sexta-feira, 20 de abril de 2018

TODO dia era dia de índio!

Homenagem da escola de minha filha Alice Maria ao dia do índio (arquivo pessoal)

VIVÍAMOS aqui neste território. Éramos felizes -- nós, homens, mulheres, crianças e velhos -- na nossa vida de caçar, pescar, plantar, dançar, enfim, viver a vida simples. Éramos nós e as praias, os rios, as florestas, as serras, o Sol, a Lua, o orvalho e a chuva, animais, tudo de bom que Tupã fez para nós.

Um dia chegaram de repente a este rincão do planeta uns homens estranhos. Quem eram? O que queriam? Eram deuses? Ficamos atônitos, embevecidos por aquelas visitantes que chegaram pelo grande mar.

Eram diferentes de nós, mais altos, pela clara e usavam sobre o corpo algo que depois conhecemos por roupa. Trouxeram objetos para nós, só podiam ser bons. Mas depois soubemos que queriam em troca a nossa madeira e as nossas mulheres.

Mais tarde chegaram outros homens e a nossa madeira, já exaurida, não mais lhe interessava. Agora queriam os metais. Outros deles foram ficando, uns poucos chegaram com sua família, a maioria deles vieram sozinhos e aqui formaram um povo mestiço. Tomaram nossas terras, e até hoje, vamos sempre indo, indo de uma terra para outra, fomos nos afastando das praias. Os dos nossos que ficaram, foram mortos por esses homens que se diziam nossos amigos.

Ao mesmo tempo trouxeram outros homens, também diferentes de nós, mas percebemos que vieram forçados. Sua pele não era branca como dos de antes, sim escura, mais escura que a nossa. 

E da união desses homens, mais a gente que aqui estava desde sempre e mais os homens e as mulheres (principalmente as mulheres) que vieram de além-mar, formou-se um povo que conhecemos hoje por brasileiros. Brasileiros de Brasil, que era a madeira, produto que primeiro eles levaram, e que tinha uma tintura da cor de brasa, era o Pau Brasil. A terra de Vera Cruz, de Santa Cruz, acabou por virar Brasil, por ironia ou por essas certezas da vida o nome do país veio de um produto da exploração.

Hoje não temos mais a terra de nossos antepassados. Como o homem preto de além-mar, tivemos que nos adaptar à vida desses homens estranhos que um dia aportaram nas nossas praias. Não nos restou outra opção a não ser nos adaptarmos precariamente à vida de nossos visitantes.
Fonte: Internet

Hoje não sabemos porque somos infelizes, porque nos embriagamos.

Naquele tempo sim, éramos felizes porque todo dia e o dia todo era dia de índio.

L.s.N.S.J.C.! 

terça-feira, 17 de abril de 2018

O DIREITO penal e a presunção da inocência!

DIREITO penal em evidência e garantias penais em “alta”. Porque não se aproveitar disso, dançar conforme a música e “de quebra” angariar alguns votos? O tão falado uso político do Direito Penal ataca mais uma vez. Na última semana, o Senador Lasier Martins (PSD-RS) protocolou projeto de lei nº 166/2018[1] para alterar o art. 283 do Código de Processo Penal Brasileiro.
Senador Lasier Martins, PSD-RS (fonte: Internet)


No seu projeto, o Senador, em uma tentativa frustrada de ludibriar o art. 5, inciso LVII, da Constituição Federal, propõe a reforma do artigo 283, CPP, de modo que determina que ninguém será tratado como culpado até o trânsito em julgado da sentença penal condenatória, entretanto, poderá cumprir a pena imposta a partir da condenação em segundo grau. Ou seja, eu digo para Maria que ela não é culpada e não será tratada como, mas Maria irá para o Presídio mesmo assim, afinal o Tribunal assim o entendeu independentemente que anteriormente tenha sido considerada inocente ou que futuramente venha a ser. De modo que Maria é e não é culpada ao mesmo tempo, uma vez que não pode ser tratada como, mas deverá executar a pena. Entendeu? Não? Nem eu.

