quinta-feira, 1 de março de 2012

HÁ um ano no Blogue do Valentim: rivalidades, provocações e números


FAZ PARTE da paixão pelo futebol a gozação, o sarro mesmo que se tira do torcedor de outro time, principalmente se esse time for o maior rival do seu, temperando cada vez mais a rivalidade. Flamengo e Vasco, no Rio de Janeiro; Corinthians e Palmeiras, em São Paulo. Mais acirrada fica a rivalidade regional quando os principais times de seu estado são apenas dois, polarizando as forças: Grêmio e Internacional, no Rio Grande; Cruzeiro e Atlético, em Minas; Vitória e Bahia, em Salvador; Ceará e Fortaleza, no Ceará; Guarani e Ponte, Campinas, e assim por diante.

Dessas todas, a mais ferrenha, mais acirrada, feroz mesmo, rivalidade que se conhece é, com certeza, a existente entre Remo e Paysandu, o clássico Rei da Amazônia, quase centenário, que ocorre desde 10 de junho de 1914. Supera até mesmo a rivalidade entre Grêmio e Inter, no Sul. Digo isso de cadeira em razão de minhas andanças, nos últimos trinta anos, por este Brasil gigante. O torcedor de futebol é passional, mais passional ainda é o paraense.

Como eu disse, a gozação é o tempero maior da rivalidade, combustível sem o qual possivelmente um dos dois clubes já teria acabado. Mas isso não quer dizer que prevaleça nas relações a provocação gratuita, que venha a descambar para a rixa, insulto e rixa. O esporte existe para congregar as pessoas, e não para afastá-las. Cada um tem o direito de pensar diferente de mim, de ter a sua própria crença, partido político, e, naturalmente simpatizar pelo Palmeiras, Fluminense, Barcelona e Paysandu.

Feitos tais preâmbulos, vamos então aos fatos. Na história de Remo e Paysandu, há muito folclore, história e estórias, façanhas de um e de outro clube, nas quais se escuda o torcedor comum para enaltecer as suas cores, e ao mesmo depreciar as do rival, alimentando assim a eterna rivalidade. Naturalmente há exageros, frutos da irreverência e da criatividade do torcedor apaixonado. É muito comum da parte do torcedor do nosso rival falar em uma goleada de 7 a 0, que o Paysandu aplicou no Remo em 1945, período ainda semi-amador, época em que a bola era marrom. Tudo bem, e isso faz parte da cultura do torcedor paraense. Faz isso – o torcedor contrário – naturalmente para deixar cabisbaixo o torcedor azulino mais desavisado e psicologicamente susceptível a tais provocações, ainda que o dito cujo – aquele de quem parte a gozação – nem sequer tenha nascido em 1945. Nossos adversários são bons de marketing; até compuseram uma marchinha, que alguns chamam de hino, fazendo alusão ao feito numa clara provocação de torcedor, coisa que ajudou a perpetuar na memória de seus simpatizantes aquela goleada sofrida pelo escrete do Remo numa jornada infeliz. Os remistas, nem tanto.

Já nós, os azulinos, para não ficarmos por baixo, contamos um feito bem mais recente, dos quais todos nós lembramos ao vivo e em cores. Aliás, um não, dois. Os célebres 33 jogos, na década de 90, em que o time alvi-celeste não soube o que era vencer umazinha sequer do nosso Clube do Remo, e aquele campeonato de 2004, vencido pelo Leão com 100% de aproveitamento, sob a batuta de Agnaldo, o 'seu' boneco.

Outro dia, comentando em outro blog, fui provocado por um torcedor contrário sobre o número sete, ele sabendo eu ser azulino. Perguntava o torcedor listrado se eu não me incomodava com esse número, e respondi-lhe que não. Primeiro porque nem tinha nascido naquele tempo, portanto o problema não me atingiu; fosse assim, iria eu apelar para o heptacampeonato azulino, lá nos primórdios do nosso futebol. Depois porque o número em questão mais beneficia o Remo que o time dele. Eis o meu comentário:

‘Sete é o número sagrado da Bíblia, pois representa a perfeição porque é a soma de 3 + 4: 7 dias da semana, 7 vacas magras, por 7 anos Jacó serviu a Labão por causa de Raquel etc etc.

TRÊS é o número que representa a totalidade no mundo espiritual: a Santíssima trindade, as 3 horas da agonia, ressurreição no 3º dia, 33 anos de vida etc.

Já o QUATRO é número que representa a totalidade no mundo material: 4 são os pontos cardeais, 4 são as fases da lua e 4 são as estações do ano.

Dos números para o futebol. No confronto quase centenário entre Remo e Paysandu, o número 7 está presente com mais frequência na história do Remo que na do rival listrado, embora não nos dermos conta dessa curiosidade, porquanto damos pouca publicidade aos feitos.

Senão vejamos. Os três maiores tabus registrados no futebol paraense pertencem ao Leão Azul, o nosso querido Grêmio de Periçá.

1. O primeiro grande tabu entre os dois rivais paraenses ocorreu no período de 17abr.1973 a 14nov.1976. Sobre esse período não se fez grande alarde, por sinal. Sobretudo por ter sido ofuscado pelo último tabu. Foram 24 jogos sem que o PSC soubesse o que era vencer do Remo. Vencemos a equipe listrada por 14 vitórias (2 x SETE) , e empatamos 10 vezes.

2. O segundo, mais famoso e mais longo tabu, de 93 a 97, com os 33 jogos fatídicos. Foram 21 vitórias (3 x SETE) e 12 empates.

3. O terceiro foi o campeonato paraense de 2004. 14 jogos (2 x SETE) com 100% de aproveitamento, e ainda sem que o Leão sofresse nesse campeonato nenhum gol do rival. Somando-se 2 + 3 + 2 = SETE’

Assim caminha a humanidade. E assim, meus amigos, é a rivalidade entre o nosso Clube do Remo e seu tradicional rival se perpetuando as discussões sobre quem é o melhor, alimentando, de geração em geração, esses quase 100 anos de Remo e Paysandu.

É importante que os fatos, números e até mesmo as curiosidades sejam divulgadas. Tudo em alto nível, sem provocações, sem xingamentos ou insultos. Mas que é necessária a publicidade aos nossos feitos, isso é uma verdade. Sou até favorável à instituição permanente dos números 33 e 100 no uniforme de nossos jogadores mais proeminentes, sem que isso pareça provocação, mas sim a publicidade necessária a manter viva na memória de nossos jovens remistas esses dois grandes feitos que, ainda que a nível regional, não devem cair no esquecimento.


‘A verdade é a fortaleza dos inocentes.’ Igor Pfeifer


LOUVADO seja Nosso Senhor Jesus Cristo!
(BLOGUE do Valentim em 01mar.2011)

Nenhum comentário:

Postar um comentário

MANDA ver um comentário aí!