quinta-feira, 27 de outubro de 2011

HOMENAGEM a Luiz Mendes

Luiz Mendes – Homenagem a uma referência profissional



PEÇO LICENÇA aos leitores para render uma homenagem a Luiz Mendes, uma das referências profissionais deste blogueiro.
Ouvia o “Comentarista da Palavra Fácil” desde criança, primeiro na Rádio Nacional e depois na Globo. Chamava a atenção a ótima voz que saudava o ouvinte com o personalíssimo e agora eterno “Minha gente…”, o tom eloqüente e seguro, o nível cultural acima da média e os comentários sempre fugindo do lugar comum e do óbvio, sem medo de criar polêmicas. Um dos primeiros a falar sobre tática e estratégia.
Em 2009, tive o prazer de entrevistá-lo para o livro “As melhores seleções estrangeiras de todos os tempos”, de Mauro Beting. Mendes recebeu o amigo Wilson Herbert e a mim em seu apartamento e conversou por mais de duas horas, sobre todas as seleções analisadas no livro e também sobre outros temas, como jornalismo esportivo, rádio, TV, Garrincha, João Saldanha, entre outros. Mesmo já debilitado pela diabetes e aparentando cansaço físico, mantinha a memória privilegiada e a paixão pelo futebol praticamente intactas. Mesmo com mais de 60 anos de carreira, seus olhos ainda brilhavam quando falava sobre o esporte bretão.
Luiz Mendes vai, mas ficam os exemplos e as histórias. Vê-lo falar com propriedade sobre a Hungria de 1954, que viu in loco no “Match of the Century” (Inglaterra 3×6 Hungria em Wembley – 1953) e na Copa do Mundo da Suíça no ano seguinte, foi uma das experiências mais marcantes que vivi no futebol.
Por isso compartilho aqui a entrevista, praticamente na íntegra, realizada em julho de 2009 como a homenagem que posso fazer a um mestre que vai fazer muita falta. Talvez nem tenhamos a medida, ainda. Que ele fique em paz, mesmo com nossa saudade.


Papo Firme – Luiz Mendes
Ele tem 85 anos e começou a carreira aos 17. Foi locutor e comentarista. Gaúcho de Palmeira das Missões, veio para o Rio de Janeiro em 1944 e três anos depois estava na Rádio Globo. Em sua longa carreira de jornalista esportivo, só não trabalhou nas três primeiras Copas do Mundo.
Em 1955, participou da inauguração da TV Rio e foi um pioneiro na mídia esportiva na televisão, criando programas como o “TV Ringue” e a primeira mesa redonda da história, a “Grande Resenha Facit”, na qual era o mediador e tinha na bancada jornalistas como João Saldanha, Armando Nogueira e Nélson Rodrigues. Trabalhou também na TVE e nas rádios Nacional e Tupi. Desde 2001 é “o comentarista da palavra fácil” na Rádio Globo.

Jornalismo Esportivo
Eu vejo o atual jornalismo esportivo com um pouco de preocupação. Porque se criaram uma lei para que se estudasse Jornalismo nas Faculdades de Comunicação, a profissão deveria ser respeitada. Mas não é. Ex-jogadores e ex-árbitros de futebol são os comentaristas de hoje no lugar de jornalistas e, entre outros tantos erros, matam a Gramática. Não são todos, mas a grande maioria agride o bom Português. Nem isso levam em consideração. Os jornalistas que estão surgindo acabam prejudicados. Alguns conseguem entrar na SporTV e em outros canais e são realmente muito bons, promissores. Com boa presença e conhecimento. Outros são fracos. Hoje em dia não se exige que se tenha uma boa voz, nem no rádio nem na TV. Antes uma boa dicção era exigida aos profissionais.
Na época em que ainda não existiam as faculdades, nós adquiríamos na prática. Mas tínhamos o registro de jornalista, era obrigatório. Eu só pude ser contratado como locutor da Rádio Globo quando me registrei no Ministério do Trabalho. Antes, na minha carteira de trabalho constava “auxiliar de escritório” como função, embora ocupasse o microfone. O diploma era o do “prático licenciado”, digamos assim.
O grande responsável por este movimento de ex-jogadores que passaram a ocupar os microfones foi o Luciano do Valle, quando foi para a Bandeirantes nos anos 1980. E fez um grande mal ao jornalismo esportivo. Os meninos entram para a faculdade sonhando em se tornarem comentaristas e encontram a passagem tapada por esses ex-atletas. A meu ver é um problema legal.
A juventude atual é frouxa. Ela tinha que ir para as ruas protestar! Quando quiseram colocar o Fernando Collor fora do governo, eles foram para as ruas com as caras pintadas. Por que não fazer um movimento que obriguem as emissoras a contratarem os jornalistas formados? As organizações os aceitam como estagiários, mas na hora de contratá-los, mandam embora e aí vem o ex-jogador para ocupar o lugar.