A situação acima narrada nada mais é do que um Projeto de Lei construído as pressas com objetivo meramente eleitoreiro e de difícil, se não impossível, aplicação, demonstrando, mais uma vez, como o Direito Penal vem sendo utilizado politicamente pelos Poderes Públicos.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

MAURO Santayana!

O grande vencedor


Fonte: Internet


A CADA VEZ que alguém divulgar uma notícia fake na internet sabendo que no fundo, intimamente, está mentindo miseravelmente e não passa de um canalha vil e desprezível... . 

A cada vez que cidadãos que dizem se preocupar com a Liberdade, a Nação, o Estado de Direito e a Democracia, assistirem passivamente à publicação de comentários econômicos, jurídicos e políticos mentirosos, e a outras calúnias e absurdos na internet, mansa e passivamente, sem resistir nem responder a eles... 

sábado, 14 de abril de 2018

FELIPE Pena!

Os homens de bem e o puteiro

Juiz Sérgio Moro e ministra Carmen Lucia homenageados em casa de prostituição (fonte: Internet) 

OS HOMENS de bem comemoram a prisão de Lula em um puteiro. No ritual macabro, o dono do bordel amarra uma funcionária, arranca sua calcinha e torce seu pescoço na frente de outros homens de bem que bebem a cerveja servida de graça pelo cafetão.

No alto da imagem que rodou o país, como a ungir aquela entidade satânica, lá estão as fotos emolduras da presidente do STF e do juiz Sergio Moro. Duas fotos para um mesmo retrato. O retrato do país onde os homens de bem que aplaudem a tortura de prostitutas nuas em praça pública são os mesmos homens de bem que condenam a nudez de uma exposição de arte nas galerias de um museu.

Os homens de bem estão no puteiro da sala de casa, em frente à TV, berrando contra o personagem gay da novela e relativizando o assassinato da vereadora negra e favelada. Os homens de bem não querem a lei. Os homens de bem querem o cassetete, o tiro, a porrada, a bomba.

Os homens de bem não querem saber de provas. Querem condenar. Para os homens de bem, não importa se Lula é culpado ou inocente, não importa se o processo foi acelerado, não importa se a constituição foi rasgada.

Para os homens de bem, primeiro a gente tira a Dilma, depois...

Depois a gente tira o Temer, mas o congresso não deixou.

Depois a gente tira o Aécio, mas a Carmen Lúcia não deixou.

Depois a gente tira o Renan, mas o Gilmar não deixou.

Depois a gente tira o Alckimin, mas ele tem foro privilegiado, é outra história.

Pois é. O foro acabou, mas a procuradora não deixou. Mandou tudo para o TRE e retirou o processo da lava-jato.

Os homens de bem não se importam em ter uma justiça seletiva. Os homens de bem ignoram as malas do Rodrigo Temer Loures, as contas na Suíça do José Serra, os esquemas do João Dória, todos livres, leves e soltos. Os homens de bem são bem simples: eles só querem jogar Lula do avião.

E, se possível, jogam também a Gleise, a Manuela, o Boulos e todo aquele povo do nordeste que mama nas tetas do bolsa-família, com 85 reais por mês. São vagabundos, não são homens de bem para os homens de bem.

Para os homens de bem, a justiça é um puteiro. Mas não é um puteiro comum. É um puteiro supremo, com direito a suingue e chicotada, com tudo. E o que eles gostam não é de um simples ménage à trois, mas de um 6 a 5, bem gostoso, como nas melhores putarias.

Putarias do bem, é claro.

(Felipe Pena é jornalista, escritor e professor da UFF. Foi diretor da Rede Globo e comentarista da GloboNews)

JUIZ não é deus!

Juíza é processada por debochar de advogado em rede social

Fonte: Pragmatismo Político

A JUÍZA Anna Paula Gomes Freitas, responsável pela 2ª Vara Criminal de Tangará da Serra, no interior do Mato Grosso, valeu-se de suas redes sociais para, durante os questionamentos de um advogado, postar fotos no stories debochando do profissional.

