sábado, 18 de agosto de 2018

PRESO mais um "cidadão de bem"!

Empresário flagrado com menina de 13 anos é mais um "cidadão de bem"


Nas redes sociais, Fabian Neves dedicava seu tempo quase que exclusivamente para exaltar Jair Bolsonaro, vociferar "contra a corrupção", o "perigo comunista" e posar ao lado da esposa em viagens no exterior. Na vida real, o empresário estuprava uma menina de 13 anos



Pedófilo Fabian Neves dos Santos é fã incondicional de Bolsonaro (reproduzido do Facebook)


Kiko Nogueira, DCM



PRESO em flagrante por estuprar uma menina de 13 anos em Manaus, o empresário Fabian Neves dos Santos, 37, vai para a cadeia.
A juíza Patrícia Chacon, da Vara Especializada em Crimes Contra a Dignidade Sexual de Crianças e Adolescentes, decretou preventiva de 30 dias.

Fabian e a tia da garota, que responde por aliciamento, haviam sido detidos no último dia 7 num motel. Em sua camionete Hilux foram encontrados 10 mil reais em dinheiro, que seriam usados para o programa.

“A criança contou que essa tia falava que ela ia apanhar caso não mantivesse relações com os homens que ela conseguia. A vítima era obrigada a se prostituir”, contou a delegada Joyce Coelho.

Ele é dono de uma companhia de segurança, a Forte Vip. Em dezembro de 2016, atrasou salários de seus funcionários e foi chamado de empresário-ostentação pelo site Portal Holofote.

Alegando prejuízos à sua imagem e honra, foi à justiça para tentar censurar a publicação. O juiz negou.

Fabian também se definia como “cidadão de bem” nas redes sociais, da mesma maneira que o professor de biologia Luís Felipe Manvailer, acusado de atirar a esposa do quarto andar, e Denis Furtado, o Doutor Bumbum.

Sua empresa tem contratos com o poder público. Nas redes sociais, aparece em fotos com a mulher em barcos e em viagens no exterior. O perfil dele ainda não foi apagado e pode ser visto aqui.

Chama a atenção a quantidade de posts em apoio a Jair Bolsonaro. Num deles Fabian elenca as qualidades que admira em seu candidato: “a moral, os bons costumes e os valores cristãos”.

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

15 DE AGOSTO, um dia para ficar na história!

Brasília, 15 de agosto de 2018: Manifestantes de esquerda mobilizados para o registro da candidatura
 de Luís Inácio Lula da Silva ao cargo de presidente da República. (fonte Internet)

AGOSTO é encarado tradicionalmente como o mês do azar, má fama que aumentou na história política brasileira desde que foi nesse mês que Getúlio Vargas foi levado ao suicídio (no dia 24) pela campanha maledicente e golpista da direita; e foi nele também que Jânio Quadros tentou montar um golpe, que não deu certo, e sua renúncia à presidência da República ocorreu no dia 25 de agosto.

Mas esta quarta-feira, 15 de agosto, contraria essa má fama e pode trazer recordações mais positivas, alegres e alvissareiras. Esta data fica marcada por uma vitória histórica para a democracia, os democratas e patriotas em nosso país. Nunca na história do Brasil, o simples pedido de registro de uma candidatura a uma disputa eleitoral mobilizou tantas pessoas e teve tanta repercussão política. 

Brasília viveu hoje um clima de festa cívica. O pedido de registro da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência da República pela coligação “O Povo Feliz de Novo”, formada por PT, PCdoB e PROS, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) foi acompanhado por mais de 50 mil pessoas que se manifestaram em frente ao tribunal – muitos deles integrantes das três colunas que, na sexta-feira (10), partiram, a pé, de cidades nas redondezas da capital federal – as colunas Ligas Camponesas, Prestes e Teresa de Benguela. Milhares de manifestantes que, nas ruas de Brasília, fizeram as vezes dos milhões que, em todas as cidades pelo pais, lutam pela democracia e o direito de Lula disputar a eleição de outubro.

O ex-presidente Lula da Silva se encontra há 100 dias injustamente aprisionado em Curitiba. E mesmo assim lidera as pesquisas de opinião para a eleição presidencial de outubro, e exaspera a direita e os conservadores cujos candidatos não decolam, rejeitados pelos brasileiros.

A luta alcança um novo patamar. A bandeira que agora se impõe é garantir a candidatura de Lula, que os setores conservadores tentarão impugnar, num esforço típico da direita de vencer no tapetão pois sabem que, nas urnas, perdem... E, garantido o nome de Lula na tela da urna eletrônica, acelera-se a luta pela conquista do voto dos brasileiros. As pesquisas de opinião indicam um rumo profícuo – o esforço será para transformar estas previsões eleitorais em resultado concreto e final, elegendo pela quinta vez, desde 2002, um presidente comprometido com a democracia, o desenvolvimento do país, o emprego e a renda dos trabalhadores, e a soberania nacional. E este presidente tem nome e sobrenome: Luiz Inácio Lula da Silva. (Portal Vermelho, acesso em 17ago2018)

"Todo poder emana do povo".

L.s.N.S.J.C.!


quinta-feira, 16 de agosto de 2018

SUPERANDO preconceitos, quilombola gradua-se em medicina!


O jovem resolveu contar um pouco de sua história



Fonte: Pragmatismo Político


SEIS longos anos se passaram desde a minha aprovação em Medicina na UFS Campus de Lagarto, e com a proximidade da colação (faltam exatamente 100 dias) resolvi compartilhar um pouco da minha história.