Rádio
O rádio precisa construir o seu próprio futuro. Quando fugiu do formato da televisão ele conseguiu ser diferente. Antes era musical, tocava discos o dia inteiro e tinha programas com os cantores, rádioteatro…Mas a TV tomou conta. Aí o rádio investiu em notícia e esportes. E aí a TV veio e dominou também. Hoje o futebol é dominado pela televisão.
Mas isso é compreensível. A TV está pagando e ela faz com que o seu produto fique atraente ao grande público. E com esse domínio, o rádio tem que tentar fazer diferente para voltar a crescer. Eu acho que a cobertura do futebol poderia ser mais séria, mais sóbria. Mas ela procura o povão. Ela anuncia cerveja, refrigerante e outros produtos baratos. Ninguém anuncia geladeiras ou automóveis. Eu vejo como uma falsa impressão essa de quem as classes mais baixas são as que ouvem mais rádio.
O rádio tem a desvantagem de ser muito barulhento, tem muito ruído na transmissão. E a TV também comete alguns erros que o rádio poderia se aproveitar. Se a TV fosse perfeita, o narrador não precisaria gritar “Gooool!”, já que você está olhando para ela. No rádio o grito de gol é como uma sirene para alertar o ouvinte. Eu acho ridículo os escândalos que os narradores de TV fazem, principalmente nos gols da seleção brasileira. Quando eu narrei na TV eu fazia diferente. É lógico que você tem que falar o que está acontecendo, mas não precisa dizer, por exemplo, que o zagueiro tirou de cabeça. Ora, você está vendo a jogada! E tem coisas absurdas que são ditas tanto no rádio quanto na TV, como “bater na zaga”. A bola para bater na zaga teria que tocar em três ou quatro jogadores, dependendo da formação tática. A bola bateu em um dos zagueiros! São erros básicos!
A TV é um rádio fotografado. Alguns locutores vibram tanto ou mais do que os do rádio. As rádios precisam se reinventar. A Rádio Globo inventou a “Maria Chuteira” e outras coisas. É uma boa tentativa. Um dia eu espero que apareça um gênio com a “fórmula mágica”.

Garrincha
Se Frank Sinatra era “A Voz”, Garrincha era “O Drible”. A maior atuação individual em uma Copa do Mundo foi a do Garrincha em 1962. Nem o Maradona em 1986 o superou.
Ele chegou ao Botafogo com 20 anos de idade depois de ser reprovado em todos os testes. Na maioria das vezes, nem o deixavam entrar em campo ao olhar para aquelas pernas tão tortas. Só que o Arati, na época jogador do Botafogo, foi apitar um jogo em Pau Grande em 1953 e viu o Mane jogando. E no primeiro treino ele arrebentou, driblando o Nilton Santos várias vezes, mas não entre as pernas como contam por aí. Até porque o seu drible era sempre o mesmo, dando um “tapa” na bola na direção da linha de fundo. Como o seu joelho era torto, já pendendo para o lado, ele ganhava um segundo em relação ao marcador, que tinha que mudar a posição do corpo para correr. Todos sabiam, mas ninguém conseguia tirar a bola dele. Só com pênaltis, mas os juízes não marcavam porque desde sempre marcar pênalti a favor do Botafogo é muito difícil! (risos)

Zico
O Zico foi um jogador espetacular, mas sem sorte na seleção. E na sua melhor Copa do Mundo ele nem foi considerado o melhor brasileiro, e sim o Falcão, que foi Bola de Prata da FIFA. Em 1986 ele não devia nem ter ido, estava quebrado. Dava pena ver o Telê conversando com ele como se fosse um inválido. O Zico não pode ser responsabilizado por nada em 1986, porque ele nem deveria está lá. No pênalti perdido contra a França ele fez um belo lançamento para o Branco, que deveria ter sido o cobrador, pois batia forte na bola. O Zico estava frio.
Mas eu acho que sei porque ele insistiu para cobrar. No jogo anterior, contra a Polônia, o Brasil fez 4 a 0 e o último gol foi de pênalti, marcado pelo Careca, que cobrou, muito mal aliás, com a autorização do Zico, que já estava em campo. Os jogadores voltaram para o hotel e eu fui para lá esperá-los. No saguão, eu fiquei sentado em um sofá e a Sandra, esposa do Zico, ficou em outro ao lado. Quando o Zico chegou ela nem o cumprimentou, beijou, nada! Falou logo: “Por que você não bateu o pênalti?” O Zico: “Não, eu deixei o Careca bater porque ele está lutando pela artilharia.” Ele rebateu: “Não tem nada que deixar! Quem tem que bater é você! Fica botando azeitona na empada dos outros!” Foi uma bronca daquelas! Então na hora do pênalti contra a França ele deve ter lembrado da bronca que levou. (risos)

