quinta-feira, 25 de outubro de 2018

MARINA Solon Tourinho!


Não há como relativizar


ESCREVO aqui porque há semanas carrego comigo uma tristeza esmagadora. Não é apenas mais uma eleição. Não são apenas dois candidatos, um oposto a outro. Não se trata apenas de dois projetos de governo antagônicos. É a descoberta de amigos, parentes e colegas que se posicionam ao lado de um sujeito que defende desavergonhadamente a tortura, a violência, o racismo, o ataque e a marginalização das minorias, dentre outras aberrações desumanas.

Não há como relativizar. Repulsa a partido nenhum nesse país justifica se posicionar ao lado de um poço de desumanidade desses. Tenho sofrido vendo pessoas por quem nutro algum bom afeto defendendo o indefensável. Desconversando sobre cada atrocidade dita, relativizando as falas de Bolsonaro, silenciando, divulgando mentiras grosseiras a pretexto de fazer o outro candidato parecer tão repugnante quanto Bolsonaro claramente é.

A cada novo dia me entupo de informações, penso muito e não acho lógica de alguém se posicionar em favor disso tudo. Odeie o PT, odeie a esquerda, mas não se posicione ao lado da desumanização e da barbárie. Não é "votar na esquerda", nem "defender ladrão", é votar contra um sujeito abjeto, com ideias nefastas que custarão a vida e a dignidade de muitos. É lutar contra um candidato que construiu uma campanha com base em mentiras e desonra, fazendo um verdadeiro desmonte informativo, dizendo mentiras grotescas contra outros candidatos. Me dói muito que alguém próximo a mim vote nele. Porque isso vai além de qualquer ódio ao PT. Um voto em Bolsonaro não te afasta do PT tanto quanto te aproxima das ideias e do comportamento repugnante desse sujeito.


Vendo aqui tantos votos declarados, orgulhosos, só posso concluir que superestimei muito as pessoas. Que essa repulsa ao PT é na verdade uma maneira de dizer que sim, esses eleitores são iguais a Bolsonaro, são incapazes de ter empatia e sim, pensam como ele, são cruéis na mesma medida, se identificam, querem mesmo silenciar e liquidar pessoas porque são diferentes, saquear seus direitos, sumir com elas do mapa. Não posso concluir outra coisa além de que na verdade cada um dos eleitores declarados de Bolsonaro convictamente fecha os olhos para a vulnerabilidade de mulheres, negros, pessoas com deficiência, LGBT+, índios, quilombolas. E minha vontade é me manter longe de cada uma desses eleitores, independente de quem sejam. Não há carinho em mim por gente com comportamento tão mesquinho, pra dizer o mínimo.

Dia 28 vai chegar e independente de como termine vou continuar lutando por um mundo com mais empatia e acolhimento. Vou continuar acreditando na igualdade de oportunidades e espaços. Haverá outro dia. (Via Facebook, acesso em 22out2018)


Havia muitos fascistas, pessoas de mau caráter, escondidas dentro do armário. Estas eleições deixaram isso claro para nós, pois agora essas pessoas, até então pacatas,  se sentem encorajadas, incentivadas, motivadas, a mostrar o que realmente são, pois finalmente encontraram um candidato à sua imagem e semelhança, capaz de torturar, de matar, de semear o ódio. Tenho medo delas. Pode ser o seu vizinho, colega de trabalho, gente da sua família, membros da igreja, que comungam da hóstia santa, pior, bispos e presbíteros, pastores...

Estão por toda a parte, como um terrível pesadelo.

Meu Deus!

L.s.N.S.J.C.! 

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

O BRASIL à beira do abismo!

SE O BRASIL tivesse uma imprensa digna da sua missão de informar, o Brasil não estaria à beira de cair sob o tacão do fascismo.

Se o Brasil tivesse instituições dignas de sua missão constitucional, não estaria na iminência de viver sob uma ditadura.

Se o Brasil tivesse liberais dignos de princípios e não amantes da velhacaria e de interesses eleitoreiros não estaria ao ponto de descer para a treva do autoritarismo.

Se Brasil tivesse uma elite econômica que amasse o país que sustenta sua fartura não estaria a um passo de regressarmos a escravatura.

Mas este país não os tem e por isso assistimos, indefesos, vê-lo atirado no lixo, submetido a um governante tosco, primário, imbecil, capaz de negar o direito mais básico que tem cada ser humano que aqui vive: o direito de ser brasileiro.

Quem assistir ao vídeo onde o Sr. Jair Bolsonaro despeja, com um discurso gutural o seu desejo de expulsar do país todos aqueles que não concordarem ou se submeterem a sua vontade fascista não pode deixar de perceber quão escura é a treva em que ele lançará esse país.

Desde Médici ninguém ameaçava um brasileiro com o exílio.

Mesmo os “bem-postos” – juízes, promotores, deputados, empresários, “mercadistas” – que odeiam o povo simples e humilde desse país não podem deixar de ver que vamos ser mergulhados na selva da violência estatal, numa situação em que as grandes maiorias da população serão submetidas à alternativa entre a vassalagem ou a insurreição.

As altas patentes militares, que aderem e se submetem a um capitãozinho “bunda-suja”, que há 30 anos garatujava no papel planos de explodir bombas em quartéis para obter salário melhor – se não sabem, deveriam saber – enfiaram as forças armadas na idolatria da indisciplina, da conspiração, da deformação de só ter coragem de apontar as armas para seu próprio povo, o que as decai à condição que Caxias rejeitou, a de capitães do mato.

Errem. Suicidem-se. Escondam numa votação escandalosamente manipulada, onde a boa-fé do povo brasileiro aceita ver como “corruptos” os que nem de longe, mesmo na sua vileza, os que praticam a mais vil das corrupções: a de vender o Brasil, a de vender os direitos do nosso povo, a de vender o sagrado bem da liberdade para instaurar um governo de pústulas, de tatibitatis, de gente microcéfala e, pior, genuflexa ao ponto de bater continência para a bandeira norte-americana.

É de repetir Castro Alves e gritar para que Andrada arranque dos ares seu pendão para que não sirva de mortalha às liberdades.

O nazismo teve seu ápice, teve multidões, teve seus braços erguidos no “heil” de milhares encantados, hipnotizados.

Os que ousaram resistir teriam passado anos como ratos em suas tocas não fosse o fato de que eram homens e mulheres cercados pelos ratos.

Quis-se avançar como um Brasil de todos. Ninguém foi perseguido, nenhuma bolsa foi saqueada, nem mesmo os salões foram violados. Apenas – e muito timidamente entreabriu-se suas portas para que outros pudessem entrar.

