quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

ELIAS Ribeiro Pinto!

Quem quer pão?


O PÃO que o diabo amassou com a sua melhor erva maldita. E por falar em massa, será que no Uruguai já se pode, de manhã bem cedo, ir à padaria e pedir um pão fresquinho de maconha? Acompanhado de manteiga de cogumelos?

Me veja pão de calabresa, pão de bacalhau, pão de queijo, pão de rosas, pão de atum, pão de açaí, pão de ló, pão de cenoura, pão de milho, pão de batata, pão de cupuaçu, pão branco, pão doce, pão de mel, pão de cebola, pão de alho, pão de centeio, pão de forma, pão careca, pão de banana, pão integral, pão 12 grãos, pão de castanhas, pão cuca, mais pão de maçã, pão de macaxeira, pão low carb e cem gramas de pão de maconha, mas olhe, este é do importado, hein, o do Paraguai (o único produto que o Paraguai tem, ou tinha, de autêntico era a maconha, ao menos assim rezava a lenda).

Chegaremos a esses dias de panificação do barato, como li um dia desses em uma reportagem, que falava do fabrico do pão de maconha? Se a onda pegar, vai ter gente engordando horrores – para saciar a larica, vai querer mais massa emaconhada. Principalmente se, para ajudar a descer, pedir aquele refrigerante de dois litros impregnado de cachaça que os policiais também interceptaram junto com o pão (acho que era a mesma notícia, que já não a encontro, ou então sonhei com ela, numa rebordosa) que o diabo amassou com a sua melhor erva maldita.

sábado, 27 de janeiro de 2018

UM TEMPO estranhamente igual!




O TEMPO é outro, o personagem é outro, mas as razões, as intenções e os métodos são espantosamente iguais. Tanto que o professor Paulo César de Araújo, em artigo publicado na Folha, sequer precisa citar um nome para que associação seja imediata. Basta que você leia, suas lembranças recentes irão trocando, com imensa facilidade, os nomes e as situações.
Nos anos 1960, um ex-presidente era
investigado por causa de apartamento


Naquela manhã de domingo, o ex-presidente tomou seu café saboreando também a primeira página do jornal com pesquisa do Ibope que o colocava na liderança à Presidência da República, com 43,7% das intenções de voto.

Meses depois, a candidatura dele seria homologada, por unanimidade, por seu partido, num evento com a presença de vários artistas.

Parecia mesmo apenas uma questão de tempo para Juscelino Kubitschek voltar a governar o Brasil.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

FIM da linha pra você, Lula!


Por Herton Gustavo Gratto

FIM da linha pra você, ex-presidente ladrão,
mesmo sem provas
bato panelas 
em prol da sua condenação;
isso é pra você aprender
que o pobre não tem direito a mais que uma refeição.
Fim da linha pra você, metalúrgico boçal,
isso é pra você aprender
a nunca mais fazer assistência social
com meu dinheiro
e nem se atrever a transformar em engenheira
a filha do pedreiro.
Fim da linha pra você, ex-presidente aleijado,
não é pelo triplex
que você está sendo condenado
é pela sua ousadia
em ajudar o garçom
a virar advogado,
em contribuir
pra ascensão do negro favelado
que agora acredita
que pode estudar medicina,
sair da miséria
e até conhecer a Capela Sistina.
Fim da linha pra você, ex-presidente bandido,
isso é pra você aprender
que o Nordeste deve continuar a ser esquecido
e que saúde e educação
é pra quem pode
e não é que pra quem quer.
Fim da linha pra você, semi-analfabeto atrevido,
graças à sua insensatez
o filho da faxineira
chamou o meu filho de amigo.
Você está sendo condenado
pela sua falta de noção
de achar que pobre é gente
que agora pode usar aparelho nos dentes
ter casa própria e andar de avião.
Fim da linha pra você, ex-presidente imundo
isso é pra você parar com essa palhaçada
de estimular a minha cozinheira
a querer ter carteira assinada;
era só o que me faltava
o proletariado sonhar com qualidade de vida.
Você devia saber
que essa gente nasceu pra me servir
e não pra ser servida
mas você é tão inconsequente,
não enxerga um palmo diante do nariz
que fez a babá do meu caçula
sonhar que pode estudar pra ser atriz
e fazer aula de inglês.
Essa pouca vergonha
é resultado
da sua insensatez
da sua irresponsabilidade desmedida
aprenda de uma vez,
barriga vazia
e bala perdida
fazem parte do cotidiano
dessa gente bronzeada.
Foi querer mudar o mundo
se meteu numa enrascada
Fim da linha pra você, ex-presidente imbecil
você está sendo condenado
não por ter roubado
porque isso não foi provado;
seu erro
foi ser fazer história
ser do tamanho do Brasil
ter oitenta por cento de aprovação popular
acreditar em igualdade
e saber governar.

