quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

ELIAS Ribeiro Pinto!

Quem quer pão?


O PÃO que o diabo amassou com a sua melhor erva maldita. E por falar em massa, será que no Uruguai já se pode, de manhã bem cedo, ir à padaria e pedir um pão fresquinho de maconha? Acompanhado de manteiga de cogumelos?

Me veja pão de calabresa, pão de bacalhau, pão de queijo, pão de rosas, pão de atum, pão de açaí, pão de ló, pão de cenoura, pão de milho, pão de batata, pão de cupuaçu, pão branco, pão doce, pão de mel, pão de cebola, pão de alho, pão de centeio, pão de forma, pão careca, pão de banana, pão integral, pão 12 grãos, pão de castanhas, pão cuca, mais pão de maçã, pão de macaxeira, pão low carb e cem gramas de pão de maconha, mas olhe, este é do importado, hein, o do Paraguai (o único produto que o Paraguai tem, ou tinha, de autêntico era a maconha, ao menos assim rezava a lenda).

Chegaremos a esses dias de panificação do barato, como li um dia desses em uma reportagem, que falava do fabrico do pão de maconha? Se a onda pegar, vai ter gente engordando horrores – para saciar a larica, vai querer mais massa emaconhada. Principalmente se, para ajudar a descer, pedir aquele refrigerante de dois litros impregnado de cachaça que os policiais também interceptaram junto com o pão (acho que era a mesma notícia, que já não a encontro, ou então sonhei com ela, numa rebordosa) que o diabo amassou com a sua melhor erva maldita.


Não tem maconha que chega via sedex? (Isto se aquele cachorro doidão da polícia não der o flagra antes na correspondência dos malucos.) Neste caso, o carteiro, ao notar o ar de alegria do receptador, digo, do destinatário, solidário, dirá: “Esta é a encomenda que o senhor tanto aguardava, não é?”. Ou, ao ouvir, à porta, o chamado, “Carteiroooo”, o destinatário, exultante, virá atendê-lo cantando: “Quando o carteiro chegou e o meu nome gritou com a massa na mão, ai, nem sei como pude chegar ao portão”. A ansiedade será tanta que você já chegará com a seda na mão.

Brincadeiras à parte, sabemos que o brasileiro está fumando bem menos, por causa das campanhas antitabagistas e da proibição do fumo em ambiente fechado. Apesar de muitos jovens ainda se deixarem seduzir por baforadas supostamente libertárias, a renovação do exército de fumantes vem caindo à medida que os veteranos vão tombando, vítimas de enfisema pulmonar e outros bichos escrotos.

Parece inimaginável em nossos dias, mas até há pouco tempo era comum entrar no ônibus e sentar ao lado de uma pessoa fumando como se estivesse no melhor dos mundos dragonários. E não raro eram cinco, seis ou mais fumando, em pé, sentado, e se chovendo, com as janelas fechadas. Eu próprio devo ter sido um desses fumantes no tempo em que cheguei a pitar três maços diários. Foi quando tomei vergonha e me estapeei diante do espelho: “Você é um Pinto ou um rato?”. Não guardei a data dessa hora da verdade, mas, desconfio, já são uns vinte e cinco anos sem fumar.

Recuperei o paladar, o fôlego e o bafo, isso, claro, quando não amanheço de ressaca. Que de abstêmio ainda não posso posar. Nem quero. Só queria era beber como naquela canção do Toquinho, de bem com os amigos. Preciso, primeiro, juntar os amigos, todos por aí, dispersos.

Mas voltando ao assunto da massa, será que no Uruguai já se pode, de manhã bem cedo, ir à padaria e pedir um pão fresquinho de maconha? Acompanhado de manteiga de cogumelos?

(Elias Ribeiro Pinto, acesso em 31jan2018)

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