terça-feira, 6 de março de 2012

RONALDO Gaúcho: sorte que Flamengo é Flamengo





HOJE, que eu conheça, não tem ninguém no planeta com tanta condição de dar o delicioso “troco”  a quem o critica.

E não, não sejamos hipocritas. Nada é mais gostoso do que sorrir no fim diante de quem duvidou de você.

Ronaldinho ri, mas é quase um bobo-alegre.

Ri do que ganha, do que já ganhou, do quanto sua vida é boa e merece que seja, afinal, até onde sabemos, conseguiu o que conseguiu de forma honesta.  Talvez você não se lembre, mas o Ronaldinho não jogou menos do que o Messi no Barcelona.

E não, hoje não é piadinha pra sacanear argentino. O Messi joga uma barbaridade! Mas o Ronaldinho também jogou, tanto quanto, talvez mais.  Mas eu sei que futebol é um universo paralelo onde apenas as últimas semanas existiram. Logo, Ronaldinho não chega e nunca chegou aos pés do Messi para alguns.

Mas chegou. E baseado no que vi dele, não dou este crédito todo de “eterno sucesso” a ninguém antes da hora. Jogadores perdem a noção, perdem a referencia e rapidamente perdem um alvo.

Na vida você mira alguma coisa o tempo todo e, se não mira, é um coitado.  Quando aos 25 anos você está saudavel, consagrado, rico, aliás, podre de rico, sem ter que “provar” mais nada e devidamente colocado na história do futebol… Todo dia deve abrir o jornal, ler aquele monte de gordos jornalistas falando merda a troco de 3 mil reais por mes e se perguntar: Pra que?

Eu entendo, juro que entendo. Mas essa fase precisa passar, como passou a euforia inicial, como passou o surto de destruir todos os jogos, como todas as fases na vida passam.

Aos 32 anos, Ronaldinho está parado esperando a vida passar desde os 2007. Ele continua ganhando um absurdo, pois o que fez antes disso foi também um absurdo.  Vive de créditos, da fama, dos meninos que viram ele jogar e hoje são homens que ainda consomem a marca do ídolo.

Mimado, pelo Assis, pela mídia ou pela torcida, Ronaldinho não sabe o que é compromisso. Ele diz “A”, faz “B”, foda-se a torcida do Grêmio. E com razão, pois quando ameaçou voltar ia ter festinha pra ele. Ou seja… um golzinho resolve.

A vida do Ronaldinho passa muito pela idéia de que “um golzinho resolve”. E pior, resolve mesmo.

Ele não sente frio, calor. Não faz contas, não diz o que quer, se é que quer algo. Tudo na vida do Ronaldinho soubemos por interpretação ou pelo que disse o Assis.  Um sujeito que aos 32 anos não responde sem o irmão/empresário não passa muita confiança.

Hoje Ronaldinho tem tudo que todos queriam ter. Um mundo o criticando, uma torcida louca para adorá-lo e fazendo esforço pra isso, uma midia que o tritura a cada má atuação mas que também o exalta a cada passe de 2 metros e uma fortuna ainda por ganhar.
A situação mais simples do mundo: Só querer.

As vezes você não pode, outras vezes não consegue. Em alguns casos puxam seu tapete, em outras tem azar.

Ronaldinho tem absolutamente tudo a seu favor. Talento, condição física, joga num puta time, tem ao seu lado jogadores capazes de formar um time campeão, é o capitão deles, recebe uma grana alta e tem uma torcida louca para amá-lo.

Mas não quer.

E eu não sou maluco de defender a Patrícia depois que ela traiu as sua filosofia e o que prometeu como linha. Mas também não consigo entender como um sujeito infiel como Ronaldinho consegue sobreviver neste meio.

O Flamengo o trouxe num baita esforço. A presidente o apoiou, o ex-técnico, Luxemburgo, o manteve no time quando todos o questionaram. Deu a tarja de capitão, nunca o jogou para os leões, como merecia.  Ele fica insatisfeito, o clube dá outro voto de confiança, paga o que não tem, troca o comandante.

O novo técnico chega e dá total apoio ao sujeito. E ele, de novo, anda em campo.

Milhares no estádio, milhões em casa. É a maior torcida do mundo, é um ano onde tem 3 cariocas na Libertadores e tudo é feito olhando para uma grande conquista. E ele ali, andando e sorrindo.

A impressão que tenho não é de um sorriso alegre, nem de alguém feliz.

Me causa dúvida entre o sorriso de um bobo-alegre que ri sem saber do que ou de um debochado sujeito que ri da sua cara, torcedor, que vai aplaudi-lo como heroi quando ele der a esmola de correr 10 minutos por você.

E não por você, mas sim pelos 1,3 mi que recebe todo mes. Ronaldinho sorri, você não.  Ele rico, você gastando. Ele mandando no Flamengo, o Flamengo não consegue mandar nele.
E se o Renato Abreu errar um passe, tome vaia.

Porque futebol é isso. Um hospício. Só que aqui ninguém quer ser Napoleão. Basta ser Ronaldinho e dizer: “Flamengo é Flamengo”.

E é. Sorte sua. Porque se não fosse, meu caro,…  estaria na rua há alguns meses.
(blog do RicaPerrone)

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