Fim da linha pra você, ex-Presidente!
(Gerson Nogueira, acesso em 25jan2018)

domingo, 21 de janeiro de 2018

EM DEFESA do auxílio-moradia!

Como política pública para todos os brasileiros


POR que só juízes, procuradores, políticos, militares podem ter o auxílio-moradia? Por que não estender o benefício mensal de até R$ 4.377 para todos os chefes de família e trabalhadores brasileiros?

Desde logo o Blog do Esmael vai informando: não é contra o auxílio-moradia para o judiciário ou forças armadas. Pelo contrário. É a favor da universalização da ajuda-moradia de R$ 4.377.

Professor, advogado, mestre de obra, pedreiro, engenheiro, médico, office boy, operário de fábrica, soldado, policial, etc., todos têm direito ao auxílio-moradia como têm os juízes e membros do Ministério Público.

Portanto, dentro desta linha de universalização do benefício, é justo o pleito por integrantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica.

sábado, 13 de janeiro de 2018

ELIAS Ribeiro Pinto!

Sim, eu tenho fixo!





PARA o Kil Abreu, que acaba de se queixar do inferno das ligações para o fixo, reproduzo crônica que escrevi em maio do ano passado.


Houve um tempo em que tê-lo era sinal de status. E de nome e papel passado, como proprietário, mais raro ainda.

Em geral, você o alugava de quem possuía duas ou mais linhas. O custo do aluguel costumava superar o da conta mensal. Afinal, para evitar que a soma dessas despesas gerasse um valor astronômico, era preciso usá-lo a conta-gotas, quase apenas em caso de urgência.

Claro, estou falando do telefone. Mais conhecido, atualmente, como “telefone fixo”. E hoje voltou a ser tão incomum tê-lo quanto o era naquele passado nem tão distante.

Só lembramos de sua existência quando ele toca num canto perdido da sala, sua localização indicada pela poeira que dele se eleva, sacudida pelo chamado. E quando o atendemos, é o passado – e agora, bem distante – que nos responde, na voz jovial e vibrante de Moacyr Franco. Moacyr Franco?! E com uma voz que nos reconecta aos anos 1960? Vejamos. O Jerry? Já foi. O Belchior? Já foi. O Almir Guineto? Já foi. O Cauby! Ora, o Cauby. Já foi. A Vanusa? Bem, a Vanusa é imortal.

Mas o Moacyr vive! Afinal, ele é contemporâneo do telefone (fixo). Fiquei tão emocionado em ouvi-lo que não atinei sobre o que ele me dizia. Algo a ver com um remédio, uma vitamina. Ômega 3? Agradeci sua preocupação com a minha saúde, mas recusei a oferta. Só depois de ter desligado pensei que podia ter pedido uma palinha da música dedicada ao Garrincha: “Sua ilusão entra em campo no estádio vazio...”. Mas valeu. Moacyr Franco, afinal, não morreu (deve ter parentesco com o Elvis).

A bem da verdade, depois de um silêncio sepulcral, o telefone fixo, nos últimos tempos, voltou a chamar freneticamente. Não respeita nem o horário sagrado dos beatlemaníacos. Digo, da sesta. Da aurora à conversa do Bial, ele agora segue num ritmo alucinante, quase histérico, esquizofrênico. E até no final de semana.

Mas quando se atende, com a esperança de que aquele antigo amor resolveu testar os números de sua matusalêmica agenda, ou é a resposta à solicitação de emprego encaminhada ainda no tempo do Plano Cruzado, o que se ouve é o... silêncio. Ninguém lhe responde do outro lado. Será o fantasma de Platão? Ou da d. Marisa?

Quando não, é uma voz monocórdia, entediada, a perguntar se fulano de tal “mora na residência”. Aliás, fora o telemarketing, ninguém mais liga para o fixo. Só o além, o vazio, é que tenta se comunicar. Ou aquele parente distante, aquela pessoa, que recorre a você em vez de procurar o CVV. Mas com o bina já é possível escapar dos chatos de plantão.

Nos últimos dias, porém, é um número estranhíssimo que tem aparecido no visor do aparelho. Juro que visualizei este: “1111111111”. Começo a t(r)emer que o próximo seja o “666”, que vocês sabem a quem pertence.

No início da semana, parte do mistério foi solucionada. As ligações que não se completam são do suspeito de sempre, o telemarketing, que programa discagens automáticas definidas por um mailing. No entanto, para seu azar (ou sorte), nem sempre há operadoras disponíveis para lhe atender (ou atormentar) quando o seu número é acionado. E a ligação cai. Abuso é pouco.