Europa x América do Sul
Meus netos vieram para cá para ver Barcelona x Manchester United comigo e ficaram maravilhados com o futebol jogado. Só que os times europeus, por mais estrelas que tenham e por melhor que joguem, normalmente perdem para os times brasileiros. O Internacional ganhou do Barcelona em 2006 e dois anos depois ganhou, em pré-temporada, da Internazionale em Dubai.
Isso acontece porque o nosso futebol é jogado com a bola na frente e tem muito mais velocidade. Os passes dos brasileiros são sempre no “ponto futuro”, como dizia o Cláudio Coutinho. O dos europeus é de pé em pé, bonito de ver, mas eles sempre perdem um ou dois segundos, pois tem que dominar para depois passar. No gol do Internacional, o Iarley dominou, esperou a passagem do Gabiru e passou a bola. Foi um típico gol do futebol brasileiro. Muitos cronistas daqui escreveram que o Barcelona tinha dado um banho de bola no Internacional. Realmente o futebol do time espanhol era mais plástico, mas o Inter foi muito mais eficiente.
A grande vantagem dos sul-americanos sobre os europeus é que os jogadores daqui não têm ensinado os de lá a jogar com o passe em profundidade. O Ronaldinho no Barcelona deixava o Eto’o toda hora na cara do gol sempre com assistências desse tipo. Mas acho que eles não aprenderam. Pior é o jogador brasileiro que vai para a Europa e passa a jogar como eles.
Eu peguei a época em que no Brasil existia o “platinismo”, que era o intercâmbio com uruguaios e argentinos nos nossos times. O América chegou a ter oito “platinos”. O Vasco teve três. E eram os mais hábeis. Os brasileiros não tinham tanta habilidade e aprenderam com os “platinos”, assimilando aos poucos o estilo. E eles mantiveram isso. Veja a habilidade do Conca, por exemplo.
A grande vantagem do Brasil no continente é ter negro no time. Não tem raça com mais aptidão para os esportes. É por causa da flexibilidade, do chamado “jogo de cintura”. E nem sempre o branco a tem, principalmente se for descendente de europeu. Os holandeses já são diferentes. E eles têm muitos negros, vindos da Guiana. Gullit, Rijkaard, Winter…O Van Basten era branco daquele jeito, mas era da Guiana. Por isso ele tinha aquela malemolência. Se a Guiana disputasse o campeonato na América daria trabalho! Uma vez me mandaram um VT de um jogo na Guiana e o goleiro fez um gol driblando todos os adversários. Aquele sim foi um gol de goleiro e não aquele que o chute é empurrado pelo vento.
Hoje os argentinos e os uruguaios são quase tão habilidosos quanto os brasileiros. Os andinos progrediram bastante, mas ainda não chegaram ao nível desses três.

FIFA
A FIFA protege muito o futebol europeu. Quando o Brasil organizou a Copa de 1950, a CBD mandou uma carta para a FIFA perguntando qual era a metragem oficial para os gramados. A resposta: 110 x 75 m. Que são as medidas do Maracanã e do Mineirão. A do Serra Dourada é uma das maiores do mundo: 118 x 80. Quase um latifúndio! (risos) E a FIFA aceita no máximo 120 x 90.
A partir do Mundial de Suíça ele mudou para 105×68 m. O Manga na Copa de 1966 batia na bola e a jogava na área do adversário em jogos internacionais. No Maracanã ela só atingia o grande círculo. Para quem joga marcando é muito mais vantajoso. Eles fazem tudo para neutralizar a superioridade técnica dos sul-americanos.
Lá eles não respeitam os 9,15 m de distância da barreira. No máximo 6m. Por isso eles não adotam o spray. Eu até sugeri que os árbitros levassem uma trena para o campo, daquelas que disparam num toque e medem 10m. Com um passo para trás você está na distância correta.

Arbitragem
Eles são pusilânimes porque fazem média. A arbitragem aqui no Rio é lamentável. Hoje os melhores estão no sul do país.
Eu não gosto do Vuaden. Para mim ele apita com uma regra própria. Uma vez me pediram para fazer uma análise da arbitragem dele em uma partida, mas eu disse que não poderia, porque eu simplesmente não conheço as regras que ele usa. Eu costumo chama-lo de “Avuaden” (risos).
Nós não chamamos mais os árbitros de “juízes”, porque os juízes de Direito protestaram. Mas em campo eles são efetivamente juízes. E eles precisam ter humanidade. Eu acho errado o árbitro expulsar o jogador por duas faltas que mereceriam apenas o amarelo. Se não machucou, não foi um antijogo declarado, não tem que expulsar! O vermelho é o castigo máximo! É aí que o juiz tem que ter benevolência e sabedoria. Como Salomão, que diante de duas mulheres que diziam que eram a mãe de uma determinada criança, falou que resolveria cortando-a ao meio e dando uma metade para cada uma. A que protestou mais rapidamente e com mais veemência ficou com a criança.

Torcidas
Ninguém torce e distorce mais do que os torcedores. Esse nome foi criado pelo Coelho Neto porque os homens levavam para os estádios, especialmente nas Laranjeiras, uma espécie de palheta como chapéu e as moças iam com luvas. Com o calor, elas as tiravam. E no decorrer do jogo os homens torciam suas palhetas e as mulheres suas luvas. E o Coelho Neto aproveitou o “gancho”.