Eu, João Santos Costa, negro, quilombola, filho de lavradores, nascido e criado na roça, filho do meio e integrante de uma família humilde composta por 11 irmãos e rodeada pela pobreza, chego ao fim de uma enorme batalha!

Atualmente com 24 anos de idade, sou oriundo da cidade de Simão Dias-Sergipe, nascido e crescido no povoado Sítio Alto, uma comunidade autodeclarada quilombola, formada por descendentes de escravos e que desde sua criação foi assolada pela pobreza e por precárias condições de vida e moradia. Desde criança já sabia que para poder melhorar a minha condição social e a da minha família teria que sair do paradigma que era comum onde eu morava (trabalhar na roça para prover o sustento) e me aventurar no mundo da educação e do conhecimento.

Leia também:

https://www.abodegadovalentim.com/2018/02/piauiense-e-o-mais-jovem-doutor.html

https://www.abodegadovalentim.com/2018/05/doutor-dorival.html


quarta-feira, 15 de agosto de 2018

JOSÉ Luís Fevereiro!

Por que votei no Cabo Daciolo em 2014

Cabo Daciolo (fonte: DCM)


DIZEM que filho feio não tem pai, mas isso só vale para os fracos. Votei e fiz campanha para Daciolo nas eleições de 2014. Conheci o cabo Benevenutto Daciolo em 2011 quando ele surgiu como a principal liderança do movimento dos bombeiros do estado do Rio de Janeiro.

Os bombeiros recebiam de salário base R$1.198 no Rio enquanto em Brasília o piso era de R$3.453. O movimento buscava um piso de R$2.000 de imediato e a aprovação da PEC 300 que estabelecia um piso nacional salarial para Bombeiros e Policiais Militares. O movimento surpreendeu a todos com a extraordinária organização e imediatamente contou com a solidariedade da população.

Milhares de bombeiros marchavam pelas ruas, sempre fora dos seus plantões para não serem acusados de motim, gritando suas palavras de ordem e parando para rezar e pedir o apoio de Deus com frequência. Compreensivelmente é uma categoria com forte religiosidade sendo na sua maioria evangélicos. Afinal, para nadar 200 metros mar revolto adentro para resgatar alguém de afogamento, ou entrar em um edifício em chamas para salvar uma criancinha no terceiro andar é preciso acreditar que Deus está no comando. Só na racionalidade e no profissionalismo é mais difícil.

O Governador Sergio Cabral reagiu com a truculência habitual prendendo administrativamente mais de 400 bombeiros após estes terem pacificamente ocupado o Quartel Central e os chamou de “vândalos”. Esta decisão foi o rastilho para deflagrar um amplo movimento de solidariedade da população para com os bombeiros. As fitas vermelhas nos carros eram a marca do movimento e se espalharam por todo o estado. Ali começou o declínio de Sergio Cabral no Rio. Os partidos da esquerda, em particular PSOL e PSTU , apoiaram decisivamente os bombeiros e passaram a ser a referência para a vanguarda dirigente do movimento.

Para a esquerda se apresentava pela primeira vez em décadas a oportunidade de ter uma parcela militante e uma liderança de massas numa corporação militarizada, em geral base da extrema direita e de Bolsonaro. Preso novamente em 2012 quando voltava da Bahia – onde tinha ido se reunir com lideranças do movimento da PM local há época em greve – Daciolo é expulso da corporação, sendo mais tarde anistiado.

Em 2012, Daciolo apoiou Ciro Garcia do PSTU a prefeito do Rio de Janeiro. Naquela altura, estava claro para a vanguarda do movimento a necessidade de levar para o terreno da politica a luta da corporação. A PEC 300, que estabelecia piso nacional unificado para policiais e bombeiros, mudança no regulamento militar acabando com as prisões administrativas por exemplo, eram causas que se resolveriam no terreno da disputa politica . Bombeiros e PMs são os únicos funcionários públicos que podem ser privados da liberdade sem processo judicial bastando uma decisão administrativa do comando da corporação.

Os bombeiros fundaram a ABMERJ, uma associação profissional já que não têm direito á sindicalização, onde debatiam temas caros à esquerda como a desmilitarização das suas corporações. Bandeira difícil de ser levada sem mediações pelas condições objetivas em que estas corporações vivem. Se o regulamento militar lhes proíbe a sindicalização e os submete a prisões administrativas, por outro lado lhes garante porte de arma o que possibilita fazer bicos fora dos plantões, sem os quais a sobrevivência com salários ínfimos seria difícil, e garante também a passagem à reserva remunerada com 30 anos de serviço ou com vencimentos proporcionais a partir de 10 anos.

Estive em atividades de formação politica promovidas pela ABMERJ, onde, por exemplo, se debatia a Coluna Prestes e se falava nos cerca de 7000 militares perseguidos pela ditadura com passagem compulsória para a reserva ou com tortura e prisões. Muita gente da esquerda tem falado sem o menor conhecimento de causa sobre o processo que levou Daciolo a se candidatar a deputado federal, comprando pelo valor de face matérias de jornal que atribuem a sua candidatura a “um calculo eleitoral mal feito pelo PSOL”.

Na campanha de 2014, Daciolo foi duramente combatido nas redes sociais pelo Bolsonarismo que “alertava” a tropa que votar no Daciolo era eleger Jean Wyllys e os defensores dos “direitos humanos de bandidos”. Pessoalmente, sempre tive certeza que Daciolo se elegeria. Se alguém se surpreendeu com sua eleição não fui eu. Era uma aposta, sabíamos dos riscos, mas era também uma oportunidade de consolidar uma liderança capaz de dialogar com as corporações militarizadas de todo o país e combater a extrema direita e Bolsonaro no seu reduto.