Ainda assim, acho que tem alguém do lado de lá tentando se comunicar. E não é só o Moacyr Franco. Que tal criar uma associação “Eu tenho fixo”? (Elias Ribeiro Pinto, via Facebook)

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

FERNANDO Henrique e sua vida em Paris!


A vida de rico de FHC em Paris


Por Kiko Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:


EM ABRIL de 2003, a revista Viagem e Turismo, da Editora Abril, publicou uma reportagem sobre um personagem e um lugar que viraram quase sinônimos um do outro: Fernando Henrique Cardoso e Paris.

O ex-presidente falou sobre sua vida na capital francesa, inclusive dando detalhes do apartamento na Avenue Foch, endereço dos ricos e de poderosos como Idi Amin Dada.

Nestes dias em que o triplex do Lula no Guarujá e o sítio em Atibaia causam histeria coletiva, é cada vez mais curioso notar como nenhuma sobrancelha na mídia nunca se levantou por causa do apê.

Eu era redator chefe da VT e encomendei a missão à repórter Flávia Varella. Ela contou como foi a aparição de FHC para a reunião que rendeu a reportagem: “Ele chegou ao almoço num Mercedes, com motorista, vindo da piscina perto de seu apartamento. Tomamos vinho, ele comeu alcachofras de entrada, raia como prato principal e ovos nevados de sobremesa. Nada de gravata, apenas uma camisa esporte sobre o casacão que tirou ao entrar.”

Flávia era mulher de Mario Sergio Conti, ex-diretor de redação da Veja e amigo de Fernando Henrique.

O casal foi morar em Paris depois que Mario foi demitido da revista. Foi em sua gestão que a Veja deu uma nota fraudulenta dizendo que Mírian Dutra, amante de FHC, estava grávida de um “biólogo”.

Na matéria da VT, FHC conta o que depois repetiria em ocasiões diversas: o imóvel era emprestado de sua amiga Maria do Carmo Abreu Sodré, que o herdou do pai, Roberto de Abreu Sodré, ex-governador de São Paulo.

A história dá uma enrolada a partir daí.

Maria do Carmo era casada com o empresário Jovelino Carvalho Mineiro Filho. Nos anos 70, Jovelino fez mestrado na Sorbonne e conheceu Paulo Henrique Cardoso. “O conheci como amigo do Paulo Henrique e nos tornamos grandes amigos”, disse ele sobre FHC.

“Ele assistiu umas aulas minhas na década de 1970, creio”, contou o ex-presidente. “Ele funciona basicamente como líder rural”. É uma definição, na melhor das hipóteses, simplista.

Em 2000, Itamar Franco, então governador de Minas Gerais, mencionou a associação de FHC com Jovelino na fazenda Córrego da Ponte, em Buritis, na Istoé. “Essa fazenda tem algum mistério”, disse Itamar. “Muito complicada essa transação imobiliária. Metade pertence a um homem chamado Jovelino Mineiro e a outra metade pertence aos filhos de Fernando Henrique.”

Jovelino foi acusado de ser grileiro pelo MST no Pontal do Paranapanema, em São Paulo, região repleta de terras devolutas. Em 1995, a Camargo Corrêa construiu um aeródromo particular em Buritis, concluído em menos de 3 meses.

Jovelino era pau pra toda obra. Em 2002, ajudou Fernando Henrique, no final do segundo mandato, a arrecadar fundos para seu instituto. A revista Época publicou um relato de como foi o convescote em Brasília com a presença de executivos das maiores empreiteiras:

“Foi uma noite de gala. Na segunda-feira, o presidente Fernando Henrique Cardoso reuniu 12 dos maiores empresários do país para um jantar no Palácio da Alvorada, regado a vinho francês Château Pavie, de Saint Émilion (US$ 150 a garrafa, nos restaurantes de Brasília). Durante as quase três horas em que saborearam o cardápio preparado pela chef Roberta Sudbrack – ravióli de aspargos, seguido de foie gras, perdiz acompanhada de penne e alcachofra e rabanada de frutas vermelhas –, FHC aproveitou para passar o chapéu. Após uma rápida discussão sobre valores, os 12 comensais do presidente se comprometeram a fazer uma doação conjunta de R$ 7 milhões”.

Mais: ”O dinheiro fará parte de um fundo que financiará palestras, cursos, viagens ao Exterior (sic) do futuro ex-presidente e servirá também para trazer ao Brasil convidados estrangeiros ilustres. Os empresários foram selecionados pelo velho e leal amigo, Jovelino Mineiro, sócio dos filhos do presidente na fazenda de Buritis, em Minas Gerais.”

Conflito de interesses? Tráfico de influência? Alguma outra dessas acusações que estão na moda?

Em depoimento a Joaquim de Carvalho, no DCM, a jornalista Mirian Dutra afirmou que o apartamento está no nome de Jovelino, mas o dono é seu ex-namorado. “Ele é um operador dele”, diz Mirian.

