sexta-feira, 27 de abril de 2012

SOBRE arbitragem e demagogia


É MUITO fácil comprar o discurso da profissionalização da arbitragem como a o discurso da salvação e da ética.

Entretanto, as coisas não são tão simples e nem oferecem garantia de lisura.
O histórico de escândalos da arbitragem é imenso.
Vários são os casos na Inglaterra, Alemanha, Itália, França e aqui no Brasil.
Muitos escândalos na Europa estavam intimamente ligados ao volume elevado de apostas, legais naqueles países.

Árbitros foram afastados, jogadores punidos e a imagem não escapou dos arranhões.
Os casos no Brasil são igualmente antigos, no entanto, o tratamento é bem diferente e o problema parece ser encarado de forma simplista, ingênua.

Em 1997, o escândalo Ivens Mendes e a possível compra de resultados favorecendo Atlético PR e Corinthians em troca de favores financeiros e políticos para a campanha de Mendes caiu como uma bomba, mas não explodiu como deveria.

O Atlético perdeu pontos e Petraglia e Dualib não puderam mais, por um período, representar seus times junto a CBF.
A Comissão de Arbitragem mudou mas manteve hábitos nada salutares.

Outra bomba explodiu em 2005 com um novo escândalo.
O árbitro Edilson Pereira de Carvalho foi afastado e 11 jogos do Brasileiro apitados por ele foram considerados “contaminados”.
Os jogos foram “rejogados” e Edilson até ganhou uma graninha com o lançamento de um livro.
Os nomes mudaram na Comissão, mas as trapalhadas continuavam
Edson Rezende fez a transição do período Armando Marques para Sérgio Correa, que assumiu em 2006.
Pouco tempo depois, Sérgio já teve que esclarecer sua relação com a ex-árbitra Ana Cecílio.
Mas os problemas particulares não eram os mais complicados para ele.
A arbitragem mineira dava claras demonstrações de falta de comando e seriedade.
Sob o comando do falecido Lincoln Afonso Bicalho, sete árbitros foram acusados de superfaturamento de passagens e hoteis e os sete foram afastados. 

Em 2008 era Anselmo da Costa que tinha sem nome ligado ao Instituto Wanderley Luxemburgo.

O caso dos ingressos para um show da Madonna que seriam para Wagner Tardelli serviu para mostrar que nem a defesa dos árbitros era mais ouvida e Tardelli deixou de apitar a partida mais importante do ano.

O novo capítulo promete ser quente. Gutemberg de Paula, que obteve escudo FIFA ano passado, perdeu seu escudo e saiu atirando para todos os lados.
A credibilidade era questionada e ainda é, mas o discurso de moralidade ainda se mantém atrelado ao profissionalismo da arbitragem.

Faço um convite ao pensamento: quanto tempo seria necessário para regularizar e regulamentar a profissão de árbitros no Brasil?

É possível crer no que acontece nas quatro linhas até a aprovação e regulamentação?
Faço uma outra e talvez mais cruel pergunta: quem gostaria de ter como empregado os árbitros no Brasil? 

Com uma folha vasta de escândalos e poucas punições, o patrão (CONAF ou CBF) seria o mesmo e mais aberto ainda aos desvios de conduta.
É fácil e simplista o discurso da profissionalização.

O futebol brasileiro e a arbitragem brasileira só terá credibilidade quando o poder da CBF mudar e quando os envolvidos com as maracutaias do poder forem devidamente punidos. (blog do Marra, Belo Horizonte - MG, Brasil)

Nenhum comentário:

Postar um comentário

MANDA ver um comentário aí!