quinta-feira, 24 de novembro de 2011

NOSSAS cores

ANTONIO Valentim 

O Rei e o manto sagrado azul
ANTIQUADO, tradicionalista, conservador, retrógrado, careta, chato, mala..., podem chamar-me de todos esses nomes, que eu não ligo. Mas se há uma coisa de que não abro mão no futebol, isso é a cor do uniforme do meu time, aquela tradicional, que, lá na nossa meninice, certo dia não sei quando, me dei conta de que me dizia algo de diferente, de valente, de bonito, de bom, um... um amor, uma paixão inexplicável – ainda tente explicá-la aqui. 

Não tem problema, podem me chamar assim. Eu assumo: sou isso mesmo, esse chato, quadrado, careta, aquele para quem as instituições são sagradas, e seus símbolos imutáveis.  Cor de camisa de clube de futebol – ainda mais sendo o meu – é artigo, para este humilde escriba de ocasião, intocável. Ora, trata-se da característica que mais marca o clube, que identifica o time, um item que dá o tom da agremiação, e sobre a qual seus torcedores, associados e dirigentes jamais deveriam abrir mão.
Marciano e o azul marinho tradicional
          
Juntamente com o escudo, o hino e próprio nome do clube, são como cláusulas pétreas no estatuto do clube, vedadas quaisquer propostas de alteração, ainda que movidas por razões comerciais – normalmente é e$$e fator que determina a mudança. A cor do Remo sempre será o azul marinho do amor à primeira vista daquele menino, lá pelo final da década de 1960. Mas essa cor parece luto? – disseram ao menino, tentando dissuadi-lo, a fim de lhe fazer bandear para outras cores. Não interessa! Talvez a cor me parecesse mais apropriada para o velho esporte bretão, simples, sóbria, sem firulas, adequada a um desporto viril, enquanto as outras cores propostas poderiam, no subconsciente do garoto, estar associadas a bloco de carnaval, festas de criança ou coisa assim. Não sei, mas acho que já estava definido lá no ventre de minha mãe que eu seria azulino. Ou até antes disso. 


Tem gente que passou a torcer pela equipe X porque, quando viu a entender-se como gente, de tanto ouvir dos adultos – pai, mãe, primo, vizinho... –  que este ou aquele time era o bom, o tal, um timaço, que o jogador fulano era um cracaço de bola, enfim; e que o outro rival não prestava. Há outros que simplesmente gostaram do nome do time – a soar-lhe como música de amor aos ouvidos – e esse detalhe acabou sendo fundamental para que passasse a jurar amor eterno por aquela equipe de bola. Outros, ainda, porque o pai é torcedor desde criancinha, razão pela qual o filho decerto não poderia torcer pelo time rival – isso seria uma vergonha, um desgosto familiar. Enfim, há inúmeras razões, algumas explicáveis, plausíveis, outras nem tanto, para que alguém tenha escolhido um time pelo qual iria alegrar-se, sofrer, defender, xingar, chorar, sorrir, lutar, pelo resto de sua vida. Nisso tudo, a cor do uniforme também teve lá a sua influência, não importando se essa cor é bonita ou feia – isso é de foro íntimo, subjetivo, e até mesmo o torcedor do Madureira – se existir um – acha o uniforme do time dele o mais bonito deste mundo. Do Barcelona, então, o que dizer? 


Há camisas de todo o tipo; desde as simples e sóbrias – igual à do Remo – até as exóticas (Palermo), as extravagantes (Madureira, Sampaio Correia, Barcelona...) e  as de duas listras (alvi-rubras, alvi-verdes, auri-negras, rubro-negras, alvi-azuis etc), a maioria verticais e outras, horizontais. Classifico a tradicional alvi-negra vertical, como a do Botafogo, do Atlético Mineiro e do Santos, na categoria ‘sóbrias’. 


Há hoje clubes que vão, aos poucos, mudando de uniforme, tentando acostumar seus torcedores com a nova indumentária, em função da propaganda, ou do marketing, como se diz modernamente. Algumas camisas, outrora intocáveis, sóbrias, estão, com o passar do tempo, mais berrantes, um verdadeiro carnaval; outras, um senhor outdoor ambulante, um samba do crioulo doido. E quanto aos calções, desde que se descobriu que se pode fazer propaganda nos uniformes, estes ficaram tão compridos que mais se parecem a bermudas. 


Quanto aos selecionados de futebol, a regra geral é as cores da bandeira do país representado. Essa é a regra geral; no entanto, há exceções, como a Itália que adotou a camisa azul escura (por que será?), mesmo sendo a sua bandeira verde, vermelha e branca. A Alemanha usa a camisa branca, ainda que inexista essa cor na sua bandeira, mas tudo bem, pois o branco é uma cor neutra. O azul também é adotado pelo Japão, ainda que sua bandeira seja branca com um círculo vermelho ao centro. A própria Argentina, nossos rivais na América, malgrado seu uniforme principal ser aquele listrado horrível devido à bandeira (uma obrigação), adota o azul marinho – esse da cor do nosso Clube do Remo – como seu uniforme opcional. A Escócia também vai bem de azul marinho, igualmente ao da antiga Iugoslávia. Nota-se aí uma preferência pelo azul que vai do escuro ao marinho, desconfio eu que seja pela beleza. Alguém pode me dizer por quê? 


Algumas cores há que, na minha caretice, realmente não caem bem para um time de futebol, ainda mais se esse time for brasileiro. Aquele uniforme do Palermo, por exemplo, somente vinga por ser na Itália. Até o Palmeiras, equipe tradicional, me vem agora com aquele verde igual a lápis marcador de texto – pela mãe do guarda! Se eu fosse palmeirense, não iria aprovar. 


 Existem outros que adotaram as cores de equipes já consagradas no cenário brasileiro, numa espécie de homenagem, como as cores dos times imitadores do Flamengo; o que tem de equipe com aquele rubro-negro horizontal não está no gibi! Para mim, time de futebol é igual gente: tem que ter sua própria personalidade; nada de imitar os outros.   

A verdade é que credo religioso, preferência clubística – mesmo os de uniforme feio, bandeira político-partidária, são assuntos sagrados, de foro íntimo, e cada um gosta, ama, adora o seu. É a nossa opinião, respeitando sempre a alheia.  



Mas que tem cada camisa que é uma doideira, um deslumbre, ah isso certamente tem! Prefiro continuar careta.


Na Bahia é todo mundo muito simpático. É um povo muito hospitalar.”  Zanata, baiano, ex-lateral do Fluminense, ao comentar sobre a hospitalidade do povo baiano. (em 17mar.2011, blog do DJ Leão, Belém - PA, Brasil)

FIQUEM com o bom Deus e...
LOUVADO seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

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