quarta-feira, 14 de março de 2012

OPINIÃO não se discute: eles odeiam o futebol

A RENÚNCIA de Ricardo Teixeira está em todos os jornais. A Folha noticia que ele teve medo de ter o passaporte apreendido e deixou o cargo correndo. Viajou para Miami, fugiu feito um criminoso, o homem poderoso que reinou por mais de vinte anos, dirigindo o órgão máximo de um esporte que é a paixão nacional. Filho da puta. Os ingleses pegaram o cara. Estão atrás de Blatter. Desde que a Fifa negou a Copa na Inglaterra por motivos aparentemente sórdidos, a coisa começou. Investigação. Lupa nos negócios milionários. A única pergunta que faço, quando leio notícias sobre Ricardo Teixeira, João Havelange, Eurico Miranda e vários outros nomes, incluindo, claro, os dirigentes do Pará é: eles gostam de futebol? Amam o esporte? Jogam ou jogaram? A resposta é não, começando pelo grande mentor de tudo, João Havelange. Meu pai o adorava, enganado por palavras bonitas, postura de gentleman e elegância. Quando o velhinho Stanley Rous deixou a Fifa, o futebol demonstrava crescer muito. A televisão o levava para o mundo. Havelange pensou: o método que inventei aqui, que faz com que os pequenos tenham o mesmo peso dos grandes, aparentemente democrático, faz com que os presidentes das federações se perpetuem nos cargos e mais ainda, votem em mim que lhes dei dinheiro, levei para Copas, hospedei em hotéis faraônicos, arrumei mulheres. Que tal usar tudo isso na Fifa? Sim, foi uma época em que se dizia, com razão, que a Fifa tinha mais membros do que a ONU. E claro, a Tasmânia, feliz em receber professores de futebol, bolas, uniforme, participar de reuniões com tudo pago e outros mimos, votava em Havelange que lá se perpetuou. Mas, antes de sair do Brasil, Havelange decidiu deixar um herdeiro: Ricardo Teixeira, garoto do Rio de Janeiro que se criou no turfe, nas apostas no Jóquei Club, casou com a filha do Soccer Boss. Bastou manter tudo onde estava. No meio do caminho, houve um golpe e Havelange rompeu relações. Voltou mais tarde, por conta dos netos e, principalmente, da neta Joana, que agora já está no comitê da Copa. Sim, Ricardo sairia e deixaria para Joana. O poder de volta. E dinheiro, muito dinheiro. Para não ter preocupações, Ricardo vendeu jogos da seleção para uma empresa européia. Assim, a equipe passou a jogar pelo mundo, enfrentando quem pagasse o preço. Futebol brasileiro? Calendário? Leis? Balela. Money. E eu pergunto novamente: Ricardo Teixeira gosta de futebol? Alguém já o surpreendeu num bate bola, sábado de tarde qualquer? Em um campo de futebol, sem estar oficialmente? Ele continua gostando de cavalos. Se entendem que é uma maravilha. O que vai acontecer agora? Nada. Todos os presidentes das federações pensam da mesma maneira. Elegem-se e reelegem-se usando os mesmos métodos. Quando estava na ativa, como comentarista esportivo, fiz muitas críticas ao sr. Nunes, há longos anos na presidência da FPF, embora seja conselheiro do Paysandu, o que não aprovo. Meu pai foi locutor e comentarista, apesar de conselheiro do Clube do Remo, mas era uma outra época. Quando chegou minha vez, abdiquei do título que tinha, em nome da postura que acho necessária. Sei que hoje, em uma narração, há um fio tênue entre o entretenimento e o jornalismo, mas acredito que principalmente o comentarista, aquele que dá sua opinião, deve haver a famosa presunção de imparcialidade. Não, eles não gostam do futebol. Odeiam. Mas perceberam um filão sensacional para ter poder e dinheiro. São entidades particulares, não públicas. Vivem segundo seus regulamentos e pronto. E no entanto, influem no ânimo de milhões de brasileiros. Na Europa também existem bandidos, mas há um controle melhor e um calendário que tenta ao menos ser mais organizado. Não haverá mudanças. Não acredito em ninguém. Há muitos interesses envolvidos. É uma pena. Eles odeiam o futebol. (Edyr Augusto Proença, Belém - PA, Brasil)

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