João Saldanha
O João Saldanha achava que todo cabeça de área era um “brucutu”, um “cabeça-de-bagre”. Todos eles! Em 1981 estávamos em Goiânia com a seleção e ficamos no mesmo quarto do hotel onde estava hospedada a seleção. Nós éramos muito amigos e só eu aturava sua tosse à noite e o seu hábito de fumar a qualquer hora. (risos) Os jogadores haviam sido liberados para defenderem seus clubes na rodada do Brasileiro. O Batista me chamou num canto do restaurante e me pediu que ligasse a TV no jogo do Internacional contra o Palmeiras e obrigasse o Saldanha a vê-lo que ele iria mostrar que sabia jogar. Eu disse para o Saldanha, que retrucou: “Isso não joga nada! Nem vou perder meu tempo vendo esse cabeça-de-bagre!” E não viu mesmo! Mas eu assisti e o Batista, jogando mais à frente, como segundo homem do meio-campo, fez uma atuação primorosa, marcou dois gols e o Inter enfiou 6 a 0 no Palmeiras. Quando ele voltou, me perguntou se o Saldanha havia visto e ficou desapontado quando respondi que não. O João era muito teimoso!

Mauro Galvão
Foi um dos melhores zagueiros do futebol brasileiro. Ele era muito influenciado pelo Figueroa, que era considerado o melhor zagueiro do mundo em sua época e o Mauro Galvão estava nas divisões de base do Internacional. Mas só copiava no estilo, porque o chileno era muito mais forte e alto. O Mauro saía muito bem do chão e nunca dava chutão, sempre saía jogando com categoria. Era tão bom que chegou a jogar no meio-campo do Bangu em 1987.

Seleção Brasileira
Nós aqui mudamos o significado das palavras. Aqui se um time ganha cinco títulos em anos alternados é considerado pentacampeão. Pior é ainda é quando os campeões mundiais de 2002 dizem que são pentacampeões! O Zagallo tem quatro títulos mundiais, mas ele foi apenas bi como jogador em 1958/62.

Campanhas sócio-torcedor
Aqui tem mais clubes do que no Sul. Mas o sucesso de Grêmio e Internacional tem um aspecto cultural forte. O povo no Rio Grande do Sul em geral é mais culto, até pela colonização alemã e de outros países da Europa. E também tem mais poder aquisitivo. Aqui no Rio e em SP quem acompanha futebol é mais o “zé povinho”. Ser sócio de um clube custa dinheiro. E é mais fácil lá porque só tem dois clubes grandes. Antes tinha o Cruzeiro, que também era grande e chegou a ser campeão estadual em 1929. Tinha um distintivo parecido com o de Minas Gerais. Eu até sugeri a eles que continuassem com o futebol profissional, mas com o nome com “do Sul” no final, até pela constelação. E ficaria geograficamente correto. (risos)
Os clubes daqui do Rio têm uma enorme desvantagem por não possuir um estádio decente. Só o Vasco da Gama e agora o Botafogo com o Engenhão. Só que o público ainda não descobriu o caminho do Engenhão. Nenhuma torcida lotou o estádio, nem a do Flamengo quando jogou lá. O público já tem o hábito de ir ao Maracanã. E lá tem o problema do acesso, porque ninguém quer ir para lá de trem, que seria o ideal pois deixa na porta. Mas o carioca destruiu os próprios trens e acha que andar neles é atestado de pobreza. Agora é a Supervia que administra, mas antes eles se chamavam “trens suburbanos”, o que por aqui soa muito pejorativo. E é um meio de transporte maravilhoso, pois transporta com segurança e rapidez. Mas o pessoal gosta de andar de carro e aí quer estacionamento fácil e complica tudo.
Essas questões regionais são interessantes. Quando o Oto Glória retornou de Portugal ele foi treinar o Grêmio e disse: “Sempre tive vontade de trabalhar na província.” Quase o mataram! (risos)

Pontos Corridos
Eu gosto porque o melhor, ou um dos melhores, é o que vence a competição. Eu não gosto é dos três pontos porque empate é derrota e eu acho injusto. O time que está invicto com sete empates perdeu mais pontos do que ganhou, faturou apenas 1/3 dos pontos.

Janela de transferência
É lógico que prejudica os nossos clubes e o futebol no país! E eles levam os jogadores cada vez mais cedo. O Grêmio tinha um lateral-direito ótimo, o Felipe Mattioni, um colosso de jogador, mas que jogou muito pouco entre os profissionais e foi parar no Milan. Assim como os dois laterais gêmeos do Fluminense, Fábio e Rafael, foram para o Manchester United. E já jogam no time de cima!
Tinha que existir um dispositivo legal, que não ferisse a Constituição, que não permitisse a saída até os 21 anos. Mas não dá para brigar com o direito que todos possuem de ir e vir, não é? A própria FIFA podia intervir porque o futebol de alguns de seus afiliados está sendo prejudicado, como Brasil, Argentina e Uruguai. Mas ninguém quer atirar a primeira pedra.
O nosso campeonato perde demais, porque quando um jogador está se firmando no time ele é negociado.

