domingo, 2 de outubro de 2011

SE ESSA moda pega... (reedição)

Armando Marques
        

RECENTEMENTE se veiculou que um torcedor mineiro ajuizou ação contra aquele árbitro que trabalhou no jogo Corinthians e Cruzeiro, no último campeonato brasileiro de futebol. Na ocasião, faltando três rodadas para o término do certame, o time alvinegro venceu apertado por 1 a 0, resultado bastante contestado pelos mineiros. A diretoria cruzeirense acusou a arbitragem de ter favorecido o Corinthians, assinalando uma penalidade inexistente, com o devido destaque pela mídia como soe acontecer quando se trata de jogo entre cachorros grandes.

Estavam no páreo Corinthians, Cruzeiro e Fluminense, que acabou com o título de 2010. Repercutiu bastante esse jogo, pois estavam em campo dois campeões em potencial e a equipe que perdesse a partida ficaria em situação difícil, dependendo de uma combinação de resultados bastante difícil. A repercussão foi maior pelas circunstâncias do jogo, com aquela penalidade duvidosa em Ronaldo. Outros lances polêmicos também ocorreram, vindo a reforçar as reclamações cruzeirenses. É bom que se diga que para qualquer infração fora da grande área é marcada ‘falta’, dentro da área a mesma infração é ‘pênalti’.

Na mesma rodada, mas no dia seguinte (domingo), Fluminense e Goiás também fizeram um jogo polêmico, com a arbitragem acabando por igualmente interferir no resultado, favorecendo o time tricolor que estava em desvantagem no resultado. Desse jogo não se falou tanto quanto o do dia anterior, mas o certo é que o resultado ajudou bastante o Fluminense, que também foi favorecido por conta da rivalidade regional.

A ação contra o árbitro tramita na esfera judiciária. Ora, se a moda pega, o judiciário iria ficar ainda mais assoberbado com ações como essa que no final não vão dar em nada. Errar é humano, como diz o macaco; ou em dúvida pró-réu, como dizem os juristas. A favor do árbitro, um ser humano que só dispõe de frações de segundo para decidir, sempre se levará em conta o benefício da dúvida. Ações como essa - do torcedor mineiro - provavelmente restarão inócuas, pois sobrecarregam o Poder Judiciário em prejuízo de ações de maior relevância ao povo.

Será que o torcedor mineiro, autor da ação, fica insatisfeito nos jogos em que o seu Cruzeiro é beneficiado pela arbitragem? É óbvio que não. O que dá pra rir dá pra chorar. O mesmo se dá ao torcedor do Atlético, do São Paulo, do Flamengo, do Remo, do Paysandu, do próprio Corinthians...

SE A MODA pega, certamente as pessoas não vão mais se interessar pelo ofício de arbitrar futebol. Sim, porque o futebol, assunto deveras polêmico, uma paixão nacional, não é um ciência exata, e como tal sempre foi grande o risco de se errar contra um ou contra outro contendor. Isso ocorre desde que Charles Miller aportou no Brasil, em 1894, trazendo na mala duas bolas, uma bomba de encher, uniformes e um livro com as regras do esporte.

SE A MODA pega, que tal parar o jogo para todos verem na tevê a repetição do lance (e não só uma vez), e só depois decidir? Foi pênalti ou não, foi impedimento ou não foi? O futebol ficaria monótono em demasia com certeza, perdendo todo o encanto que fez dele um extraordinário sucesso no planeta Terra. Diga-se que tem ex-árbitro comentando na tevê que pede a repetição do lance para poder opinar.

Se a moda pega, que tal acionar judicialmente o jogador que, sob a ótica passional e muitas vezes doentia do torcedor, esteja jogando mal, não correspondendo ao salário que lhe é pago.

Se a moda pega, também poderia ser acionado na justiça comum o treinador incompetente, o dirigente. Por que não? Essas coisas são subjetivas, claro.

O certo é que, ao final do certame, nem Cruzeiro nem Corinthians levaram o caneco. Sinceramente a nossa opinião é que se realmente tivesse esquema para beneficiar o time paulista, os jogos contra Guarani e Vitória (ambos empatados) terminariam com a vitória do Timão, sem chances para Flu e Cruzeiro. Razões houve suficientes para que a arbitragem viesse a favorecer o clube paulista em tais partidas, sem que suspeitas fossem levantadas. Não somos, a bem da verdade, advogado nem dos árbitros tampouco do Corinthians, que nem precisa de defensores. 

Concluímos, então, que, ainda que tenha errado o árbitro naquele jogo contra o Cruzeiro, não acredito que houvesse ocorrido má-fé da parte dele. Os erros de arbitragem – salvo exceções – no esporte mais popular no mundo serão sempre levados para o lado humano. Todavia, há que consideramos a existência de outras influências naturais como a pressão e – por que não dizer – pela força da camisa mesmo (não naturais, neste caso). Jamais seríamos ingênuos ao ponto de afirmar peremptoriamente de que não há nesse metier erros intencionais. Ao contrário, sabemos que há, e infelizmente não tão raros, e é também por essa razão que não se aceita árbitro local para jogo entre Remo e Paysandu valendo (bem, mais este é um assunto para outro dia).

NÃO ACREDITAMOS em bruxas, mas que elas existem, existem.


DINHEIRO é como eletricidade: beneficia os prudentes; fulmina os insensatos.' Dinamor


Boa tarde a todos, fiquem com Deus e...


LOUVADO seja Nosso Senhor Jesus Cristo! 

(postado originalmente no blog DJ Leão em 02mar.2011)

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