quarta-feira, 5 de outubro de 2011

TORNEIO das incertezas

Gerson Nogueira

PELO SEGUNDO ano consecutivo, o Campeonato Brasileiro inicia a reta decisiva sob total indefinição quanto a favoritos ao título. Vasco? Corinthians? São Paulo? Botafogo? Fluminense? Flamengo? Qualquer um dos seis primeiros (todos de Rio e São Paulo) pode-se considerar no páreo para a conquista do título. A diferença entre o líder Vasco e o sexto colocado, Flamengo, é de míseros seis pontos. 

Do ponto de vista da emoção e do interesse das torcidas, o êxito da disputa é indiscutível, mas do ponto de vista técnico esse equilíbrio todo não é sinal de excelência. Muito pelo contrário. A realidade é que os clubes estão nivelados no comportamento errático ao longo da disputa e nas limitações técnicas de seus jogadores. 

Os seis primeiros os que mais venceram, mas sem sustentar uma sequência de bons resultados que assegure confiabilidade. Quanto ao encanto, é moeda em desuso neste torneio. Aliás, só houve um jogo realmente encantador até agora: aquele Santos e Flamengo na Vila, com vitória rubro-negra por 4 a 3 e show particular de Ronaldinho Gaúcho. 

O Corinthians liderou por mais rodadas, mas é também um dos mais imprevisíveis, capaz de se impor diante de Vasco, Santos, Flamengo e Botafogo, mas de atuações bisonhas frente a adversários mais frágeis. O Flamengo chegou a ameaçar embalar, mas ficou nisso: parou na incrível série de 10 jogos sem vitórias. Ainda assim, aproveitando-se dos ziguezagues inimigos e já encostou novamente no pelotão da frente. 

Neste campeonato com pinta de Rio-São Paulo de luxo, o Vasco desponta como o menos irregular de todos, mas também sujeito a apagões inexplicáveis. Por estar garantido na Libertadores – venceu a Copa do Brasil –, parece mais leve e descompromissado que os demais. Foi também buscar forças extra na união dos jogadores e diretoria a partir do drama envolvendo o técnico Ricardo Gomes.   

O São Paulo, ainda sem contar plenamente com seu maior reforço (Luiz Fabiano), se mantém lá no alto até por força da tradição em certames nacionais e pelo grande elenco. O Botafogo é a imagem mais cristalina da incerteza reinante. Faz bons jogos, ensaia engrenar, mas tropeça nas próprias pernas e frustra seus torcedores. 

Quanto ao Fluminense, campeão de 2010, vem comendo pelas beiradas e já tem a melhor campanha do returno. Mais que isso: tem vencido jogos com valentia, demonstrando força para atropelar nos momentos decisivos. Tem peças de reposição e um técnico experiente (Abel). Dependendo das próximas rodadas, pode se credenciar como novo favorito ao título. Isto se não vacilar, como os demais. (Diário do Pará, Belém, Brasil)

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