Será que é ofensa demais ver o rosto cafuzo, mulato, crestado do sol ao seu lado no shopping, no avião, na loja? É tanto o desprezo à carne da qual se nutrem ao sangue do qual bebem, aos pobres que os fazem ricos?

Eis, senhores, numa palavra, a torpeza de seu crime. Querem a morte de quem os nutre, de quem lhes constrói as casas de luxo, as mansões, de quem compra seus produtos, de quem é escorchado por seus bancos, de quem consome as porcarias que colocam no mercado? Querem o sangue de quem nunca lhes tirou uma gota de seu champanhe?

Há, porém, uma arma mortal e sem defesa, apontada contra os senhores.



Chama-se história, responde pelo nome de marcha incontível dos povos pelos seus direitos e liberdades. Neguem-na, persigam-na, prendam-na, exilem-na: nada adiantará.

Ela triunfa. Sempre haverá festa quando ela voltar e vocês se forem. É certo que haverá dores, haverá filhos separados dos pais, haverá vidas interrompidas, algumas perdidas.

Ainda há tempo para um difícil acesso de lucidez, tão mais difícil quanto mais covardes são aqueles que poderiam provoca-lo.

Mesmo assim, a causa de vocês é perdida, inviável, perversa. Há e haverá sempre brasileiros que não se vergarão que seja de onde for, estarão de pé, a enfrenta-los. Vocês não têm mais a censura e o silêncio que tiveram, há meio século para implantar uma ditadura.

Vocês são os zumbis do tempo que se foi e não adianta que avancem como hordas ameaçadoras.


Nós somos a vida e a humanidade, e a vida humana triunfará.
(Fernando Brito/ Tijolaço)
(A Ilharga, acesso em 23out2018) 


L.s. N.S.J.C.!

domingo, 21 de outubro de 2018

POR SER má influência para a tropa, candidato chegou a ter entrada proibida no Exército!


Capitão das Bombas chegou a ter entrada proibida no Exército, por ser “má influência”. 


Por Marcos Rogério Lopes


Capitão Bolsonaro, antes de ter entrada proibida no Exército (Reprodução: DCM) 

POR CURIOSIDADE, e como essa era uma lacuna na biografia do candidato favorito à Presidência, Jair Bolsonaro, decidi fuçar os arquivos disponíveis na internet do falecido Jornal do Brasil (JB) para entender o que foi o mandato dele como vereador do Rio de Janeiro, eleito em 1988 e no cargo até o fim de 1990, quando se tornou deputado federal.

Fui de 1986 a 1991 e, logo no início, foi engraçado perceber que o JB não tinha pudor em apresentá-lo como o “capitão das bombas” ou o “oficial que planejou explodir bombas no Rio de Janeiro”, sem condicionais ou a palavra “acusado”. Contei essa história aqui no Facebook (https://www.facebook.com/marcosrogeriolopes/posts/10210765760134693), mas resumo: em 1987, Bolsonaro deu uma entrevista à revista Veja na qual detalhava o plano Beco sem Saída, do qual era um dos mentores e que consistia em explodir dinamite em vários pontos da cidade para pressionar o governo federal a dar aumento aos militares. Ele pediu off, a repórter publicou seu nome por se tratar de um ato terrorista e ele quase foi expulso do Exército.

O corporativismo o salvou mesmo com a comprovação de que ele estava mentindo quando afirmou que a entrevista havia sido inventada. Laudos técnicos provaram que eram dele as anotações feitas à repórter — em uma das quais, aliás, ele ensinava a fazer uma bomba.

Após a repercussão do episódio, Bolsonaro definiu seu caminho como político. Em parte como gratidão por uma classe que jogou para baixo do tapete a grave ameaça à cidade, em parte por ser o único assunto que ele realmente conhecia passou a defender pautas militares e assim se elegeu vereador e depois deputado por vários mandatos.

Bolsonaro era um outsider na eleição de 1988, há 30 anos. Meses antes da votação, se filiou ao PDC (E-E-Eymael, um democrata cristão), defendeu na campanha a moralização da Câmara dos Vereadores e o aumento para os destronados remanescentes da ditadura. Em 1986, publicou também em Veja um artigo defendendo melhores salários para os milicos. Na ocasião, por quebrar a hierarquia do Exército, afinal deu sua opinião sem autorização, foi preso por 15 dias.

Foi eleito. Sua principal proposta era reduzir de 18 para 15 o número de assessores que cada vereador tinha direito. Dizia à imprensa achar um absurdo tamanho privilégio, mas não conseguia convencer seus pares a pensar o mesmo. Em 17 de maio de 1989, foi voto vencido na ampliação do benefício. Os políticos decidiram elevar de 18 para 20 o número de pessoas que podiam contratar.

Dias depois, em 23 de maio, deu entrevista dizendo que “60% dos oficiais, suboficiais e sargentes com quem tenho conversado vão votar no Collor pela perspectiva de mudança que ele representa”.

Nas eleições presidenciais daquele ano, votou no primeiro turno em Paulo Maluf, por ser “um grande brasileiro”, segundo Bolsonaro, e em Collor no segundo.

Em 30 de julho, discursou no plenário defendendo o passe livre nos ônibus para os militares. Em 22 de setembro, reclamou ao Jornal do Brasil que a Vila Militar carioca exagerava na rigidez com as patentes mais baixas. “Soldados, cabos e sargentos não são tratados como seres humanos”.

Ao mesmo tempo em que brigava pela categoria, não era engolido pela alta cúpula, que não esquecia a ameaça de terrorismo do ex-paraquedista formado na Academia Militar das Agulhas Negras.

Em 10 de maio de 1990, foi barrado com a família na Praia do Forte do Imbuí, frequentada pelos militares. Ficou revoltado, mas teve de acatar as ordens superiores.

Dias antes, havia dado uma declaração inconsequente que pegou muito mal nas Forças Armadas. Segundo ele, o Hospital do Exército fluminense tratava 100 soldados com Aids. Ninguém tinha esse dado, negado no mesmo dia pelas autoridades. Talvez nem ele na verdade soubesse o que estava dizendo, associando aos praças uma doença então ligada quase que exclusivamente ao público gay. Bolsonaro tinha até uma tese para explicar como eles teriam contraído o vírus: em combate, ao se machucar e entrar em contato com o sangue de outros feridos.

Em novembro de 1990, deu uma declaração curiosa na missa pela morte de um cadete da academia das Agulhas Negras. Após se sentir mal durante um treinamento, Mário Lapoente da Silveira, de 18 anos, em vez de ajuda foi espancado por um superior. Foi levado ao Hospital Estudantil da AMAN e, ao que parece, não recebeu o tratamento mínimo adequado. Bolsonaro, hoje defensor número 1 do uso das armas, aproveitou a comoção para criticar o governo federal naquele episódio, por, segundo ele, “dar prioridade a armamentos em detrimento do material e gente relativos à saúde”.

