segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

CRAQUES inesquecíveis: Sócrates


A SÉRIE "Craques Inesquecíveis" do Blog Salgueiro FC chega à camisa 8. E ela tem dono: Sócrates. Não existe um jogo do Magrão que tenha marcado mais minha vida de amante do futebol. Na verdade, minha relação com o doutor foi muito especial desde o início, quando passei a idolatrar o futebol e consequentemente aquele cara alto, magrelo, feio pra caramba, e que insistia em usar o calcanhar para fazer magia com a bola. Que coisa!
 
Costumo dizer aos amigos e inimigos que Sócrates e Zico, nesta ordem, foram os maiores jogadores que vi atuar. Sentia prazer em ver estes dois craques em ação. Porém, com Sócrates a relação era especial, já que ele atuava em São Paulo, na minha cidade, e o Zico era do Flamengo, até então um time dos mais "odiados" por ser quase que imbatível na década de 80.
 
A maior recordação que guardo do doutor são os desenhos que eu fazia dele, sempre com a chuteira e os joelhos machucados, justamente ele que poucas vezes ia ao chão, tamanha classe com a bola nos pés. Mas meus desenhos era sempre os mesmos. Nada de desenhar casinha, sol, montanha... O negócio era bola, repórter entrevistando jogador... E Sócrates estava em todos os desenhos.
 
O doutor foi um ídolo único. Com a bola nos pés, um craque genial. Sem ela, fora de campo, um democrata, que revolucionou a bola. Assisti recentemente uma entrevista do craque, que me emocionou. Senti que a aposentadoria de Sócrates deixou o futebol mais pobre de classe e de ideias.
 
Sócrates contou que ficou um tempo sem comemorar gols pelo Corinthians, após deixar o Pacaembu num camburão da Polícia por causa da revolta da Fiel. O craque peitou a massa alvinegra, que passou a respeitá-lo. Segundo ele, foi a forma encontrada para impor respeito na relação com os torcedores. O craque foi entendido e a partir dali respeitado.
 
Sócrates disputou duas Copas do Mundo (1982 e 86) e não venceu nenhuma. Atuou pelo Corinthians sem nunca ganhar um título nacional, mas entrou para a história do clube. Ele fez história mais pelo futebol do que pelas conquistas.
 
Do irmão de Sócrates, um outro craque, Raí, veio a afirmação um dia: "Meu irmão jogou muito mais que eu. Raí foi mais profissional. Sócrates mais jogador.
 
Acompanhei um dia uma homenagem da diretoria corintiana para ex-jogadores do clube, num dia de sol, no Morumbi. Depois de muito tempo, Sócrates voltou a pisar no gramado do estádio tricolor, seu palco preferido com a camisa do Timão na década de 80. Sentado na pequena área do gol de entrada do estádio, Sócrates permaneceu longos minutos olhando para a torcida corintiana, visivelmente emocionado.
 
Perguntado sobre a homenagem, pediu um tempo aos repórteres, pois queria curtir um pouco mais a torcida. Depois, se levantou e atendeu gentilmente a todos. Porém, antes, uma bola espirrada foi na direção do ex-craque que, de surpresa, matou-a no peito e, antes que ela fosse ao chão, deu um toque de calcanhar, acertando a trave. Foi a prova de que a classe e a genialidade seguem ao seu lado, apesar da barriga e da falta de fôlego.
 
Sócrates se despediu de nós, amantes do futebol, no último dia 4. Um dia triste para o mundo da bola, pois o Doutor estava acima de qualquer paixão clubística. Você faz falta pra caramba, Magrão! Até a próxima!

Quem é ele? Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira
de Oliveira
Posição: Meia
Nascimento: 19/02/1954
Copas: 1982 e 1986
Jogos pela seleção: 63 (3 não-oficiais)
Gols pela seleção: 25 (3 não-oficiais)
Clubes: Botafogo-SP, Corinthians, Fiorentina-ITA, Flamengo e Santos
Títulos: Campeão paulista em 1979, 1982 e 1983, pelo Corinthians; e Estadual do Rio em 1986, pelo Flamengo.
 
(blog Salgueiro FC)

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