segunda-feira, 21 de novembro de 2011

OS NOSSOS super heróis

Antonio Valentim

UM PROFESSOR de inglês, que tive na juventude, colombiano de nome Eduardo, dizia, como recurso didático, sobre seu filho: ‘My son is Brazilian, so he likes football (Meu filho é brasileiro, logo ele gosta de futebol). Ou ‘My son likes football because is Brazilian’ (Meu filho gosta de futebol porque é brasileiro). 
Pelé com a camisa azulina em 1965

Sim. É inquestionável que o futebol corre nas veias do brasileiro. Paixão nacional; o filho nasce e o pai compra logo uma camisa do time de sua paixão. Mas nem sempre a genética atua decisivamente para a escolha de um time para se torcer pela vida inteira e mais seis meses.

Aqui me cabe tentar explicar (eu disse ‘tentar’) a razão de você gostar de um determinado clube de futebol, agremiação partidária ou até mesmo escola de samba (para aqueles que gostam de carnaval). É fato que nós (ou quase todos) temos nossa própria opinião, chegando até mesmo a desprezar as alheias, sobre pessoas, instituições e bandeiras. As ciências que  estudam o comportamento humano na sociedade explicam melhor a questão.

Uma das explicações é que nós, cientes da nossa limitação, porém inconformados com ela, tendemos naturalmente a transferir nossos anseios de força, poderes sobrenaturais e imortalidade a alguém ou a algo. Como é próprio da natureza humana, esses poderes sobre-humanos não teriam sentido sem ser externados. O americano, motivado pela popularização do cinema, e com o escopo de ganhar dinheiro (claro, quase tudo na humanidade tem a motivação material), soube bem explorar esse sentimento, e, inspirado na mitologia antiga, criou os super-heróis modernos e assim chegaram ao nosso dia a dia seres extraordinários como o Super Homem, Batman, Capitão América, Homem Aranha, Mulher Maravilha...

Todos eles do bem, dotados de poderes extraordinários e virtudes como a coragem, a lealdade, o estoicismo, em defesa dos fracos e oprimidos. Como contra-ponto criaram o vilão, aquele homem mau, feio, eternamente mal-intencionado, assassino frio e cruel, que queria sempre dominar o mundo, escravizando os fracos e oprimidos. 

Com o futebol ocorre o mesmo. O seu time é sempre o melhor, enquanto o rival é ruim e freguês. Os jogadores do seu time são bons, enquanto os do rival apenas esforçados porém não o suficiente para ganharem do seu time. Tais sentimentos são extensivos aos outros times, quando estes enfrentam o rival. As cores do uniforme do seu time são as mais bonitas, enquanto as do time rival não. A torcida do seu time, se não for maior, é mais vibrante, mais fiel; a adversária é horrível ou sem-graça.  

É assim. Então, o seu time representa no final essa válvula de escape (para usar um clichê surrado) do cidadão comum, batalhador, e que, diante da impossibilidade de ele próprio ser o super-homem, torce para alguém ou um grupo (o seu time de futebol, por exemplo) derrotar o inimigo, no caso, representado pelo time rival, e assim ele pode festejar, tirando aquele sarro do colega de trabalho, do vizinho, do conhecido. 

E agora, me dêem licença que preciso ir ao escritório passar urgente um fax (estou apertado!).


"Nem que eu tivesse dois pulmões eu alcançava essa bola." (Bradock, amigo de Romário, reclamando de um passe longo)


(postado originalmente no blog DJ Leão em 05mar.2011)


LOUVADO seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

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