Empresários
Eu fui fazer a abertura do curso de treinadores no Orlando Peçanha, que eu faço todo ano. Um sujeito muito gentil se ofereceu para me trazer em casa, dispensando o táxi pago por eles, e eu aceitei. Nós viemos conversando no caminho e me deu o seu cartão. Eu coloquei no bolso sem olhar e continuei conversando. E ele me perguntou o que eu achava do futebol atual. E eu falei o que penso: que o que causa mais prejuízo ao futebol atual são os empresários. Quando cheguei em casa e olhei o verso do seu cartão estava escrito “agent of players”. Sem saber eu o esculhambei. (risos) Mas se permitem que eles ganhem dinheiro com os jogadores não estão cometendo nenhum crime. Não há ilegalidade.
Eu mandei um menino muito bom de bola para o Renê Weber quando estava no América. E ele me respondeu que não podia fazer nada por ele porque não tinha empresário e o clube só aceitava jogadores empresariados. Se aparecer um novo Pelé ou Garrincha sem empresário, o que os clubes vão fazer?

Hungria 1954
Foram eles que criaram o aquecimento antes das partidas. Os brasileiros os viram entrar suados no campo e não entenderam nada. Com isso, faziam dois gols nos primeiros minutos em todas as partidas.
Dizem que os alemães jogaram dopados com um remédio que era vendido nas farmácias chamado Pervitin, que foi inventado para que os soldados da Segunda Guerra Mundial não dormissem no front. Eu tomei uma vez para passar duas noites seguidas acordado cobrindo Carnaval para a TV Rio. Depois você sentia uma forte depressão e continuava por insônia durante uns dias. Mas funcionava. Naquela época não existia exame antidoping e eu acredito que muitos jogadores tenham feito uso de Pervitin para correr mais.
A chuva também atrapalhou muito os húngaros. Os alemães eram “bois zebu”, jogavam um futebol rústico, mas viraram o jogo.
A Hungria fez um gol legítimo no final do jogo com o Puskas e o juiz anulou. A Suíça é 80% alemã. Lá eles falam o romanche, que não é um idioma oficial, o francês, e o italiano. Mas a grande maioria fala alemão. No estádio tinha muita gente torcendo para a Alemanha. E acho que o árbitro acabou se deixando levar. Quem tem mais torcida acaba levando vantagem.
Eu era o único radialista brasileiro no estádio, porque a Rádio Globo vendeu cinco jogos indiscriminadamente para os patrocinadores. Como na terceira partida o Brasil foi eliminado, as outras emissoras encerraram seus trabalhos e eu fiquei. Fiz o Hungria x Uruguai e depois a decisão, na maior cadeia de rádio que se fez no país. O comentarista era o Benjamin Wright.
Eles não jogavam em WM como os outros. Na verdade, os jogadores não guardavam posições. Nas partidas, nós víamos coisas que não eram comuns na época, como um jogador com a bola no meio-campo e outro passando correndo, como se estivesse sem rumo. Mas quando ele chegava em um determinado pedaço do campo, a bola lhe chegava certinha. Quem fazia esses lançamentos era o “center half”, o Bozsik. Todos os movimentos pareciam combinados. Era realmente um time sensacional, coletivamente muito superior aos demais times da época.
O Puskas foi um dos maiores jogadores que eu vi jogar. Tinha um domínio de bola espetacular. E era gordo. Ao olhá-lo, você não dizia que ele tinha físico para ser um jogador de futebol. Tinha também uma mobilidade muito grande e era ambidestro, embora chutasse melhor com a esquerda do que com a direita.
O Zezé Moreira ligou para mim e perguntou se eu iria cobrir o treino dos húngaros antes do jogo contra o Brasil. Acabamos indo juntos, ele com uma credencial de jornalista que eu consegui “emprestado” de um colega. (risos) Ele chegou lá com um boné para despistar e fomos assistir ao treino. Atrás de uma das balizas onde eles treinavam tinha uma casa com uma varanda grande, onde os jogadores ficavam brincando antes de irem para o campo. O Puskas sentou em uma cadeira de balanço e um companheiro começou a balançar. Pois ele pegou duas bolas e começou a fazer embaixadas com uma em cada pé! (risos) E não deixou elas caírem, mesmo sendo balançado! O Zezé ficou impressionadíssimo!
Eles cravavam um dardo no gramado e colocavam um jogador atrás do dardo. E o Puskas treinava lançamentos com a bola fazendo um efeito quando estava quase na direção do dardo e indo no pé do companheiro logo atrás. Ele fez isso umas dez vezes! O Zezé virou para mim e disse: “Como é que eu vou ganhar destes caras?”
Outra coisa que impressionava era a cabeçada do Kocsis, que parecia uma cortada de vôlei, com violência e para baixo.
O Brasil só tinha uma chance de vencê-los: ter um driblador, como o Garrincha nas duas copas seguintes. Só o improviso dos dribles desmancharia aquele esquema.
O Uruguai só perdeu para a Hungria porque o Victor Andrade, zagueiro uruguaio que, inclusive, era o único mulato do time, saiu para trocar as chuteirsa na prorrogação. E era ele que estava marcando o Kocsis, artilheiro húngaro e que viria a ser o goleador máximo do Mundial. Neste período, sem marcação, ele fez os dois gols da vitória.
Para mim não foi exatamente uma surpresa, porque eu já tinha visto eles jogarem em Wembley contra a Inglaterra um ano antes. Eu fui enviado pela Rádio Globo para fazer aquele amistoso, que terminou 6 a 3 e foi um verdadeiro espetáculo dos húngaros que assombrou o mundo.
Eles eram como o Santos do Pelé: faziam e levavam muitos gols. Era um esquema que pouco se preocupava com a defesa. Um jogador se desprendia da retaguarda para o ataque e ninguém se preocupava em cobri-lo.
No primeiro jogo, a Alemanha utilizou um time misto e levou de 8 a 3. E o engraçado é que eu falei brincando para os colegas que estavam lá que naquele dia tínhamos visto o campeão mundial. E eles perguntaram: “Os húngaros?” E eu respondi: “Claro que não! Os alemães!” E todos riram. Nessa brincadeira eu acabei, sem querer, fazendo uma profecia. (risos)
Houve uma reunião na véspera do jogo contra a Hungria na concentração da seleção brasileira e, como naquele tempo não havia muitos jornalistas por lá, fomos todos convidados. Teve até uma feijoada! Onde já se viu servir uma feijoada aos jogadores um dia antes de uma partida decisiva? (risos) E tinha um orador mineiro chamado Adelchi Ziller, que falou em nome da imprensa. E ele disse que os brasileiros eram obrigados a vencer um país comunista para vingar os mortos de Pistóia! Vejam que absurdo! E aí o João Lira Filho, que era o chefe da delegação e um grande orador, tentou tirar a chuteira da pátria, amenizando o discurso, mas não conseguiu. Ficou aquele clima…

