domingo, 29 de abril de 2012

LEÃO AZUL decide turno 47 anos após dia em que Pelé vestiu azul marinho

APÓS a camisa 10 ser lembrada com tristeza por conta da confirmação da ausência de Magnum na final do returno contra o Águia, outro camisa 10 é considerado motivo de alegria entre os remistas. Isto porque hoje, dia 29 de abril, quando o Remo decidirá o returno do Parazão, festeja-se os 47 anos do amistoso entre Remo e Santos, que contou com a entrada de Pelé vestindo a camisa azul marinho no estádio. O Portal ORM conversou com um dos torcedores que estavam naquele jogo e descobriu detalhes da partida. Veja abaixo!

O benemérito do Clube do Remo, Orlando Ruffeil (foto), de 60 anos, tinha apenas 14 anos quando foi levado por um tio ao estádio Evandro Almeida, o famoso Baenão, para assistir o Rei Pelé jogar no momento em que, para muitos, o camisa 10 estava no auge da carreira, com 24 anos.

Orlando Ruffeil, benemérito azulino e historiador
Emocionado, Orlando contou que a Cidade das Mangueiras ficou em êxtase desde o momento da chegada do alvinegro praiano: 'O Santos chegou aqui dois dias antes do jogo. Fui ao aeroporto para receber os jogadores e estava tudo lotado. Ainda consegui ver o Pelé de perto. Já tinha ouvido no rádio os jogos dele, mas não imaginava que ele ia fazer tudo o que fez no jogo contra o Remo. Realmente era o Rei, é até hoje e vai continuar sendo sempre!'.

Já no Baenão, às 21h30 de uma quinta-feira, dia 29 de abril de 1965, o benemérito remista lembra que a entrada de Pelé foi 'triunfal'. 'Houve uma homenagem a ele feita pelo Remo, mas o que mais marcou mesmo foi a entrada do Rei vestido com a camisa do Remo e levando um buquê de flores. Foi impressionante. Inesquecível!', classificou.

Com a bola rolando, o Santos, que estava em uma das várias excursões que fez pelo Brasil, começou em ritmo lento e chegou até a estar perdendo para o Remo, que jogava com o time reserva, já que o titular também estava em excursão, mas pela Amazônia.


'Estava tudo muito lindo, mas ficou bom mesmo logo depois que o Zanzé fez o segundo gol do Remo e a torcida começou a gritar o nome dele. O Pelé pegou a bola, a colocou debaixo do braço e atravessou o gramado olhando para a torcida. Parecia que ele dizia assim 'Ah! É gol que vocês querem? Então lá vai'. Só o Rei fez cinco gols, quase um atrás do outro. Anos depois, fui pesquisar e, como sou o 'pelemaníaco', descobri que esta foi a maior quantidade de gols que ele fez em uma partida. Imagina a honra de quem esteve ali, assistindo a tudo isto?', salientou.


Aliás, o placar daquele jogo terminou 9 a 4 para o Santos, mas, em uma das raras oportunidades em que o placar é o que menos interessa no futebol, Orlando lembrou do lance em que o Rei do futebol 'brincou de jogar bola'. Marcaram para o Remo, Walter, Zanzé (2 vezes) e Faustino. Já para o Santos, fizeram Pelé (5 vezes), Coutinho, Toninho Guerreiro, Peixinho e o futuro capitão do Tricampeonato mundial, que estreava naquela noite pelo Santos, Carlos Alberto Torres.

'Daquele time do Remo, somente dois titulares estavam presentes porque eram da Aeronáutica e não foram liberados para seguir na excursão pela Amazônia. Um deles era o zagueiro Socó, um dos melhores que vi no futebol paraense em toda a minha vida. O negócio é que do outro lado tinha o Pelé. O cara era demais! Em um lance, ele foi com a bola e tabelou com a canela do Socó. Você acredita nisso? Ele tabelou com a canela do adversário para driblar o resto. Era inacreditável!', recorda.

Aliás, a formação do Remo que enfrentou o Santos contava com Arlindo; Jorge Mendonça, Faustino, Socó, Zeca e Walter; Zé Ilídio, Rangel, Zanzé, Santos e Chaminha. 'O curioso é que, depois deste jogo, este time reserva acabou virando titular', lembra 'seu' Orlando. Os titulares eram François; Ribeiro, Socó, Edílson, Zé Luís e Casemiro; Neves, Valmir, Zequinha, Quibinha e Chaminha. Por outro lado, o Santos tinha Claudio; Carlos Alberto Torres (capitão do Tri Mundial pela Seleção), Mauro (capitão do Bi Mundial pela Seleção) e Geraldinho; Lima e Haroldo; Peixinho (Toninho Guerreiro), Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe.

Após o jogo, Pelé atendeu a torcedores e jornalistas e o Santos deixou Belém no dia seguinte. Ao recordar do amistoso, realizado para gerar renda para o Remo com bilheteria e para o Santos com cota de participação, Orlando aproveitou para contar que a renda daquele amistoso foi de 50 milhões de cruzeiros (correspondente a R$ 28.571,72), mas que o grande valor foi histórico. 'Conta-se nos dedos as camisas que o Pelé vestiu como jogador de futebol e a do Remo é uma delas', frisou.

Já para este domingo, sem Magnum e, provavelmente, com Betinho vestindo a camisa 10 remista, o benemérito e torcedor do Clube do Remo disse que acredita na magia da camisa 10 para guiar o time na decisão. 'Lógico que sabemos que o Águia tem um grande camisa 10 também, que é o Flamel, mas confio no camisa 10 remista e acho que o Betinho vai deslanchar. Vai ser o nosso título em um jogo no dia que a magia do futebol do Rei vai ajudar o Leão', finalizou. (Portal ORM, Belém - PA, Brasil)

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