Jovelino é um laranja ou apenas um sujeito generoso e desapegado? Como anotaria o juiz Moro, evidentemente se referindo a Lula, há aí um “possível envolvimento criminoso”. Possível, que fique bem claro.

Eis a Paris de Fernando Henrique Cardoso, o homem cujo apartamento não pertence a ele.

*****

Por oito anos, Fernando Henrique Cardoso governou um país, morou num palácio e foi servido por dezenas de empregados. Assim que tudo terminou, ele quis férias. E, com todos os recantos do mundo a seu dispor, escolheu aquele em que é obrigado a arrumar a própria cama – “É horrível”, admite –, a levar as camisas para a lavanderia, toma bronca quando deixa a louça suja acumular e não é reconhecido nas ruas.

O ex-presidente do Brasil escolheu Paris. Mesmo com os novos dissabores domésticos que essa opção acarretou, a capital francesa é a cidade do seu coração. “Depois de São Paulo, é onde me sinto mais em casa”, diz ele, que falou de sua paixão a Viagem e Turismo. Em Paris, ele conhece os restaurantes, os museus, os parques, as livrarias e os programas parisienses da moda – e também os endereços tradicionais e os fora do circuito turístico. A familiaridade com a França vem dos tempos de aluno da Universidade de São Paulo, quando vários professores eram franceses; foi aprofundada nos três períodos em que morou em Paris entre os anos 60 e 70; e é atualizada pelos amigos.

“Aqui não sou turista, não me sinto na obrigação de conhecer nada. Por isso, agora que posso, sou um flâneur”, diz. Pelo direito de ser flâneur – segundo o poeta Charles Baudelaire, uma pessoa que passeia sem pressa, abandonando-se às impressões e ao espetáculo do momento –, durante dois meses e meio Fernando Henrique encarou o “exercício de humildade” ao viver num apartamento menor do que seu quarto no Palácio da Alvorada.

Basicamente, o que ele faz em Paris é, como bom ex-professor de sociologia, ler e, como bom político, jantar e almoçar com amigos e personalidades do mundo político. Mas, em seus passeios, também descobre belíssimas atrações (como o Parc de La Villette, um dos preferidos de seus netos). Pode-se dizer que poucos guias conhecem Paris tão bem quanto Fernando Henrique Cardoso.

O ex-presidente da República tem dicas valiosas para se curtir a capital francesa como ele: com paixão e de coração aberto para as novidades. Para comprar livros ou checar as novidades, ele prefere a livraria Fnac de Champs-Elysées. Não é a mais charmosa da cidade e nem é histórica, mas é prática e bem fornida. Para comentar a guerra no Iraque ou murmurar seus receios e esperanças com o governo Lula, sua carta de opções é maior.

Assumido pão-duro, Fernando Henrique freqüenta restaurantes estrelados pelo honorável Guia Michelin, a convite, e bistrôs, quando paga (veja o mapa com os endereços na página 66). O critério, conta, é o da boa comida. Ele torce o nariz, por exemplo, para o festejado Lasserre, “porque é caro demais e não se come, assim, maravilhosamente bem”. Mas anima-se quando fala do ainda mais caro restaurante do chef Guy Savoy, o único entre seus preferidos a ostentar as três estrelas máximas conferidas pelo Michelin.

Na sua lista de recomendáveis, entra o bistrô do chef Michel Rostang, onde o almoço, com entrada, prato e café, custa 27 euros, mas não seu restaurante duas estrelas, que fica ao lado e onde se gastam 150 euros numa refeição. Fernando Henrique vai bastante também ao Giulio Rebellato. Era uma maneira bem mais eficaz de escapar à pia da cozinha do que argumentar com a mulher, Ruth, como fez em algumas ocasiões: “Eu fui presidente do Brasil, morei num palácio. Você acha pouco eu aqui lavando copo?”

A poucos quarteirões de sua casa, o restaurante funcionou como o-italiano-ali-da-esquina nessa temporada de inverno da família Cardoso no seizième arrondissement. O seizième, bairro dos parisienses ricos, não foi uma escolha. O apartamento de frente para a Foch, uma avenida de quatro pistas, ladeadas por jardins, que liga o Arco do Triunfo ao Parque Bois de Boulogne, foi emprestado por sua amiga Maria do Carmo Abreu Sodré, que o herdou do pai, Roberto de Abreu Sodré. Acoplado a um estúdio, ele tem cerca de 100 metros quadrados e mantém a decoração deixada pelo ex-governador paulista.