Daciolo sempre teve um forte componente messiânico, mas com um pé bem fincado na realidade sem o qual não teria liderado com sucesso a luta dos bombeiros. Após a eleição, mas ainda antes da posse, em dezembro de 2014, estive com Daciolo e um procurador da Secretaria Nacional de Direitos Humanos da Presidência da Republica no complexo do alemão, na UPP da Nova Brasília. Daciolo tinha articulado a vinda do procurador para denunciar as péssimas condições de trabalho dos PMs.

Subimos pelo teleférico até a Nova Brasília e nos deparamos com um cenário de guerra. Esta era a UPP com maior índice de violência no ano, com um oficial e creio que 2 soldados mortos meses antes. Sacos de areia na frente da sede da UPP, duas Patamos (Patrulhamento Tático Móvel) atravessadas na diagonal para proteger o perímetro de tiros, Daciolo chama os policiais para uma roda de conversa dentro da UPP. São liderados por um sargento de 36 anos com câncer num rim e que teve sua baixa na corporação negada por não ter metástase. Outro soldado diz residir na Vila Cruzeiro, uma das comunidades do complexo, contrariando todas as normas de segurança ao ter sua família exposta a retaliações. Um terceiro soldado mora em Itaperuna, a 9 horas de distancia do Rio e que nas 36 horas de folga pouco tempo lhe resta para ficar com a família. Teria tido sua remoção para um batalhão próximo ao seu município negada. Por fim um soldado de 22 anos perguntado quantos tiros de fuzil havia dado no treinamento disse que nenhum. Para ele isso não era problema porque vinha dos fuzileiros navais mas outros colegas dispararam pela primeira vez já em ação.

Saí dali com duas certezas: a primeira, que uma tragédia iria acontecer na Nova Brasilia, o que ocorreu poucos meses depois quando uma patrulha da UPP matou um garoto de 10 anos de idade. A segunda, que Daciolo era uma chance extraordinária de conseguir chegar a esse segmento de trabalhadores com uma ótica oposta à do Bolsonarísmo.

Nunca foi fácil dialogar com Daciolo. O forte componente messiânico sempre esteve presente, mas com um pé na realidade .”Deus está no comando” era frase usada com frequência para encerrar polemicas, mas sempre seguida de uma ação coerente com a racionalidade.

Com a chegada à Brasília isso mudou. Longe da categoria e deslumbrado com as mesuras e poderes associados ao mandato, Daciolo envereda crescentemente para o misticismo. O tom do discurso religioso se acentua e a dissociação da realidade aumenta muito. Foram meses difíceis até que ele apresenta a PEC propondo mudar a Constituição substituindo “todo o poder emana do povo” por “todo poder emana de Deus”. Todas as tentativas de o demover disso esbarravam em respostas do tipo “foi o Sr. Jesus que me mandou fazer isso”. A expulsão do PSOL foi necessária para proteger o partido.

No seu mandato, Daciolo seguiu votando com a esquerda na enorme maioria das pautas. PEC do teto dos gastos, reforma trabalhista, contra as privatizações, licença para processar Temer (Daciolo foi o primeiro a protocolar pedido de impeachment de Temer), mas votou a favor do impeachment de Dilma. Nunca perdoou o PT a quem atribui responsabilidade pela sua prisão em 2012 na volta da Bahia.

Daciolo é um homem honrado. Tem um compromisso difuso de classe. Mas o seu crescente messianismo o levou a um forte descolamento da realidade o que o separou da esquerda. É difícil defini-lo. Talvez caiba nele a desgastada frase “nem de esquerda nem de direita”. É contraditório e tomado por uma religiosidade confusa que beira a irracionalidade, mas ao contrário de Bolsonaro ou de Malafaia sua religiosidade é sincera e honesta. Daciolo expressa de forma clara princípios cristãos de solidariedade, compaixão e piedade. Ao mesmo tempo que votava pelo impeachment de Dilma foi ao palácio rezar por ela. Não pode ser confundido com os picaretas que usam a religião para manter privilégios e defender a agenda da elite do atraso.

Foi uma aposta do PSOL que deu errado, mas as razões desta aposta continuam válidas. Talvez demore algumas décadas para que a esquerda volte a ter a oportunidade de construir uma liderança capaz de disputar a massa das corporações militarizadas com a extrema direita.

À esquerda que defendo não cabe o papel de comentarista da luta de classes mas o papel de a disputar nas condições dadas e com os atores disponíveis. (DCM, acesso em 14ago2018)

José Luís Fevereiro é economista, ex-Secretário Geral do PT-RJ e membro da Direção Nacional do PSOL


Fanatismo religioso e partidos de esquerda são como óleo e água: não combinam nem se misturam. Mas não é todo o mundo que sabe disso. 

Ficou nítida essa assertiva em 17 de abril de 2016, quando deputados, homens e mulheres, em nome de Deus e da família, decidiram pelo afastamento de uma presidente honesta, para em seu lugar colocarem uma quadrilha de malfeitores. Um verdadeiro festival de hipocrisia e interesses escusos, que o tempo comprovou. 

O PSOL, assim como o PT quando foi governo, foi ingênuo. Esse cabo Daciolo simplesmente usou, primeiro a situação difícil da própria corporação, que nele acreditou elegendo-o deputado federal, e em segundo, a agremiação de esquerda. Uma vez eleito, revelou seu verdadeiro caráter oportunista e fanático, não ligando a mínima para os problemas dos bombeiros e, tanto menos, à linha de conduta e de pensamento das esquerdas brasileiras.