Em 1990, fez forte oposição à aprovação à nova Lei Orgânica do município, que acabou sendo aprovada aumentando privilégios e dando novos benefícios aos políticos. Ponto positivo, sem dúvida, mas, em 12 de novembro, uma carta publicada no JB por uma de suas companheiras de bancada entregava que o vereador do PDC havia pedido 2.500 cartões de Natal no almoxarifado da casa para entregar a seus eleitores, desmentindo um discurso repetido por ele no fim daquele ano, segundo o qual não aceitava receber os mesmos cartões, um “gasto absurdo” do qual ‘abria mão”.

Candidatou-se a deputado federal com uma única proposta concreta: faria o possível para facilitar a vasectomia e a laqueadura no serviço público para combater o maior mal do país, o que chamava de descontrole da natalidade. Em 28 anos no Congresso, jamais obteve qualquer avanço nesse tema.

Um perfil do jornal de outubro de 1990 o definiu como um capitão indisciplinado que afirmava jamais ter lido um romance e trazia uma confissão do capitão da reserva. “Na campanha, ele optou por não levar sua mensagem a outros grupos sociais, mesmo aos soldados e oficiais da PM — por timidez e por reconhecer suas limitações intelectuais. ‘Não conheço os problemas dos advogados’, explica. ‘Não me sentiria bem fazendo proselitismo para eles. E não teria nada de concreto a oferecer’.”

Em 31 de janeiro de 1991, a coluna Informe JB noticiava que “Levantamento da Câmara Municipal do Rio aponta o capitão Jair Bolsonaro (PDC) como o vereador de pior atuação na casa. Bolsonaro, eleito deputado federal, não apresentou nenhum projeto durante todo o ano de 1990”.

No início de seu mandato em Brasília, não mostrou o mínimo pudor em defender privilégios bastante questionáveis a sua categoria. O hoje defensor do fim das regalias do Estado foi decisivo na concessão do pagamento de pensão a filhas solteiras com mais de 21 anos de militares mortos.

Em 4 de setembro de 1991, o JB detalhou como Bolsonaro agiu fortemente nos bastidores para aprovar no Senado o artigo – que, aliás, havia sido vetado na Câmara, mas foi incluído ilegalmente no pacote que, após aprovado, foi enviado para a sanção do presidente Collor. “No fim de semana que antecedeu o exame da matéria, em 13 de agosto, numa terça-feira, ele aproveitou uma eleição da diretoria do Clube de Subtenentes e Sargentos do Exército, em Rocha Miranda, no Rio, e mandou entregar dois mil panfletos para os suboficiais, evocando-os a telefonar a cada senador, pedindo votos para habilitar suas filhas a receberem a pensão.”


No verso dos panfletos estava uma lista com o nome e telefone dos 81 senadores.

Dias depois, em 12 de setembro, Collor enviou ao Congresso projeto de lei pedindo reajustes de até 45% para os militares. Bolsonaro se encarregou de buscar as assinaturas e os apoios necessários dos parlamentares. Mais um gasto público aprovado.

Ele queria mais. O Jornal do Brasil registrou que ele costumava se encontrar com representantes de várias patentes para convencê-los a entrar na Justiça contra o governo federal pedindo reparação de 84% nos soldos por perdas com o Plano Collor.

No mês seguinte, ele se envolveu com uma briga com o ministro do Exército, Carlos Tinoco, que proibiu sua entrada nos quarteis por considerá-lo uma má influência aos soldados. Segundo a alta cúpula das Forças Armadas, Bolsonaro se aproveitava da bandeira militar para se eleger, mas havia mostrado em vários momentos de sua história o desrespeito à hierarquia.

Capitão das Bombas (Reprodução: DCM)
Em uma de suas inúmeras bravatas, Bolsonaro afirmou que, em retaliação, não deixaria o ministro pisar no Congresso Nacional. “Mesmo que seja no braço”, disse e, claro, não cumpriu. No fim daquele ano, Tinoco foi à Câmara dos Deputados mais uma vez para reclamar aos parlamentares da falta de reconhecimento à categoria e ouviu do deputado uma pergunta bastante cordeira sobre se acreditava no apoio de Collor às reivindicações dos militares.  (DCM, acesso em 21out2018)


Nada oculto que não venha a ser revelado.

L.s.N.S.J.C.!

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

FACADA: uma grande farsa?


Por Jefferson Monteiro, via Facebook



QUEM me conhece sabe que não sou adepto de teorias da conspiração, mas acabo de ler no twitter um relato sobre um provável câncer no trato do intestino que possui uma riqueza de detalhes e notícias que resolvi trazer para cá. As informações a seguir foram publicadas originalmente na conta @afffmulher. Todos os links estão no fim deste post.

Há rumores de que Bolsonaro, na verdade, está com câncer terminal no trato digestivo e não está bem de saúde. Fontes próximas acreditam que ele não tem saúde para terminar um possível mandato.

Desde o começo do ano, Jair Bolsonaro dá sinais de que não está com a saúde 100% para um paraquedista formado. Não, não me refiro àquelas flexões de cabeça que ele fez. Me refiro aos desmaios, passamentos, passadas de mal.

No dia 8 de fevereiro, o deputado passou mal e precisou de atendimento médico na cidade de Cascavel, no Paraná. Ele sentiu calafrios e fortes dores no estômago (guarde esta informação). Segundo informações ele teve PROBLEMAS GASTRINTESTINAIS, provocado por algum alimento (?) que teria ingerido em São Paulo, antes de visitar a cidade. Ele ficou 3 horas em observação e depois liberado. O fato aconteceu a poucos dias do carnaval, não teve muita repercussão mas alguns sites locais noticiaram o ocorrido. [Fontes 1, 2 e 3]

Já em 13 de março, o candidato Jair Bolsonaro, passou mal novamente no Aeroporto no RJ, depois de uma viagem à Rio Branco, sendo internado no Hospital Central do Exército no Rio. Diferente do primeiro incidente, este é fácil de confirmar porque o G1 falou com a assessoria do candidato que confirmou tudo. Esta notícia foi amplamente divulgada. [4]

Agora vem um fato curioso: no dia 24 de março foi publicado um vídeo de Bolsonaro no Youtube, cujo título é “URGENTE! DOENÇA DE BOLSONARO NÃO O IMPEDE DE MOSTRAR A VERDADE” (vejam aqui: https://youtu.be/_HxAwEty414). Opa! Que doença!? Você deve estar pensando “Oxe, qualquer pessoa pode colocar um vídeo dessa na internet, com qualquer título, seu idiota” Sim, é verdade. Mas cliquem no vídeo e percebam que o candidato está com uma sonda nasogástrica. Você sabe quem usa sonda nasogástrica? Quem não tem condições de se alimentar sozinho, por exemplo. Alguém com problemas no trato digestivo. Não é um procedimento feito aleatoriamente. Tem um porquê. Qual? Não sabemos. Lembra que ele foi internado duas vezes por dores no ESTÔMAGO. Então…

Não há nenhum registro público de que Jair Bolsonaro já tinha passado por um procedimento semelhante por volta de março ou abril de 2018. As notícias são datadas apenas da época da famigerada facada, mais de 4 meses após a publicação do vídeo no Youtube.