Fernando Henrique esbarra nos enfeites da casa e sente falta, no bairro, do burburinho dos cafés, brasseries e livrarias do Quartier Latin, região em que morou por mais tempo. Em compensação, o apartamento tem um conforto que o hóspede valoriza: dois banheiros e um lavabo. Fernando Henrique morou pela primeira vez em Parisem 1961, numa casa de estudantes na Cidade Universitária. A Parisdaquele tempo era escura, suja, com os prédios cobertos por uma fuligem negra.

O “brilhantismo” – definição dele – atual da cidade só começou a aparecer nos anos 70. “Eu vi a eclosão do banho na França. As pessoas compravam chuveiros, mas, sem ter onde instalar, os colocavam na cozinha”, conta. Às vezes, ainda no corredor em direção a uma reunião de estudo, ele adivinhava quais eram os colegas presentes pelo cheiro.

Flanar por Paris, para Fernando Henrique, é recordar-se de endereços de amigos, de fatos históricos, de discussões filosóficas. A rue de l’École de Médicine o faz lembrar-se da barricada montada ali em 68, que o impediu de chegar em casa e o obrigou a dormir num hotel. Num dos cafés, ele conversava com o pensador francês Jean-Paul Sartre e sua mulher, Simone de Beauvoir; numa brasserie, com o filósofo Michel Foucault.

Na temporada 2003 – sinal dos tempos –, os grandes mestres foram visitados apenas nos museus. Interessado por artes plásticas desde o tempo em que, ainda jovens, ele e dona Ruth foram monitores do Museu de Arte de São Paulo, o Masp, Fernando Henrique foi às exposições de Modigliani no Museu de Luxembourg, de Magritte na Galeria Nacional de Jeu de Paume e de Picabia no Museu de Arte Moderna da Cidade de Paris. Neste, divertiu-se com um guarda que perguntou em francês: “O senhor é sul-americano? Fernandô?”

Carregado por Ruth, assistiu à peça A Tragédia, de Hamlet, dirigida pelo badalado Peter Brook. Gostou dela e do teatro, que não conhecia. O Théâtre des Bouffes du Nord foi construído no século 19 para ser um teatro popular. Foi ressuscitado em 1974 pela turma de Peter Brook, que manteve sua rusticidade e as marcas do tempo. Outra novidade cultural que entusiasma Fernando Henrique é o Parc de La Villette, com seus jardins e mil e uma atividades.

Andando com os netos pela Cidade das Ciências e das Indústrias, um pavilhão de exposições com recursos ultramodernos que se propõem a explicar praticamente tudo, o vovô ficou boquiaberto com as informações que recebeu sobre DNA e refração da luz. Os conhecimentos adquiridos ali, porém, não foram suficientes para que conseguisse abrir a máquina de lavar num dia em que dona Ruth, em viagem, lhe deu a incumbência de estender a roupa. “Tive de chamar a concièrge, uma vergonha!”, diz.

Máquina de lavar, oito camisas de uma só vez para entregar na lavanderia, o nu de Modigliani, o tiramissu de Giulio Rebellato, o vinho de 300 euros no LaSserre, o foie gras de Guy Savoy, o ácido desoxirribonucleico… Quer flanar por Paris num esquema, digamos, presidencial? Aceite as sugestões de FHC. (Altamiro Borges, acesso em 12jan2018)

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

1968: onze fatos que abalaram o mundo!




Relembre 11 fatos que abalaram o mundo. Período de levantes e revoluções, ano foi marcado por protestos estudantis e movimentos de contestação





Repressão do Exército mexicano a protesto estudantil no Zócalo,
 Cidade do México / Wikicommons





O ANO de 1968 começou com a declaração do Papa Paulo VI de que aquele seria um período de paz, mas entrou para a história por uma série de revoltas e levantes em escala global.


No contexto da chamada Guerra Fria (1945-1991), a juventude se rebelou em todo o mundo e protagonizou uma revolução cultural e nos costumes. Já o Brasil vivia um contexto de endurecimento da ditadura militar, instalada em 1964 e que só viria a ruir em 1985.


Após 50 anos, relembre onze fatos marcantes do "ano que abalou o mundo".

1 - Protestos contra a Guerra do Vietnã (EUA e diversos países)


No dia 30 de janeiro de 1968, véspera do ano novo lunar do país, os vitcongues, expressão que significa "comunista vietnamita", lançam uma grande ofensiva contra os estadunidenses e vietnamitas do Sul.

Protesto contra a guerra do Vietnã na cidade de Wishita,
 no Kansas (EUA) | Wikicommons


Com a operação, a correlação de forças passou a ser mais favorável aos comunistas e mudou o rumo da guerra do Vietnã (1955-1975). Movimentos pela paz se intensificaram nos EUA, gerando protestos e pressão contra o governo de Lyndon Jhonson, que abriu negociações de paz com o governo insurgente do Vietnã do Norte. Os EUA deixaram o país asiático em 1973, mas o conflito se arrastou por mais dois anos.

