domingo, 11 de dezembro de 2011

VITOR Birner: licença para falar do Magrão

SÓCRATES nunca enxergou em si mesmo o gênio da bola. Na verdade nem gostava tanto assim de ser Sócrates.

Querido por todas as torcidas, era normal alguém se aproximar para conhecê-lo. Quem chegava rasgando elogios a categoria e estilo refinado em campo, e o chamava pelo nome de batismo, dificilmente conseguia cativá-lo. 

Nas ruas e bares da vida, bastava alguém dizer “ Magrão” e emendar o bate-papo sobre política, música, poesia, amor e futebol, de preferência misturando tudo na mesma panela existencial, para ter diante de si o amigo.

Certa vez, conheceu um pessoal na boteco da Vila Madalena. Conversaram enquanto tomavam algumas e na momento de ir embora convidaram-no para a festa no apartamento de um dos anônimos. No fim da madrugada, horas depois, o Doutor apareceu lá com cervejas. 

A idolatria o incomodava. O Magrão gostava de simplicidade e alegria. As boas relações alimentavam sua alma. 

Parecia ter vindo de outra sociedade. Não ambicionava dinheiro, fama e poder, metas de grande parte dos cidadãos. Tampouco reagia de maneira violenta a nada. A natureza dele impedia agressões físicas ou verbais, vinganças e o desejo de ver alguém mal. 

Tinha outros defeitos, nenhum nocivo ao mundo. Sonhava ver a humanidade feliz e unida. Defendia a educação como principal agente de transformação social. Inúmeras vezes ouvi ele falar em “conscientização” e “ desenvolver o senso crítico”. 

Repare na trajetória íntegra do Magro. 

Abriu mão de todos os benefícios que sua própria história poderia fornecer em troca de manter as convicções puras. 

Se estivesse a fim de entrar no jogo, o líder da democracia corintiana, provavelmente o segundo homem mais popular do período das ‘Diretas Já’, atrás apenas do ex-presidente Lula, teria espaço em partidos políticos e altos cargos do governo. 

Mais que inteligente, o sábio não fazia concessões com verba pública. Conhecia o sistema e continuou a luta de cabeça erguida, caminhando à margem do politicamente correto na terra dos Havelanges, Teixeiras e outras figuras parecidas. 

Acompanhei o futebol do Sócrates desde o Botafogo. Foi maestro, diferente, espetacular, craque!!! Conheci o Magrão faz poucos anos e garanto: o ser humano dava baile no camisa oito.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

MANDA ver um comentário aí!