Outra coisa curiosa é que o então deputado federal cancelou vários eventos a essa época (acompanhem minha linha do tempo, estamos no final de março, começo de abril). [5] A agenda do candidato só recomeça em 27 de abril de 2018. [6] Não há nada sobre o mês de março nem no site oficial do candidato.

Eis então que surge nas redes sociais um vídeo de Jair Bolsonaro em um culto. Você deve ter se deparado com ele nos últimos dias. Um pastor clama por CURA, ou melhor MILAGRE, enquanto dois obreiros repousam as mãos sobre o ESTÔMAGO de Bolsonaro. Sim, este vídeo que está circulando e estão associando a um prenúncio da facada e a um possível livramento provavelmente é um pedido de oração para a cura da doença por parte da esposa do candidato que é evangélica. A ida ao culto ocorreu no dia 2 de maio. [Links 7 e 8]

Avançamos para o primeiro debate na TV, o da rede Bandeirantes. O debate ocorreu em 09 de agosto de 2018, Bolsonaro foi o único sentado durante toda a discussão. Guilherme Boulos Boulos, mais tarde, disse em tom jocoso que o candidato estava visivelmente dopado, sequer conseguia falar direito. [9]

No dia 06 de setembro de 2018, o atentado. A facada que aconteceu justamente no dia em que o candidato que sempre andava de colete a prova de balas, havia esquecido de usar o item de segurança. [10] Lembremos da camisa forjada com sangue [11] e toda a balela criada pelos dois lados. Temos que pensar na inconveniente conveniência deste ataque. Não esqueçamos também da saúde mental do autor do atentado [12], nem da coletiva de imprensa marcada para as vésperas do primeiro turno mas que acabou nunca acontecendo porque um deputado aliado de Bolsonaro solicitou a suspensão da entrevista e o pedido foi prontamente atendido pela justiça [13] [14]

Aliás, perceberam que ninguém fala mais disso? Não acho que o episódio tenha sido uma fantasia, mas não podemos descartar a possibilidade de ter sido usado para cobrir um problema de saúde maior do candidato. E já que estamos falando de conspirações, mais uma curiosidade: Dona Aparecida, proprietária da pensão que Adélio, o autor da facada, se hospedou antes de cometer o crime, morreu um semana após ter prestado depoimento a PF sobre o caso (2 semanas após o atentado). [15]

Um outro fato que gerou enorme repercussão foi a mudança de hospital. Todos se lembram que uma equipe do Sírio Libanês estava a postos e foi a primeira a chegar em Minas e tinha inclusive uma UTI aérea para levá-lo a SP. Mas houve uma confusão e com a desculpa de que o Sírio era “hospital de esquerda”, ele e os filhos fizeram questão de que o ex-capitão fosse para o hospital Albert Einstein.


Cirurgião que operou Bolsonaro é o mesmo que operou câncer de Hebe Camargo

Muito que bem, no Einstein, a cirurgia foi chefiada pelo Dr. Antônio Luiz de Macedo, ONCOLOGISTA, um dos maiores especialistas do país em câncer de intestino. [16] O médico é quem acompanha o candidato desde então.

Vale lembrar que a alta cúpula das Forças Armadas demonstra forte resistência à candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência da República. Mas a postura começou a mudar no começo deste ano sem maiores explicações. [17] E após a indicação do General Mourão como vice, a questão pareceu sanada e os militares embarcaram de vez na chapa.


Por fim, semana passada foi informado que Bolsonaro passará por uma nova cirurgia em janeiro do ano que vem. Ou seja, dias após uma eventual posse, caso ele seja o vencedor das eleições. [18] Qualquer problema que venha acontecer, nós já sabemos: o Vice assume. E o Vice dele todos nós conhecemos.

Isso tudo pode ser mais uma mera teoria da conspiração, mas me pareceu conter peças que se encaixam perfeitamente. E se houver algum vestígio de verdade nessa história é obrigação não apenas do candidato mas também de seu médico de informar o real diagnóstico à nação. Mentir ou omitir um quadro tão grave num momento tão delicado de nossa história seria um crime contra nossa democracia.

——————————————————————————————
FONTES:

1. Jair Bolsonaro passou mal e precisou de atendimento médico em Cascavel (08/02/2018 10h26) – http://umuaramanews.com.br/…/jair-bolsonaro-passou-mal-e-p…/

2. Jair Bolsonaro passou mal e precisou de atendimento médico em Cascavel (08/02/2018 10h06) – https://catve.com/…/jair-bolsonaro-passou-mal-e-precisou-de…

3. Bolsonaro passou mal e precisou ser atendido em clínica médica de Cascavel (08/02/2018 10h16) – https://cgn.inf.br/…/bolsonaro-passou-mal-e-precisou-ser-at…

4. Jair Bolsonaro passa mal e é atendido em Hospital Central do Exército no Rio (13/04/2018 21h39) – https://g1.globo.com/…/jair-bolsonaro-passa-mal-e-e-atendid…

5. Agenda de Bolsonaro deixa de fora eventos com pré-candidatos (06/06/2018 21h39) – https://www1.folha.uol.com.br/…/agenda-de-bolsonaro-deixa-d…

6. Jair bolsonaro divulga sua agenda de 27 de abril a 5 de maio (27/04/2018) – https://portalcanaa.com.br/…/jair-bolsonaro-divulga-sua-ag…/

7. Pastor orando e colocando as mãos sobre barriga de Bolsonaro – https://twitter.com/zehdeabreu/status/1051496576357687296

8. Bolsonaro No Maior Evento Evangélico Pentecostal do Brasil Gideões S.C (02/05/2018) – vídeo completo – https://youtu.be/wI0d5ZGU3u0

9. Boulos diz que Bolsonaro estava “dopado” no debate da Band (05/09/2018, 18H59) – https://www.revistaforum.com.br/boulos-diz-que-bolsonaro-e…/

10. Bolsonaro usa colete à prova de balas e tem seguranças voluntários (26/06/2018 às 07h31) – https://www.gazetaonline.com.br/…/bolsonaro-usa-colete-a-pr…

