quinta-feira, 22 de março de 2012

ENTREVISTA com Edil, ex-artilheiro de Remo e Paissandu


Edil Highlander, o “Rei do Clássico Re-Pa
O folclórico atacante Edil Highlander, se considera o “Rei dos clássicos Re-Pa” (Foto: Mário Quadros)




No próximo domingo (25) o Mangueirão vai receber mais um clássico Re-Pa. O jogo é o segundo entre as duas equipes este ano e valerá pela quinta rodada do segundo turno do Campeonato Paraense 2012. Para alimentar a rivalidade entre Remo e Paysandu, o DOL entrevistou o ex-atacante Edil, o Highlander, jogador que foi artilheiro e ganhou vários títulos por Leão e Papão. Acompanhe a entrevista abaixo:

Edil, o que o Re-Pa significa para você?

Edil: O clássico Re-Pa é o jogo que todo atleta profissional quer jogar. Mesmo que não esteja decidindo o título, sempre é a partida do campeonato, pois envolve todo o Estado do Pará, mexe com as paixões de milhares de torcedores.
Eu já joguei vários clássicos quando vesti a camisa do Vasco, todos com o Maracanã lotado, e nenhum se compara ao clássico da Amazônia.

Qual o favorito para o jogo deste domingo?
Os dois times estão nivelados atualmente, por isso acho que não tem favorito. Na verdade nunca teve favorito em Re-Pa, o que impera é a superação. Já vi várias vezes acontecer do time que estava melhor no momento ser derrotado. O clássico se define nos detalhes, quem errar menos, ganha.

Você torce para Remo ou Paysandu?
Eu torço para os dois clubes. Sempre fico satisfeito quando os dois ganham. Tenho vários títulos pelas duas equipes e por isso conquistei o carinho e o respeito das duas torcidas. Não tenho como puxar mais para um lado.

Quais foram os gols inesquecíveis que você já marcou em um Re-Pa?
Fiz vários gols inesquecíveis e importantes em Re-Pa, mas tiveram alguns que mais me marcaram. Pelo Paysandu, o gol do título do segundo turno do Campeonato Paraense de 1992, em cima do Remo. Depois daquele jogo nós fomos com tudo para conquistar o título e tiramos o que seria o tetracampeonato azulino. Pelo Remo, o gol que eu nunca vou esquecer foi naquele Re-Pa em 1998, quando estávamos com dois jogadores a menos e perdíamos para o Paysandu por 1 a 0. Fiz o gol aos 35 minutos do segundo tempo. Ali estava em jogo a manutenção do tabu dos 33 jogos. Nós conseguimos virar para 3 a 1, e eu fiz o terceiro gol. Foi um jogo de superação da nossa equipe.

Quais foram as tuas principais duplas nos ataques de Remo e Paysandu?
No Remo, foram o Ageu e o Luís Carlos Apeú. Com os dois eu fiz muitos gols e ajudei a manter o tabu de 33 jogos. No Paysandu, me ajudaram muito o Zé Augusto e o Tico, com quem atuei na minha última passagem pelo Papão.

Aceitarias jogar um Re-Pa de despedida?
Claro, eu aceitaria e tenho até pensado nisso. Estou realizando várias partida pelo interior com o time “Os amigos do Edil Highlander F.C” com o interesse de fazer o meu milésimo gol. Estão jogando neste time vários ídolos do futebol paraense, como o Ageu, Bebeto, Cléber, Cléberton, Ney Sorvetão e outros. Inclusive o nosso próximo jogo será no domingo de manhã, em Castanhal.

Tens alguma mágoa com Remo e Paysandu?
Na verdade eu tenho uma lamentação. Fico incomodado com a situação em que estão vivendo vários amigos meus, ex-jogadores de futebol. Eles passam por uma situação financeira muito ruim. As diretorias de Remo e Paysandu nunca valorizaram como deveriam os jogadores da “terra”, e foram esses atletas que resolveram na maioria das vezes. Temos várias pessoas que poderiam estar trabalhando nas divisões de base das duas equipes, mas que não recebem nenhum tipo de proposta ou incentivo. As antigas e atuais diretorias da dupla Re-Pa e a direção da Federação Paraense de Futebol têm responsabilidades com a atual situação dos nossos ex-atletas.

O que achas dos garotos que estão aparecendo nos times principais de Paysandu e Remo?

Esses meninos têm um grande potencial. Se eles forem colocados ao lado de jogadores experientes, que os ensinem as “manhas” do futebol, eles têm tudo para se tornarem grandes jogadores.

Mas é preciso ter cuidado para não “queimar” a garotada. O Paysandu quis colocar todos os garotos no time principal, isso não é bom! É preciso mesclar com jogadores experientes, que sejam contratados de fora. Mas essas aquisições têm que ser feitas com consciência e não como os dirigentes sempre fizeram, contratando um monte de gente que vem para cá e não resolve nada.

O que você acha do trabalho nas divisões de base?
Infelizmente as diretorias de Remo e Paysandu não valorizam como deveriam as divisões de base. Esses garotos não têm centro de treinamento, na verdade não possuem a mínima estrutura para se construírem como grandes jogadores. Esses garotos só despontaram porque têm muito talento. (Felipe Melo/DOL)

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