancei ao novo, vivenciei o inesperado, saboreei o doce e o amargo, mas em todo o tempo o Todo Poderoso cuidou de mim”, disse Guilherme. Atualmente ele é professor da Faculdade Chrisfapi, onde ministra disciplinas nos cursos de Farmácia e Enfermagem.

O tema de sua tese é "Bioprospecção da bergenina isolada de Peltophorum dubium, com ênfase nas propriedades antioxidantes e anti-anti-inflamatórias: aporte para o desenvolvimento de novos fitomedicamentos".

O mais novo Doutor tem apenas 26 anos de idade, dois meses e 26 dias. No ano passado, uma cearense foi reconhecida oficialmente como a mais jovem doutora do país, com 26 anos, nove meses e cinco dias. (247, acesso em 14fev2018)

Fatos como esse provam o quanto é preciso que o Estado promova políticas inclusivas como Prouni, Ciências sem Fronteiras. Fico maravilhado!

sábado, 10 de fevereiro de 2018

MAIS médicos!

Por J. Roberto Militão

MAIS MÉDICOS, um sucesso que a mídia não divulga. Um longo e bem fundamentado artigo analisa um dos melhores programas de políticas públicas do governo Dilma


Médica cubana atende (fonte: Internet)
EM 2013, pela primeira vez no Brasil, o governo da então Presidente Dilma implementou o MAIS MÉDICOS, um amplo programa de assistência médica, a locais em que os médicos não chegavam, atende, atualmente, a 63 milhões de brasileiros.

Decorridos mais de quatro anos, e por pressão da própria população e dos prefeitos do fundão do Brasil, o governo golpista tem ampliado o programa. O silêncio [da mídia] revela um programa bem-sucedido.

Muito criticado no início, quando de sua implementação, patrulhado por preconceitos e viés político, o programa se consolidou. Dos cubanos que se imaginava a maioria iria desertar e continuar no Brasil para receber o salário integral, apenas 2,3% tomaram essa decisão. Apenas 146 movem ações judiciais visando a permanência no Brasil. Diante do apelo capitalista e da sociedade de consumo, um número insignificante foi seduzido ou induzido.

Diante do preconceito inicial - a maioria dos cubanos são pretos e pardos - a qualidade do atendimento médico e o compromisso com as relações comunitárias pelos profissionais recebe muitos elogios nas comunidades carentes e pequenas cidades onde atuam.

Pesquisas da ONU e de universidades brasileiras atestam o sucesso do programa.

Por onde andam os médicos cubanos?


Um dos programas mais criticados de Dilma Rousseff, Mais Médicos é ampliado no governo Temer, e cubanos continuam a atuar no país longe dos holofotes.

Por Luísa Lucciola, da Agência Pública

Miguel Rafael Acea Baró havia chegado fazia poucos meses de Cienfuegos, Cuba, para trabalhar no posto de saúde do Tucão, em Vilar dos Teles, na Baixada Fluminense, quando sentiu na pele, pela primeira vez, o preconceito. “Fui à casa de um paciente idoso e ele falou para mim que não queria ser atendido. Disse que eu era muito jovem. ‘Mas eu tenho 50 anos!’, respondi. Ele disse que não, que eu era cubano…”, lembra.

Dias depois, a filha do paciente correu ao posto de saúde onde Miguel trabalhava. O pai estava passando mal. “Eu fiz o que tinha que fazer como médico: atendi ele. E isso mudou aquela imagem. Depois de um dia, ele fala para a filha: ‘Vamos fazer um bolo para o médico, porque ele é ótimo’. Isso marcou minha vida”, sorri o esguio e agitado senhor, com o estetoscópio sempre pendurado no pescoço. Miguel continuou tratando o paciente por quase um ano, até a sua morte. “Entendi que o principal é a comunicação entre médico e paciente. Ele ouvia falar muito mal dos cubanos, mas não conhecia nenhum”, conclui.

Já faz mais de quatro anos desde que, em agosto de 2013, os primeiros doctores cubanos começaram a chegar ao Brasil para trabalhar no programa Mais Médicos – criado para ampliar o acesso à saúde básica no país. Os 8,5 mil médicos intercambistas vindos do país caribenho têm mais em comum do que o português carregado de sotaque. Vítimas de um duro preconceito, eles conseguiram, por meio do trabalho e dos laços profundos criados com colegas e pacientes, atestar o sucesso do plano, reconhecido nacional e internacionalmente.

O Mais Médicos foi criado pela Medida Provisória nº 621, de 8 de julho de 2013, pela então presidente Dilma Rousseff (PT). Além do recrutamento de profissionais bolsistas para regiões carentes – eles são contratados dentro de um modelo de formação em serviço, e não de vínculo de trabalho –, o programa previa também a reformulação e a expansão dos cursos de medicina no Brasil. De fato, até 2016, o último dado disponível pelo Ministério da Educação, foram criadas quase 10 mil novas vagas em cursos de medicina, mais de 70% delas em instituições privadas. Porém, a remodelagem, que tornaria o programa mais prático e voltado para a atenção básica de saúde, foi alvo de duras críticas de associações médicas e nunca se concretizou.
Médicos protestam contra o programa em julho de 2013
 (foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

Em novembro passado, a colunista da Folha de S.Paulo Mônica Bergamo afirmou que o governo federal iria impedir a criação de novos cursos de medicina no país durante cinco anos. Embora a medida nunca tenha sido oficialmente confirmada, a Associação Médica Brasileira (AMB) afirmou à Pública que “um decreto impedindo a abertura de novas escolas” será publicado após a conclusão de um edital de 2017 aberto. O Ministério da Educação afirma apenas “que há estudo sobre a possibilidade de decreto sobre o assunto”.