11. Campanha de Bolsonaro recria camisa com sangue e deve exibir facada (09/09/2018 04h00) – https://noticias.uol.com.br/…/campanha-de-bolsonaro-recria-…

12. Laudo psiquiátrico aponta insanidade mental em agressor de Bolsonaro (01/10/2018 09:55) – https://www.correiobraziliense.com.br/…/laudo-psiquiatrico-…

13. Urgente: TRF-3 suspende entrevistas com Adélio Bispo (27/09/2018 20:49) – https://www.oantagonista.com/…/urgente-trf-3-suspende-entre…

14. Deputado vai à Justiça para impedir entrevistas de agressor de Bolsonaro (21/09/2018 às 13:55) – https://paranaportal.uol.com.br/…/deputado-vai-a-justica-p…/

15. Morre dona da pensão em que Adélio se hospedou (21/09/2018 16:20) – https://www.oantagonista.com/…/morre-dona-da-pensao-em-que…/

16. Dr. Antonio Luiz Macedo (site Albert Einstein visitado em 17/10/2018 às 02:50) – https://www.einstein.br/…/entrevistas/dr-antonio-luiz-macedo

17. Cai resistência a Bolsonaro no Exército (17/01/2019 05:00) – https://politica.estadao.com.br/…/geral,cai-resistencia-a-b…

18. Nova cirurgia de Bolsonaro deve ser realizada em janeiro, diz médico (11/10/2018 05:00) – https://politica.estadao.com.br/…/eleicoes,nova-cirurgia-de…

(Gerson Nogueira, acesso em 18out2018)

Nada oculto que não venha a ser revelado!

L.s.N.S.J.C.! 

A MÁQUINA das mentiras!


Por Tereza Cruvinel, no Jornal do Brasil

Tereza Cruvinel (fonte: Internet)


A VANTAGEM de Jair Bolsonaro sobre Fernando Haddad subiu para 18 pontos percentuais (em relação aos 16 apurados na semana passada por Datafolha). Podia ser até maior, nas circunstâncias: Bolsonaro cresce surfando nova e forte onda antipetista , turbinada pelo mar de mentiras, calúnias e baixarias disseminadas contra o adversário pelo aplicativo whastsapp, através de milhares de grupos fechados, muitos criados a partir do exterior. O que se diz neste tubo de esgoto só é conhecido por quem lê, não podendo ser desmentido ou combatido. Esta variante digital da guerra suja eleitoral pode fazer da eleição brasileira caso tão rumoroso quanto o da Cambridge Analytics/Facebook na eleição americana.

A presidente do TSE, ministra Rosa Weber, convocou as campanhas de Jair Bolsonaro (PSL) e Haddad para discutirem o assunto hoje. Ela sabe que a eleição virou um faroeste sem lei e que um lado atua no vale-tudo. Faz seu gesto inútil para que fique registrado. Os consultores do tribunal teriam recomendado alguma forma de controle do aplicativo mas a maioria dos ministros não parece disposto a comprar uma briga. Acordo não haverá porque Bolsonaro já recusou um protocolo ético proposto por Haddad. Seus representantes dirão que não controlam os grupos, apesar das evidências de que seguem uma estratégia e um comando. O jogo sujo pelo whatsapp difere das fake news, notícias falsas postadas em espaços públicos. Ontem mesmo o TSE mandou o Facebook retirar conteúdos ofensivos a Haddad. Mas como entrar nos grupos e determinar que deixem de veicular isso e aquilo? O TSE não tem este poder.

Eu fiquei algumas horas em um grupo. Um participante pediu meu “adicionamento” mas logo depois, por minha baixa interação ou outro motivo, fui excluída. Mas vi e li horrores. Desde mentiras sobre desvios ocorridos nos governos petistas, que revoltam um eleitor já amargurado com a crise e a corrupção, até obscenidades, como o meme erótico de Lula e Haddad, completamente nus numa montagem.

Sobre desvios, destaco a série de 32 fotografias de obras de infraestrutura que Lula e Dilma teriam bancado em diversos países, presenteando-os com o dinheiro do BNDES, que deixou de ser aplicado no Brasil em nossas estradas, hospitais e escolas, dizem lá. Cada obra com sua foto, descrição e valor, na casa dos bilhões de dólares. Quem não se revoltaria com isso? É tarde para o PT explicar que o BNDES não deu dinheiro para os governos destes países, como ali é sugerido. O banco financiou empresas brasileiras, como a Odebrecht, que faz o porto de Mariel em Cuba, para poderem executar as obras que conseguiram. Isso se chama financiar exportações de serviços. Exporta-se o serviço e a matéria-prima nacional e os brasileiros ganham empregos nestas obras. Não sei se foram 32, como asseguram.

Há fartura de banner, memes e textos sobre roubalheiras, a riqueza de Lula, o luxo em que vivem os petistas (como a falsa Ferrari de Haddad). E também sobre as acusações de ordem moralista, na linha kit gay e pregação do incesto nas escolas. Diante da pancadaria nos grupos, soam como brincadeiras inocentes as Fake News bolsonaristas no Twitter e no Facebook.

Segundo a revista Fórum, o ativista Everton Rodrigues, responsável pelo blog “Falando Verdades”, foi desligado do Whatsapp após divulgar, no sábado, 13, uma lista com mais de 50 grupos pró-Bolsonaro administrados por números telefônicos que ficam nos Estados Unidos, principalmente em cidades da Califórnia. Ele apresentou cópia de um registro dos grupos mantido pela central do aplicativo. Alguns destes números, segundo Everton, atuaram como “administradores” na campanha de Donald Trump, cujo estrategista digital, Stevie Bannon, tornou-se consultor de Bolsonaro. Em recente entrevista, Bannon apontou o Brasil como parte de um “movimento” populista de direita global, que contaria com sua atuação.

Assim, a eleição vai sendo decidida, não pelo que Bolsonaro diz, não pelo que ele propõe, no inexistente programa de governo, ou no debate de que se recusa a participar, e sim pelo mar de mentiras que vai arrastando mais eleitores para Bolsonaro, fornecendo os argumentos toscos e infundados, que eles brandem exaltados para justificar a escolha feita. (via Facebook, acesso em 18out2018)

L.s.N.S.J.C.!

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

ELE não. Ele nunca!

