sexta-feira, 28 de outubro de 2011

MARX, Freud e Cleverson

Luiz Guilherme Piva


MARX e Freud investigaram e desvendaram grande parte dos desejos masculinos. (Freud até tentou aventurar-se nos das mulheres, mas desistiu. Marx nem tentou.)

Em resumo, para eles o homem se move em busca de dinheiro, poder e sexo. Se conhecessem o futebol, não teriam deixado suas doutrinas tão incompletas. Todo homem, conscientemente ou não, deseja – em alguns casos, acima de tudo – fazer um gol de bicicleta.

E não basta ser como o do Roger, do Ceará, nem como o do Fred, do Fluminense.
Aliás, ambos contra o Coritiba – que, neste aspecto, tem feito sua parte para suprir a carência masculina.
São gols lindos. Mas apenas simulam e substituem, na falta do objeto autêntico, o alvo do desejo.
Falta-lhes algo para a completude. São gols meio de lado, com plástica imperfeita.
É como ser rico, mas não milionário. Ser prefeito, não presidente. Transar, mas não com a Angelina Jolie.
Tem que ser um gol de bicicleta como o do Cleverson, do Avaí, contra o Botafogo.
A bola à altura do ombro, na velocidade certa. A ajeitada com o peito. O pulo no ar. O chute como quem pedala. E a rede estufando.
Isso é fundamental: a rede tem que estufar!
Desde pequeno, treinando saltos na cama, na grama, na água, no pula-pula, na cama elástica, o homem sonha com esse lance.
Pouquíssimos conseguem. Às vezes até ficam milionários, poderosos e namoram mulheres maravilhosas.
Mas falta-lhes o gol de bicicleta.
Ao Cleverson, não.
Isto ele já conseguiu.
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Luiz Guilherme Piva continua treinando. (blog do Juca Kfouri)

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