Inglaterra 1966
Se a Copa não fosse na Inglaterra, eles não teriam vencido. Ali o fator campo decidiu. Porque o time alemão era melhor. Portugal também, mas jogou mal contra a Inglaterra na semifinal, com o Eusébio muito bem marcado, e mereceu ficar de fora. O time português era muito auto-suficiente, achava que podia vencer quando bem entendesse. Tanto que fez aquele jogo duro contra a Coréia do Norte e, depois de levar três gols, conseguiu virar no segundo tempo para 5 a 3.
Os ingleses saíram direto do WM para o 4-3-3 e depois o 4-4-2 em 1966. Eles nunca jogaram no 4-2-4. Os talentosos eram os dois Bobbies: Charlton e Moore. O resto marcava bem, jogava coletivamente e alguns até tinham boa técnica. Mas tinha um jogador chamado Stiles, o camisa 4, que era um tremendo carniceiro! Ele usava dentadura e eu fui assistir a um treino da Inglaterra e o vi sem a dentadura. Ele só tinha os caninos! (risos) Parecia um vampiro! E como batia! Da sobrancelha para baixo tudo era canela! (risos) O Jack Charlton, irmão do Bobby, também batia muito, assim como o Moore, que gostava de dar “tostões” nos adversários.

Holanda 1974
Eu não sabia muita coisa da seleção holandesa propriamente, mas em 1973 eu fui nas férias com minha esposa visitar um casal de amigos que morava na Holanda. Eu andei por lá de trem e vi vários campos de futebol, todos muito bem cuidados, mantidos pelo Estado. A cada quatro campos, uma casa onde morava o funcionário do governo que cuidava. Quem quisesse jogar lá, era só marcar dia e horário, dizer os nomes dos times e pagava uma quantia apenas para a manutenção.
E, depois, na zona urbana, vi campos pequenos nos condomínios, entre os edifícios, para as crianças treinarem. Eu vi das janelas os garotos jogando e percebi que eles levavam jeito. Fiquei pensando: “A seleção deles deve ser boa!” Acabei indo ver o clássico de lá na época: Feyenoord x Ajax em Rotterdam. Foi 1 a 0 para o Feyenoord e eu vi um futebol muito bem jogado. Quando cheguei aqui, comecei a falar do bom futebol dos holandeses, comparando o estilo com o da Hungria de 1954.
O Feyenoord já usava a estratégia do impedimento e de “matar” a jogada. Foram eles que criaram esse recurso de parar o jogo com “faltinhas”. Não foram os gaúchos, como muitos gostam de dizer e acusavam o Felipão.
Depois da Copa, em 1976, o Internacional trouxe este conceito para o Brasil. O Marinho Peres tinha jogado no Barcelona com o técnico holandês e aprendeu a comandar a linha de impedimento. O Internacional ganhou o Brasileiro daquele ano jogando assim. O João Saldanha dizia que era “linha burra” e eu retrucava dizendo que de “burra” não tinha nada, quando bem executada, obviamente.
A Holanda foi uma evolução do “escrete húngaro”, com uma preocupação um pouco maior com a defesa. Mesmo indo lá um ano antes, eu não podia imaginar que eles fossem jogar aquilo tudo na Copa.
Dizem que o Zagallo não viu a Holanda jogar, e ele realmente desdenhou publicamente a “Laranja Mecânica”, mas ele assistiu ao jogo deles contra o Uruguai em Hannover.
Naquele Mundial nós podemos dizer que a Holanda “invadiu” a Alemanha. Em todos os jogos da seleção holandesa você via aquele mar de camisas “orange”, como eles chamam.
Perderam porque a Alemanha usou bem o fator campo na decisão e antes soube usar a tabela quando perdeu para a Alemanha Oriental na primeira fase para fugir do Brasil e da própria Holanda na etapa posterior.