Por Leo Moraes

TEM um poema maravilhoso de Baudelaire chamado “Os Olhos dos Pobres”. Nele o poeta descreve um dia passado com uma mulher maravilhosa, com um nível de afinidade e cumplicidade tal que fazia com que ele, cético, chegasse a acreditar na possibilidade de ter encontrado sua alma gêmea. Chega a noite, e a moça sugere que eles se sentem em um café num dos recém inaugurados bulevares de Paris (O poema data da época do Plano Haussmann, reforma que deu a Paris a forma que tem hoje). O local resplandecia em seu charme sofisticado e semi-acabado. O poeta descreve o entulho ainda na rua, o cheiro de tinta fresca, os frequentadores chiques com sua criadagem, a exuberância gastronômica. Eis que chega um homem com duas crianças, uma ainda de colo. Sujos e maltrapilhos, olhando contemplativamente para o maravilhoso café. E Baudelaire lê, pelos olhares, a visão de cada um deles em suas idades. Ele se sente enternecido pelos olhares, e ao mesmo tempo um pouco envergonhado da fartura de sua mesa, e busca os belos olhos de sua amada, e acredita ler neles o mesmo sentimento que o inundava. Ela então diz “Essa gente é insuportável, com seus olhos abertos como portas de cocheira! Não poderia pedir ao maître para os tirar daqui?”. E, como um frágil cristal, a imagem que ele tinha dela se estilhaça, e o possível amor se torna desprezo.


Peço perdão a Baudelaire por resumir nas minhas palavras o que ele próprio descreve tão melhor em sua obra. Mas eu acho o sentimento expresso ali muito adequado ao momento atual, e não sei quantos de vocês terão a paciência de buscar o original (o que recomendo!). Muitas coisas podem ser tiradas da cena descrita no poema. A injustiça da desigualdade, o reconhecimento de uma posição de privilégio, a importância da empatia. Mas pra mim a maior lição ali contida é:

Existem defeitos que são imperdoáveis.

Em várias ocasiões em que fui conversar com alguma pessoa próxima que vota nesse cara, as pessoas tentam levar a discussão para o lado de corrupção, ou de economia, ou da importância de tirar o PT, ou sei lá. O problema é que pra mim a opção passa por um lugar muito mais profundo, de humanidade, e moral básica. É simples: eu não voto em quem idolatra torturador. Eu não voto em quem fala que o erro da ditadura foi ter matado pouco. Eu não voto em quem diz que preferia ver o filho morto do que sendo gay. Eu não voto em quem diz abertamente que é contra a democracia. E mais uma lista de aberrações que esse cara disse, que são tantas que não dá nem pra listar.

Perto disso tudo, discussões sobre estado mínimo, direita e esquerda, reforma da previdência, educação, segurança, ou outras pautas, que tanto precisamos discutir como país, ficam insignificantes. É como se na eleição do condomínio um dos candidatos a síndico te desse um soco na cara, um chute no saco, matasse seu cachorro, e depois viesse querer discutir de que cor tem que pintar o portão, e pedir seu voto. Não dá.

O que ele fez foi roubar de nós a oportunidade de discutir que rumo queremos para o país. Não dá pra debater propostas, com um projeto como esse perigando ganhar. Então não se trata de um discussão meramente política, é uma questão de valores humanistas. Mesmo se eu achasse as propostas desse Jair sensacionais, eu ainda assim votaria contra ele. “Mas e o PT?” Foda-se! Qualquer um! Se fosse qualquer um dos candidatos, de todas as eleições desde 89, contra ele eu votaria. E olha que essa lista tem Maluf, Collor, etc.

Olha, eu também não gosto dessa polarização, externei minha opinião no primeiro turno, votei em outro candidato, acho que esse segundo turno prolongou por 4 anos essa inhaca que estamos passando. Tenho muitas críticas pesadas ao PT, quem me conhece sabe. Mas não há dúvida sobre qual o voto errado aqui. O mundo está vendo, todos os jornais importantes, de direita e esquerda, de todos os países, estão alertando. Até Madonna e Roger Waters sabem. Tem focinho de fascismo, rabo de fascismo, orelha de fascismo. O que é?

Tenho pessoas amigas que já estão sentindo na pele os efeitos dessa escalada na intolerância, e olha que ele nem ganhou ainda. Então o que eu estou fazendo é um apelo. Pensem bem, vejam de novo os vídeos com as falas abomináveis desse candidato. Não o que ele diz hoje, atenuado pelos marqueteiros, mas o que ele faz e diz há décadas. Por favor repensem, não entreguem o país para esse monstro sob o argumento de “pelo menos tiramos o PT”. Como Baudelaire tão bem nos mostra, alguns defeitos são sim imperdoáveis. (Mídia Ninja, acesso em 16out2018)

Quando vejo que apoiam esse sujeito cidadãos de bem como Doutor Bumbum, Edir Macedo, Eduardo Cunha, Aécio Neves, Silas Malafaia, Feliciano, Guilherme de Pádua (o que matou a mulher com 18 facadas), o cara que matou o índio Galdino incendiado, e outros como Ku Klux Klan, ...
 dá-me vontade de vomitar.

Sei que estou do lado certo da História. Direi um dia que não me omiti.

L.s.N.S.J.C.!


domingo, 14 de outubro de 2018

ALEX Solnik!

Haddad, se quiser vencer, precisa bater mais!



EU ME lembro bem. Ninguém duvidava que o empresário Antônio Ermírio de Moraes ganharia a eleição para o governo de São Paulo de 1986. Estava praticamente eleito. Logo que a campanha na TV começou, porém, seu adversário, Orestes Quércia trombeteou que um bebê-peixe (uma criança com escamas) havia nascido devido à poluição por mercúrio de um rio da Bahia provocada por uma fábrica de Antônio Ermírio.

Não mostrou foto. Apenas um desenho muito mal feito. Com a desculpa de não expor a mãe do "bebê de Rosemary".

A acusação era tão grotesca e sem credibilidade que Mauro Salles, chefe da campanha do empresário não deu bola; achou que aquilo viraria contra o caluniador. Não passava um dia sem Quércia falar no tal bebê-peixe e Mauro Salles continuava rindo daquilo tudo.

Somente um mês depois, quando Quércia passou Antônio Ermírio nas pesquisas, o marqueteiro acordou. Não deu mais tempo. Quércia ganhou porque bateu forte no adversário que estava com a eleição praticamente ganha.

Em 1989, Fernando Collor só ganhou a eleição apelando para o mesmo expediente. Jogando sujo. Contratou uma ex-namorada do adversário para dizer que ele quis abortar a filha que teve com ele. Fez o papel do vilão, do acusador. Mentiu. E ganhou.

Em 2014, Marina estava crescendo demais e ameaçou a liderança de Dilma, até que o marqueteiro João Santana pôs no ar um comercial de filme de terror em que Marina era acusada de tirar prato da comida da mesa dos brasileiros devido à sua aliança com o capital internacional. Santana foi acusado de tudo quanto foi nome. Mas deu certo. Ela não foi ao segundo turno.

São apenas três exemplos, mas há muitos outros. Quando um candidato precisa tirar muitos votos do outro em pouco tempo tem que bater nele com força e precisão. Tem que achar seu calcanhar de Aquiles e bater nele sem dó. Não tem outro jeito.