Em uma postagem, a juíza sorri de canto para foto com a legenda: “Aquela satisfação quando da pergunta idiota vem uma resposta que é tudo que a defesa não queria ouvir”. A foto irritou a OAB/MT, que afirmou ter ingressado na Corregedoria do Tribunal de Justiça do Mato Grosso para que a conduta da magistrada seja apurada. As informações são do site VG Notícias.

Em outra foto, Anna Paula afirmou: “aquela falta de paciência que vai dando quando a audiência é estressante o advogado começa a fazer pergunta idiota!”.

Em sua rede social, o Presidente da Seccional do Mato Grosso da Ordem dos Advogados do Brasil, Leonardo Campos repudiou o ocorrido, classificando a atitude da magistrada, ao fazer “comentários desnecessários” e que nada contribuem para a efetiva distribuição de justiça, como “extremamente infeliz”.

Para Campos, que anunciou ter ingressado na corregedoria do Tribunal contra a magistrada, “a pertinência da pergunta é avaliada pelo advogado que traça toda uma estratégia de defesa” (Pragmatismo Político, acesso em 14abr2018)


A Justiça é para todos!?

L.s.N.S.J.C.!

sexta-feira, 13 de abril de 2018

MILTON Nascimento conta como o racismo despertou sua consciência política!

EM 2010, Milton Nascimento recebeu honraria que poucos conseguem. Junto a 37 líderes espirituais da Nação Guarani-Kaiowá, foi batizado como Ava Nheyeyru Iyi Yvy Renhoi [Semente da Terra]. Ele celebra o significado do nome em seu novo espetáculo, que vem rodando o Brasil desde o ano passado. De volta a São Paulo, o artista se apresenta neste sábado (7), no Espaço das Américas.




O nome de batismo Guarani – concedido para pouquíssimas pessoas nascidas fora da tribo – surgiu a partir da percepção que os índios tiveram ao olhar uma foto de Milton. Nenhuma das lideranças o conhecia ou sabia de sua importância. Na ocasião, ele se apresentava em Campo Grande para comunidades indígenas e sul-mato-grossenses.

Depois de uma discussão fechada de quase duas horas, caciques e pajés – que estavam num dos camarins – entraram no palco durante o show de Bituca – apelido que recebeu ainda criança por fazer um bico quando contrariado, numa referência aos índios botocudos – e fizeram o batizado ali mesmo, no palco. “Semente da Terra”, nome de batismo concedido pelos índios, foi, então, também o nome escolhido para sacramentar o retorno de Milton aos palcos.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

JORGE Amorim!

Lula, Getúlio e os cafetões do jornalixo


Fonte: Internet


GANGUES midiáticas apressam-se para adotar a retórica do fato consumado, na esperança que essa espúria prisão de Lula decretada por um juiz abandidado dure pelo menos até que o petista esteja impedido de disputar as próximas eleições.

Dois dos rufiões mais abjetos dessa corja, homiziados em algumas dessas pocilgas, praticantes do mais torpe jornalixo aqui praticado, até celebram a profecia de um deles, que afirmou estar Lula mais próximo da cadeia que do Palácio do Planalto.

Apologistas do day after, deviam lembrar das preocupações do general japonês Yamamoto, semblante dissidente da euforia de sua armada logo após o massacre de Pearl Harbor.

O prudente general falava em despertar de gigante adormecido. Não há gigante que acorde mais enfurecido que um povo lesado em sua boa fé e na descoberta que estava fazendo papel de trouxa.

Lula , hoje, como Getúlio em 1950, poderá ter a prisão que lhe foi imposta pelo golpismo sórdido como ponto de partida pra sua arrancada triunfal a um terceiro mandato. O Ocorrido em São Bernardo, no final de semana último, é apenas um trailler daquilo que pode ser o filme da conjuntura política daqui pra diante. (Na Ilharga, acesso em 10abr2018)

Lula é hoje o maior líder brasileiro de toda a História.

Lula livre; Lula presidente!

L.s.N.S.J.C.!


terça-feira, 10 de abril de 2018

LULA entra na História sem renunciar à vida!