Quisesse realmente ajudar seus colegas, sua linha de conduta trilharia em sentido contrário à militarização da categoria, fator legal que os impede de reivindicar melhorias merecidas e necessárias, como salários dignos. O que, pelo texto, apresenta-se como uma vantagem, é na verdade um entrave: a militarização. Cabo Daciolo, se comungasse dos princípios do partido que lhe abriu as portas, lutaria pelo sentido inverso.


L.s.N.S.J.C.!

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

A PERIGOSA candidatura de Jair Bolsonaro!


Recorte de jornal com a notícia do assalto de que Jair Bolsonaro foi vítima em 1995: "Me senti indefeso" (fonte: Internet)

PERIGOSÍSSIMA a candidatura do capitão do Exército Jair Messias Bolsonaro. O perigo não reside apenas na pessoa em si do polêmico parlamentar. Sim, porque, na hipótese de sua eleição (toc toc toc!), pode ele e sua equipe reformular parcela de suas propostas e abandonar alguns de seus discursos eleitoreiros (por serem inviáveis), que vem fazendo para agradar o eleitorado ultraconservador. No entanto a esta altura ninguém em sã consciência acredita nisso, tal é o estado de decrepitude do dito cujo.

Trata-se, na verdade, de candidato pragmático.


O oportunista!


Ainda no EB, o capitão Bolsonaro  em 1986 ganhou notoriedade nacional ao escrever um artigo para a revista Veja protestando sobre os baixos salários dos militares, tema de interesse para a totalidade dos milicos de baixa patente (de soldados a capitães), mormente nessa época.

Mas não ficou aí, talvez porque ainda obtivera o resultado pretendido.

Em 1987, um ano depois, Bolsonaro levou ao conhecimento da mesma revista Veja a operação "Beco sem Saída", que era uma forma de protesto utilizando bombas de pouco potencial em instalações militares do Rio e em alguns pontos da cidade. Os atos de terrorismo visavam a chamar atenção, mais uma vez, para os baixos salários da classe militar.

Era aí a gota d'água para a sua exclusão do Exército. No entanto, por insuficiência de provas, o militar acaba absolvido. Logo, porém, seria transferido para a Reserva Remunerada no posto de capitão, entrando na carreira política no ano de 1988, vencendo o pleito para vereador do Rio. 

Em 1990, elege-se deputado federal, estando agora na sua sétima legislatura. O aumento salarial dos militares foi a sua primeira bandeira política, credenciando-o a uma carreira parlamentar que já dura trinta anos.

De início era a melhoria de soldo dos militares, por isso, no começo, a família militar do Rio de Janeiro constituiu-se na absoluta maioria de seus eleitores.  Logo depois essa bandeira se alargaria em direção aos demais militares: policiais e bombeiros.

Não se tem notícia, todavia, de que o parlamentar tenha conseguido de aumento um centavo sequer em favor de seus representados. Esse pormenor, no entanto, parece não interessar a seu eleitorado cativo, eleitores incondicionais do capitão Bolsonaro.

Com o passar do tempo, e principalmente com a chegada do Partido dos Trabalhadores e partidos de esquerda aliados ao poder, Bolsonaro, vendo que surtia efeito, foi pegando carona nos pensamentos dos setores da sociedade mais à direita e ampliou suas bandeiras, passando também a combater o comunismo e as esquerdas, os programas sociais, os movimentos sociais, as minorias raciais e sexuais e outros. 

Não queremos, porém, traçar a biografia do polêmico e preconceituoso candidato.

O perigo maior está no seu eleitor, uma vez que tende a sentir-se autorizado a perseguir tais grupos.


Armar a população: uma proposta simplista, perigosa e demagógica!


Veja mais:



https://noticias.r7.com/sao-paulo/policial-militar-e-baleado-durante-assalto-na-zona-leste-de-sao-paulo-29062018

Uma das propostas do candidato é armar a população, viabilizando o acesso do chamado "cidadão de bem" a armas de fogo e munições. Visa, segundo alega, a combater a marginalidade, dar segurança a cada cidadão.

Essa proposta simplista -- é necessário esclarecer -- omite  perigos reais para a população e, em vez de protegê-la, tem tudo para produzir efeito contrário, ou seja, deixá-la mais insegura, "indefesa" nos termos que o próprio declarou em 1995. 

Em primeiro, não diz o candidato que para massificar a venda de armas, essa proposta necessariamente tem de passar pela aprovação do Congresso Nacional. Começa a mentir aí.

Ademais, o candidato não entra em detalhes sobre os custos para quem quer possuir uma arma de fogo, cujo valor mínimo é na casa de 3 mil reais, e um único projétil (bala) custa 10 reais. Aulas tiro não custam menos que 6 mil reais; depois documentação etc. Tudo isso e ainda não se sentirá seguro. 

Por que?

Como prova a notícia do recorte de jornal lá do início desta postagem, ninguém está seguro pelo simples fato de portar uma arma. Ao contrário, os marginais não atacam sozinhos e utilizam o elemento surpresa (nem se precisa ser militar para saber disso), e, sabendo que você porta uma arma, o cidadão de bem acaba reforçando o arsenal do crime. Nenhum ficará seguro simplesmente por possuir uma arma e até mesmo policiais militares e civis são vítimas, pagando até mesmo com a própria vida, apenas por possuírem esse objeto cobiçado.

Além disso, há a questão do temperamento do brasileiro. Uma discussão em casa ou um desentendimento no trânsito podem descambar numa tragédia. Resultado: o agressor vai parar na cadeia e sua família vai sofrer muito com isso, além de -- é claro -- a família da vítima. 