A essa altura, Bolsonaro tem 58% do eleitorado e Haddad 42%. Não há mais eleitores disponíveis. Há os comprometidos com ele e os comprometidos com o outro.

Portanto, Haddad só vai vencer se convencer ao menos 9 milhões dos 12 milhões de eleitores que aderiram ao adversário no segundo turno de que fizeram a escolha errada e a migrarem para ele.

Não tem outra alternativa.

São 9 milhões porque cada ponto percentual corresponde a 1 milhão de votos válidos e ele precisa tirar 9 pontos do outro para que caia a 49%.

E ele só vai conseguir isso apelando mais para a emoção que para a razão, usando mais sentimentos do que argumentos para desmascarar seu adversário. Ele precisa mostrar seus monstruosos defeitos e o mal que fará a todos se o elegerem. Com toda a ênfase que o momento exige.

Bolsonaro está na frente jogando sujo e contando mentiras, tal como fizeram Quércia e Collor. Não adianta dizer apenas que ele está mentindo, Quércia e Collor também mentiram e ganharam. É preciso algo mais.

A cara de bonzinho não pegou nessa eleição porque as pessoas estão preocupadas com assaltos e tudo o mais e acham que só alguém com cara de mau vai protegê-los deles.

Estão errados, é claro, mas quando descobrirem que precisam de alguém para protegê-los de quem esperavam proteção, será tarde demais. (Brasil 247, acesso em 14out2018)

L.s.N.S.J.C.!

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

EVANGÉLICOS são vítimas de um plano de poder!

Bolsonaro e certas lideranças evangélicas escondem atrás do discurso conservador moral o projeto “Temer radicalizado”, acentuando as medidas neoliberais adotadas pelo atual governo




Por Filipe Monteiro Morgado*


DE ACORDO com o censo de 2010 do IBGE, há mais de 40 milhões de brasileiros que se autodenominam evangélicos, dentre os quais cerca de 30 milhões são pentecostais (ou seja, membros das igrejas Assembleia de Deus, Universal, Nova Vida, Maranata, Mundial etc.).

No atlas do censo, nota-se a região metropolitana do estado do Rio de Janeiro com forte concentração de evangélicos pentecostais ou de tendência indeterminada (tal indeterminação pode ocorrer em razão da diversidade gigantesca de denominações evangélicas). O município de São Gonçalo chegou a ser veiculado, por meios de comunicação, como o mais evangélico do mundo, com o maior número de igrejas evangélicas por km² em todo o globo.


segunda-feira, 8 de outubro de 2018

POR QUE votam em Hitler?

Questiona professor e pesquisador Oliver Stuenkel

Fonte: Carta Campinas


OLIVER Stuenkel, professor e pesquisador de relações internacionais nascido na Alemanha, publicou um texto no El País tentando entender porque a população vota em candidatos que promovem o ódio. No caso, ele analisa o voto em Hittler na Alemanha, mas a semelhança com o Brasil nestas eleições é impressionante.

Veja esse trecho do texto:

“Ao longo da década de 1920, Adolf Hitler era pouco mais do que um ex-militar bizarro de baixo escalão, que poucas pessoas levavam a sério. Ele era conhecido principalmente por seus discursos contra minorias, políticos de esquerda, pacifistas, feministas, gays, elites progressistas, imigrantes, a mídia e a Liga das Nações, precursora das Nações Unidas. Em 1932, porém, 37% dos eleitores alemães votaram no partido de Hitler, a nova força política dominante no país. Em janeiro de 1933, ele tornou-se chefe de governo. Por que tantos alemães instruídos votaram em um patético bufão que levou o país ao abismo?

Em primeiro lugar, os alemães tinham perdido a fé no sistema político da época. A jovem democracia não trouxera os benefícios que muitos esperavam. Muitos sentiam raiva das elites tradicionais, cujas políticas tinham causado a pior crise econômica na história do país. Buscava-se um novo rosto. Um anti-político promoveria mudanças de verdade. Muitos dos eleitores de Hitler ficaram incomodados com seu radicalismo, mas os partidos estabelecidos não pareciam oferecer boas alternativas”

(…)

Em segundo lugar, Hitler sabia como usar a mídia para seus propósitos. Contrastando o discurso burocrático da maioria dos outros políticos, Hitler usava um linguajar simples, espalhava fakenews,

Fonte: Internet


(…)

Em terceiro lugar, muitos alemães sentiram que seu país sofria com uma crise moral, e Hitler prometeu uma restauração. Pessoas religiosas, sobretudo, ficaram horrorizadas com a arte moderna e os costumes culturais progressistas que surgiram por volta de 1920,

(..)

Em quarto lugar, apesar de Hitler fazer declarações ultrajantes – como a de que judeus e gays deveriam ser mortos -, muitos pensavam que ele só queria chocar as pessoas. Muitos alemães que tinham amigos gays ou judeus votaram em Hitler, confiantes de que ele nunca implementaria suas promessas. Simplista, inexperiente e muitas vezes tão esdrúxulo, que até mesmo seus concorrentes riam dele, Hitler poderia ser controlado por conselheiros mais experientes, ou ele logo deixaria a política. Afinal, ele precisava de partidos tradicionais para governar.

(…)

Em quinto, Hitler ofereceu soluções simplistas que, à primeira vista, faziam sentido para todos. O problema do crime, argumentava, poderia ser resolvido aplicando a pena de morte com mais frequência e aumentando as sentenças de prisão.

(…)

Jovens agressivos, que apoiavam Hitler, ameaçavam os oponentes, limitando-se inicialmente ao abuso verbal, mas logo passando para a violência física.

(…)

Hitler não chegou ao poder porque todos os alemães eram nazistas ou anti-semitas, mas porque muitas pessoas razoáveis fizeram vista grossa. O mal se estabeleceu na vida cotidiana porque as pessoas eram incapazes ou sem vontade de reconhecê-lo ou denunciá-lo, disseminando-se entre os alemães porque o povo estava disposto a minimizá-lo. Antes de muitos perceberem o que a maquinaria fascista do partido governista estava fazendo, ele já não podia mais ser contido. Era tarde demais.

Oliver Stuenke tem graduação pela Universidade de Valência, na Espanha, Mestrado em Políticas Públicas pela Kennedy School of Government de Harvard University, onde foi McCloy Scholar, e Doutorado em Ciência Política pela Universidade de Duisburg-Essen, na Alemanha. Atualmente trabalha como professor adjunto de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas, em São Paulo.
(Carta Campinas, acesso em 08out2018)

Para o eleitor brasileiro pensar bem. Depois será tarde demais!