2 - Primavera de Praga (República Tcheca)


Em janeiro de 1968, Alexander Dubcek assume o governo da Tchecoslováquia (hoje República Tcheca) e inicia uma série de reformas políticas, sociais, econômicas e culturais. Sob a liderança de Dubcek, a Primavera de Praga foi um movimento de massas em busca de um "socialismo humanizado" crítico ao regime stalinista na URSS.

Imagens da invasão soviética à Tchecoslováquia | Flickr/CIA



Em agosto, as tropas da URSS invadiram a Tchecoslováquia, em uma tentativa de reprimir o movimento reformista.

3 - Morte do estudante Edson Luís (Brasil)

Corpo de Edson foi velado na Assembléia Legislativa, na Cinelândia |
Acervo da Biblioteca Nacional

Em 28 março de 1968, um protesto de secundaristas no Rio de Janeiro termina com o assassinato do estudante Edson Luís de Lima Souto pela Polícia Militar.

A morte do jovem de 17 anos gera comoção nacional e o velório se transforma em um dos grandes atos políticos contra a ditadura militar. O trajeto entre a Assembleia Legislativa do Rio, onde o corpo foi velado, até o Cemitério São João Batista foi acompanhado por cerca de 50 mil pessoas.

4 - Assassinato de Martin Luther King (EUA)



Em 4 de abril de 1968, o pastor negro estadunidense Martin Luther King, um dos líderes mais importantes do movimento por direitos civis nos EUA, é assassinado.

Martin Luther King durante a marcha em Washington na qual pronunciou
 o histórico discurso "I have a dream" - eu tenho um sonho | Wikicommons



Ele estava na cidade Memphis, no estado do Tennessee, para apoiar a greve dos trabalhadores em serviços sanitários quando levou um tiro que rompeu sua medula espinhal. Em seu enterro em Atlanta, em 9 de abril, milhares de pessoas saíram às ruas para acompanhar o funeral.

Luther King sonhava com uma sociedade racialmente igualitária em que os negros estivessem plenamente integrados, apoiava a não-violência e se posicionou abertamente contra a Guerra do Vietnã.

5 - Estreia do espetáculo Hair (EUA)


A década de 1960 é reconhecida pela contestação do movimento hippie e a irreverência do rock n'roll. Nos EUA, em abril de 1968, estreava na Broadway o espetáculo Hair, um dos símbolos deste período.

Espetáculo segue sendo apresentado em diversos circuitos pelo mundo.
Cenas de nudez ainda são censuradas em diversos países.
 Imagem de 2016 | Reprodução/ Facebook 


O musical símbolo da contracultura hippie é repleto de elementos contestatórios, principalmente a Guerra do Vietnã. Em termos de comportamento, a apresentação chocou o público com cena de nu explícito no palco e referência ao uso de drogas ilegais. Várias de suas músicas viraram hino dos movimentos pacifistas.

6 - Revoltas de maio de 1968 (França)



No dia 3 de maio de 1968, estudantes franceses ocuparam a Sorbonne, universidade mais tradicional do país. As barricadas estudantis logo se alastraram por toda a França e ganharam contornos para além das pautas estudantis.

Trabalhadores em fábrica ocupada no Sul da França,
no cartaz, uma série de reivindicações | Wikicommons

Os manifestantes passaram a criticar a política trabalhista e educacional do governo do general Charles de Gaulle, culminando em uma greve geral de 24 horas que paralisou Paris.

7 - Passeata dos 100 mil (Brasil)



No dia 26 de junho de 1968, estudantes, religiosos, artistas como Chico Buarque e Caetano Veloso, e diversos outros setores da sociedade caminharam pelas ruas do centro do Rio de Janeiro contra o regime militar.


Vladimir Palmeira, líder do movimento civil,
discursando durante a Passeata dos Cem Mil | Wikicommons



O protesto é um ápices dos movimentos contra a ditadura no período e culminou em uma reação dos militares, com o decreto do Ato Institucional nº 5 no dia 13 de dezembro. O AI-5 é considerado o mais arbitrário dos decretos dos militares e deu poderes quase absolutos ao governo, dissolvendo a liberdade de expressão e os direitos políticos no país.

8 - Estudantes são presos em Congresso da UNE em Ibiúna (Brasil)


Em 1968, a União dos Estudantes (UNE) atuava na clandestinidade e suas reuniões estavam proibidas pelo regime militar. Ainda assim, a entidade marcou congresso anual naquele ano e reuniu cerca de 1,2 mil pessoas em Ibiúna (SP).


