segunda-feira, 26 de março de 2012

TORCIDA paraense vai em peso e bate recorde do dia




Mangueirão recebe o maior público do domingo no País


O DOMINGO de chuva e muita ventania em Belém até tentou estragar a bela festa dos mais de 33 mil torcedores de Remo e Paysandu que compareceram ao clássico disputado ontem, no Mangueirão. Mas a paixão das duas nações é tamanha que resistiu ao "dilúvio". Desde a abertura dos portões do estádio, o clima de rivalidade estava presente. Foi o maior público nos jogos de domingo no Brasil.

Em maior número, e contando com a permissão para adentrar ao estádio com faixas e sinalizadores, os azulinos faziam muito barulho. Mas os bicolores tentavam responder no mesmo volume, com a força dos gritos de guerra, que eram entoados sem parar. Nenhuma briga entre torcedores de Remo e Paysandu foi registrada nas cercanias do estádio ou em seu interior, respeitando o clima de paz proposto pelos atletas das duas equipes durante a semana, por meio das mídias sociais.

Antes da partida, o clima de otimismo contagiava os torcedores. O comerciante Ulysses Ferreira, 53 anos, acreditava em uma vitória remista por 2 a 0. "Não tem nada pro Paysandu neste ano. Vamos ganhar o título com tudo o que temos direito, incluindo a vitória no Re x Pa de hoje (ontem)", previa o otimista torcedor azulino.

No lado alviceleste, o bancário José Luiz Carvalho Júnior, 37 anos, além de apostar em uma vitória do Paysandu por 2 a 1, destacou a importância do maior clássico do futebol paraense. "O Re x Pa é o ponto alto do nosso futebol, independentemente de ser um jogo decisivo ou não. Além disso, ganhar deles é bom demais", provocava o bicolor.

O que ambos não previam é que o otimismo de antes da partida daria lugar à frustração ao final do clássico. Resultado de um jogo de baixo nível técnico, no qual o bom futebol naufragou em meio ao temporal que desabou na tarde de domingo.

Esquema - De acordo com o Governo do Estado, dois mil homens do Sistema de Segurança Pública do Pará foram mobilizados para o policiamento dentro e fora do Mangueirão, garantindo a tranquilidade dos torcedores que acompanharam a partida. A operação contou com 800 policiais militares e 1.200 agentes de segurança.

Responsável por comandar todo este efetivo, o major Sandro Queiroz, comandante do 20º Batalhão da Polícia Militar, explicou que o esquema de segurança funcionou em três etapas. "Antes da partida os policiais fiscalizaram os principais acessos ao Mangueirão. No final do clássico, a dispersão dos torcedores também foi acompanhada pelos agentes de segurança. Com o apoio dos comandos intermediários, o patrulhamento foi realizado a pé, por viaturas, motocicletas e cavalaria".

Lecheva diz que equipe bicolor merecia os três pontos do jogo

O técnico do Paysandu, Lecheva, não gostou do empate de ontem, no Mangueirão. Para ele, o Papão teve mais volume de jogo que o adversário, o Remo, e, por isso, merecia ter deixado o gramado, após os 90 minutos, com três pontos. "No segundo tempo criamos, no mínimo, três boas chances de gol contra uma do Remo", disse. O comandante alviazul admitiu que a chuva que caiu em Belém, na verdade, um grande temporal, prejudicou o segundo Re x Pa do ano. "No primeiro tempo, todos viram, não houve futebol. As condições do gramado não permitiam o toque de bola de ambos os lados", observou.

Na opinião de Lecheva, o Paysandu foi o mais prejudicado pelo estado do gramado. "Temos um time leve, de jogadores jovens, que costumam conduzir muito a bola. Num gramado como estava o do Mangueirão, não dá para fazer esse tipo de coisa", justificou. "Todas as vezes que encontrarmos um gramado desses, alagado, vamos ter dificuldades", completou. Lecheva parabenizou seus jogadores pelo que ele chamou de "espírito guerreiro" que tiveram no Re x Pa, mas ele destacou as apresentações de Thiago Potyguar e de Neto.

"Potyguar voltou a jogar aquele futebol que a gente conhece e o Neto mostrou que está pronto para jogar sempre que for chamado", disse. Os elogios do treinador fazem sentido, já que Potyguar foi a referência na criação das jogadas a partir do meio-campo, enquanto Neto atuou com boa desenvoltura no desarme e, em alguns momentos, na saída para o ataque.