L.s.N.S.J.C.! 

sábado, 6 de outubro de 2018

POR QUE figuras folclóricas, medíocres e violentas acabam desafiando a razão e a inteligência?


Mais do que os valores que defendem, esses personagens são fruto dos erros dos que os precederam



O CAPITÃO reformado Jair Messias Bolsonaro, de extrema direita, com ideias fascistas, que discrimina as minorias, denigre as mulheres, exalta a tortura e defende a violência, lidera as intenções de voto nas eleições presidenciais no Brasil, uma das maiores democracias do mundo. Isso deveria obrigar os demais políticos a se fazerem algumas perguntas incômodas.

Precisamos nos perguntar por que o político brasileiro poderia, hoje, como no passado Hitler, Mussolini ou o caudilho Franco, chegar ao poder, até mesmo pelas urnas, apesar de serem figuras folclóricas, inexpressivas e com biografias insignificantes.

Fonte: Internet


Precisamos nos perguntar o que os tornou protagonistas e inimigos da democracia e da liberdade. Descobriríamos que todos eles, a começar pelo capitão brasileiro, mais do que os valores que defendem, são o fruto dos erros dos que os precederam.

Por trás desses personagens, que estão mais para figuras do teatro do absurdo do que para guias mundiais e estadistas de alto nível, está a deterioração de uma classe política e de uma sociedade na qual as pessoas perderam a confiança nos valores da democracia e da liberdade. E nesses casos é forte a tentação, sobretudo dos mais desesperados, de cair nas mãos de caudilhos iluminados, messias religiosos e salvadores da pátria.

Há traços comuns nesses personagens, banais, mas perigosos para a democracia, que os unem numa espécie de destino curioso e fatal. Um deles é um desejo quase psicanalítico de superar sua mediocridade com a força de um messianismo que os resgate de sua pequenez e que, levado ao paroxismo, de repente os transforme em heróis e garantidores de uma sociedade que se sente ameaçada.
Fonte: Internet


Não por acaso, em Bolsonaro e nos outros ditadores aparece sempre um conflito religioso que acaba sendo resolvido a serviço de sua divinização, de escolhidos pelos deuses para sua missão. Todos eles haviam tido antes uma relação conflituosa com a religião que acabaram instrumentalizando para fortalecer seu poder. Hitler foi ao mesmo tempo cristão e ateu, defensor e perseguidor da fé, conforme sua conveniência. Mussolini era filho de um socialista ateu convicto e de uma mãe religiosa, e terminou, por interesse, tornando-se católico e defendendo a Igreja e o Vaticano.

O ditador Franco foi outro personagem ambivalente com a religião, que acabou usando – e abusando– para manter seu poder. Ele foi o grande abençoado pelos papas e saía em procissão sob ornamentos religiosos, acompanhado de bispos e cardeais.

E hoje, no Brasil, Bolsonaro, que tem formação católica, está nas mãos das poderosas igrejas evangélicas nas quais foi batizado novamente e que o apoiam nas eleições. E seu lema é “Deus acima de tudo“. E foi Deus, segundo ele, que milagrosamente o salvou do ataque sofrido durante a campanha, que o deixou à beira da morte.
Benito Mussolini (fonte: Internet)


Todos esses personagens medíocres que acabaram surpreendendo o mundo com a força de sua violência aparecem em suas biografias como artistas malsucedidos ou militares fracassados com sede de superação para exorcizar suas fraquezas. Hitler queria, e não conseguiu, ser um grande pintor, assim como o ditador espanhol. E hoje Bolsonaro, que aparece como o grande ex-militar capaz de redimir o Brasil de seus demônios do comunismo e dos destruidores da família e dos bons costumes, era um paraquedista sem brilho, demitido do Exército por sua conduta.

O deificado estrategista militar Franco, que levou a Espanha a uma sangrenta guerra civil e a 40 anos de ditadura e terror policial, que estudou em uma escola religiosa, era chamado por seus colegas da Academia de Toledo – dizem seus biógrafos – de “Franquito“, por ser pequeno, miúdo, fraco e ter voz afeminada. Chegou-se a pensar em lhe dar uma arma de cano curto, um mosquetão, em vez do pesado rifle do regulamento. A vingança de Franco por sua mediocridade juvenil é conhecida por seu mais de um milhão de mortos nas costas e seu hábito de anotar em uma folha de papel, enquanto tomava café, aqueles que deveriam ser fuzilados, desenhando uma flor sobre cada nome destinado à morte.

Bolsonaro foi um dos políticos brasileiros mais insignificantes em 27 anos como deputado federal, durante os quais, sem conseguir aprovar sequer uma única lei importante, se distinguiu apenas por suas bravatas e insultos a mulheres e gays, e sua defesa dos valores mais retrógrados da sociedade.

Na manifestação em favor de sua candidatura em São Paulo, um de seus filhos ofendeu as mulheres quando disse que as da direita são “mais bonitas e limpas” do que as da esquerda, que até “defecam na rua“. Mussolini, um dos fundadores do fascismo mundial, que alardeava suas aventuras sexuais, tinha um conceito menos higienista nessa questão. Contava, sem pudor, que preferia, quando desfrutava das mulheres, que fossem “cabeludas e não muito limpas” (La Caída de Mussolini, Ed. Planet, Barcelona). Também entre ditadores costuma haver uma estranha criatividade sexual e uma alergia e até mesmo desprezo, quando não perseguição, por tudo que não for macho e fêmea em estado puro. As políticas de gênero e sua riqueza humana e sexual tendem a ser ignoradas, e até a irritar aqueles líderes e salvadores da moralidade e da religião.

No entanto, permanece sem resposta, como no caso do capitão brasileiro, quem foram os verdadeiros responsáveis que lhes permitiram crescer e ganhar eleições que mais tarde desprezariam para dar lugar ao totalitarismo. Há um dito dos romanos que poderia nos ajudar a decifrar esse enigma que hoje atormenta o Brasil com Bolsonaro: “Corruptio optimi, pessima“, isto é, “a pior corrupção é a dos melhores“. E um mais moderno, que se escuta em alguns países da América Latina: “Quando os que mandam perdem a vergonha, os que obedecem perdem o respeito por eles“. É essa corrupção de quem deveria ter zelado pelos valores da civilização e da democracia que acaba gerando os monstros e fantasmas que hoje atormentam quem não abandonou os valores da democracia. Esses valores foram o sustentáculo das grandes civilizações do passado e de todas as lutas contra a barbárie.

Que o Brasil saiba escolher desta vez, com as armas da democracia e a aposta na liberdade, para não reescrever as páginas trágicas de um passado que sua maturidade democrática parecia ter sabido superar e exorcizado para sempre. (Pragmatismo, acesso em 04out2018)

Deus não esteja indiferente à nossa sorte!

L.s.N.S.J.C.!