Sabemos de casos de suicídio. Muitos jovens ou adultos se suicidam porque encontram uma arma em casa.

Então, meus amigos, o candidato é mentiroso e demagógico quando passa a ilusão de que, armada, a população estará segura.


Recortes de notícias sobre a violência armada e o perigo que representa para a população em geral (fonte: Internet)


Educação plena e melhor distribuição de renda, incluindo aí reforma agrária, são, sim (e não as soluções simplistas) fatores que tornarão o país mais seguro e socialmente mais justo.

Falando em educação e distribuição de renda, lembremos que Bolsonaro votou a favor do projeto do Temer que congela por vinte anos os investimentos em saúde e educação (veja aqui). E sobre a distribuição de renda, é dele o projeto do imposto único, que faz com que as camadas mais pobres paguem o imposto das camadas mais altas. Tudo exatamente o contrário do que o Brasil precisa.

Talvez se as pessoas lessem um pouco mais, se informassem mais, não estariam tratando o assunto de modo tão simplista e ingênuo.

O despreparado!


Os endereços eletrônicos seguintes atestam, por si só, o despreparo do candidato, não precisando de mais comentários:

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/roda-viva-expoe-o-perigo-de-um-pais-de-milhoes-de-bolsonaros-por-ricardo-kotscho/

https://www.pragmatismopolitico.com.br/2018/07/mentiras-entrevista-bolsonaro-roda-viva.html?utm_source=push&utm_medium=social&utm_campaign=artigos


https://altamiroborges.blogspot.com/2018/08/o-perigo-de-um-pais-de-milhoes-de.html



Patrimônio incompatível com a renda declarada!

Ah sim! Você vai votar em Bolsonaro porque ele é honesto. Nem digo nada sobre ele estar na política há 30 anos e quase nada (ou mesmo nada) de efetivo tenha feito nem ao menos pelos militares que nele confiam. Nem contar sobre seus filhos, com três deles na política, nada diferente de tantos outros politiqueiros carreiristas.

O candidato entrou pobre na política e hoje tem um patrimônio de 15 milhões de reais, conforme você pode atestar numa busca pela internet. 

Veja essas postagens:

https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/01/1948526-patrimonio-de-jair-bolsonaro-e-filhos-se-multiplica-na-politica.shtml


https://congressoemfoco.uol.com.br/especial/noticias/bolsonaro-e-filhos-acumulam-pelo-menos-r-15-milhoes-em-patrimonio-imobiliario/



Além de mentiroso, despreparado e antidemocrático, ainda que nenhuma das propostas polêmicas do candidato sejam efetivadas, o simples fato de sua possível eleição desencadearia uma onda de ódios e preconceitos. 



Fonte: Internet


Mas há uma coisa boa no fato de Bolsonaro ter se candidatado a presidente da República: ficará sem mandato, desonerando a Nação de mais um come-e-dorme lambanceiro.

Mas, como dizia Jorge Ben, os alquimistas estão chegando e isso também é perigoso.

L.s.N.S.J.C.!


sexta-feira, 3 de agosto de 2018

GUERRA do Contestado!


Por José Augusto Moita

Fonte: Google.com

VOCÊ pode até achar que estou por fora ou então que estou inventando, mas é você que por não conhecer o passado, permite que o infortúnio sempre venha. Porém essa matança aconteceu, e o nome dela chamou-se Guerra do Contestado, é só correr para os livros de história. Mas para os que não gostam de pesquisas, vou explicar.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

PROFESSORES: metade não recomenda a profissão!

No Brasil de Temer, metade dos educadores não recomenda aos jovens a própria profissão





NO BRASIL, metade dos professores não recomendaria a um jovem se tornar educador, por considerar a profissão desvalorizada, revela a pesquisa Profissão Docente, iniciativa da organização Todos Pela Educação e do Itaú Social.

De acordo com o levantamento feito pelo Ibope Inteligência em parceria com a rede Conhecimento Social, a maioria (78%) dos professores disse que escolheu a carreira principalmente por aspectos ligados à afinidade com a profissão. Entretanto, 33% dizem estar totalmente insatisfeitos com a atividade docente e apenas 21% estão totalmente satisfeitos.

Veja também:

http://www.abodegadovalentim.com/2018/02/a-precarizacao-das-relacoes-de-trabalho.html

http://www.abodegadovalentim.com/2017/12/antonio-novoa.html



Durante a pesquisa, foram entrevistados 2.160 profissionais da educação básica em redes públicas municipais e estaduais e da rede privada de todo o país, sobre temas como formação, trabalho e valorização da carreira. A amostra respeitou a proporção de docentes em cada rede, etapa de ensino e região do país, segundo dados do Censo Escolar da Educação Básica (MEC/Inep).

Para o diretor de políticas educacionais da organização Todos pela Educação Olavo Nogueira Filho, os dados são preocupantes. Ele reforçou a necessidade de repensar a valorização da carreira dos professores brasileiros. “Há bastante tempo conhecemos o desafio da desvalorização docente, da falta de prestígio em relação à carreira, mas acho que os novos dados chegam para reforçar e, mais uma vez, mostrar que temos um longo caminho a ser trilhado na educação, no que diz respeito à valorização da carreira”, afirmou.
Formação

Os docentes apontam como medidas mais importantes para a valorização da carreira, a formação continuada (69%) e a escuta dos docentes para a formulação de políticas educacionais (67%). Eles consideram urgente a restauração da autoridade e o respeito à figura do professor (64%) e o aumento salarial (62%).