Notícia da prisão dos estudantes reportada pelo jornal
 O Estado de S. Paulo | Reprodução



A Polícia Militar invadiu o encontro e todos os estudantes foram presos e levados ao Departamento de Ordem Política e Social (Dops), entre eles as principais lideranças estudantis do país. A ação fez a UNE reduzir seu tamanho e permitiu que o governo militar fichasse centenas de estudantes que futuramente foram perseguidos, como José Dirceu, que à época disputava a liderança da entidade.

9 - Massacre de Tlatelolco (México)


Apenas dez dias antes dos Jogos Olímpicos do México um protesto de estudantes em Tlatelolco, no centro da capital do país, foi brutalmente reprimido pelo Exército mexicano. O presidente Gustavo Díaz Ordaz Bolaños buscava sufocar o movimento estudantil — acusado por ele de influência externa comunista — antes da abertura do evento. Os jovens pediam mais liberdades civis e a punição de casos de repressão policial.


Protesto estudantil teve início nas escolas secundárias
 e tomou conta do país  devido à repressão policial | Reprodução/ YouTube



Até hoje, o número de mortos no massacre é incerto. O número oficial 40 mortos é questionado: algumas fontes falam em mais de mil mortes na noite de 2 de outubro de 1968.



10 - Atletas negros protestam em Olimpíadas (EUA/México)



No segundo dia das provas de 200 metros rasos nas Olimpíadas da Cidade do México, no dia 16 de outubro de 1968, o atleta estadounidense Tommie Smith justificou seu favoritismo e levou o ouro com o tempo de 19,83 segundos. Já o compatriota John Carlos levou o bronze.



Tommie Smith e John Carlos erguem o punho durante hino nacional dos EUA | WikiCommons


Durante a cerimônia de premiação, Thommie e John manifestaram apoio ao movimento de direitos civis e pela vida do povo negro norte-americano. Os dois subiram ao pódio erguendo o punho fechado com luvas pretas, saudação utilizada pelo movimento Black Power e pelos Panteras Negras. O gesto é considerado o mais emblemático e político na história dos Jogos Olímpicos.



11. Greve em Contagem - Minas Gerais (Brasil)


Em abril de 1968, ocorreu a primeira grande greve no Brasil desde que os militares tomaram o poder quatro anos antes. Articulada pelo Sindicato dos Metalúrgicos, a paralisação mobilizou por dez dias cerca de 1,2 mil trabalhadores em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte. Os trabalhadores da siderurgia Belgo-Mineira reivindicavam um reajuste salarial de 25%.



Movimento de Contagem serviu de inspiração para outras
ações sindicais pelo país | Reprodução


Durante a greve, o coronel Jarbas Passarinho, então ministro do Trabalho, intimidou os grevistas pessoalmente e na televisão. No dia 24 de abril, policiais militares tomaram a região industrial de Contagem e os operários foram ameaçados de demissão sumária. O movimento terminou no dia 26 de abril. Os trabalhadores conquistaram 10% de reajuste, abaixo da pauta, mas uma vitória frente à política de arrocho salarial imposta pela ditadura. Além disso, a greve reacendeu o sindicalismo no país. Em julho, por exemplo, cerca de 3 mil trabalhadores da Cobrasma, metalúrgica em Osasco, na Grande São Paulo, anunciaram a ocupação da fábrica.


Edição: Vanessa Martina Silva


(Brasil de Fato, acesso em 04jan2018) 

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

NOTÍCIA antiga!

Por que me tornei a favor das cotas para negros


O escritor e Juiz Federal William Douglas

ROBERTO Lyra, Promotor de Justiça, um dos autores do Código Penal de 1940, ao lado de Alcântara Machado e Nelson Hungria, recomendava aos colegas de Ministério Público que “antes de se pedir a prisão de alguém deveria se passar um dia na cadeia”. Gênio, visionário e à frente de seu tempo, Lyra informava que apenas a experiência viva permite compreender bem uma situação.

Quem procurar meus artigos, verá que no início era contra as cotas para negros, defendendo – com boas razões, eu creio – que seria mais razoável e menos complicado reservá-las apenas para os oriundos de escolas públicas. Escrevo hoje para dizer que não penso mais assim. As cotas para negros também devem existir. E digo mais: a urgência de sua consolidação e aperfeiçoamento é extraordinária.


Embora juiz federal, não me valerei de argumentos jurídicos. A Constituição da República é pródiga em planos de igualdade, de correção de injustiças, de construção de uma sociedade mais justa. Quem quiser, nela encontrará todos os fundamentos que precisa. A Constituição de 1988 pode ser usada como se queira, mas me parece evidente que a sua intenção é, de fato, tornar esse país melhor e mais decente. Desde sempre as leis reservaram privilégios para os abastados, não sendo de se exasperarem as classes dominantes se, umas poucas vezes ao menos, sesmarias, capitanias hereditárias, cartórios e financiamentos se dirigirem aos mais necessitados.

sábado, 6 de janeiro de 2018

ISSO é realmente necessário?