QUE Lula há muito tempo deixou de ser homem e se tornou uma instituição é consenso à direita e à esquerda. O que está em jogo, em disputa, é o significado da instituição, o que ela representa. Lula é o maior corrupto da história do Brasil ou a principal liderança popular que esse país já teve?

A disputa está aí. No atual estado da situação não sobrou muito espaço para meio termo. Ou é uma coisa ou é a outra. Cada um que escolha seu lado.

Na condição de instituição, todo gesto de Lula tem dimensão simbólica, é lido e interpretado por todos, por detratores e admiradores. Lula pega o microfone e o país paralisa em frente à TV. Os admiradores choram. Os jornalistas a serviço da mídia hegemônica silenciam. Ninguém fica indiferente a uma instituição desse tamanho.

Lula sabe perfeitamente que está sendo observado, conhece muito bem o tamanho que tem e explora com extrema habilidade sua capacidade de fabricar símbolos.

Aqui neste ensaio, trato de uma parte muito pequena da biografia de Lula, mas que talvez seja, na perspectiva simbólica, a mais importante. Talvez seja até mais importante que os oito anos de seu governo.

Falo das 34 horas em que Lula esteve no sindicato dos metalúrgicos, sob os olhares do mundo, construindo a narrativa de seu próprio martírio.

Não falo em “resistência”, pois desde a condenação no Tribunal da Quarta Região, em 24 de janeiro, que o destino de Lula já estava selado. Os advogados cumpriram sua função, recorrendo a todas as instâncias e tentando um habeas corpus, mas todos já sabiam que Lula seria preso.

Por isso, seria ingênuo dizer que o que aconteceu em São Bernardo do Campo foi um ato de resistência. Lula é um político experiente demais para resistir em causa perdida.

Alguns companheiros e companheiras, no auge da emoção, tentaram usar a força. Lula fugiu da custódia dos trabalhadores e se entregou à Polícia Federal, pois sabe que contra o braço armado do Estado ninguém pode. Lula sabe que aqueles que ali estavam eram trabalhadores e trabalhadoras, pais e mães de família. Não eram soldados. Não eram guerrilheiros. A resistência não era possível.

domingo, 8 de abril de 2018

AMANHÃ vai ser outro dia!

Chico Buarque: Apesar de Você, 1970




HOJE você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão
A minha gente hoje anda
Falando de lado
E olhando pro chão, viu
Você que inventou esse estado
E inventou de inventar
Toda a escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar
O perdão

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Eu pergunto a você
Onde vai se esconder
Da enorme euforia
Como vai proibir
Quando o galo insistir
Em cantar
Água nova brotando
E a gente se amando
Sem parar

Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros, juro
Todo esse amor reprimido
Esse grito contido
Este samba no escuro
Você que inventou a tristeza
Ora, tenha a fineza
De desinventar
Você vai pagar e é dobrado
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Inda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria
Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença
E eu vou morrer de rir
Que esse dia há de vir
Antes do que você pensa

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia
Como vai se explicar
Vendo o céu clarear
De repente, impunemente
Como vai abafar
Nosso coro a cantar
Na sua frente

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai se dar mal
Etc. e tal

sexta-feira, 6 de abril de 2018

MAURO Santayana!

Agora Inês é morta e a democracia assassinada, só falta enterrar!



UM CAIXÃO de pinho está barato

Custa pouco mais de 500 reais, embora o Campo da Esperança – nunca um nome foi tão apropriado – informe que houve reajuste na tabela e o preço do jazigo de uma gaveta tenha saltado de R$ 638,50 para R$ 668,89 e que a locação de uma capela para velório padrão 1 – o que quer que queira dizer isso – passará a custar R$ 253,34 e não mais R$ 241,83.

Considerando-se a condição física e de saúde da falecida, podem também servir, à moda nordestina e graciliana, apenas alguns sacos – que poderão ser costurados por quem a isso se habilite – desses que se encontram, todas as manhãs, nas caçambas de lixo, desde que não tenham sido furados pelos ratos e pelos pombos que ali comparecem para tomar a sua primeira refeição ao amanhecer.