Para o diretor Nogueira Filho, os números passam relevante mensagem no sentido de desmistificar o senso comum, que coloca a questão salarial como o principal problema para a carreira docente no país.

“O debate, de modo geral, tem colocado ênfase, de maneira quase isolada, na questão salarial. E, de fato, esse ponto surge no conjunto das principais medidas que as pessoas entendem como importantes para valorizar a carreira, mas não aparece na pesquisa como fator principal. Acho que isso traz uma questão importante sobre a discussão da valorização], que precisa ir além da questão do salário.”


A remuneração média dos professores no Brasil atualmente, segundo a pesquisa, é de R$ 4.451,56. A maioria dos docentes (71%) tem a profissão como principal renda da casa e 29% afirmam ter outra atividade como fonte de renda complementar.

Segundo a pesquisa, um em cada três professores tem contrato com carga horária de menos de 20 horas semanais, o que pode ter impacto na renda e no cumprimento de um terço da carga horária, prevista na Lei do Piso do Magistério para atividades extraclasse. Pelo menos 58% dos professores afirmam ter tempo remunerado fora da sala de aula. Contudo, somente cerca de 30% dos docentes dispõem de aproximadamente ou mais de um terço da carga horária para planejamento de aula.

Políticas públicas


Os professores ouvidos pela pesquisa consideram que é papel das secretarias de Educação oferecer oportunidades de formação continuada (76%), mas não concordam que programas educacionais, como um todo, estejam bem alinhados à realidade da escola (66%). Apontam a falta um “bom canal de comunicação” entre a gestão e os docentes (64%), e dizem que não há envolvimento dos professores nas decisões relacionadas às políticas públicas (72%). Também consideram aspectos ligados à carreira mal atendidos, como o apoio à questões de saúde e psicológicas (84%) e ao salário (73%).



Falta de confiança


sábado, 28 de julho de 2018

O PIEDOSO Manoel Pinto da Silva!


Sonho de consumo para os ricos paraenses da época: apartamento a partir de CR$ 1.610.000,00
 (fonte: Internet)

QUANDO se fala em Manoel Pinto da Silva, o nome do magnata português que fez fortuna em território paraense imediatamente remete à sua maior obra, o imponente edifício Manoel Pinto da Silva, prédio construído na década de 1950, que foi durante anos o mais alto de de toda a Amazônia. Morar no prédio mais alto do Norte torna-se o grande sonho de consumo das elites paraenses de então.

Manoel ou Manuel Pinto da Silva? Isso não é relevante.

Leia também:

http://www.abodegadovalentim.com/2018/02/a-precarizacao-das-relacoes-de-trabalho.html

http://www.abodegadovalentim.com/2018/06/jose-augusto-moita.html

Na verdade pouco restou registrado sobre sua passagem pelo planeta Terra. Nenhum livro, nenhuma página na Wikipédia, nada. Nada de interessante, mui provável, tenha deixado o magnata para que servisse de ensinamento aos que ficaram.

Mas que essa escassez de notícia sobre Manoel Pinto da Silva não seja razão para o nome do português ficar restrito apenas ao famoso edifício que construiu e que, por vaidade, deu seu próprio nome.

Morando na zona rural ainda garoto, não conhecia o prédio histórico batizado em homenagem a seu construtor vaidoso; apenas ouvia falar. Logo cedo, porém, travei conhecimento do nome de Manoel Pinto por meio de meu saudoso pai, um outro Manoel, o Valentim Moreira, que trabalhava como operário num dos empreendimentos do poderoso empresário português, uma de suas olarias. Lá meu pai e dezenas (centenas, provavelmente) de trabalhadores, moldando o barro, fabricavam tijolos aos milheiros para a  construção do gigantesco edifício, e também, com o excedente, para compor as casas e prédios das cidades do estado, ajudando o luso a ficar cada vez mais rico, por conseguinte.

O pai falava bastante sobre o xará milionário, que teria chegado pobre ao Brasil aportando em Belém duas décadas antes. Devia ser jovem ainda e o patriarca era o senhor Camilo Pinto da Silva.

A imprensa, entre ufanista e laudatória, como comprova esta página de jornal, 
festeja a inauguração da grandiosa obra  (fonte: Internet)

Acidentalmente um dia ouvi, entre as conversas dos adultos, minha mãe, dona Maria Ferreira, falando sobre alguém que teria enriquecido. "Difícil ficar rico se não explorou ninguém". Nunca me esqueci daquele comentário. Riqueza - pobreza - exploração. A partir de então, carrego comigo uma indagação: Seria possível alguém, não tendo recebido polpuda herança ou participado de algum grande negócio  com o governo, ficar rico sem não explorar seu empregado?

Voltando ao portuga.

Como dizia antes, ouvi da boca de meu pai muito sobre o megalomaníaco lusitano. Entre outras histórias, a de que o portuga teria lesado seu próprio pai, o velho Camilo Pinto da Silva, analfabeto, transferindo significativa parcela do patrimônio paterno para seu próprio nome. 

Pinto teria sido um dos primeiros empresários de ônibus na cidade de Belém, além de ter também fornecido material para a construção do aeroporto de Val-de-Cães.

Um patrício seu, estando em situação financeira difícil, foi-lhe bater às portas a pedir emprego. Manoel Pinto, meio que indiferente à presença do conterrâneo, admitiu o compatriota semianalfabeto em uma de suas empresas. Ao contrário do que se esperava, empregou-o num trabalho braçal em vez designá-lo para um cargo de relevância, como desejava o português pobre. Era português, era patrício, mas era pobre, não fazendo jus, portanto, a tratamento melhor. E lá foi o conterrâneo para o rabo da enxada, de nada adiantando a sua condição de conterrâneo do patrão.

