segunda-feira, 31 de outubro de 2011

HIGHLANDER fala sobre passado

A SEQUÊNCIA da série 'Toque de Ídolo', produzida pelo Portal ORM, procurou o atacante que recebeu o apelido do herói nômade, que deixava sua marca por onde passava. Edil 'Highlander', que vestiu e foi reverenciado - ou 'temido' - com a camisa 9 de Paysandu, Remo, Tuna e Castanhal, falou sobre a atual situação do futebol paraense e lembrou das características da sua época de jogador para projetar o que pode acontecer em um futuro próximo no mundo da bola.

Com 23 anos de carreira como atleta profissional de futebol - como ele mesmo se intitula -, Edil tem na bagagem o peso de ter sido artilheiro do campeonato paraense por quatro vezes e ainda estar em quarto na lista dos maiores artilheiros da história do campeonato paraense, empatado com Cabinho, com 24 gols marcados. Ele foi enfático ao responder qual seria o maior problema do futebol paraense.

'Os dirigentes dos clubes daqui ficaram parados no tempo. Quer dizer, eles pioraram ainda mais! Antes, na minha época de jogador, diretores e presidentes viajam para o interior para acompanhar campeonatos interioranos com o objetivo de trazer jogadores. Isto revelou vários craques vindos de Breu Branco, Viseu, Vigia e tantos outros municípios. Não sei porque parou, mas, se naquele tempo já se achava o futebol paraense amador fazendo o mínimo, imagina fazendo ainda menos?'.

Edil, o andarilho

Outro aspecto apontado por Highlander como um verdadeiro 'câncer' que impede o crescimento do futebol estadual é a profissionalização 'precoce e errada' de jogadores da categoria de base.

'Muita coisa mudou mesmo para pior. Hoje em dia, garotos de 16 e 17 anos dão um chutezinho e já pensam que são profissionais. O problema é que os treinadores acreditam nisso e lançam esses garotos, principalmente, em momentos de muita tensão. Isso queima o moleque, que, mesmo assim, por sua vez, pensa que é craque absoluto e fica pedindo salário alto. Em toda a minha carreira, o maior salário que ganhei foi de 6 mil reais e sempre suei a camisa. Infelizmente, não se vê mais isso atualmente. Tem gente que está começando e pensa que pode chegar atrasado ou ir para festas para beber e fumar. Por isso, digo que fui um atleta profissional e não um jogador de futebol. Há muita diferença nisso!', ressaltou.

Sobre os clubes em que jogou no Pará, Edil disparou sua opinião e, antes de falar, avisou: 'Não tenho medo de falar nada porque não devo a ninguém, pelo contrário, até hoje ainda tem gente que me deve. A minha opinião é só uma e eu não sou de ficar em cima do muro'.

Paysandu (1986, 1987, 1990, 1992, 1995, 2000 e 2001) - 'Um treinador de fora agora não vai resolver nada. O Édson chegou e ainda teve um tempo para arrumar a casa, mas se o Lecheva já possui o grupo na mão, era ele quem deveria ficar no cargo. Não adianta trazer técnico, seja qual for, se o grupo estiver dividido. Não tem as mínimas condições de subir para a Série B nesta situação'.

Remo (1991, 1996, 1997 e 1998) - 'A preparação com os jogadores da base é o caminho certo para o Remo, mas o Sinomar sabe que vai pegar pedreira quando vier a pressão de um jogo oficial. Por isso, mais uns quatro ou cinco jogadores experientes precisam ser contratados, porque só a garotada não vai ter estrutura para suportar a bronca', disse e frisou: 'Entre estes jogadores experientes, um tem que ser o fera, mas o fera mesmo com um currículo de peso, que chame a responsabilidade do jogo para si e acalme a todos.

Tuna (1994) e Castanhal (2000 e 2001) - 'Os dois têm os melhores trabalhos de categoria de base do Pará, sendo que o Castanhal tem o melhor e maior CT (Centro de Treinamento), com seis campos só para treinos. Eles preparam seus jogadores dentro dos seus clubes e ainda fazem peneiradas no interior. Os experientes são contratados para orientar os moleques acerca do que acontece dentro do campo e os preparam para deixá-los com a moral alta mesmo depois de um jogo ruim, em que a torcida e a imprensa vão querer pegar no pé dele. Lógico que eles ainda pecam na falta de investimento e na falta de visão de mercado, por isso ficam na pindaíba todo tempo, mas, sobre categorias de base, são os melhores'.

No final da entrevista, Edil 'Higlander' resolveu abaixar a guarda típica do personagem e revelou: 'Fui ao Baenão para participar da preliminar do amistoso entre Remo e Tuna e fui embora dali muito triste. É muito ruim ver aquela torcida tão carente de ídolos, de gols, de alegria. Naquele momento, vi a real situação do futeol paraense como um todo. Estamos necessitados disso!', lamentou. (Portal ORM)

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