NANCY Mesquita!

A Lei não contém todo o Direito

Dra. Nancy Mesquita
SEMPRE fui do tipo inconformado, daqueles que não se acomodam de primeira com um “não” como resposta. O fato de ter atuado na área de recursos humanos com certeza tem influência nesse meu comportamento. Isso, vez por outra, me deu a fama de antipático.
Reivindicações que são negadas simplesmente por causa de que a legislação não dá amparo, nalgumas vezes, são aceitas por muitos somente por causa da hierarquia e da disciplina, não que isso significasse necessariamente a concordância com o resultado final.
Teve uma época em que servi metade do tempo em Brasília e a outra metade em Cachimbo, região sudoeste do Pará, quase divisa com Mato Grosso. Quando cheguei lá o período em que servíamos em Cachimbo era devidamente remunerado com a indenização de localidade especial, por ser a região considerada como local inóspito e de difícil acesso.
Em determinado mês veio a ordem lá de cima, da Subdiretoria de Pagamento de Pessoal, mandando cancelar o pagamento da indenização. A decisão superior foi com base na legislação da época que dizia que “o militar faz jus ao pagamento da indenização de localidade especial a contar da data de sua apresentação, cessando na data de seu desligamento”. Essas duas palavras “apresentação” e “desligamento” depunham contra a nossa pretensão, pois, para efeitos legais, nós servíamos em Brasília, localidade não especial, e não em Cachimbo, considerada uma extensão da OM sede.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

NADIA Ayad!


NADIA Ayad se formou em Engenharia de Materias pelo Instituto Militar de Engenharia do Rio de Janeiro, em 2016. No fim do ano, ela venceu o concurso mundial promovido pela Sandvik, em que propôs a utilização de grafeno - um material a base de carbono, 200 vezes mais resistente que o aço e considerado o melhor condutor térmico e elétrico do mundo - em um dispositivo de filtragem e sistema de dessalinização para fornecer água potável para residências.

O Desafio do Grafeno reuniu dez pesquisadores de todo o mundo na sua etapa final. Todas as ideias apresentadas mostravam inovações sustentáveis ?e? que iriam revolucionar as casas modernas, utilizando grafeno. As dez melhores propostas foram avaliadas por especialistas da área com base nos critérios: inovação, viabilidade e design.

A aproximação de Nadia com o campo da pesquisa veio ainda na faculdade, quando ela conseguiu uma bolsa do Ciência Sem Fronteiras para estudar na Inglaterra. Na Universidade de Manchester, onde passou um ano, a brasileira teve contato com grandes nomes da área e com os campos de pesquisa pelos quais se interessava.

Logo após a conquista, Nadia visitou a sede da Sandvik Coromant, em Sandviken, na Suécia. Ela se reuniu com profissionais da indústria e visitou o Centro do Grafeno na Universidade Chalmers. (Tudo e Todas, acesso em 02jan2018) 

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

O TRÁFICO e o filho da desembargadora!

Por que só os pobres ficam na cadeia? 


Breno, filho da desembargadora: ostentação e
uma vida marcada pela suspeita de crime pesado.


O LEVANTAMENTO mais recente sobre o perfil dos presos no Brasil revelou que um terço está relacionado ao tráfico de drogas. O número de presos por esse tipo de crime aumentou quase 340% desde 2006, quando uma nova lei, mais rigorosa com o tráfico, entrou em vigor.

Ao mesmo tempo em que pessoas sem nenhuma passagem anterior pela polícia ocupam os presídios, surgem casos de impunidade, sempre relacionados a pessoas bem posicionadas na sociedade.

No início do ano, o Superior Tribunal de Justiça confirmou a condenação a quatro anos e 11 meses de prisão de um homem preso em flagrante por entregar a outro um cigarro com 0,02 grama de maconha.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

NOTÍCIA antiga!

A hora da asneira na internet

OUTRO dia alguém postou uma montagem no Facebook onde apareço em preto e branco, com cara de poucos amigos e olhar desafiador. Logo acima de minha cabeça a seguinte frase: "Meu saco está explodindo de ver tanta porcaria que vocês postam em meu nome nessa merda."

Quem colocou esse desabafo em minha boca certamente andou lendo em seu mural citações como "dormir de conchinha é muito bom... Mas acordar olhando nos olhos e sentindo sua respiração...É SENSACIONAL...", atribuídas a mim.

Eu não daria um like neste post. À parte os clichês românticos, não me agrada a ideia de dormir de conchinha. Viro muito de posição durante o sono. E acordar olhando nos olhos e sentindo a respiração do outro só é SENSACIONAL depois de ambos terem escovado os dentes.