Edifício Manoel Pinto da Silva (fonte: Internet)

Outra.

Certa ocasião, cavalgando por numa estrada vicinal, Manoel Pinto avista um homem  que carregava um feixe de lenha nos ombros. Era seu empregado, por coincidência, mas o patrão não o reconheceria entre centenas de outros que serviam sob suas ordens.

-- Onde pegaste essa lenha, ó rapaz?

-- Peguei aí... na sua mata, seu Manoel. -- responde o mulato, trêmulo de medo, apontando com a cabeça a floresta em redor, ao reconhecer o arrogante patrão.

O português mandou imediatamente o caboclo devolver a lenha onde tinha pego. De nada faria diferença para o rico português a lenha colhida pelo operário para queimar no rudimentar fogão. Tomou tal atitude imperativa e antipática com o fito de meramente exercer poder. Era ele o dono, era ele quem mandava e pronto.

Mas a minha mãe deu-me, sem notar, uma aula de sociologia.

sexta-feira, 27 de julho de 2018

O RACISMO de Monteiro Lobato!


Impacto do racismo de Monteiro Lobato sob uma visão histórica e pessoal 



Por Ale Santos 


Monteiro Lobato. (Foto: Reprodução/MUITOInteressante)


MUITOS professores ou estudiosos da educação ainda questionam até onde Monteiro Lobato era racista. Claro que a maioria destes questionamentos vêm de pessoas que nunca sentiram na pele o impacto da sua obra no cotidiano do negro.

O escritor taubateano era um famoso defensor da eugenia, um tipo de seleção de humanos “bem nascidos” ou uma escolha de características superiores para a evolução da espécie. Exatamente o que defendia Hitler, vários países tiveram iniciativas como essa.

Para ser mais exato, ele foi membro da Sociedade Eugênica de São Paulo e mantinha relações estreitas com vários dos principais nomes das políticas eugenistas brasileiras como Renato Kehl e Arthur Neiva.

Recentemente foram reveladas cartas em que ele fazia elogios à KKK (Ku Klux Klan), a seita supremacista que assassinava negros e incendiava cruzes nos Estados Unidos. “País de mestiços onde o branco não tem força para organizar uma Kux-Klan, é país perdido para altos destinos.” Disse.

A frustração do Lobato era por conta do seu livro O presidente Negro, que não foi aceito nos EUA. Nele a elite branca concluiria um plano para esterilizar todos os negros e extinguir a raça em prol de uma Supercivilização ariana.

O que isso tem a ver com a literatura infantil? Tudo. Afinal o autor foi capaz de projetar seus preconceitos na construção das personagens. Sua visão sobre a pessoa negra ou mestiça não mudava magicamente para um mundo onde todos eram felizes, durante a escrita.

No livro “Caçadas de Pedrinho” (1933) Tia Nastácia é tratada por nomes como “macaca de carvão” , “carne preta”, “beiçuda” e várias outros insultos de cunho racial. Seus defensores dizem que não se podem julgá-lo com as réguas atuais.

Um dos trechos completos é esse: “esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou que nem uma macaca de carvão pelo mastro de São Pedro acima, com tal agilidade que parecia nunca ter feito outra coisa na vida…”

Já em Reinações de Narizinho, Nastácia é chamada “negra de estimação”. São mais de 50 vezes que Lobato se refere a ela usando o termo a negra. Vários especialistas concordam que imaginário é parte inseparável de nossa existência e ajuda a construir nossa visão de mundo.

Por isso é esperado que crianças reproduzam de maneira natural as tratativas que o escritor tinha com sua personagem. Como eu sei? Porque estava lá em Taubaté durante a década de 90, estudando em escolas públicas que se alimentavam da obra de Monteiro Lobato o ano todo.

As ofensas raciais ganhavam um sentido doloroso para mim e a maioria dos alunos negros. Não havia variação de cor para o racismo impregnado, todos eram o “negro carvão” ou “cor de lodo” como Tia Nastácia já foi referida algumas vezes.

Coitado de nossos lábios, na verdade “beiços” como o racismo prefere enfatizar. E nossos narizes e orelhas. Tudo lembrava um macaco, quanto mais se propagava a obra, mais apelidos recebíamos.

Isso teve um impacto real na minha auto-estima, como deve ter sido para várias crianças negras. Por que reprovar um comportamento que vinha de um renomado autor? Todos riam, garotos e garotas brancas com respaldo dos professores.

Depois de alguns anos fui convencido que era um verdadeiro monstro. Meus pais nunca perceberam a origem de minha timidez. Nem eu, ninguém falava “você está sendo atacado porque é negro” Precisei de ajuda psicológica para lidar com tamanha inibição social.

Sinceramente, ela só foi desaparecer ali próximo aos 16 anos, quando morava em outra cidade e já estava no processo de reconhecimento e auto-afirmação racial. O avesso do que vinha dessa obra infame de Monteiro Lobato.


É por isso que EDUCAFRO e UNIPALMARES lutam para retirá-las das coleções oficiais do MEC. Mas enquanto a discussão entre educadores e escritores se desenrola, muitas crianças negras ainda são impactadas com o racismo de suas obras.

Lá no Sítio do Pica-Pau-Amarelo, em Taubaté, que agora é um museu e recebe centenas de turistas diariamente ainda é possível encontrar todo o tipo de estereótipo racista sobre a personagem. Por vezes interpretada com um blackface, pintando o rosto de forma exagerada, como um escárnio. Reforçando o batom vermelho para que a ofensa faça sentido.