Na íntegra, aqui

“Existe uma diferença muito grande entre os médicos cubanos e os brasileiros. É como se eles fossem mais carinhosos, mas não só isso. Eles olham no olho, prestam atenção, criam relações, enquanto os outros médicos já chegam pensando na hora de ir embora”

“A população aqui é muito carente. Quando tem alguém que se dedique um pouquinho mais, pra eles já é uma atenção. Muitas vezes, a gente chega na casa do paciente e não atende só ele, acaba fazendo abordagem de todo mundo. Aí senta, conversa. Se você chegar, só fizer o que tem que fazer e for embora, eles realmente vão ficar chateados. Se você der um pouquinho mais de atenção, já é excelente. E o doutor Miguel tem isso, ele conversa, tira dúvidas… Toma um cafezinho”

“Muitas coisas me estimularam a sair de Cuba. Tinha ido à Venezuela e percebi a dificuldade do povo, porque em Cuba a saúde já é muito legal. Mas lá, não. Tinha muitas pessoas necessitadas. Por isso, resolvi vir para cá depois. E me sinto bem porque estou resolvendo os problemas de muitas pessoas”

(Luís Nassif, acesso em 10fev2018)



Fico extremamente maravilhado por isso. Governos existem justamente para apoiar os mais pobres, porque o rico não precisa. Nosso apoio integral ao programa Mais Médicos e pela sua ampliação. A população mais carente dos diversos rincões brasileiros agradece penhoradamente. 

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

PORTUGUESES dão boas-vindas a Luana Piovani!

Olá, Luana.

Luana Piovani (fonte: Internet)
QUE legal! Fiquei a saber que você decidiu vir morar em Portugal e então tomei a liberdade de escrever para dar uns bitaites. Não agradeça, é a cortesia lusitana. As pessoas de bem são sempre bem-vindas, Luana. Os portugueses são um povo que sabe receber, mas também tem o lado prático: há cálculos a dizer que, para manter o crescimento, o país precisa de 900 mil imigrantes para trabalhar e a gerar riqueza. É gente, né?

Eu explico, Luana. Em Portugal a gente tem um sistema de welfare (muito já se perdeu com os ataques neoliberais) e o dinheiro dos impostos é essencial para investir em saúde, segurança ou educação. Para todos. Então você vai entender a preocupação. Todos são bem-vindos, menos aqueles brasileiros que defendem a ideia de que “sonegar é legítima defesa”. Esses a gente não quer. Podem ficar no Brasil.

Aliás, soube que você estava indecisa entre Portugal e EUA. Não resisto a dar um palpite: a Califórnia deve ser melhor opção. Imagine que Portugal é governado pelo Partido Socialista, um pessoal de centro-esquerda muito parecido com o Partido dos Trabalhadores, no Brasil. E surge a questão. Será que você vai curtir a ideia de ser governada por “socialistas”? O poder está tomado pelos “esquerdistas”, Luana.

O atual governo é minoritário e só consegue governar com o apoio do Partido Comunista (coligado com os não menos esquerdistas Os Verdes) e do Bloco de Esquerda. É o tipo de gente que, mesmo em Portugal, um país de brandos costumes, muitos chamam “extrema esquerda”. Ou seja, para os padrões coxinhas brasileiros eles são ainda mais “esquerdopatas” que os petistas. É dureza.

E mais uma inside information. O Bloco de Esquerda é coordenado pela Catarina Martins. Então fico a imaginar como você vai reagir a isso, uma vez que parece não gostar muito de mulheres no comando. Dilma que o diga, né? E o Partido Comunista é liderado pelo Jerónimo de Sousa, um antigo operário metalúrgico. Metalúrgico? Onde é que já ouvimos essa história? Ah, sim, Lula. Então fica a pergunta: será que você quer mesmo viver num país como Portugal?

Olha, Luana, a gente até já esqueceu aquele episódio do Instagram. Lembra como foi? “O Brasil foi explorado tantos anos por Portugal e agora continuará a ser pela PT! Não é à toa que a sigla de Portugal é PT! Eu votei Aécio!”, você escreveu. Confesso que não entendi a declaração, porque parece uma maluquice pegada (expressão cá da terra) e não faz o menor sentido. Era uma tentativa de ofender? Passou.

Despeço-me, Luana, na expectativa de que tenham sido informações úteis e que a ajudem a decidir. Se vier para Portugal vai ser bem recebida. Como foi a Madonna, que já vive aqui faz um tempinho. Aliás, vai ser uma honra para os portugueses ter, ao mesmo tempo, duas estrelas de expressão mundial.

É a dança da chuva. 
(Chuva Ácida, José Baço)