sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

ONDE estão os bobos do mundo do futebol?


O FUTEBOL mundial vive uma nova realidade. E não é de hoje. Admito que relutei para aceitar a máxima que diz: “Não existem mais bobos no futebol.” Refiro-me àqueles times inocentes, que sempre foram presas fáceis das equipes com mais tradição e qualidade técnica. Estes sumiram do mapa e impuseram uma nova realidade no mundo da bola. 

Hoje o futebol prega peças e não só pelo fato de essas equipes “nanicas” terem evoluído, mas também porque as grandes potências regrediram. O futebol está nivelado por baixo. É fato. 

O Mazembe eliminou o Internacional do Mundial de Clubes da Fifa. O desconhecido Tolima derrubou o Corinthians da Pré-Libertadores da América. A Bolívia já goleou a poderosa Argentina, enquanto a Coréia do Sul terminou uma Copa do Mundo na terceira colocação. Existem milhares de exemplos que comprovam essa mudança no futebol mundial. 

No entanto não podemos confundir isso com tradição. Quem é grande, sempre será grande. O Boca Juniors sempre será poderoso, assim como as seleções de primeira linha, por mais que tropecem, sempre serão esquadrões de ponta. As camisas são respeitadas historicamente. 

Só lembrarmos o ressurgimento do Peñarol na última Libertadores da América. A equipe uruguaia voltou ao cenário do futebol sul-americano com o vice-campeonato do torneio continental, porém nunca deixou de ser grande, temida e respeitada. O futebol é assim, seja em qual for o canto do planeta. 

Na nossa realidade, Flamengo, Corinthians, São Paulo, Palmeiras, Vasco, Grêmio e os demais grandes clubes sempre serão equipes de tradição e favoritos nas competições que disputarem. Mas foi-se o tempo em que ganhavam por goleada ou na véspera. O Figueirense atualmente faz frente a estas equipes, assim como Avaí, Ceará, América-MG. Os resultados provam isso... 

O futebol regrediu tecnicamente. Antigamente não tínhamos escassez de craques, tampouco de laterais, meias armadores, os chamados camisas 10. Em outros tempos, estes jogadores brotavam aos montes e em todos os continentes. 

Nos anos 80, apenas para citar alguns, tínhamos uma constelação de meias da qualidade do uruguaio Francescoli (foto), do francês Platini, do brasileiro Zico, do argentino Maradona... Todas as seleções tinham seus craques da camisa 10 e os clubes apresentavam também seus gênios do meio de campo. Hoje não mais. 

Por aqui, Montillo é visto como raridade. Assim como Douglas, que deixou o Grêmio e voltou para o Corinthians, é apontado como um dos últimos moicanos na arte de armar o time de forma cadenciada. O meia clássico, aquele que arma o jogo e faz o time pensar, é artigo raro. Nunca foi assim. Isso prova que a qualidade técnica caiu. Soma-se a isso a evolução, pequena, é verdade, dos centros menos importantes do futebol e explica-se o atual momento do futebol mundial. 

Os chamados bobos do futebol deixaram de existir. Hoje qualquer um com a bola no pé se acha esperto e apto a jogar futebol. E isso é verdade. A realidade é essa, gostem ou não os mais saudosistas. (Blog Salgueiro FC)

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