Muitos anos após minha infância na cidade, visitei o lugar. Imaginei que após tanta polêmica as coisas melhorariam. Até fui assistir o teatro infantil, que acontece 2 ou 3 vezes ao dia. Saí da sala em menos de 30 segundos, não consigo realmente presenciar ofensas raciais nem de brincadeira.

Mais rápido do que eu foram as crianças da plateia para reproduzi-las: “Macaca Beiçuda hahaha”. Não quero imaginar como se sentiram as meninas negras assistindo a peça. Apenas me questiono até quando historiadores vão relativizar essa história e ainda dizer como nós, negros, devemos nos sentir em relação a elas. (DCM, acesso em 23jul2018)

L.s.N.S.J.C.!

sábado, 21 de julho de 2018

DOUTOR Bumbum!

Doutor Bumbum e a tragicomédia da bunda perfeita 


por Nathalí Macedo


 
Doutor Bumbum (fonte: Facebook)

DR. BUMBUM é um fenômeno tragicômico muito típico da geração Y, a começar pelo codinome-metapiada. Doutor sem doutorado, pela “relevância social” da classe, e Bumbum porque esta era, digamos, sua especialidade, e não porque, como talvez possa parecer, ele fosse um bundão.

Não era.

Veja também:



Denis Furtado atendia em uma cobertura no Leblon e cobrava até vinte mil reais por procedimentos estéticos que prometem te deixar o mais próximo possível de uma blogueira fitness. O resultado, entretanto, é um pouco diferente do prometido: a última que fez um desses procedimentos no açougue do Dr. Bumbum não está mais aqui pra contar a história. Segundo o boletim médico da vítima, ela chegou ao local com falta de ar, taquicardia e pele azulada. Deve ser um péssimo jeito de morrer.

Dr. Bumbum atendia fora de clínicas e hospitais por razões óbvias: o que aplicava na bunda das clientes era polimetilmetacrilato, um tipo de acrílico utilizado em preenchimentos faciais e corporais, rigidamente controlado pela ANVISA e contra-indicado por muitos médicos renomados pela irreversibilidade de seus efeitos colaterais, e o desconhecimento das possíveis consequências do uso do material em quantidade inadequada. Isso significa basicamente que se você usar microesferas plásticas demais para preencher partes do seu corpo que você acha que deveriam ser preenchidas, seu organismo pode rejeitar o acrílico e você pode morrer.


Denis Furtado (fonte: Internet)


Mas Dr. Bumbum não ligava pra esse detalhe: “é a bunda de Andressa Urach que você quer? São vinte mil pilas.” Há os misóginos, e há os misóginos exploradores do lucro que a misoginia rende, que são o pior tipo de misógino. Dr. Bumbum sem dúvida está no segundo grupo. Ganhava dinheiro para explorar a submissão de mulheres a um padrão estético cruel pelo qual são bombardeadas diariamente, nas revistas, na TV e agora no Instagram, o antro dos corpos perfeitos e das bundas perfeitas.

Afinal, de onde vem essa obsessão? A bunda da mulher latina, a bunda da mulher brasileira, a bunda que aparece nas propagandas de cerveja, e de chinelos, e de margarina, e do que quer que seja, ou numa banheira nas tardes de domingo dos anos 90, a bunda que torna uma mulher mais gostosa e portanto mais desejável pelos homens.

No Brasil é a bunda. Nos EUA são os peitos. Em algumas partes da Índia, o pescoço. Tanto faz, o patriarcado sempre se apropria de partes nossas – e eventualmente também do todo – para que continuemos escravas de padrões estéticos assassinos e torturantes, mas que agradem ao vouyerismo masculino, que é a única coisa que importa de verdade.

A isso algumas feministas têm chamado isso de “performar feminilidade”.

Ainda não conseguimos evitar o mau hábito de tentar agradar a esse voyeurismo, porque a autoimagem da mulher desta geração ainda está distorcida demais. Nossa autoestima ainda está atrelada ao que agrada ao nosso espectador – e cada vez mais, na verdade, na era das redes sociais.

Devagar, talvez nos livremos nas próximas décadas do salto alto, do sutiã de bojo, das cintas modeladoras, dos micro-choques que destroem a gordura na nossa barriga em clínicas estéticas, e dessa obsessão tão insana por uma bunda perfeita que tem levado mulheres a se submeterem a procedimentos estéticos inseguros onde um médico picareta põe plástico líquido em seus corpos em um quarto de hotel.

Notícia relacionada:
https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/bbc/2018/07/23/por-cirurgias-plasticas-mais-baratas-brasileiros-organizam-no-whatsapp-viagens-ate-bolivia-e-venezuela.htm?utm_source=chrome&utm_medium=webalert&utm_campaign=noticias

Meu desprezo por esse tipo de intervenção não é uma questão de repressão à liberdade individual: O corpo é meu, eu faço o que eu quiser com ele, mas isso não significa que eu precise pagar para que insiram esferas plásticas na minha bunda só pra provar que sou dona de mim. Não é o tipo de rebeldia que me parece vantajosa.

O mercado dos procedimentos estéticos de risco, entretanto, decerto ainda dura muito, porque são muitos os picaretas do corpo perfeito nos quartos de hotel por aí, e são muitas as Pugliesis e Misses Bumbum no Instagram, mas, por ora, deu ruim pro Dr. Bumbum:

Fala com Gilmar, doutor com doutorado especialista em livrar a cara de médicos misóginos. (DCM, acesso em 20jul2018)

É muita falta de Deus.

Retrato de um Brasil antidemocrático e desigual!

L.s.N.S.J.C.!