Alemanha 1974
Indubitavelmente era um time muito superior ao de 1954. Eles tinham o Gerd Muller, que foi o maior artilheiro da História das Copas até ser superado pelo Ronaldo em 2006.
O Beckenbauer já havia jogado muito em 1970, principalmente na semifinal contra a Itália, que para mim foi o maior jogo da história das Copas, com uma espécie de tipóia no braço.

Itália 1982
Itália 3×2 Brasil está entre os maiores jogos que eu vi em Copas, mesmo jogando naquele pardieiro que era o estádio do Sarriá.
O Telê Santana era muito meu amigo. Aliás, quem não era amigo do Telê? Nós éramos muito próximos desde os tempos em que ele jogava no Fluminense. Quando ele veio ao Rio com o Atlético-MG em 1971, eu o encontrei na garagem do Maracanã e disse a ele que seu time seria o campeão brasileiro, porque realmente era a melhor equipe. Tempos depois, eu aproveitei que ele estava no Rio e o convidei para uma festa de aniversário da Deise. Ele veio com a mulher dele e disse que lembrava com carinho daquela conversa que tivemos e que passou a acreditar mais no que eu falava depois daquilo. (risos)
No Mundial da Espanha, a seleção brasileira não vinha jogando tão bem como falavam. Contra a Nova Zelândia, 4 a 0 foi muito pouco, tamanha a disparidade entre os times. Tinha que ter enfiado uns nove gols neles! Contra a União Soviética ganhamos com a ajuda da arbitragem, porque o Luisinho cometeu dois pênaltis que não foram marcados: um ele derrubou o adversário e no outro tocou com a mão na bola. Então eu fui cobrir um treino da seleção, já para o jogo contra a Argentina na segunda fase, e encontrei o Telê junto com o preparador físico Gilberto Tim. Ele me perguntou se seria campeão mundial. Eu disse, com a mesma sinceridade de 1971: “Você pode ser campeão, mas antes tem que corrigir o posicionamento defensivo. Seu time com a bola é maravilhoso, mas sem ela deixa muito a desejar.”
O grande ponto fraco era o Luisinho, que o Telê adorava porque jogava no Atlético-MG. Ele tinha esses “mineirismos”, essa mania de transportar para a seleção o jogador de sua confiança no clube. Só que na seleção, especialmente em Copas do Mundo, “o buraco é mais embaixo”, como dizia o Saldanha. Assim como foi com o Elzo em 1986, que foi titular na Copa e depois não jogou em mais nenhum time, porque era muito fraco. O Luisinho era muito técnico, sabia sair jogando, mas não era jogador de seleção. O zagueiro para jogar com o Oscar naquele time era o Edinho, que tinha porte, jogava sério e era líder. Para piorar, o Júnior era lateral-esquerdo, mas não marcava ninguém. Jogava maravilhosamente bem com a bola nos pés, mas não cumpria suas funções defensivas. Tanto que quando foi jogar na Itália virou meio-campista.
Só quando o Batista entrava o Brasil tinha marcação no meio-campo. Mas o titular era o Toninho Cerezo, que era um ótimo jogador, mas muito “peladeiro” para ser o volante à frente da defesa. Ele foi o grande responsável pela derrota para a Itália, porque além de falhar no segundo gol do Paolo Rossi, não dava segurança nenhuma para a defesa brasileira. O time não tinha esquema de marcação.
O Enzo Bearzot viu o jogo do Brasil contra a Argentina e percebeu a deficiência na marcação da defesa brasileira pelo lado esquerdo, com o Luisinho e o Júnior, e abriu o Bruno Conti, que era habilidosíssimo, para fazer as jogadas por ali. Foi uma bela manobra tática. No entanto, depois do jogo, na coletiva dos treinadores, o Bearzot foi aplaudido pela vitória quando chegou, mas quem ganhou dez minutos de aplausos foi o Telê, mesmo sendo o derrotado. Eu estava lá e depois cheguei à conclusão que os jornalistas estrangeiros são como os nossos: acham que o futebol plástico e bonito que é o bom. Só que tática faz parte do futebol!
O futebol italiano realmente não era bonito, embora aquela seleção tivesse jogadores muito bons, como o Antognoni, que era um meia preciso nos passes, o Conti, o Scirea, que era um belo zagueiro e jogava muito bem como líbero. E o próprio Paolo Rossi, que era um jogador de muita habilidade na grande área. O Nilmar lembra muito o Rossi: franzino, pequeno, mas muito preciso nos arremates. Ele nunca chutava a esmo. Não era um craque, mas era muito bom. A Itália jogou um futebol de boa marcação e muito objetivo.