Flávio Lopes não gosta do empate e afirma que o Remo foi melhor

O técnico Flávio Lopes deixou claro que não gostou do empate sem gols no Re x Pa, ontem à tarde, no Mangueirão, pela quinta rodada da Taça Estado do Pará - o returno do Parazão 2012. O treinador remista disse que esperava um triunfo no seu primeiro clássico, principalmente pelo que o time mostrou na etapa inicial. Mas ele admitiu que o desgaste físico provocado pelo acúmulo de água no gramado foi um obstáculo para o Leão Azul.

"Acredito que (o empate) não foi bom para a gente, pelo volume de jogo do primeiro tempo, quando tomamos conta da partida e criamos as melhores chances de abrir o placar. Os jogadores sentiram mais o cansaço no segundo tempo, mas ainda assim tivemos o mesmo número de chances do Paysandu", avaliou o comandante.

"Não tenho a menor dúvida de dizer que nosso time foi o maior prejudicado pela chuva, pois todo mundo sabe que é impossível jogar com um gramado encharcado. Além do mais, o planejamento que havíamos traçado para este clássico era o de partir para cima no primeiro tempo e tentar fazer o resultado o mais cedo possível", disse.

Jogadores do papão aceitam o resultado

Os jogadores do Paysandu, com exceções, deixaram o gramado do Mangueirão, ontem, satisfeitos com o empate sem gols, diante do maior rival, o Remo. Para eles, o resultado acabou sendo justo pelo futebol apresentado pelos dois lados. "Acho que as duas equipes estão de parabéns por terem lutado para superar o estado do gramado. O empate, pelas chances que foram desperdiçadas, foi o resultado mais adequado", declarou o zagueiro Douglas Tesouro. Apontado como a principal peça do meio-campo alviazul no quesito desarme, o volante Neto mostrou-se contente com sua atuação e com o resultado.

"Pude mostrar que estou em condições de jogar seja que partida for", disse. "Procurei fazer a minha parte e acho que fui bem", prosseguiu. Sobre o resultado, o meio-campista comentou: "Pelo que fizeram os dois times, num gramado sem condições, principalmente no primeiro tempo, acho que o empate acabou sendo justo", salientou. O goleiro Paulo Rafael também gostou do empate. O arqueiro chegou a passar maus bocados quando Joãozinho, de cara para o gol, quase marcou, embora o atacante remista estivesse em impedimento, marcado pelo árbitro Dewson Freitas.

"Naquele momento procurei diminuir os espaços do Joãozinho e ele acabou perdendo o gol", contou. O meia Kariri admitiu que ficou devendo uma atuação melhor. "Realmente hoje não deu para fazer o mesmo que fiz em outros jogos", reconheceu. "O gramado, na situação em que estava, sobretudo no primeiro tempo, não permitia o toque de bola e o drible, que são o meu forte", observou.

Diego Barros: "Poderíamos ter saído com a vitória, mas faz parte"

O Remo criou boas oportunidades de gol, principalmente no primeiro tempo, mas apenas empatou com o Paysandu no clássico Re x Pa disputado ontem, no Mangueirão. E o 0 a 0, ao final, foi bastante lamentado pelos jogadores do Leão Azul, até pelo gol perdido por Joãozinho aos 38 minutos do segundo tempo em bela jogada do garoto Jayme.

Na saída de campo, o zagueiro Diego Barros disse que o Remo poderia ter vencido, mas considerou o empate justo pelo pouco que as duas equipes fizeram em um gramado impraticável, em virtude da chuva. "Poderíamos ter saído com a vitória, mas faz parte. Acredito que o empate foi até justo. Afinal, as duas equipes criaram praticamente a mesma quantidade de oportunidades", argumentou o defensor azulino. "Infelizmente, os dois times foram muito prejudicados pelo estado em que ficou o gramado por causa da chuva", complementou.

O meia-atacante Reis pensa o mesmo e manifestou-se de forma parecida. "O jogo estava muito difícil. A bola não corria e quase não chegava ao ataque", disse. 
 (Amazônia Jornal, Belém - PA, Brasil)

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