Argentina 1986
Aquele time não era só o Maradona. Tinha o Burruchaga, que era um jogador de dupla função: marcava e atacava muito bem. No gol do título, ele recebe o lançamento do Maradona na ponta direita. O Valdano também era excelente! O Brown, que jogou no lugar do Passarela, também era forte e técnico. O Pumpido também era bom goleiro. Ele teve uma enorme infelicidade , quando quase perdeu o dedo da mão em um treino ao prender a aliança em um prego que segurava a rede. Nunca mais foi o mesmo.
A performance do Maradona nesta Copa foi notável. Mas ele foi beneficiado pelo desenvolvimento dos meios de comunicação, transmitindo as imagens para o mundo todo. Por isso muitos o consideram o melhor de todos os tempos. Só que eu e outros mais antigos viram outros grandes craques do passado ao vivo. Inclusive argentinos. Para mim, o maior jogador argentino de todos os tempos foi José Manuel Moreno, um craque da década de 1940 que jogava no River Plate e foi prejudicado pelos problemas que os argentinos criavam com a FIFA e abriam mão de participar das Copas do Mundo. Porque não sediaram a Copa de 1930, eles não foram para as de 34 e 38. Quiseram sediar a de 1950 e tinham até mais estádios do que nós. Como não conseguiram, não vieram para o Brasil, nem à Suíça. Só voltaram em 1958, mas seu futebol estava muito debilitado pelo êxodo de seus principais jogadores para a Colômbia.E os jogadores foram para a Suécia e viviam na farra, perdidos pelos bares. No último jogo, tomaram de 6 a 1 da Tchecoslováquia, uma vergonha! Tentaram a de 1962 e o Chile é que venceu a eleição para país-sede. Só em 1978, em um período conturbado no país, com ditadura militar, é que eles conseguiram sediar um Mundial. A FIFA tinha muita má vontade com os argentinos.
Mesmo perdendo a Copa, o Maradona seria reconhecido como o melhor de sua geração. Em 1978 já cobravam a sua presença na seleção. E ele poderia ter ido, pois tinha os mesmos 17 anos do Pelé quando foi campeão em 1958 e já era um excelente jogador, tanto que foi campeão mundial de juniores no ano seguinte como o maior craque. E foi o melhor de sua geração porque foi um pouco melhor do que o Zico. E ganhou um Mundial, o que faz uma diferença considerável.

França 1998
Antes da final, eu assisti ao jogo deles contra o Paraguai. E o Zidane não tinha me impressionado. Ele dava bons passes, mas na minha concepção, passe é o fundamento menos complicado no futebol, embora os jogadores os errem aos montes. Mas aí é ruindade mesmo. Eu joguei futebol até os 16 anos e não errava passes. Como sabia que não era um craque, pois não era bom driblador nem chutador, tentava não errar o mais simples.
E os passes do Zidane naquela Copa eram simples. Ele não dava trivela nem colocava efeito na bola como, por exemplo, o Didi e o Gérson. E pouco chegava para o arremate.
Contra o Brasil, a minha experiência diz, embora não possa provar, que houve alguma sabotagem com o Ronaldo. Na comida ou na água. E ele não devia ter jogado. O Zagallo fez mal ao escalá-lo naquelas condições. Era melhor ter escalado o Edmundo. E foi isso que decidiu aquela final, pois atingiu brutalmente o estado de espírito dos brasileiros. Tanto que quando houve a trombada dele com o goleiro francês todos correram desesperados pensando que ele poderia morrer.
Essas sabotagens acontecem no futebol com mais freqüência do que imaginamos. O Maradona mesmo contou em um programa de TV que deram uma água “batizada” para o Branco em 1990. Foi uma confissão pública! Em 1948, houve uma decisão de Estadual entre Botafogo e Vasco em General Severiano. O Vasco era o “Expresso da Vitória” e o Botafogo tinha apenas um time certinho, mas que não tinha condições de vencer o então campeão sul-americano. No vestiário dos visitantes tinha uma porta falsa. O Copacabana, massagista do Botafogo, entrou por ali e colocou sonífero no café que ficava em uma garrafa térmica e também pó de mico nos uniformes. Os vascaínos entraram com sono e se coçando em campo. O Botafogo venceu por 3 a 1 e foi campeão. O Vasco acusou a sabotagem e o Bota não assumiu a culpa, mas também não negou. (risos) Mas nada ficou provado, apesar das evidências.
O futebol francês sempre foi técnico, desde 1958. Eles imitavam o nosso estilo, tanto que a seleção francesa de 1978 foi apelidada de “Os Brasileiros”. Eu assisti ao jogo Argentina 2×1 França em 1978 e os franceses, apesar da derrota, tinham sido superiores. Agora não. Eu tenho visto na TV jogos do campeonato francês e acho muito fraco. E também não gostei do jogo deles contra os paraguaios em 1998. Eles venceram na prorrogação com um gol casual do Blanc, mas o Paraguai não merecia ter perdido. E é incrível pensar hoje que ali estava “nascendo” o campeão mundial. Jogaram muito mal.
Na final eles tomaram conta do jogo. Mas o Brasil não foi o mesmo, estava muito apático. Aquela partida foi tão estranha que quando eu saí do estádio para o hotel, o taxista me afirmou que os brasileiros tinham recebido dinheiro para entregar o jogo. Mas eu não acredito nisso. Desconfio mais de sabotagem. (blog Olhar Tático, de André Rocha)

QUE DEUS o tenha em Sua glória, oh da Palavra Fácil!

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